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  Alex Castro
Editor do seu Guia de Blog na Internet
Ambrose Bierce, Ray Bradbury e Carlos Fuentes

Livros em Áudio

Descobri que não tenho capacidade de concentração o suficiente para assistir filmes em DVD no computador. Acabo passando metade do filme no MSN, lendo emails, navegando na internet. Ao invés de assistir o DVD, só ouvia.

É como na época da escola: eu precisava de pelos menos dois inputs de informação. Se ficasse só olhando pra cara do professor, minha mente ia embora em dois minutos. Mas se ficasse lendo um livro E ouvindo, conseguia me concentrar nos dois.

Pois bem, desisti de ouvir DVDs e comecei a baixar livros em áudio pelo Kazaa, tanto audiobooks atuais quanto adaptações de obras literárias para o rádio. Agora, fico navegando pela web e trabalhando no computador enquanto vou ouvindo esses audiobooks. E me divirto muito.

Ray Bradbury

 Fahrenheit 451: a Temperatura na Qual o Papel do Livro Pega Fogo e... RAY BRADBURYNos últimos dias, tenho ouvido uma série de rádio baseada nos contos de Ray Bradbury, com episódios de meia hora cada.

Quando eu era moleque, eu adorava ficção científica. Devorei todos os livros que encontrei dos famosos mestres ABC (Asimov, Bradbury e Clarke). Nunca mais li Clarke de novo. As leituras e releituras de Asimov só me fazem confirmar seu gênio.

Mas esses últimos contos do Bradbury me foram bem decepcionantes. Não vi preocupação nem com mood ou atmosfera (como Lovecraft) ou com idéias (como Asimov), mas puramente com efeito, e sempre efeito surpresa, um efeito surpresa que se desvaneceu completamente sessenta anos depois.

Ficaram parecendo contos infantis.

Releituras de Ambrose Bierce

O fracasso de Bradbury em resistir ao tempo me fez pensar em Ambrose Bierce, o grande mestre contista norte-americano do século XIX.

Bierce, apesar de também mestre do efeito surpresa, pasmem!, não envelheceu nem um dia. 150 anos depois, apesar de imitadas à exaustão por todos os que vieram depois, suas histórias ainda são surpreendentes.

Estou lendo uma coleção de seus contos completos e é impressionante a concentração que requerem. Como nos grandes mestres contistas, Poe, Singer, Maupassant, Tchecov, cada palavra absolutamente conta. Não só conta, como é indispensável. Ler um conto de Bierce pulando palavras ou sem prestar atenção é garantia de não entender nada. O conto acaba num sobressalto e o leitor desatento mal sabe o que o atingiu.

Ler obras completas é sempre um perigo que não recomendo a ninguém. Eu mesmo só faço isso em casos de paixão profunda. Afinal, se você já leu os melhores trabalhos, o que sobra é enchimento, tentativas frustradas, a xepa.

Não com Bierce. Ao ler seus contos completos, não sei o que é mais surpreendente: que o valor dos melhores não tenha se diluído nem um pouco, nem quando dependiam da surpresa final, ou que mesmo os mais fracos sejam tão absurdamente bons.       Avenida Dropsie: a Vizinhança WILL EISNER

Um Mestre da Ironia

Ambrose Bierce me foi apresentado por outro gênio americano recém-falecido, Will Eisner, que quadrinizou alguns de seus clássicos nas histórias do Spirit.

   Visões da Noite: Histórias de Terror Sarcástico AMBROSE BIERCEBierce combateu a Guerra Civil de ponta a ponta e suas histórias de guerra estão entre a melhor literatura militar jamais produzida.

Era antes de tudo um cínico: o seu brilhante Devil's Dictionary foi a fonte na qual beberam tantos outros famosos ironistas americanos, como Dorothy Parker e H. L. Mencken. Não à toa, o subtítulo para a única seleção de seus contos em catálogo no Brasil, ao lado, é: "histórias de terror sarcástico".
 

A Morte de Ambrose Bierce

É de Bierce uma das melhores frases sobre o México: "Pobre México. Tão longe de deus, tão perto dos Estados Unidos."

Resmungão e linha-dura, ele decidiu que não iria morrer na cama. Aos 71 anos de idade, em 1913, ele se despediu de todos seus amigos e conhecidos e cruzou o Rio Grande, em plena Revolução de Pancho Villa. Nunca mais foi visto novamente.

Saber morrer foi, durante muitos séculos, considerado uma arte. Caiu em desuso no século XIX e sumiu completamente no XX, com raras e honrosas exceções.

Ambrose Bierce era tão foda que sabia até morrer.

Carlos Fuentes

    Gringo Velho CARLOS FUENTESNaturalmente, não faltam as mais mirabolantes teorias sobre o que teria acontecido com Bierce no México.

Uma das mais famosas releituras literárias do grande mistério é o romance Gringo Velho, de Carlos Fuentes, depois filme de sucesso. Como gosto de leituras casadas, fui lendo o romance ao mesmo tempo que lia os contos de Bierce.

Espelho Enterrado, O CARLOS FUENTESGosto de Fuentes. Adorei Aura, sua noveleta em segunda pessoa - não é fácil escrever na segunda pessoa! - e adorei mais ainda seu livro de ensaios sobre a América Latina, O Espelho Enterrado, que consegue se esbaldar na cultura latina sem entrar no complicado tema da política.

Mas Gringo Velho, apesar de ter um protagonista fascinante e narrar um mistério empolgante, não fascina e nem empolga. Não que seja ruim. É daqueles livros absolutamente corretos, indispensável pra qualquer fã de Bierce, como eu, mas que não passa disso.

Estou com A Morte de Artemio Cruz na fila, espero que seja melhor.

Alguns links:

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Postada no blog em Abril de 2005


 

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O livro que recebi de presente do meu mecenas Ricardo foi o Cartas Portuguesas, cinco cartas pretensamente escritas por uma freira lusitana a um cavaleiro francês, então estacionado em Lisboa, no século XVII.

Arte, Crime e Patrocínio 
Um artista plástico espalha caixas pretas pelo metrô de Nova Iorque, gera pânico e acaba preso. Arte? Ou crime? Outro, pinta de vermelho um iceberg. Arte? Ou futilidade? No Brasil, uma jovem cria obras baseadas em buscas aleatórias no Google. Arte? Talvez, mas não de acordo com o Ministério da Cultura, que não prevê patrocínios para Cultura Digital.

A Inutilidade da Arte 
Quanto mais útil a arte, menos arte ela é. A utilidade desvirtua a arte. O que distingue a agricultura da ópera é que uma é absolutamente vital para a nossa sobrevivência; a outra, nem um pouco.

Tradução: A Pureza do Original 
Fico preocupado de ouvir um tradutor dizer que a pureza do original não existe ou que não deveria ser importante. Tremo de imaginar o que tradutores imbuídos dessa filosofia não devem modificar, interferir ou "melhorar" os livros que traduzem.

O Velho Libertário e o Jovem Discípulo      
Peço perdão por não ser mais o homem que escreveu esses livros. Mas nem mesmo naquela época eu era assim o tempo todo. O importante é que eu era assim no momento em que escrevi aquelas palavras. O importante é que você seja assim no momento de lê-las. O resto é ficção.

O Dever do Escritor 
Quem faz arte pra provar uma teoria filosófica, defender um governo ou mesmo socorrer uma pobre classe social oprimida não está fazendo boa arte. Está sendo, talvez, uma boa pessoa, um bom cidadão, um bom político, um bom filósofo. Mas um artista sofrível.

O Dever do Colunista 
Quando mataram a Liana e o Felipe, boa parte dos colunistas da grande imprensa não teve pudor algum em somente repetir o blá-blá-blá do senso comum. Cadê o profissionalismo dessa gente?

O Golpe de Mersault 
Camus distorce tanto nossa percepção que esquecemos que Mersault cometeu, de fato, o crime pelo qual está sendo acusado! O homem é culpadíssimo!

Heróis e Vilões 
Qualquer bom autor sabe fazer seu leitor ir aonde ele bem quiser, como um treinador balançando o osso na frente do cachorro. A good author can get away with anything.

Duas Leis das Artes Dramáticas 
Quem mais seria o vilão da história? Um estava morto, a outra era a mocinha e a outra era uma negona que tinha entrado no meio da trama. Só sobrava realmente ele.

A Escola Urbana 
Uma nova escola literária vem tomando conta da literatura brasileira há mais de 30 anos. Por falta de nome melhor, eu a chamo Escola Urbana.

Pacto da Mediocridade 
Que pacto de mediocridade é esse? Se nem os nossos formados em Letras-Inglês lêem Shakespeare no original, pra que servem? Não é esse seu trabalho?

Um Épico Injustiçado: O Senhor dos Anéis   
Os doutores da Academia, que suspiram por grandes épicos da humanidade como "La Mort d'Artur" e "Bewoulf", torcem os narizes para "O senhor dos anéis". É pena. Iriam adorar. O livro foi escrito para eles e por um deles.

Literatura Imaginativa   
os autores brasileiros parecem ter sido convencidos, em algum momento, que imaginação e boa literatura não combinam. O ideal de todos parece ser reescrever Um Coração Simples, do Flaubert, o romance, por excelência, onde nada acontece.

Romance do Não-Dito: Aquele Rapaz, de Jean-Claude Bernadet    
Aquele Rapaz é curto pois tudo foi cortado. Aquele Rapaz é riquíssimo, mas nada está lá impresso. Aquele Rapaz, na verdade, é somente um guia de leitura para um outro romance, maior e muito mais grosso, que simplesmente não existe.

Saber Ler Literatura   
Saber ler literatura é saber que abordar qualquer obra de arte jamais será uma atitude passiva. A verdadeira obra de arte exige compromisso, exige ação, exige feedback. Arte não se aprecia. Se apreciou, ou não é arte ou você entendeu errado. Verdadeira arte não se aprecia pois apreciar é uma atitude passiva e a verdadeira arte cobra interação.

A Grande Conversa   
Os clássicos não são só livros consagrados: eles são as vozes da Grande Conversa. Não estão mortos: eles falam, eles gritam, eles choram, uns com os outros, o tempo todo. Heráclito teoriza, Aquino racionaliza, Cervantes ri, Descartes sugere uma outra opção, Kant contextualiza e Marx destrói.

Lady Averbuck   
Ela parece merecer o apelido de Lady Averbuck. Tudo indica que é uma pessoa insuportável, mal humorada, ranzinza, arrogante e totalmente louca. O que importa é que ela é uma puta escritora.

Paulo Coelho na ABL   
Paulo Coelho pode ser um péssimo escritor, mas é um escritor. E isso, convenhamos, já é mais do que podemos falar sobre muitos dos membros da Academia, como Getúlio Vargas e Roberto Marinho.

Autores Libertários  
Muita gente tem me pedido sugestões de leitura. Autores bons há muitos. Mas como, em geral, quem me pede isso gostou desse blog, vou dar aqui uma lista dos meus pares, ou seja, autores que seguem, em larga medida, a linha filosófica desse brog: Whitman, Miller, Freire, Kerouac, Thoreau, Emerson, Sartre, La Mettrie.

Mais Livros do Mal  
Sentei em uma daquelas poltronas maravilhosas (tinha 3 horas de hora pra fazer!) e li vários contos de cada livro. Estava torcendo, sinceramente, pra algum deles ser ruim e eu não ter que levar. Afinal, não é?, autor novo, todos jovens, nunca se sabe. Não foi o caso.

Literatura Contemporânea e Livros do Mal

Ultimamente, só venho lendo clássicos. Estou há mais de um mês no Dom Quixote, por exemplo. Sinto muita falta de literatura contemporânea, mas infelizmente isso custa dinheiro. Clássicos eu pego na biblioteca, eu baixo pela Internet e até mesmo compro edições baratíssimas em tudo quanto é sebo. Já, por exemplo, o novo livro do Bernardo Carvalho só comprando e pelo preço integral: não tem jeito.

 

LIBERAL LIBERTÁRIO LIBERTINO

Rebeldia, contemplação e muita sacanagem. Um blog pra falar de liberdade e literatura.