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  Alex Castro
Editor do seu Guia de Blog na Internet
Os Carros do Meu Pai - Porsche, BMW, Mercedes

Vocês podem até não acreditar mas houve época, lá entre a Idade da Pedra Lascada e da Pedra Polida, antes do celular, da internet e da água encanada, que o Brasil era um país completamente fechado às importações. Só circulavam produtos made in Brasil, desde carros até computadores.Niva

Eu ainda me lembro, logo depois da abertura da economia pelo Collor, em 1990, os primeiros carros a serem importados. Foram Nivas, da Lada, uma fábrica soviética - sim, amiguinhos, naquela época ainda havia União Soviética, estamos falando da pré-história, eu avisei. Bem típico do Brasil que os primeiros carros a serem importados eram ainda piores do que os nossos.

Enfim, antes disso, só circulavam carros made in Brazil, todos muito parecidinhos e homogêneos.

Lá pelo final da década de 70, meu pai começou a fazer dinheiro na bolsa e decidiu gastar parte dele na sua grande paixão: carros. Mas qual a graça de comprar Fuscas, Passats e Variants? Na época, o topo de linha nacional era o Alfa-Romeo, grandalhão e feioso.

Alfa RomeoHavia uma brecha na lei de importações, porém. Diplomatas podiam importar carros. O privilégio era pouco usado, não se via nenhum carro importado nas ruas, mas era a saída pro meu pai. Não sei exatamente qual era a treta, e devia custar caro, mas ele conseguia comprar carros importados legalmente por diplomatas. Tivemos muitas BMWs, Mercedes e Porsches. O auge, se não me engano, foi uma Porsche 928, em 1983, que por pouco não matou meus dois pais em um cavalo-de-pau quase marítimo em plena Avenida Niemeyer.

(Hmm, se tivessem morrido naquela época, e se eu e minha irmã tivéssemos tido um bom tutor, eu poderia ser rico até hoje... Ah, deixa pra lá, prefiro meus pais vivos e pobres.)

Acho difícil de um jovem hoje conceber o quanto uma Porsche 928 chamava a atenção no Rio de 1983. Hoje, ainda chamaria atenção, e olha que temos trocentos carros importados em circulação, de todos os tipos e modelos.porsche

Na época, uma Porsche, um BMW ou uma Mercedes seria praticamente o único carro importado entre Gols, Corcéis, Belinas, Brasílias, Paratis. Não havia nada que chegasse nem perto. Chegava a ser um carro inroubável, pois era único ao ponto de não ter valor de mercado. O que um bandido iria fazer com ele?

Todo mundo olhava. Todo mundo apontava. Todo mundo comentava. Circular ao lado do Presidente Figueiredo em um carro aberto chamaria menos atenção. Bem menos. O pobre do homem andava todo dia no Pepino e ninguém nem olhava.

Uma cena era típica. Estacionávamos na rua, íamos pra algum lugar e, na volta, sempre havia alguém babando no Mercedes, adolescentes empolgados sonhando com o carro que nunca teriam.

Belina variant

Meu favorito era o cara com a namorada, mãos ao redor de sua cintura, explicando detalhadamente que aquele era um BMW 973i, da série 28, que tinha duzentos e quarenta e oito e dois terços pistões de potência, e cinco rebimbocas da parafuseta, cinco!, enquanto o melhor carro nacional tinha no máximo três rebimbocas, e, por isso, ele fazia curvas com muito mais estabilidade, blá blá blá, e enquanto a pobre moça fazia de tudo pra parecer interessada, lá vinha o macho alfa, com sua esposa e sua prole, pavoneando-se, peito estufado, cauda colorida toda aberta, chave na mão, pra tomar posse do seu brinquedo.

O diálogo seguinte era inevitável e irresistível:

Puxa, você tem um Mercedes 283¼ M! É verdade mesmo que ele tem um carburador duplo com ventoinha acoplada turbo?

E meu pai, que adorava falar do seu brinquedo, explicava cada detalhe:

Na verdade, é a 845¾ T, série beta, que tem a ventoinha acoplada turbo, a 283¼ M tem ventoinha interna oblíqua, que permite maior blablalização do combustível.

Caramba, que máximo, hein?!

Pois é.

E minha mãe, a namorada e eu trocávamos olhares entediados de que coisa, hein, meninos e seus brinquedos, vai se fazer o quê?

Passat Fiat

Antes que comecem a malhar meu pai (qualquer comentário que eu considere ofensivo a ele será sumariamente deletado), deixa eu afirmar aqui que tive o melhor pai do mundo. Ele era presente, dedicado e companheiro. Como a bolsa só opera mesmo de manhã, ele saía de casa antes do nascer do sol e, se não tivesse almoço com cliente, já estava de volta bem cedo, para ficar com os filhos, brincar, passear ou, pior, muito pior, nos pegar no colégio.

Meu pai adorava nos pegar no colégio. E podem ficar certos que ele não ia de táxi.

Eu nunca fui dessas crianças bobas que tem vergonha dos pais. Eu tinha e tenho muito orgulho dos meus. Tinha vergonha era do carro.

Meu colégio funcionava em um condomínio de classe média alta da Barra da Tijuca. Nenhum dos meus colegas era pobrinho. Mas, mesmo assim, um BMW era demais. Teoricamente, era algo que não poderiam ter nem se pagassem.

E lá vinha o macho-alfa, na fila dos carros, dirigindo seu brinquedão.

Pra mim, não havia saída. Das duas, uma.

Os meninos que não gostavam de mim caçoavam com fúria, me chamavam de filho de bicheiro, que meu pai tinha que ser ladrão, só pode!, senão como teria um carro daqueles?!, bandido, bandido!

MercedesNa verdade, eu nunca liguei pra esses. Pior eram os meus amigos.

Eles vinham falar comigo com uma empolgação quase contagiante. Quase. Pena que nasci imune:

Caralho, que máximo, você tem uma BMW 1985, série JG8½c! Não acredito! É essa que tem a injeção eletrotástica barométrica?

Não sei.

Como assim não sabe? Você tem uma BMW 1985, série JG8½c na garagem e não sabe se ela tem injeção eletrotástica barométrica?!

Não. Não sei nem o que é isso.

E válvula de escape ontológica ígnea?

Também não sei.

Porra, mas você não sabe nada.

E eu respondia: por que você não pergunta pro meu pai?

E adivinham o que acontecia? Exatamente isso, claro.bmw

Meus amigos iam pra minha casa, cercavam meu pai como se ele fosse Sócrates na ágora, sorriso de orelha a orelha, mais feliz do que nunca, e ficavam horas conversando sobre todas as especificações técnicas do carro.

Depois, vinha o inevitável passeio.

Para quem não conheceu a Barra na década de 80, era o verdadeiro oeste selvagem. Não havia sinais de trânsito, pardais, faixas de pedestres, acostamento, faixas, nada. A lei e a ordem só iam até a Gávea. Os retornos e sinais de trânsito na Avenidas das Américas são de 1994. Quando eu aprendi a dirigir, em 1991, todo inseguro e morrendo de medo, uma das coisas que mais me confundia era que as auto-pistas simplesmente não tinham as faixas pintadas e eu dirigia que nem um bêbado indeciso.

Enfim, nada me tira da cabeça que meu pai foi morar pra Barra justamente porque era o único lugar da cidade onde ele podia levar seus carros pra passear como se estivesse em uma autobahn prussiana. E ele passeava, meus amigos. Os carros não podiam reclamar de saudades de casa.

Pior era chegar na casa dos meus amiguinhos, meses depois, e ouvir até os pais comentando o passeio. Claramente, para meus amigos, não tinha sido só um passeio de carro, mas uma aventura memorável e única, uma história que se conta pra família assim que se chega em casa e passa a pertencer ao imaginário coletivo. E me cobriam de perguntas que eu não sabia responder.

Suzuki Swift HatchSó uma única vez eu dirigi um dos carros importados do meu pai. Eu tinha 19 anos e namorava a Clarice. Iríamos passar o fim de semana no sítio dela, na serra, e na hora H, meu carro, um Suzuki Swift hatch 1.0, morreu. Meu pai estava fora da cidade e fora de alcance - antes de emails e celulares, lembram? - e eu, muito a contragosto, sem outra opção e me cagando de medo, deixei um recado pra ele na geladeira e subi a serra no seu BMW.

Pois bem. Eu estava dirigindo um BMW caríssimo e super potente, qualquer toquezinho no acelerador e ele já vai a 200km/h, qualquer movimento brusco no volante e a porra já dá um cavalo-de-pau. Cheguei no sítio de Clarice completamente estressado. Além disso, éramos adolescentes e tínhamos coisas mais interessantes pra fazer, como jogar sueca e conferir nossas coleções de selos búlgaros. Esqueci completamente de ligar pra casa pra dizer que tinha chegado bem.

Resultado: meu pai, que perdeu a irmã em um acidente de carro, surtou. Pegou meu Suzuki, que ele conseguiu botar pra funcionar, e subiu a serra já esperando ver os destroços fumegantes pelo acostamento. Não sabia o endereço do sítio de Clarice e ficou perambulando pela cidadezinha, no meu carrinho hipercompacto, perguntando pra todo mundo se alguém tinha visto um adolescente gordinho passar num enorme BMW esportivo. Uma cena bizarra.

Não sei não, mas como ele nunca fez nada parecido, nem antes nem depois, acho que estava preocupado era com o carro.

A única vez que chorei de medo na vida foi descendo a serra, no meio de uma tempestade, e meu pai no volante. Na época em que tínhamos casa em Itaipava, o carro muitas vezes ia e vinha cheio de crianças e adolescentes. Anos depois, todos trintões, barbados e com filhos, fui descobrir que muitos dos meus amigos de infância são tão traumatizados quanto eu pela experiência de descer a serra com meu pai. Meus primos começavam a vomitar já dentro da cidade.

Mas coitadinhos dos carros. Assim como um pastor alemão, um BMW também precisa de exercício.

E dá-lhe acelerador.

 

Vida de Ex-Rico:
A Imortalidade dos Ricos

Gente que Sabe Seu Lugar
A Auto-Confiança dos Ricos
Reminiscências de Ex-Rico
Os Carros do Meu Pai
As God Is My Witness, I'll Never Wear Those Shoes

 

Postada no blog em Fevereiro de 2006

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Mais Crônicas

Eu, o Oliver e a Katrina 
Em agosto de 2005, eu e o Oliver fomos pegos no meio do furacão Katrina, em Nova Orleans, o pior desastre natural da história dos Estados Unidos. Reuni nesse artigo todas as nossas peripécias.

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Sou livre. Estou no auge de minha forma física e mental e sou livre como nunca fui. Livre como talvez nunca vou ser. Mais livre do que a maioria das pessoas que conheço jamais será.

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A partir de hoje, não existe mais Alexandre Cruz Almeida. Passo a atender pelo nome de Alex Castro.

Os Carros do Meu Pai  
Acho difícil de um jovem hoje conceber o quanto uma Porshe 928 chamava a atenção no Rio de 1983. Hoje, ainda chamaria atenção, e olha que temos trocentos carros importados em circulação, de todos os tipos e modelos.

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A supervalorização da visão levou o Ocidente a uma vida sensorial extremamente pobre. A maioria das pessoas que conheço, por exemplo, é tristemente incapaz de sentir a maioria dos cheiros. Defender uma revalorização dos outros quatro sentidos será sempre uma de minhas bandeiras principais.

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Acordo de madrugada, de repente no trânsito, no meio de um jantar chato, e começo a me auto-flagelar: por quê? O que eu poderia ter feito de diferente? Foi minha culpa? Onde foi que eu errei? Quero entender. Preciso entender. Uma necessidade doentia de entender ferve dentro com a intensidade da vontade de beber em um alcoólatra.

Meus 18 Anos
Um leitor, de 18 anos, me mandou o seguinte email: "Queria saber como foram os teus 18 anos. O que tu pensava da vida, o que fazia, tua vida social..." Achei engraçado tentar lembrar dos meus 18 anos.

Eu Já    
Eu já andei muito de limusine. Eu já salvei a vida de dois atropelados com primeiros-socorros. Eu já me recusei a sair com uma mulher de quem eu estava muito a fim só porque ela insistia em comer meu cu com um consolo. Eu já roubei gorjeta de garçom.

Será A Minha Vida Mais Interessante Que A De Vocês? 
Não é que minha vida é mais insólita do que as outras, mas talvez somente eu esteja mais aberto para o insólito em minha vida.

As God Is My Witness, I'll Never Wear Those Shoes!    
Aquele mocassim é o símbolo do ponto mais baixo que cogitei descer. E não desci. Por decisão consciente, não desci. Por força de caráter, não desci. Do momento em que descalcei aquele sapato em diante, minha vida só fez melhorar.

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6 de dezembro de 2000. Nosso primeiro encontro, totalmente por acaso. Menos cinco minutos, mais cinco minutos, um filme mais interessante na televisão, e jamais teríamos nos conhecido. Contei uma versão diferente do nosso primeiro encontro para cada pessoa. A versão verdadeira é só nossa.

Mal de Alex Castro 
Essas doenças que têm nomes de pessoas, Alzheimer, Parkinson, Chagas, quem lhes deu esses nomes? Não é sinistro ter seu nome eternamente vinculado a doenças tão horríveis? Será que tinham alguma idéia da carga de energia negativa quer iriam atrair sobre sua posteridade?

Ruminações sobre Angústia, Beleza & Microfama    
O momento em que me senti realmente apartado de minha ex-mulher, um daqueles momentos pequenos que só parecem cheios de significado olhando em hindsight, foi quando assistimos Encontros e Desencontros, de Sophia Copolla, com Bill Murray.

Microbiografia    
Como parte do meu processo de candidatura ao mestrado em Português em Tulane University, eu tive que escrever uma microbiografia, em até três páginas, contando sucintamente quem eu sou e porque acho que deveriam me aceitar.

Gente que Sabe o Seu Lugar     
Uma amiga, descrevendo as virtudes do seu motorista: "Ele é ótimo. Sempre o chamamos para almoçar na mesa com a gente, mas ele se recusa, vai comer na cozinha. Sabe o seu lugar."

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Cozinhando com Alex  
Não entendo gente que não sabe cozinhar. Entendo gente que não gosta de cozinhar, claro. Tem gosto pra tudo. Tem gente que não gosta de mulher. Tudo é possível. Mas como não "saber" cozinhar?

Belmiro de Almeida   
Belmiro de Almeida é meu pintor favorito. Cada um de seus quadros conta uma história com começo, meio e fim.

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A felicidade pode existir no presente. No futuro, ela é um engodo. No passado, quase sempre uma aflição.

Reminiscências de Ex-Rico
Minha mãe está leiloando a mesa onde dávamos jantares à francesa, completa, com aparelho de jantar de porcelana de sèvres pintada à mão (com direito até à marcadores de lugar), fruteira de metal, candelabros, saleiro e faqueiro de prata, copos e garrafas de cristal baccarat, todos os fru-frus possíveis e imaginários.

Minha Personal Stalker 
Tentei não olhar pra ela, pra não piorar a situação, mas via o carro pelo reflexo das vitrines. Entrei em duas galerias e perguntei: "Estou sendo seguido por uma louca, essa galeria tem alguma saída dos fundos?" Como estamos no Rio, ninguém estranhou.

Conversas a Esmo 
Se não tenho assunto, vou querer escrever pra quê? Vou é andar ao sol, ler um livro, dormir, qualquer coisa menos encarar a folha branca. Então, se não tenho assunto, vou querer conversar pra quê? Sobre o quê?

Gaiatos, Inc. 
Kafka já dizia que contra uma piada não há argumentos. É impossível se defender de zoação. Você fica calado e espera passar. Mas, quase sempre, essas grandes empresas são zoadas porque querem, porque deram abertura. Ou melhor, porque não receberam assessoria humorística apropriada.

O Mala Que Sabe o Preço de Tudo 
Você pede um sanduíche de filé de frango e o mala que sabe o preço de tudo grita: sete reais?! Que absurdo! Com esse dinheiro, eu compro um quilo de filé de peito!

Não Haverá Outro Dia 
O sol não vai mais nascer na vida de nenhum de nós. Quando a gente olha no relógio da vida e vê que está ficando tarde, a hora é de correr, não de deixar pra depois. O que não fizermos hoje, amanhã fica mais difícil, depois de amanhã talvez impossível.

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Segredos são cancerígenos. Eles andam dentro da gente pulsando, apodrecendo, querendo sair. Ninguém me tira da cabeça que essas pessoas que fazem um check-up e, quando vão ver, estão podres por dentro, é porque carregavam segredos demais.

Vergonha da Faxineira 
Na véspera da faxineira chegar, minha mulher passa o dia inteiro limpando tudo e a casa fica um brinco. Não entendo nada: mas criatura, não concordamos em chamar a faxineira justamente porque não tínhamos como dar conta disso?!

Você Se Acha Muito Inteligente, Não É?    
Todo jornalista que se preze deveria ter um cachorro em casa para poder ver concretamente (ver e cheirar, claro) qual é o destino inevitável de tudo o que escrevemos.

Meus Trinta Anos 
E aprenda que os homens devem ter sempre em mente a morte, e que nenhum pode ser considerado feliz até o dia em que leve sua felicidade para o túmulo em paz.

Trago Pessoa Amada em Três Dias 
Para cada pessoa que manda trazer seu amado existe (teoricamente) um amado relutante que queria apenas prosseguir com a sua vida.

Mas Que Calor, Hein?    
Aguardo ansioso o dia em que o meteorologista vai dizer: "Gente, excelentes notícias: amanhã, tempo bom em toda cidade. Isso mesmo que vocês ouviram, tempo bom: nuvens esparsas, leve brisa, queda de 10 graus na temperatura e ainda aquela chuvinha refrescante no fim da tarde."

Sou Janela, Não Pedra    
O longo artigo sobre a Escola Urbana foi a última vez em que falei mal de alguns de meus colegas.

Quem Tem Medo do Alexandre?     
Quem se propõe a ser jogador profissional de futebol, tem que estar pronto pra encarar o Ronaldinho. Quem se propõe a ser escritor de ficção, tem que estar pronto pra encarar Machado de Assis.

Meu Primeiro Dinheiro 
O primeiro dinheiro que ganhei na vida foram os 60 dólares de prêmio do Primeiro Concurso de Contos da Hebráica Rio, categoria infanto-juvenil, em outubro de 1988. Eu tinha 14 anos.

O Ônus de Lembrar 
Eu sempre me esqueço de trazer as coisas que deveria, eu sempre faço essa proposta de transferir o ônus de lembrar para a parte interessada e sempre me deparo com a mesma reação: ah não, esse ônus eu não quero, quero só o livro, você que se lembre.

O Aventureiro no Penhasco   
Às vezes eu me sinto como um daqueles aventureiros que atravessou um penhasco se equilibrando numa corda e agora fica lá do outro lado só gritando, vem gente, vem que é fácil, e se admirando de ver as pessoas tentando segui-lo e caindo. Eu não devo ser seguido. Talvez eu nem mesmo possa ser seguido. Talvez o meu caminho seja só meu.

Minha Primeira Vez   
Hoje, faz dez anos que Clarice, a malvadinha, me descabaçou. Eu, 19, virgem, ela, 17, sexualmente ativa há quatro. Estávamos saindo há cerca de três semanas. Ela me liga uma noite e diz que vai matar aula no dia seguinte pra passar a manhã comigo.

Liberal Libertário Libertino: Modo de Usar   
O leitor Hugo está resenhando minhas prisões em seu blog, Alta Fidelidade. Ele seleciona os trechos mais relevantes e os responde. O Hugo está, antes de tudo, se conhecendo. Não há viagem mais importante do que essa. Ao reagir a mim, ele está descobrindo seus limites, seus preconceitos, suas opções.