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  Alex Castro
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Encontrando o Companheiro Perfeito

Poder Fazer e Dever Fazer

É engraçado como a nossa auto-imagem raramente bate com a imagem que projetamos.

Apesar de eu me considerar um libertino, ou seja, alguém que não se deixa prender pela moral vigente e está sempre disposto a tentar coisas novas, eu também me considero um celibatário, romântico, moralista, quase abstinente e com desejo sexual abaixo da média.

Meus leitores, por outro lado, parecem me ver como um sátiro amoral e insaciável, cuja vida é uma eterna suruba.

E, mais engraçado ainda, as reações dos meus leitores, sim, me fazem pensar que os insaciáveis são eles.

Por exemplo, quando contei a história da menina que, apesar de ser bonita, inteligente, simpática, etc, eu não quis comer, teve leitor indignado. Se a menina não tinha nenhum defeito eliminatório grave e queria dar pra mim, não comi por quê?! Que absurdo!

E eu fico pensando que isso é como dizer que essas pessoas comeriam qualquer comida que não estivesse visivelmente podre. Um comportamento obsessivo e perturbador.

A mesma coisa acontece quando falo de casamento aberto e as pessoas escutam promiscuidade. Devem ser daquelas que vão à churrascaria rodízio e comem até explodir, achando que poder fazer é o mesmo que dever fazer.

Condenado à Solidão

O que me excita em uma mulher é sua cabeça, sua personalidade, suas taras. Não há a menor possibilidade de eu transar com uma mulher que eu não conheça razoavelmente bem. Nunca transei com ninguém por quem não estivesse ao menos moderadamente apaixonado.

Durante os três anos do meu "promíscuo" casamento aberto, eu tive um único relacionamento extra-marital, oito meses de paixão intensa, uma mulher com quem eu tinha profunda conexão mental, cultural, sexual.

Quando eu estava me separando, uma das minhas melhores amigas chegou pra mim preocupada e perguntou se eu realmente fazia questão desse negócio de relacionamento aberto. Eu nunca tinha considerado a questão nesses termos e parei pra pensar.

Se você se junta com alguém é pra poder ser mais do que era, nunca menos. Não sei se conseguiria me apaixonar por uma mulher que quisesse me reprimir, me limitar, cortar minhas asas.

E minha amiga fez uma previsão sinistra: poucas mulheres desejariam, aceitariam ou se sujeitariam a algo assim. Meu pool de mulheres disponíveis, onde pescar uma futura companheira, seria mínimo. Em outras palavras, prepare-se para envelhecer sozinho.

Confesso que essa conversa me deixou bastante apreensivo.

E não é só isso. Cada pessoa tem vários critérios, eliminatórios e desejáveis, conscientes ou não, que só fazem restringir ainda mais seu pool de futuros companheiros.

Por exemplo, meus critérios eliminatórios são:
  • Fetiche - se não for tarada e pervertida, não rola. Baunilha só no milk-shake.
  • Senso de humor - pra me aturar.
  • Força - nada mais brochante do que uma mulherzinha viadinha, dependente, submissa, de personalidade fraca.
Ao contrário do que muita gente pensa, inteligência e cultura não são critérios eliminatórios, somente desejáveis, assim como: (Ou seja, mulheres burrinhas, por favor não se acanhem.)

Enfim, saí da conversa pensando: fudeu, estou condenado a bater punheta até morrer. Das três bilhões de mulheres no mundo, não devem haver nem dez mil pra mim, quatro no Rio e nove em São Paulo.

(Se eu pelo menos fosse bissexual, talvez tivesse mais opções, mas homem é um bicho muito desagradável. Não estou descartando nada mas o cara teria que ser feminino, imberbe e não querer enfiar nada em nenhum dos meus orifícios. Mandem seus currículos: candidatos serão analisados caso a caso.)

Felizmente, as previsões funestas da minha amiga não se realizaram. Como eu digo na Prisão Conformismo, se mostrar é a melhor maneira de desencavar seus iguais. Não sei se existem realmente só treze mulheres pra mim no eixo Rio-São Paulo, mas sei que, graças ao blog, boa parte delas entrou em contato comigo. Nem por um segundo me senti sozinho.

Pelo contrário, no ano seguinte à minha separação, eu me apaixonei, e fui amado, por três mulheres sensacionais, maravilhosas, perfeitas - todas tão exasperadas quanto eu com os humanos e também achando que jamais encontrariam alguém como desejavam, como precisavam.

As Mulheres Sabem Dizer Não, Mas Não Sabem Ouvir

Uma mulher pode provocar e excitar um homem, se esfregar nele, levá-lo pra casa, tirar sua roupa, manipular seu pau, arreganhar sua boceta pra ele entrar lá dentro e, então, um segundo antes do pobre infeliz se engatar, dizer: "ah, agora não, perdi a vontade!", e adivinhem, se o desgraçado meter o pau dele ali, ainda vai preso por estupro, esse maníaco sexual.

Felizmente, isso nunca aconteceu comigo, mas já cheguei na metade do caminho.

Não estou reclamando. Concordo que as mulheres tenham o direito de dizer não até o último nanosegundo: eu apenas gostaria que esse direito também fosse extendido aos homens - se não a todos, pelo menos a mim. Eu, pelo contrário, quase sempre sinto que, se eu der o primeiro passo, terei que ir até o final.

Eis o que, de fato, aconteceu comigo: eu conheço uma pessoa e fico interessado. Pode ser homem ou mulher: nessa etapa, o interesse é o mesmo. Eu procuro passar mais tempo com essa pessoa, conhecer sua vida, aprender sua personalidade, ouvir sua voz. Sou escritor, me alimento de histórias como os mortos-vivos de cérebros.

Algumas vezes, eu me engano e a pessoa não é nem um pouco interessante. Isso é raro. Eu sou bem seletivo.

Na maioria das vezes, as pessoas são interessantes mas um ou dois encontros já bastam para satisfazer minha curiosidade, para que eu as conheça tão bem quanto poderia desejar.

Em algumas raras vezes, eu reconheço na outra pessoa (por enquanto, só mulheres, mas não tenho preconceitos) aquelas raras qualidades que eu busco em um parceiro romântico e eu tento seduzi-la, encantá-la, atraí-la.

O problema é que, na nossa sociedade atual, um homem que chama uma mulher pra sair (especialmente se dá uns beijinhos nela) tem obrigação de levá-la para a cama, se ela quiser.

"Está achando que tenho cara de palhaça?! Quer dizer que você me trouxe até aqui, cozinhou pra mim, beijou meu pé, me encheu de vinho, enfiou a língua na minha orelha, agora vai ter que me comer, seu filho da puta!"

Gostaria de poder dizer às mulheres algo que elas vivem dizendo aos homens: eu te chamei pra sair porque queria te conhecer melhor; quando conheci, descobri que não tenho interesse romântico ou sexual por você; vamos ser apenas bons amigos.

Uma, uma única vez, eu transei com uma mulher por delicadeza, por achar que tinha irresponsavelmente deixado a situação chegar em um ponto no qual seria terrivelmente indelicado dar uma de mulherzinha e dizer "no means no".

Foi uma das piores experiências da minha vida. E completamente inútil. Ela quis a segunda e o momento de indelicada rejeição que eu me sacrifiquei pra evitar acabou acontecendo igualzinho.

Enquanto muitas mulheres rotineira e propositalmente atiçam homens para quem sabem que não vão dar, eu, talvez por excesso de sensibilidade, tenho pudor em demonstrar interesse por uma mulher que sei que não vou querer comer.

Caga-Regras

Por fim, um lembrete: de vez em quando, me acusam de caga-regras, de defensor de bandeiras, de querer convencer os outros. Especialmente sobre casamento aberto.

Poupem-me. Vocês se dão importância demais. Não quero convencer ninguém de nada.

Se eu puder viver a minha vida como eu quero, estou pouco me lixando como vocês vivem as de vocês.

Feitos Um para o Outro

Esse post é dedicado à ruiva, pra eu nunca esquecer que minhas mulheres perfeitas não apenas existem como também estão procurando por mim.

Nunca acreditei que as pessoas fossem feitas umas pras outras. Achava que era só uma frase romântica vazia. Agora, entretanto, começo a lhe dar um certo valor.

Porque somos nós que fazemos a nós mesmos, um longo processo de criação e metaformose que dura a vida toda. Assim como o pássaro macho abre seu penacho azul geneticamente projetado para atrair as fêmeas, nós também nos construímos, conscientemente ou não, para atrair de forma mais eficiente o tipo de pessoa que mais nos interessa. No fundo, no fundo, talvez não exista nada mais importante na vida do que isso.

Então, de um modo bem real, e bem romântico até, algumas pessoas são feitas umas pras outras sim.

Eu te amo, raposa.

* * *

Reli esse post e, em alguns trechos, pensei que vocês iriam me considerar um canalha amoral; em outros, um romântico bobão. Ou seja, deve estar bom.

Além disso, vale a pena clicar nos links pelo texto e ler uma verdadeira antologia dos meus melhores artigos sobre a relação homem-mulher.

Postada no blog em Outubro, 2005

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