Muita gente tem me pedido sugestões de leitura. Autores bons há muitos. Mas como, em geral, quem me pede isso gostou desse blog, vou dar aqui uma lista dos meus pares, ou seja, autores que seguem, em larga medida, a linha filosófica desse brog.
Meu objetivo é dedicar um post detalhado a cada um desses grandes autores, que eles merecem, mas como sei que isso vai demorar e os pedidos estão se acumulando, vou me forçar a ser muito breve e falar só muito pouco sobre cada um deles.
Liberdade & Sexo
Walt Whitman
Eu não gosto muito de poesia, por achar que, em geral, poesia é só forma e pouco conteúdo. Por favor, NÃO venham me listar as inúmeras exceções que sei que existem, mas o velho sem vergonha Walt é a maior dessas exceções. Ele escreveu só um livro, Leaves of Grass, Folhas de Grama, reescrito e aumentado ao longo de sua vida. Antes de qualquer outra coisa, leiam sua obra-prima, Song of Myself, Canção de Mim Mesmo. O resto é bom, mas empalidece na comparação. E leiam no original, se puderem.
Henry Miller
O velho pornógrafo. Seus livros foram proibidos por décadas, pelo conteúdo pornográfico. Puro moralismo cego. Qualquer novela das oito tem mais cenas de sexo do que os livros de Henry Miller. O que faz dele um mestre é sua filosofia libertária. Black Spring (Primavera Negra) tem todo um capítulo sobre as delícias de mijar ao ar livre. Os críticos (e a maioria esmagadora dos leitores) não entendem que Miller via a vida como um todo. Ele brincava dizendo que tinha 3 tipos de leitores: os que gostam da filosofia e reclamam das longas cenas de sexo, os que gostam das longas cenas de sexo e reclamam dos longos monólogos filósofos e, finalmente, os que entendem que é tudo uma coisa só, matéria da vida, em estado bruto, sexo, mijo e liberdade. Comecem pelos trópicos, Trópico de Capricórnio ou Trópico de Câncer, e depois encarem Primavera Negra. O resto é só pra viciados mesmo.
Roberto Freire
Ele começou como psicanalista, viu as amarras que prendiam Freud e criou a Somaterapia. Seus livros Ame e Dê Vexame e Sem Tesão Não Há Solução são sensacionais, a melhor coisa, que eu saiba, que já se escreveu em português sobre esses temas de sexo e liberdade. Estou há muito tempo pra comparecer a uma das reuniões do Soma aqui no Rio e sempre adio. Acho que teríamos muito a aprender juntos. Ele acabou de lançar uma autobiografia, que ainda não li.
Jack Kerouac
On The Road foi um livro que mudou minha vida. Depois, passei o rodo nos beats, mas nenhum outro livro dessa turma me marcou tanto. Li alguns outros trabalhos do Kerouac, que não me impressionaram, e estou com Dharma Bums na fila, que parece ser melhorzinho. On The Road, pra quem não sabe, é o road book por excelência, a história de jovens vagando pelos Estados Unidos da década de quarenta, bebendo, cheirando e fumando todas, e dormindo com qualquer coisa que tenha duas pernas. O livro é lindo, poético, triste, patético. É uma verdadeira viagem, no sentido literal do termo. Kerouac tentou criar a literatura da espontaneidade, e escreveu o livro em três semanas em um rolo único de papel, pois dizia que ficar trocando o papel na máquina de escrever quebrava seu ritmo.
Liberdade, Política & Religião
Henry David Thoreau 
Membro do movimento filosófico norte-americano dos transcendentalistas, que muito influenciaram Whitman. Ele escreveu Walden e Ensaio sobre a Desobediência Civil. Ele ensina muito sobre rebeldia. Quase chorei quando li uma frase dele que eu já havia aprendido sozinho em criança: "Quando descobri que o máximo que podiam fazer era prender meu corpo, percebi a extensão da minha liberdade"
Ralph Waldo Emerson
O pai dos transcendentalistas. Seus Ensaios são sensacionais.
Jean Paul Sartre
Sartre tenta criar uma filosofia de vida para o ateísmo. Como, no ser humano, a existência precede a essência, quer dizer, primeiro nascemos e, depois, ao viver, vamos, nós mesmos, construindo nossa essência, bem, por tudo isso, por não haver deus que nos dê essência, ou seja, um objetivo nessa vida, ou uma razão de viver, cabe a nós suprir essa lacuna. E não é fácil. Por isso, quando Sartre fala de liberdade, ele diz que o ser humano está condenado a ser livre, pois a liberdade é um tremendo fardo e não é nada fácil de se carregar. Eu descubro isso tudo dia no meu casamento. Depois, ele ficou gagá e aderiu ao marxismo, que foi a segunda maior besteira que a humanidade inventou – a primeira foi deus, claro.
Julien Offray de la Mettrie
Filósofo materialista francês. Esse é quase impossível de encontrar por aí, não é muito badalado. Ele dizia que, eticamente falando, a felicidade é o objetivo natural de cada organismo, tal como a saúde, e, logo, a má consciência, enquanto inimiga da felicidade, é apenas uma doença que precisa ser tratada. Leiam o Homem-Máquina.
Esses são só alguns. Quem souber de outros autores que sigam a linha desse brog, podem me dizer que vou correr atrás deles.
Autor é que nem figurinha: é pra trocar.
Postado no blog em Abril 09, 2003
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