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  Alex Castro
Editor do seu Guia de Blog na Internet
Em Defesa da Língua Portuguesa


Fala-se muito em defesa da língua.
A leitora Denise escreveu:

"Como é que você pode dizer que a obrigatoriedade de filmes dublados na Alemanha é coisa de nazista? Ela é necessária para a manutenção da língua, Alexandre! Se todo filme, seriado, documentário e sei lá o que mais que entrar no Brasil só tiver a sua versão original veiculada no país, aonde vai parar a Língua Portuguesa? Vamos versar inglês, espanhol, italiano... e o pobre do "português", já adoentado, vai virar língua morta. Te, um de seus leitores (não sei se ele ou ela) postou que "os europeus são rigorosos, chatos até, tentando impedir o domínio de outras culturas, principalmente a americana", mas reconhece que nosso estrangeirismo tupiniquim já passou dos limites."

Preconceito Lingüístico: o que é, Como se Faz MARCOS BAGNO

Parece que o português é uma língua coitadinha, bombardeada pelo forte e malvado inglês, e que precisa do nosso amor e proteção para não sucumbir.

Será? A língua portuguesa precisa ser defendida?

E, mais importante, a língua portuguesa deve ser defendida?

A resposta é não para a primeira e não enfático para a segunda.

A Língua Portuguesa Precisa Ser Defendida?

A idéia de que a língua portuguesa precisa ser defendida é uma falácia, fruto da xenofobia e da ignorância. A xenofobia torna a pessoa, no mínimo, desconfiada de tudo o que vem de fora. A ignorância faz com que ela não reconheça que o processo pelo qual o português passa é a evolução natural de toda língua.

Influências Estrangeiras

Dizem que o pobrezinho português está sendo bombardeado pelo inglês. Mas não há nada mais natural do que uma potência influenciar, através de sua cultura e vocabulário, os países periféricos. Isso sempre aconteceu.

No final do século passado, era o francês.

Quem dirigia carros e tílburis era o motorista ou condutor. Aí, os elementos mais francófonos, cosmopolitas, influenciáveis, entreguistas (escolha o termo de sua preferência, de acordo com a sua ideologia) começaram a usar também o termo chauffeur. Heresia, bradaram os puristas em defesa da língua portuguesa. Falar chauffeur era pedandismo, galicismo, ridículo. Pra que falar chauffeur quando o português já tinha duas palavras que descreviam perfeitamente esse conceito? O português estava sendo bombardeado pelo francês e precisávamos defender nossa língua. Às trincheiras, rápido! Pátria amada, salve salve.

Como diria minha santa avozinha, muda a merda, as moscas continuam as mesmas.

Qual é o fim da história? Cem anos de francofilia intensa (e muitas vezes ridícula) não destruíram o português. Chauffer foi aportuguesado, virou chofer, hoje convive em pé de igualdade com motorista e ninguém mais pensa em dizer, ninguém mais lembra, aliás, que motorista é mais "brasileiro" que chofer. São ambas duas palavras igualmente válidas da língua portuguesa e pronto.

Não há motivo para pânico. Não existe língua sem influências estrangeiras – a não ser que seja uma língua morta.

Usar “sale” ao invés de liquidação é tão absurdo quando falar friquique (free kick) ao invés de chute livre ou pênalti ao invés de penalidade. Tudo é uma questão de tempo.

Aprendamos com nossos antepassados: eles também chiavam contra chofer, bradavam o fim da língua e, olha só, nada aconteceu.

Daqui a 100 anos, talvez sale seja uma palavra tão brasileira quanto pênalti, chofer ou xampu.

Para os Portugueses: Quem É Aldo Rabello

Já se falou muito de um tal de Aldo Rabello, e vou falar mais ainda. Como esse blog está com um número muito grande de leitores portugueses, acho por bem explicar quem é esse distinto cidadão.

Aldo Rebello é um deputado federal comunista cujo único projeto de nota (ou seja, único que chegou aos jornais, sei lá o que mais ele fez na prática) era a criação de uma lei xenófoba e imbecil, como a que passaram na França, de defesa da língua e proibição do uso de palavras estrangeiras.

A proposta nunca foi seriamente considerada no Congresso e serviu apenas para ganhar algumas linhas no jornal para Rabello, cujo nome ficou conhecido por todo o Brasil como uma figura folclórica e inofensiva.

Infelizmente, com a vitória de Lula e com a necessidade de o governo jogar algum osso ao PCB, o folclórico defensor da língua portuguesa tornou-se líder do governo na câmara.

Teme-se o que ele possa fazer com seu novo poder.



Como Nascem As Línguas

Era uma vez um império. Ele se estendia por quase todo o mundo conhecido. Em todas as regiões conquistadas por ele, sua língua tornava-se a língua oficial dos negócios e da lei. Mas o sábio império não extinguia as línguas ou costumes locais, apenas exigia que os nativos falassem também a sua língua. Como resultado, quem nascia nas regiões conquistadas crescia falando tanto a sua língua nativa, com os pais, com os amigos, nas ruas, e falava também a língua do conquistador, para assuntos oficiais, leis, petições aos tribunais, etc.

As camadas mais humildes e incultas da população tendiam a falar só a língua nativa. Os administradores da metrópole e suas famílias tendiam só a falar a língua do Império. Mas a grande maioria da população crescia fluente em ambas. Naturalmente, gradativamente, como não poderia deixar de ser, essa legião de bilíngues criou uma nova língua, fusão das duas primeiras.

Eu sei como é isso, pois já vi acontecer.

Estudo de Caso: Escola Americana

Estudei em uma escola americana no Rio de Janeiro. Todos os alunos tinham que ser fluentes em inglês, pois as aulas eram ministradas nessa língua. E todos também tinham que ser fluentes em português, pois estavam morando no Brasil.

Quando você fala duas línguas igualmente bem, elas se fundem na sua cabeça.

Hoje de manhã, eu estava conversando sobre religião com um amigo hondurenho, fluente em inglês, português e espanhol e eu disse pra ele que toda religião, no fundo, era wishful thinking. (Aliás, esse será o assunto da Prisão Religião, a sair em breve.)

Não há expressão portuguesa para wishful thinking. É uma idéia precisa que eu não tenho como comunicar efetivamente na minha língua-mãe. Se eu estiver com alguém que sei que fala inglês tão bem quanto eu, como foi o caso hoje, vou simplesmente falar wishful thinking e pronto. Se estiver com alguém que não fale inglês, vou ter que parar e explicar o conceito, vai demorar um tempo, é um saco.

Multipliquem esse processo duzentas mil vezes ao longo de um único dia e vão entender porque, entre si, bilíngues falam um dialeto que mistura as duas línguas.

A mente é como um rio, que corre sempre pelo caminho de menor resistência. Toda língua tem certas palavras e conceitos intraduzíveis, que não existem em outros idiomas.

O inglês, por exemplo, não tem sinônimos precisos para dois verbos básicos do português, namorar e conseguir. Dating e managing são aproximações toscas, que até dão pra usar, mas que não transmitem o mesmo conceito. Se eu estiver conversando com um americano que eu sei que fala português, eu vou falar namorar e conseguir em português mesmo, assim como diria wishful thinking e hindsight para um brasileiro que falasse inglês.

Não me conformo que português não tenha palavra pra hindsight. Como discutir História sem falar de hindsight?

Até hoje, a minha verdadeira língua-mãe é o portuglês. Falar só português ou só inglês exige um certo esforço, tanto de concentração mental, pra não escapar inadvertidamente uma palavra na outra língua, como de tradução mental, pra verter os conseguir em manage e os wishful thinking em “acreditar no que se quer que aconteça”.

Totalmente à vontade mesmo, eu só me sinto mesmo quando converso com alguém que fala a mesma língua que eu, alguém com quem posso pular à vontade do português pro inglês e vice-versa.

Antes que venham dizer que isso é colonização do inglês malvado, não é não.

O fenômeno se repete entre quaisquer bilíngues de quaisquer línguas. Eles vão sempre falar em um dialeto misturado das duas línguas que dominam.

Quando essa situação se repete com um número suficientemente grande de pessoas, ao longo de um período de tempo suficientemente longo, o que acontece é o nascimento de uma nova língua.

Nós deveríamos saber disso, pois a nossa língua nasceu assim.

A História da Língua Portuguesa, Versão Reader's Digest

Primeiro, foram os romanos, que tomaram a península ibérica. Lá no cantinho oeste, na Lusitânia, ao redor de Olissipo (ou seja, cidade de Ulisses), os nativos falavam um dialeto que até hoje é meio misterioso. Com a conquista, os lusitanos tiveram que aprender latim. Como hoje, alguns aprenderam a língua do conquistador para melhor servi-lo e outros para melhor combatê-lo.

(Os lusitanos não se renderam fácil. O primeiro grande herói português foi Viriato, que lutou contra os romanos sem dar tréguas, até ser morto em uma emboscada. Mas ninguém no Brasil sabe disso, então bola pra frente, e um abraço carinhoso para os meus muitos leitores portugueses.)

Os jovens lusitanos cresciam bilíngues: falavam sua língua nativa ancestral e falavam também o latim. Quando conversavam entre si, com certeza, misturavam as duas línguas tanto quanto eu e os meus colegas misturamos o inglês com o português. E, claro, havia centenas de termos que só existiam em latim: não imagino que a língua da tribo mais afastada da Europa tivesse palavras pra aqueduto, legião ou tribunal. Com o tempo, essa língua misturada virou o avô do português.

Antes disso, ainda sofreu as influências do conquistador seguinte, os árabes, e também dos eternos amigos, irmãos e inimigos, os hispânicos. Só então, com a independência de Portugal, no século XII, esse dialeto ganhou status de língua (afinal, uma língua nada mais é do que um dialeto com exército) e, só com as grandes navegações e a invenção da imprensa, o português se solidificou em algo próximo do atual.

E a língua do império, quem diria, acabou morrendo. Como qualquer pai, vive somente através dos seus filhos.

Assim sempre aconteceu e continuará a acontecer.

As Novas Línguas

Hoje, o império é outro. Tirando isso, tudo continua igual.

Por sua enorme influência econômica e cultural, a língua dos Estados Unidos vem se impondo ao mundo. Mais e mais, cidadãos de todas as partes aprendem inglês. Não há como fugir disso. Tanto pra lamber suas botas mais eficientemente como para tentar destruí-los, você precisa falar a língua de quem manda.

É enorme o número de pessoas que, como eu, são fluentes em suas línguas nativas e em inglês. Isso não quer dizer que somos entreguistas ou lambe-botas. Afinal, eu poderia estar escrevendo em inglês e, quem sabe, isso aumentaria minhas chances de sucesso, de ganhar dinheiro e de atingir mais leitores. Ainda não descartei totalmente essa hipótese, mas por enquanto ainda estou aqui, batalhando todo dia na última flor do lácio.

Mantida a atual tendência, ao longo dos próximos 200-300 anos, muitas línguas nacionais devem se fundir ao inglês. Não seria impossível que a língua do Brasil passe a ser o portuglês, no México, o spanglish, e assim por diante.

O processo já está acontecendo.

A Holanda tem uma população cultíssima e um idioma nacional muito pouco falado no exterior. Como me disse uma fiel leitora que mora lá, a língua holandesa é que nem pijama: só se usa em casa. Por isso, lá todos falam inglês fluentemente. Fluentemente mesmo. Filmes americanos passam sem legenda. Os holandeses, nada bobos, sabem que quem só fala holandês tem horizontes profissionais e pessoais muito limitados.

Países como a Holanda vão liderar o processo: serão os berços dos primeiros dialetos da Era Americana. Englush? Dutchglish? Whatever...

E quanto ao Brasil?

Brasileiro Não Sabe Falar Inglês

Quanto ao Brasil, o Aldo Rabelo (e seus bisnetos) podem dormir tranquilos: ninguém aqui fala chongas de inglês.

Aliás, isso é quase inacreditável.

Eu dou aulas em um curso de inglês. Meus alunos adolescentes fazem aulas de inglês duas vezes por semana na escola e ainda estudam inglês pro vestibular. Além disso, foram tão condicionadas a achar que inglês é vital para o sucesso na vida que pagam por fora cursos de inglês caríssimos. Ou seja, estudam inglês quase todos os dias. Mais ainda, são, em sua grande maioria, totais colonizados culturais: praticamente só consomem cultura americana, seja na forma de videogames, filmes, gibis, sites.

Não acho que os brasileiros devam ou não devam aprender inglês. Essa questão é para cada um responder de acordo com seus objetivos pessoais e profissionais.

O que me espanta é outra coisa. Como pode uma população ser tão exposta a uma língua e ainda assim não conseguir falar nem os seus rudimentos mais básicos?

Então, relaxem: para o português virar portuglês, a população teria que ser majoritariamente bilíngue, e estamos muito, muito longe disso.

Caso o cenário político mude no futuro próximo e os EUA caiam de sua posição hegemônica, pode nunca acontecer. Se as coisas continuarem como estão, é provavelmente inevitável, mas só no futuro longínquo.

Ninguém aprende inglês de sacanagem, para foder o português. Você aprende uma língua por achar que isso vai te acrescentar alguma coisa.

Mas, se você quiser ajudar a reverter o processo, simples: tire seu filho do IBEU.

As Línguas, Antes e Depois da Imprensa

Outro motivo para o Aldo Rabelo ficar tranquilo: as línguas hoje mudam muito menos e muito mais devagar do que mudavam antigamente.

Para todos os fins e efeitos, o português e o inglês de hoje são os de cerca de 1500. Não é à toa que os falantes atuais de ambas as línguas ainda conseguem ler Camões e Shakespeare. Autores apenas um pouco mais antigos já são bem mais difíceis de entender. O que mudou no crucial século XVI? A imprensa.

Pensem no mundo de hoje.

As forças dinâmicas da língua são os jovens e os incultos. São essas pessoas que criam as novas palavras ou que, através de erros e abreviações, modificam a língua. Foi assim que “Vossa Mercê” virou “vosmicê”, depois “você” e, daqui a pouco, vai virar “cê” ou “vc”. Também foi assim que o significado de “sinistro” passou de “tétrico” para “muito legal”.

As forças conservadoras da língua são os gramáticos e as pessoas cultas de modo geral. Essas pessoas não querem saber se todo mundo escreve "num" ou usa “ter” no sentido de “haver”: elas vão continuar escrevendo "em um estacionamento, há carros" e pronto. Não admitem erros ou neologismos: essa é a turma que torceria o nariz para chofer e que até hoje ainda usa correio eletrônico.

Se o primeiro grupo for dominante, a língua entra em colapso: ela mudaria muito, e rápido demais, e ficaria totalmente despadronizada, as diferenças regionais se multiplicariam, acelerando o processo de fragmentação em dialetos.

Se o segundo grupo for dominante, a língua também entra em colapso: de tão engessada e sufocada, ela se asfixia. Não anda, não muda, não se abre para influências. No fim, a língua morre de solidão.

Pensem agora no passado não tão distante.

Os falantes de qualquer língua eram, em sua enorme maioria, pessoas incultas e analfabetas, que mudavam o idioma à sua bel-ignorância. Os elementos mais letrados e cultos (a força conservadora de qualquer língua) eram uma ínfima minoria, incapazes de influenciar os rumos da língua falada pelo grosso da população.

Enquanto a língua culta, sob tutela de meia dúzia de alfabetizados, permanecia razoavelmente inalterada, a língua falada mudava com uma velocidade de fazer inveja à Era da Internet, totalmente descontrolada e ao sabor da ignorância do povo.

O surgimento da imprensa também serviu para popularizar a palavra escrita, que deixou de ser apenas coisa de profissional. Agora, havia um padrão para a língua, impresso, concreto, mais acessível.

As línguas atuais são quase que como um instantâneo tirado das línguas como estavam em 1500. Elas continuaram mudando, claro, mas, comparado ao ritmo pré-1500, as mudanças praticamente se arrastam. Muitas novas palavras, claro, pois é necessário descrever novos conceitos, mas a língua, em si, continua praticamente inalterada.

A imprensa dificultou enormemente o processo de surgimento de novas línguas. Hoje, se as forças dinâmicas tentarem puxar a nossa língua para perto do inglês, as forças conservadoras vão ter como puxar de volta, vão ter gramáticas e dicionários com a norma culta do português para servir de comparação.

Os gramáticos das tribos lusitanas, se houvesse algum, estariam mortos de inveja.

A Língua Portuguesa Deve Ser Defendida?

Vários dos meus leitores dizem que a língua portuguesa precisa ser defendida.

Pra começar, você só defende alguma coisa de algum perigo. Mas o que é um perigo para uma língua? Em outras palavras, antes de saber se a língua tem ou deve ser defendida, a pergunta é: defendida do quê?

Segundo meus leitores mais xenófobos/puristas (como sempre, escolha o termo de sua preferência), o perigo mais grave que ameaça a frágil existência da última flor do lácio é influência excessiva do inglês. Falam hoje a mesma coisa que falava-se há um século do francês e, talvez, que os lusitanos primitivos falavam do latim.

Resta saber: isso é um perigo mesmo? Por quê?

O pior que pode acontecer é, em alguns séculos, e somente caso a influência do inglês continue preponderante, que o português una-se ao inglês para formar uma nova língua, assim como os dialetos lusitanos se uniram ao latim para formar o português.

Isso é algum fim do mundo?

Pelo contrário, é a evolução natural de qualquer língua, que continua vivendo através de suas contribuições à língua-filha, como um pai continua vivendo através da contribuição genética que passa ao seu filho. O latim pode estar morto, mas vive cada vez que falamos a priori ou ad hoc. Aliás, de certo modo, em termos de influência cultural e linguística, o latim está mais vivo do que o holandês, por exemplo.

Estudo de Caso: Manual de Redação

Trabalhei no departamento editorial de uma empresa multinacional latino-americana. Tudo na empresa era sempre em espanhol, inglês e português. Um dos meus trabalhos foi redigir um glossário e um manual de redação, para padronizar a ortografia dos documentos em português. A empresa não tinha preferência entre email, e-mail ou correio eletrônico, por exemplo, mas era necessário convencionalizar somente uma delas.

Coube à minha equipe decidir, por exemplo:

Digitalizador ou scanner? Scanner.

Printar ou imprimir? Imprimir.

Deletar, apagar ou excluir? Excluir.

A primeira regra era: respeitar os falantes.

Se todo mundo usa e-mail/email, não seríamos nós a impor a expressão correio eletrônico aos usuários. Se as pessoas usam scanner ao invés de digitalizador, devem ter alguma razão que não cabia a nós questionar, só acatar. Tentávamos sempre escolher a opção mais disseminada.

A segunda regra era: caso não exista nenhuma palavra já consagrada, preferir a palavra com raiz portuguesa.

Eu, pessoalmente, acho printar e deletar ridículos. Se fossem consagrados, eu, infelizmente, não teria tido como vetá-los. Mas como muitas bravas almas ainda falam imprimir, apagar e excluir, escolhemos imprimir para a primeira e excluir para a segunda, porque excluir também é a palavra usada nas versões em português dos programas da Microsoft.

Apesar de nossos esforços para sempre puxar a sardinha para o lado do português, ficou claro que ninguém fala scanner de sacanagem, pra foder o português.

Uma língua não é um símbolo nacional que tiramos da gaveta somente em datas comemorativas, um Brasão da República ou um Hino à Bandeira. Uma língua não é algo que deva nos causar amor ou mesmo orgulho.

Temos orgulho de nossos martelos? Não, nossos martelos têm apenas que enfiar os pregos na parede e, se fizerem isso, já está bom demais.

Pois uma língua nada mais é do que um instrumento, um instrumento vivo e orgânico, que tem que ser fácil de usar todos os dias e cuja existência só faz sentido se estiver afinado às necessidades concretas dos seus usuários

O Falante Sempre Tem Razão

O leitor português João Paulo escreveu:

"Hoje em dia, com a Internet e as SMS os miúdos começam a escrever desde muito cedo e não se preocupam em escrever correctamente, desde que se perceba o que querem dizer (ainda que isso seja muito relativo, vejam só o dialecto do "blog da menina morta"). Muitas vezes a desculpa deles é que escrevem depressa e por isso não se preocupam com os erros. Talvez deva lembrar George Orwell no seu livro 1984 (esse que deu origem ao termo "Big Brother): Nessa sociedade futurista (ironia do destino, nós em 2003 a ler histórias futuristas de 1984), estava em desenvolvimento uma nova língua com o objectivo de ter o menor número de palavras possível. A ideia nessa sociedade oprimida era que quanto menos palavras tivessem para exprimir os seus sentimentos, menos se preocupavam com eles. Daí que transformassem duas e três palavras numa só e eliminassem todo o tipo de sinónimos. O curioso é que as recentes linguagens SMS (que, essas sim, cresceram vertiginosamente, até já há dicionários dedicados e tudo) adoptam a mesma filosofia minimalista. Será que essas possam evoluir para uma língua com um número mínimo de termos, restringindo a sua própria expressividade, mesmo sem um Big Brother a controlar?"

Não acho que seja caso de se preocupar. Os falantes modificam a língua de acordo com as suas necessidades. Os internautas de hoje têm pressa e, talvez, tenham menos a dizer. O conteúdo não vem ao caso. É uma questão, realmente, filosófica: a língua pertence ao falante e ele, assim como o freguês, está sempre certo.

Em outras palavras, não é questão de pensar se novos dialetos, como o da menina morta, são certos ou errados, nocivos ou inovadores. Por definição, se estão em uso e, principalmente, se estão em uso por uma grande parcela da população, é porque estão respondendo a algum tipo de necessidade por parte dos falantes.

Cabe a nós tentar descobrir: por quê?

Legislar a Língua

No início de Jurassic Park, o matemático adverte que a vida não pode ser contida. Life finds a way, ele diz.

A língua também é viva. A língua também não pode ser contida. A língua também vai encontrar um jeito.

Por isso, qualquer lei sobre a língua será sempre objeto de piada. A língua não pode ser legislada. Como vigiar? Como multar? Como punir? É ridículo demais.

A língua é de todos, inclusive nossa, minha e sua. Se discordamos desses novos rumos da língua, também temos o direito de puxar a língua para o nosso lado. Mas não vai ser impondo leis impossíveis de se cumprir que faremos isso, mas sim tentando compreender o que motiva essas mudanças e neologismos que repudiamos.

Compreensão é sempre a melhor arma.

Por que os adolescentes estão escrevendo coisas como: "comentem pq eu to de kra com vcs q ngm mais lembra di mim..." Por que as pessoas usam delivery ao invés de entrega?

Não sei. Mas o falante sempre tem razão. Alguma vantagem eles devem ter ou, no mínimo, perceber nessa mudança. A nossa questão é: qual?

Adolescentes constroem sua identidade em oposição ao mundo. Provavelmente, criar uma nova língua cada vez mais ininteligível aos adultos faz parte desse processo.

Pode ser que o lojista ache delivery mais sonoro que entrega em domicílio. Pode ser, simplesmente, que ele ache que usando uma palavra inglesa sua loja vai parecer mais sofistica e moderna. É um motivo babaca? Com certeza. É um motivo válido? Com mais certeza ainda. Usar palavras em inglês, hoje em dia, não destaca mais ninguém na multidão, mas enfim. A língua também é dele.

Não cabe ao Congresso proibir o lojista de fazer delivery ao invés de entregas em domicílio. Cabe a nós, se quisermos, tentar entender porque ele usa essa palavra.

A Língua Como Cultura

Língua é cultura. Língua que tem uma cultura forte por trás não precisa ser defendida de nada.

Os defensores da dublagem disseram que ela é necessária para a manutenção da língua:

"Ela é necessária para a manutenção da língua, Alexandre! Se todo filme, seriado, documentário e sei lá o que mais que entrar no Brasil só tiver a sua versão original veiculada no país, aonde vai parar a Língua Portuguesa? Vamos versar inglês, espanhol, italiano... e o pobre do "português", já adoentado, vai virar língua morta."

Isso é ridículo. Não vai ser a difusão da cultura estrangeira em versão original que vai afundar o português. Se o português afundar, vai ser por falta de criação em língua portuguesa.

Se todos os filmes do mundo passarem dublados aqui, mas não houver novos filmes, novos livros, novas músicas, não vai adiantar nada. Não vai haver o que salvar.

E, se houver uma produção própria e inovadora em português, então os filmes, livros, músicas em português irão conviver harmoniosamente com os filmes, livros e músicas em alemão, japonês, inglês, espanhol, etc etc.

Quando defendi as legendas sobre a dublagem, me acusaram de ter baixa auto-estima, que eu não amava o português. Pois eu respondo: quem acha que a língua portuguesa está doentinha, ou em perigo, é que tem baixa auto-estima ou, no mínimo, não conhece outras línguas e outras culturas.

Televisão

O Brasil foi, durante muitos anos, o maior exportador mundial de programas de televisão.

Durante toda a década de oitenta, por exemplo, quando eu já ouvia esse papo babaca de defender o português, a Rede Globo, sozinha, exportava mais novelas do que todas as redes de TV americanas juntas. Essa liderança só foi perdida no começo da década seguinte e, mesmo assim, como todo mundo sabe, ainda estamos muito perto do topo. Na verdade, não foi nem a Globo que caiu, foram os americanos que começaram a vender programas para países ex-comunistas.

Você chega em qualquer país do mundo hoje e as pessoas vêm te perguntar quem matou Odete Roitman ou se o Roque Santeiro vai mesmo ficar com a Viúva Porcina. Nossa história, nossos costumes, nosso cotidiano são parte do dia-a-dia de pessoas em centenas de países.

Música

Tirando os Estados Unidos, que obviamente não contam, o Brasil e o Japão são hoje praticamente os únicos países que consomem mais música doméstica do que estrangeira.

Aqui, a gente escuta tante música brasileira que se gente esquece que, em quase qualquer outro país, a porcentagem de música doméstica vendida é mínima. Falando de memória, acho que na Alemanha, de todos os CDs vendidos, só cerca de 5% são de música alemã. No resto da Europa, os números são parecidos.

Além disso, nossa música também vendo muito no exterior. Desde o Sepultura, líder no seu nicho, até a bossa nova clássica, incluindo também a mais recente produção da mpb, nossa música é uma das preferidas por ouvintes refinados de todo o mundo.

Cinema

Os moleques não vão lembrar mas já houve muito preconceito contra o cinema nacional. Eu tinha amigos que eu chegava, descrevia o filme, gostavam da sinopse, descobriam que o filme era brasileiro e não queriam mais ir. Só porque era brasileiro.

Hoje em dia, por tudo o que escuto, é o inverso que anda acontecendo. Quem sai de casa para ver Lisbela e o Prisioneiro, Carandiru ou O Homem que Copiava (pra ficar só da safra 2003) já sabe que se trata de filmes com excelente padrão de qualidade.

Literatura

Nas listas dos mais vendidos, há sempre muitos livros brasileiros, quando não a maioria. Os novos romances dos autores mais consagrados são garantia de vendas: Rubem Fonseca, João Ubaldo, Patrícia Melo, Veríssimo.

A História do Brasil também nunca sai da lista dos best-sellers. A série de Eduardo Bueno sobre nossa descoberta foi líder de vendagem por vários meses e mesmo outros livros de história muito mais herméticos vendem incrivelmente bem.

Paulo Coelho (*ai ai*) é lido e (*suspiro profundo*) respeitado em todo o mundo. Seus livros podem não ser especificamente sobre o Brasil mas, fazer o quê?, o homem é patrício e, agora, imortal.

Ciência e Tecnologia

Nesse campo, há exemplos até demais e, como não é a minha área, não vou poder citá-los, mas qualquer técnico do Embrapa, por exemplo, vai poder desfiar vários feitos científicos do Brasil na agronomia.

Mas sei que estudei em universidade federal ao lado de angolanos, moçambicanos, cabo-verdianos, uruguaios, bolivianos, e muitos outros, que vieram estudar no Brasil buscando uma qualidade de ensino que não encontram em seus países.

Também sei que trabalhei na Marinha por um tempo e sei que termos construído, aqui no Brasil, boa parte dos nossos submarinos e mais modernos navios de guerra, não é pouca coisa. O projeto do submarino nuclear avança devagar, mas avança, e já é mais do que qualquer outro país em desenvolvimento pode dizer.



Ufanismo

Então, me desculpem, mas com essa cultura toda por trás, só sendo muito xenófobo, só tendo auto-estima muito baixa, só desconhecendo muito o mundo para achar que a língua portuguesa está combalida apenas porque alguns lojistas da Barra da Tijuca insistem em colocar sale e delivery em suas vitrines.

E, antes que me acusem de patriotismo e ufanismo, esclareço que sou anti-patriota e que não amo o Brasil. O patriotismo, como já foi exaustivamente falado em outro lugar, é uma prisão e das mais imbecilizantes. Todos esses elogios foram apenas para mostrar que, enquanto cultura, a língua portuguesa não pode ser considerada débil, combalida ou mesmo em decadência.

A Língua Como Fator de Exclusão Social

A leitora Caia, do grupo Linguistas Brasileiros para a Democracia, discordou de praticamente tudo o que escrevi e teve a delicadeza de me dizer isso de forma articulada e bem educada. Mas ela tocou em um ponto que ainda não havia sido levantado aqui: a língua como fator de exclusão social.

"O problema é que legislar ou não legislar NADA tem a ver com isso e tem tudo a ver com um aspecto que TODOS os letrados SEMPRE esquecem: os pobres brasileiros não são tradutores experientes nem, sequer, tradutores amadores... e os pobres brasileiros não têm meios para SABER o que significam palavras como "hedge", "accountability", "benchmarking", "balanced scoreboard" e coisas e tais. Legislar "sobre língua" e proibir que se publiquem essas (e outras) palavras, no Brasil, sem a correspondente tradução, é o único meio que ainda se pode TENTAR, para evitar que se estabeleçam DUAS línguas, no Brasil: (a) uma "língua de rico ou metido-a-rico-que-loves-Miami", cheia de termos em inglês, e totalmente incompreensível para os pobres; e (b) uma OUTRA língua, espécie de língua de segunda-classe, na qual jamais se vêem os tais palavrões, do (dito) inglês das finanças, das tecnologias ou das modas do dia."

Caia, visto assim, tudo é fator de exclusão social: roupas, escolaridade, vocabulário, etc. Talvez o Rebelo devesse passar outra lei, forçando as pessoas a usar uniforme, para que as roupas parem de ser um fator de exclusão social. Os defensores dessa lei poderiam formar um novo grupo: Estilistas Brasileiros para a Democracia.

Não é preciso ir muito longe, nem apelar para palavras estrangeiras, para que a língua seja sim um fator de exclusão social.

O Academês, Enquanto Estrutura Ontologicamente Dialética

Existem muitos meios de se promover exclusão social através da língua sem precisar apelar para estrangerismo. Por exemplo, usando o Academês.

Eu sou formado em História pela UFRJ, onde aprendi a falar academês fluentemente. Abomino essa excrescência linguística e acho que quem se expressa assim é porque está querendo esconder que não tem o que falar. Os grandes cérebros jamais precisaram usar jargão.

Mas, enfim, se eu quiser, posso usar o academês para humilhar praticamente qualquer pessoa. Falo frase em cima de frase com hermenêuticas e lúdicos e ontológicos e dialéticos e faço qualquer um se sentir um merda, absolutamente ignorante e bronco, sem precisar usar uma palavra sequer em língua estrangeira. Aliás, a função de qualquer jargão é justamente esse, fazer quem está de fora se sentir burro, e por isso mesmo são odiosos.

Além desse óbvio porém, não vejo as pessoas menos instruídas ou mais humildes sendo particularmente resistentes às palavras estrangeiras. Aqui no Rio, os nomes que mais se escutam nas favelas são americanos: Uóston, Uelinton, etc.

Introdução de Palavras Importadas

Para quem não conhece previamente uma palavra, tanto faz se ela é estrangeira ou não. Quando eu apresento um scanner pela primeira vez a uma pessoa, tanto faz se eu digo: olha, isso é um scanner ou, olha, isso é um digitalizador. Ela vai associar aquele objeto àquela palavra, vai sair usando e pronto. Ele não vai perguntar a procedência da palavra. O esforço de associar aquele objeto à palavra scanner é o mesmo que associá-lo à palavra digitalizador.

Trabalho com internet e sempre chamei a parte superior da página, onde fica o logotipo e o banner, de header. Um belo dia, fui trabalhar pra um site do governo e já aprendi de cara: pro cliente, o nome disso é testeira. E pronto. Naquele ambiente, passei a usar testeira. Aliás, adorei testeira. Só não uso sempre por um motivo muito prático: comunicação. Não adianta nada eu falar em testeira e ninguém entender.

Os Direitos dos Menos Favorecidos

A leitora Ana Cinderela disse:

"sim, viva a liberdade lingüística; mas viva também a liberdade do meu avozinho, da minha faxineira e da maioria da população brasileira q não entende os letreiros das lojas; meu pai se sente agredido quando vê na Globo um "Brasilia Music Festival"; minha mãe acha um absurdo ter tanto canal falando inglês e ela ser obrigada a ler letrinhas dentro da casa dela, numa tv a cabo que ela paga(só não cancelou ainda por minha causa); acho q não é nem defesa da língua; é defesa dos direitos dos menos favorecidos."

Ana, eu também acho um absurdo os letreiros de loja em inglês e acho francamente patético algo chamado Brasília Music Festival ao invés de Festival de Música de Brasília. E as críticas da sua mãe à TV paga são bem válidas e ela devia fazer valer seu direito de consumidora e ou cancelar a assinatura ou reclamar. Eu sei que cancelei minha NET em junho de 2000 e nunca olhei pra trás.

A questão é que assim como reconheço o direito do seu pai de ficar irritado com Brasília Music Festival eu também reconheço o direito dos organizadores do festival de chamarem seu festival como bem quiserem. Podia ser Brasília Music Festival e podia ser Bjsyu7eg hguu YYunh. O festival é deles, eles botam o nome que quiserem. O seu pai, você e eu também temos todo o direito de não gostar, não ir e ainda por cima fazer campanha contra.

Liberdade de expressão é isso. Exatamente isso. Sem tirar nem por. Nunca haver uma lei obrigando os organizadores a chamar seu evento de Festival de Música de Brasília.

Ou você acha, realmente acha, que a liberdade do seu avozinho só pode existir se o organizador do show não tiver liberdade de colocar o nome que quiser em seu festival? Se sim, temos concepções bem diferentes de liberdade.

A Mão Invisível

Língua de Eulália: Novela Sociolingüistica, A MARCOS BAGNOUma vez estava com uma namorada e ela quis comprar lingerie em uma loja chamada "Tonight Is The Night", na Barra. Eu tanto atazanei que ela desistiu. Sério. Quer nome mais ridículo? Não podia ser "Hoje É A Noite"? Aposto que as vendedoras nem devem conseguir falar o nome da loja. Fomos comprar lingerie em outro lugar.

O mercado é das forças mais poderosas que existem. Ninguém rasga dinheiro, nem organizador de festival, nem dono de loja de libgerie.

A grande verdade é que, se a maioria das pessoas realmente não gostasse de nomes em inglês e consumisse mais os produtos com nomes em português, essa mania besta de colocar nomes americanos em tudo já teria acabado faz tempo. Infelizmente, as pesquisas de marketing (mercadagem?) acabam comprovando que, para a maioria dos usuários, nomes em inglês transmitem força, sofisticação e sei lá mais o quê.

Quem é contra nomes em inglês que evite consumir produtos com nomes em inglês. Put your money, literally, where your mouth is. Fale com os amigos. Escreva artigos para os jornais. Se você conseguir convencer gente o sufuciente, talvez o próximo festival seja em português.

Só não vale querer cercear a liberdade de expressão de uma outra pessoa que tem o MESMO direito que você de colocar o nome que bem quiser em suas coisas.

A Força da Língua Como Sintoma

A língua portuguesa não está em perigo, nem estará no futuro próximo.

Mas e se estivesse?

Uma língua fraca é sintoma de uma cultura morta.

Se a língua portuguesa estiver mesmo combalida é porque a cultura brasileira já morreu, ou está nas últimas. É porque não estão mais fazendo novos filmes, é porque as novelas minguaram, é porque os novos escritores estão preferindo escrever em outras línguas.

Nesse caso, será que vale a pena prolongar a vida do moribundo?

Eu sou fluente em inglês e português. Cogitei seriamente escrever meus livros em inglês e oferecê-los a editoras americanas. Por que não? No século XIX, muitos escritores brasileiros escreviam direto em francês.

Mas decidi escrever em português. Por quê?

Porque nossa cultura é forte. Porque temos um mercado editorial maduro. Porque temos bons leitores. E também porque é melhor reinar no inferno do que ser servo no céu e porque é mais fácil se destacar no mercado editorial brasileiro do que americano.

Se fossem outros tempos, eu e muitos outros colegas escreveríamos em inglês e pronto. E essa fuga de cérebros (literalmente, uma fuga de cultura) contribuiria ainda mais para a morte do português.

A língua portuguesa não precisa ser defendida nem mantida. Isso ela faz sozinha. E muito bem.

A verdadeira polêmica deveria ser outra.

Caso ela algum dia precise ser defendida, será que deve?

Amo a língua portuguesa, mais até do que talvez devesse, mas não sei se vale a pena defender um idioma que já não produz mais cultura digna desse nome.

Entretanto, fiquem tranqüilos: essa é pros nossos tataranetos.

Não deixe de ler Os Dilemas da Tradução, Orgulho de Ser Brasileiro e Sejam Grandes!, que desenvolvem os temas desse artigo.

Postada no blog entre Setembro 22 e Outubro 03, 2003

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