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  Alex Castro
Editor do seu Guia de Blog na Internet
Blogs Gratuitos: Ética Versus Estética

Um dos meus simpáticos leitores me enviou uma treta para limar os banners do meu blog. A intenção certamente foi boa, e eu agradeço, sinceramente e em público, mas decidi recusar.



Não Existe Almoço Grátis

Ultimamente, quando o Blig ameaçou cobrar pelos seus serviços e agora com a Globo.com expulsando todos os não-assinantes do Blogger Brasilil, eu escrevi um artigo chamado Não Existe Almoço Grátis, que convido todos a lerem.

Eu defendo, em outras palavras, que não temos direito algum de usufruir gratuitamente de serviços que custaram muito para ser desenvolvidos e que ainda custam muito para ser mantidos. Pelo contrário, o dono do serviço, que o criou e disponibilizou, é que tem todo o direito de cobrar por ele. Paga e usa quem quiser e puder.

Ainda acrescentei o seguinte: ninguém cobra de perverso.

As empresas que oferecem serviços gratuitos na rede sabem que a decisão de cobrar é muito impopular e que gera rigorosamente o mesmo tipo de manifestação pueril que vem acontecendo na Internet. Via de regra, essas empresas só apelam para a cobrança em último caso, para se manter vivas e porque sua forma de receita original não estava cobrindo os custos. Na maioria dos casos, essa forma de receita original é publicidade.

Como Manter a Web Gratuita

Quando eu gosto de um serviço gratuito - e eu adoro vários, como o SiteMeter, Nedstat, Comentar, Blogger, etc - eu faço questão de fazer com que essas empresas tenham algum tipo de compensação pelo presente que estão me dando. Clico conscientemente em todos os banners e botões que vejo pela frente.

Não sou criança e nem nasci ontem. Sei que se o faturamento de publicidade for bom, se o click-through compensar, essas empresas nunca vão querer se arriscar a cobrar de mim pelos serviços que usufruo de graça. Melhor ainda, nunca vão falir e me deixar sem o serviço.

Os mais jovens talvez não saibam o que é isso, mas eu ainda me lembro com pesar dos serviços gratuitos que eu adorava e que perdi, para sempre, simplesmente porque as empresas faliram. Só pra dar dois exemplos: HotLinks e e-comics. Alguém ainda lembra deles?

Realmente, não sei o que leva alguém a querer eliminar os banners do seu blog. Se o cúmulo da velocidade é fechar a gaveta e jogar a chave dentro, o cúmulo do egoísmo, se não é isso, é bem próximo.

Será que não vêem que é só por causa dos banners que eles usufruem do blog gratuitamente? Que se os banners sumirem, ou pararem de dar retorno, a empresa não vai ter outra alternativa que não fechar ou cobrar? E nenhuma dessas opções, teoricamente, é agradável ao usuário que aprecia o serviço.

O melhor jeito de manter a web gratuita é justamente ajudar as empresas que oferecem serviços gratuitos, nunca sabotá-las.

Alguém Tem Uma Idéia Melhor?

Essas pessoas que bloqueiam banners devem ser as mesmas que ficaram bradando por liberdade de expressão na internet e inclusão digital quando o Blig ameaçou cobrar.

Não existe mágica. Os funcionários da Globo.com precisam ser pagos. Eu confesso que não gosto muito de banners, mas também confesso que não tenho solução melhor.

Essas pessoas que querem usufruir o serviço (ou seja, não querem que ele feche), mas que não querem pagar por ele e nem querem ficar vendo banners no seu blog, bem, acho esses quereres muito justos, mas essas pessoas deveriam sentar e pensar em algum novo modelo de arrecadação para a Globo.com e mandar para eles urgente.

Até lá, essas três opções ficam sendo praticamente as únicas: fechar de vez, cobrar assinatura ou divulgar banners.

Cuidando de Mordida de Cobra

Expus minha posição ao leitor que me ofereceu a treta e ele disse:

"Pois é, Alexandre, o tema "Blogs Gratuitos: Ética x Estética" daria muito pano prá manga. Minha posição é pró-Estética pelos motivos: o banner é feio, sutil como macaco em loja de louça, e já carregamos a marca 'blogspot' marcada com ferro em brasa no próprio nome. É o suficiente prá mim. Mas enfim..."

Acho que ele colocou a questão tão bem que virou até título do artigo: ética versus estética.

Na verdade, o que houve foi o seguinte: o Blogger deu a ele um blog de graça e pediu três coisinhas em troca.

O blogspot.com no nome do blog e o banner no topo da página não foram realmente pedidos, mas vieram com o pacote. Não há como ter um blog no Blogger sem o primeiro e, teoricamente, não deveria ser possível eliminar o segundo.

Na prática, a única coisa mesmo que o Blogger pediu foi pra ele incluir o selo do Blogger na página.

Verdade seja dita, colocar o selinho o meu leitor até colocou, quando seria fácil não colocar. O blogspot na URL ele não teve como mexer. Mas limou o banner. Pôxa, de três eu fiz dois, ele parece estar dizendo, não é o suficiente pra satisfazer esses fominhas do Blogger? E, além do mais, os banners são horríveis!

Isso tudo é muito bonito, e quase faz sentido, até você se lembrar do seguinte: o importante é o banner. O banner é a única fonte de renda do Blogger. O nome da URL e o botão são legais, ajudam, divulgam etc, mas quem paga as contas é o banner. O banner é que é fundamental para a sobrevivência da empresa.

E o banner, por motivos estéticos e anti-éticos, o meu leitor vetou.

Pior, mesmo assim, ele se sente quites com Blogger só porque o termo blogspot aparece, "marcada com ferro em brasa", em sua URL.

Imagino meu leitor socorrendo uma vítima de picada de cobra. Ele faz gaze e compressa, dá bastante água, protege a vítima do sol, faz tudo, tudo mesmo, menos aplicar o soro anti-ofídico. E depois, quando o infeliz morre, meu leitor não se conforma e ainda se acha cheio de razão: mas caramba, eu fiz tudo o que dizia aqui no manual de primeiros-socorros, tudo mesmo, só não fiz uma coisinha.

Logo a coisinha que era fundamental.



Ajude Quem Lhe Ajuda

Então, amigos leitores, eu renovo o apelo que fiz no artigo Não Existe Almoço Grátis.

Pode ser que amanhã o universo vire de cabeça pra baixo, mas hoje ainda estão valendo as regras do mercado, da oferta e da procura. Vocês podem não gostar, podem se mudar pra Albânia, podem se filiar ao PSTU, mas até a Heloísa Helena tomar o poder e nos tranformar num Cubão, a realidade ainda é o mercado. E quem ignora isso só vai fazer dar com a cara na parede.

As empresas não sobrevivem de vento e precisam pagar suas contas. Ou elas arranjam um jeito de ganhar dinheiro ou fecham.

Portanto, se existe algum serviço gratuito que você usa e gosta, descubra qual é a fonte de receita do fornecedor do serviço e ajude-o. Assim mesmo. Só isso.

Eu sei, parece um contra-senso para a maioria das pequenas mentes marxistas que conheço, que ainda acreditam que existe almoço grátis e que toda empresa é intrinsecamente má, mas minha proposta é mesmo radical.

Ajude quem lhe ajuda. Será que você é capaz de fazer isso? Se alguém lhe dá um serviço gratuito, eu proponho que você tente dar algo em troca para esse alguém.

Se ele vende produtos, sugiro que você compre um de vez em quando. Se ele sobrevive de publicidade, sugiro que você clique nos seus banners e/ou gere pageviews. Se ele tem uma parceria com o Submarino, sugiro que você compre livros através do link em seu site para que ele ganhe uma porcentagem na venda. E por aí vai.

Todas essas iniciativas são muito pequenas, mas podem fazer uma grande diferença.

Mais do que qualquer outra coisa, você estará ajudando a si mesmo.


Postado no blog entre Dezembro 30 e 31, 2003

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