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  Alex Castro
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Crônicos, de Daniela Abade

Acabei de ler o segundo romance de Daniela Abade. Estou com os olhos cheios d'água. Também estou indignado. Crônicos DANIELA ABADE

Daniela Abade tem 33 anos, é publicitária, já manteve o delicioso site Mundo Perfeito, participou do projeto Cadeia de Palavras e lançou o romance Depois que Acabou, em 2003.

Temos idades próximas, somos ambos escritores que começaram ou criaram nome na internet e eu sou bastante antenado na literatura da minha geração. E não escuto falar de Daniela Abade. Não vejo resenhas do seu novo livro em cadernos literários. Não vejo blogueiros comentando seu livro. Talvez por Daniela não fazer parte de turminhas, panelinhas e movimentos literários.

Ao mesmo tempo, vejo escritores semi-analfabetos (não é exagero) sendo elevados à categoria de gênios da nova literatura - quase sempre por outros escritores ou jornalistas que participam do mesmo grupinho. Essa retroalimentação infindável só faz inflar as reputações e multiplicar as promessas desses gênios precoces. Até mesmo eu, que não sou ninguém, talvez seja mais conhecido do que a Daniela - um absurdo!

E, correndo por fora, vem Daniela Abade.

 Depois que Acabou DANIELA ABADEEu tenho como política nunca falar dos livros que não gosto, pra não criar briga com meus contemporâneos e, mesmo quando falo dos que gosto, sempre há alguma ressalva. O que não é nenhum fim do mundo. Somos todos muito jovens. Ninguém tem obrigação de escrever sua obra-prima aos 30.

Mas, puta que o pariu, Crônicos, o novo livro de Daniela Abade, é simplesmente bom demais. No ifs and buts about it. Sem poréns e entretantos. Sem ressalvas e críticas construtivas. Sem precisar fazer descontos porque ela ainda é jovem e sem precisar colocá-la no gueto das autores femininas - o pior desserviço que se pode fazer à uma escritora.

Crônicos não é um tapa na cara, esse elogio idiota que nunca entendi - afinal, quem é que quer levar um tapa na cara? Crônicos não é um livro sobre a falta de sentido da vida contemporânea. Crônicos não é entretenimento superficial pra ler e esquecer. Crônicos é literatura da boa, e literatura da boa é impermeável à classificações fáceis. A literatura é. Você não precisa saber definir pra reconhecê-la quando a vê.

Não conheço Daniela. Trocamos alguns emails quando escrevi sobre seu primeiro livro e só. Gostei muito de Depois que Acabou e falei bastante sobre ele dentro do meu artigo sobre a Escola Urbana, elogiando um bom romance nacional que não caía nas tentações fáceis desse gênero de narradores insensíveis perambulando por metrópoles sem nome.

Apesar dos muitos elogios, eu tive lá meus poréns e senões com Depois que Acabou. Mas, pelo menos, até o ponto fraco do livro é original: entre tantos que começam bem e terminam acéfalos, o romance de estréia de Daniela começa fraco mas termina soberbo. (Leia a resenha aqui.)

Não conheço Daniela, mas queria conhecer. Porque tenho a impressão que temos uma concepção bem parecida do romance. Um romance não é sobre estilo, filosofia, denúncia social, engajamento, inovações estilísticas, surpresa, reflexão, etc, todas essas desculpas das quais se valem os escritores medíocres. A boa literatura é sobre gente. Crônicos DANIELA ABADE

Crônicos é formado por 11 capítulos, cada um contando a história de uma pessoa e abrindo o gancho para o seguinte. No primeiro, por exemplo, conhecemos Odair, um pastor protestante. No segundo, sua filha, Marta. No terceiro, João, irmão de Marta. No quarto, Luciana, melhor amiga de João. No quinto, Cecília, a mãe de Luciana, e assim sucessivamente.

Mas não liguem muito para a sinopse. Uma sinopse de um bom romance, quase que por definição, não diz nada. O que torna um romance bom é justamente aquilo que não pode ser transmitido em duas frases.

Daniela Abade tem uma das características mais importantes dos grandes romancistas: uma infinita empatia por seus personagens. Em cada capítulo, ela nos leva a uma verdadeira viagem através da vida, dos medos, das taras, das doenças, das felicidades, das fraquezas de seus onze protagonistas. Nenhum é visto com indiferença, superficialidade ou com o olhar superior do julgamento. Daniela ama e compreende cada um deles.

Não conheço Daniela Abade, mas cada vez tenho mais vontade de conhecer.

Postada no blog em Julho de 2005
 

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Um Épico Injustiçado: O Senhor dos Anéis   
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os autores brasileiros parecem ter sido convencidos, em algum momento, que imaginação e boa literatura não combinam. O ideal de todos parece ser reescrever Um Coração Simples, do Flaubert, o romance, por excelência, onde nada acontece.

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Saber Ler Literatura   
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A Grande Conversa   
Os clássicos não são só livros consagrados: eles são as vozes da Grande Conversa. Não estão mortos: eles falam, eles gritam, eles choram, uns com os outros, o tempo todo. Heráclito teoriza, Aquino racionaliza, Cervantes ri, Descartes sugere uma outra opção, Kant contextualiza e Marx destrói.

Lady Averbuck   
Ela parece merecer o apelido de Lady Averbuck. Tudo indica que é uma pessoa insuportável, mal humorada, ranzinza, arrogante e totalmente louca. O que importa é que ela é uma puta escritora.

Paulo Coelho na ABL   
Paulo Coelho pode ser um péssimo escritor, mas é um escritor. E isso, convenhamos, já é mais do que podemos falar sobre muitos dos membros da Academia, como Getúlio Vargas e Roberto Marinho.

Autores Libertários  
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Literatura Contemporânea e Livros do Mal

Ultimamente, só venho lendo clássicos. Estou há mais de um mês no Dom Quixote, por exemplo. Sinto muita falta de literatura contemporânea, mas infelizmente isso custa dinheiro. Clássicos eu pego na biblioteca, eu baixo pela Internet e até mesmo compro edições baratíssimas em tudo quanto é sebo. Já, por exemplo, o novo livro do Bernardo Carvalho só comprando e pelo preço integral: não tem jeito.

 

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Rebeldia, contemplação e muita sacanagem. Um blog pra falar de liberdade e literatura.