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  Alex Castro
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Conversas a Esmo

Sou sincero e direto. Quem lê esse blog sabe (ou deveria saber) disso.

Tem algumas coisas engraçadas que acontecem comigo. Entro no MSN (nunca fico muito) e sempre vem alguém que não conheço dizer "oi" ou "tudo bem?".

Pra mim, se alguém inicia um contato, é porque tem algo a dizer. Nunca passaria pela minha cabeça começar a conversar com alguém sem ter algo específico em mente.

Então, pra facilitar e quebrar o gelo, eu pergunto: "Diga" ou "O que posso fazer por você?" ou "O que deseja?", todo tipo de abertura para que a pessoa se sinta livre para dizer o que quer dizer.

Qual é a minha grande surpresa quando descubro que a maioria das pessoas simplesmente não têm nada a dizer. Nada.

Eu faço a pergunta e elas congelam:

Como assim o que eu quero? Não quero nada. Só conversar.

Sim. Conversar. Sobre o quê?

Hã...

Aí eu fico calado, para dar tempo a pessoa, pra ver se ela arranja o que dizer. Via de regra, nada acontece. A pessoa se desconecta muda.

E eu fico pensando: será que o grosso sou eu?

A Joana, por exemplo, dizia que um dos meus piores traços era que ela me ligava e eu atendia dizendo: "Diga." Por algum motivo que me escapa, ela considerava isso ofensivo.

Outro dia, um leitor impressionado com o prolixidade desse blog perguntou se eu já tinha tido a síndrome da folha em branco.

Não entendo bem como funciona essa síndrome. Eu só escrevo quando preciso, quando tenho alguma coisa a dizer que não pode esperar. Quer dizer, sempre que sento pra escrever, é porque já tenho um assunto premente a tratar.

Para sofrer da síndrome da folha em branco, a pessoa precisa juntar duas coisas: a vontade de escrever com falta de assunto. E não entendo como essas duas coisas podem existir juntas.



Se eu não tenho assunto, vou querer escrever pra quê? Vou é andar ao sol, ler um livro, dormir, qualquer coisa menos encarar a folha branca.

Então, se não tenho assunto, vou querer conversar pra quê? Sobre o quê?

Entendo que as pessoas lêem o que escrevo, me admiram e querem um contato pessoal. Isso é desnecessário. Pior, é perigoso. Admiramos o trabalho de uma pessoa, mas nada indica que iremos admirar aquela pessoa também. Quase sempre é o oposto.

Melhor nem tentar. A não ser que você tenha algo pra dizer, claro.

Postada no blog em Abril 29, 2004

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