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  Alex Castro
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A Simbologia do Pé e Aprendizes de Malvadas - Pedolatria, Podolatria, BDSM, Dominação

Um pé é tão sexy e tão lindo quando um seio empinado, uma barriguinha durinha, uma saboneteira definida, costas onduladas, panturrilhas firmes, mãos sinuosas. Mas há uma grande diferença. Lamber entre os dedos dos pés de uma bela mulher não é a mesma coisa que passar a língua por entre os ossos protuberantes de sua saboneteira.

Lamber um pé é um gesto de humildade e submissão. Rainhas mandam escravos lamber suas solas. Fazer um homem se ajoelhar e chupar seus dedos é a prova maior do poder da mulher e da total derrota do homem. Ao mesmo tempo em que sente o prazer que ele lhe proporciona, ela o despreza ainda mais por satisfazer seus caprichos.

Todo esse imaginário - ao mesmo tempo psicológico, simbólico e, por que não?, folclórico - é que dá ao pé uma profundidade metafórica e uma tensão sexual que, convenhamos, uma saboneteira não tem.

Aprendizes de Malvadas

Já expliquei na Prisão Conformismo as vantagens de se mostrar. São vantagens que eu colho todos os dias. Desde que publiquei o Elogio às Malvadas, em agosto de 2003, sou procurado por mulheres de todo o tipo, desde dominadoras profissionais e amadoras até adolescentes confusas e curiosas, com desejos estranhos, difíceis de explicar e impossíveis de realizar.

A maioria dessas histórias eu não posso contar. São pessoas que se abrem para mim em confidências que lhe são quase impossíveis de fazer - e só fazem porque sentem que eu também, de certo modo, me abri com elas.

Uma menina de 16 anos, com quem converso de vez em quando, disse que meu Elogio às Malvadas foi uma das coisas mais importantes que já leu. Sua atual aventura é tentar se conhecer melhor e descobrir, sem preconceitos, o que lhe excita e o que não. E me contou uma historinha:

Suas amigas às vezes se soltam mais e trocam fantasias sexuais que têm com algum galã da moda. Não lembro quem era, digamos que seja o Brad Pitt. Enquanto suas amiguinhas (uma mais virgem que a outra) contam tudo o que fariam ou deixariam de fazer na cama com o Brad Pitt, ela morre de vergonha de admitir - e nunca admitiu, claro - que não tem grandes vontades de transar com o Brad Pitt. Pelo contrário, se ele lhe caísse nas garras, seu tesão era fazer coisas bem diferentes, que ela não tinha coragem de confessar pra ninguém. Me achariam maluca, ela diz, pô, EU me acho maluca!

Sua fantasia sexual, o que mais lhe excita, é fazer o Brad Pitt se apaixonar por ela, humilhá-lo, obrigá-lo a largar sua carreira no cinema, abdicar de tudo só para tê-la, e ela só provocando-o, atiçando-o, e então, quando já não lhe restasse nada, só aquela paixão irreprimível por ela, ela riria na cara dele, diria que agora que ele não é mais um astro, não lhe serve, não lhe tem serventia alguma, o que vai querer com um pobretão inútil desses?, que vá pintar paredes, arranjar mulheres na zona, qualquer coisa assim, mas saia da minha presença agora!, e ele sairia, arqueado, derrotado, humilhado, e o que mais a excitava, nessa sua fantasia, era a idéia de acabar com a vida de um astro de Hollywood por puro capricho, sem motivo algum, e, melhor ainda, ele ter feito tudo voluntariamente, por puro tesão, um tesão que ele carregaria pra sempre, acumulado e frustrado.

(16 anos!)

Converso com menores de idade com cuidado. Aliás, o caso é tão freqüente que tenho que me instruir com meu advogado a respeito. Não quero ser obrigado a tomar cicuta por corromper nossa juventude.

Mas como NÃO ajudar essa menina? Como eu poderia não lhe dizer que não, ela não é maluca - tá, talvez só um pouquinho? Que esses seus desejos não são nem normais nem anormais, porque não existe tal coisa, mas que não são únicos? Que o mais importante era ela saber que não estava sozinha? Que não faltam homens (e nem mulheres, se ela quiser) com desejos completamentares aos seus? Que, pra cada maldade que ela sonha em inflingir, existem pessoas que sonham sofrer?

Tudo aqui a dois aninhos, claro.

Postada no blog em Maio, 2005

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