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  Alex Castro
Editor do seu Guia de Blog na Internet
O Velho Libertário e o Jovem Discípulo

O jovem discípulo vai visitar o velho libertário em sua casa no topo da montanha. Há anos o jovem discípulo é fascinado pelas palavras do velho libertário, por sua filosofia de amor livre, liberdade intransigente e paixão acima de tudo. As palavras do velho libertário o eletrizam. O jovem discípulo bate na porta esperando encontrar um dínamo vivo, uma força da natureza.

Atende um velhinho, visivelmente contrariado pela interrupção. Lá dentro, o clima é quente, desconfortável. O velho libertário senta perto da lareira para esquentar os pés e toma o seu leitinho com dificuldade, pois suas mãos entrevadas mal conseguem segurar a xícara.

A conversa segue dura e protocolar. O jovem discípulo está confuso. Será que está na cabana certa? Esse aqui parece um velho pefelista, não um velho libertário.

Ele pergunta, o velho confirma: sim, escrevi todos esses livros. Há muito tempo.

Mesmo assim, o jovem discípulo está cada vez mais constrangido. Claramente, o velho quer ficar sozinho com seus livros, seu leitinho e sua lareira.

O jovem pede licença para ir embora e se levanta, sem nem uma palavra de protesto por parte do velho.

Quando está na porta, entretanto, o velho diz:

Meu filho, peço perdão por não ser mais o homem que escreveu esses livros. Mas nem mesmo naquela época eu era assim o tempo todo.

O importante é que eu era assim no momento em que escrevi aquelas palavras. O importante é que você seja assim no momento de lê-las. O resto é ficção.

O autor desses livros agora é você. Seja-o enquanto puder. Depois, suba a montanha e venha ocupar minha casa. Ela estará vazia.

Postada no blog em Março 15, 2004

 

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