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  Alex Castro
Editor do seu Guia de Blog na Internet
Declínio e Queda do Império Romano, por Edward Gibbon

Depois de terminar o excelente Sobre Heróes y Tumbas, de Ernesto Sábato, retomei a leitura de Declínio e Queda do Império Romano, de Edward Gibbon.

Não se deixem intimidar pelo gigantesco tamanho do livro. Declínio e Queda do Império Romano é daquelas obras monumentais onde se pode, literalmente, morar. Um livro enciclopédico, mas que passeia pela história dos últimos séculos do Império Romano com leveza, classe e bom humor.

Declínio e Queda do Império Romano
não é livro que se acabe de ler. É livro para se ir lendo a vida toda.

Um Livro Ultrapassado

Talvez lhe digam que a pesquisa história de
Declínio e Queda do Império Romano, escrito em 1776, está ultrapassada. Ora bolas, claro que está. E daí?

Hoje em dia, não se fazem mais historiadores como Gibbon. A Universidade não deixa. Eu sei, já estudei História. Se um aluno apresenta um projeto de tese chamado "Relações trabalhistas na indústria da margarina de Campos, 1920-1930" ainda é capaz de ouvir do professor que esse recorte está amplo demais. Meu filho, ele diria, tente só tratar do período 1920-1925. Alguém que se propusesse a narrar os últimos mil anos do Império Romano seria jubilado. Talvez até sumariamente morto, para não contaminar os outros.

Além do mais, Borges disse algo fundamental: na época de Gibbon, as pessoas liam Declínio e Queda do Império Romano para conhecer a história de Roma. Para nós, hoje, o livro é duplamente interessante: lemos Declínio e Queda do Império Romano para conhecer as opiniões de um cavaleiro inglês do século XVIII sobre a história de Roma.

 Declínio e Queda do Império Romano EDWARD GIBBONCom a palavra Jorge Luis Borges, outro fã de Gibbon:

"Al cabo del tiempo, el historiador se convierte en historia y no sólo nos importa saber cómo era el campamento de Atila sino cómo podía imaginárselo un caballero inglés del siglo XVIII."

Ou, então, você pode tentar encarar um "Dinâmicas de Dominação Patriarcal durante a Revolta dos Irmãos Gracchus: Uma Análise Weberiana à Luz dos Conceitos de IchLiebenstraum de Habermas". Foi escrito ano passado e incorpora a mais recente pesquisa. Boa sorte. Você vai precisar!

Peregrinações à Jerusalém

O que não falta no mundo é malandro.

Para terem um gostinho do delicioso estilo de Gibbon, leiam esse trecho, do vigésimo-terceiro capítulo, sobre as peregrinações de cristãos europeus para a Terra Santa no séc.III:

"The zeal, perhaps the avarice, of the clergy of Jerusalem, cherished and multiplied these beneficial visits. They fixed, by unquestionable tradition, the scene of each memorable event. They exhibited the instruments which had been used in the passion of Christ; the nails and the lance that had pierced his hands, his feet, and his side; the crown of thorns that was planted on his head; the pillar at which he was scourged; and, above all, they showed the cross on which he suffered, and which was dug out of the earth in the reign of those princes, who inserted the symbol of Christianity in the banners of the Roman legions.

Such miracles as seemed necessary to account for its extraordinary preservation, and seasonable discovery, were gradually propagated without opposition. The custody of the true cross, which on Easter Sunday was solemnly exposed to the people, was intrusted to the bishop of Jerusalem; and he alone might gratify the curious devotion of the pilgrims, by the gift of small pieces, which they encased in gold or gems, and carried away in triumph to their respective countries. But as this gainful branch of commerce must soon have been annihilated, it was found convenient to suppose, that the marvelous wood possessed a secret power of vegetation; and that its substance, though continually diminished, still remained entire and unimpaired.

It might perhaps have been expected, that the influence of the place and the belief of a perpetual miracle, should have produced some salutary effects on the morals, as well as on the faith, of the people."



A Relíquia, de Eça de Queiroz

Não dá pra ler esse trecho sem pensar em A Relíquia, meu romance preferido do Eça (que me perdoem Os Maias e A Ilustre Casa) por ser o mais engraçado, cínico e iconoclasta.

Teodorico é um playboy português que vive sustentado pela tia beata. Lá pelas tantas, a tia decide doar toda sua fortuna para a Igreja. Teodorico fica desesperado:
Relíquia, A EÇA DE QUEIROZ
"Eu estava bem decidido a não deixar ir para Jesus, filho de Maria, a aprazível fortuna do Comendador G. Godinho. Pois quê! Não bastavam ao Senhor os seus tesouros incontáveis? (...) E ainda voltava, do alto do madeiro, os olhos vorazes para um bule de prata, e uns insípidos prédios da Baixa! Pois bem! disputaremos esses mesquinhos, fugitivos haveres, tu, ó filho do carpinteiro, mostrando à Titi a chaga que por ela recebeste, uma tarde, numa cidade bárbara da Ásia, e eu adorando essa chaga, com tanto ruído e tanto fausto, que a Titi não possa saber onde está o mérito, se em ti que morreste por nos amar de mais, se em mim que quero morrer por não te saber amar bastante!"

Para cair nas graças da tia, Teodorico vai em peregrinação à Terra Santa, trazer para ela esses mesmos suvenires que já no século III os espertos usavam para enganar os turistas. Pelo caminho, ele se envolve com mulheres a torto e a direito, e nunca perde seu ar cínico:

"Obedecendo à recomendação da Titi, despi-me, e banhei-me nas águas do Batista. Ao princípio, enleado de emoção beata, pisei a areia reverentemente como se fosse o tapete de um altar-mor; e de braços cruzados, nu, com a corrente lenta a bater-me os joelhos, pensei em São Joãozinho, sussurrei um padre-nosso. Depois ri, aproveitei aquela bucólica banheira entre árvores; Pote atirou-me a minha esponja; e ensaboei-me nas águas sagradas, trauteando o fado da Adélia."

Por algum motivo que Eça tem o toque de gênio de jamais tentar explicar, Teodorico volta no tempo e acaba testemunhando, ao vivo, a paixão de Jesus.

Imperdível.

Cristãos Proibidos de Ensinar Lógica

Por aqui, nossa bela governadora Rosinha Matheus escreve livro sobre as virtudes submissas da mulher ideal e permite o ensino criacionista em nossas escolas.

Enquanto isso, no passado, o Imperador Juliano (c.350) proibia cristãos de lecionarem gramática e retórica no Império Romano. Afinal, pessoas que defendem uma fé implícita e inquestionável não estão aptos para ensinar ou usufruir dos benefícios da ciência, da lógica e da razão.

Imaginem se um dos critérios de admissão na Nasa fosse um "testemunho de não-fé"?

Direto do vigésimo-terceiro capítulo de Declínio e Queda do Império Romano, por Edward Gibbon:

"A just and severe censure has been inflicted on the law which prohibited the Christians from teaching the arts of grammar and rhetoric. The motives alleged by the emperor to justify this partial and oppressive measure, might command, during his lifetime, the silence of slaves and the applause of flatterers. Julian abuses the ambiguous meaning of a word which might be indifferently applied to the language and the religion of the Greeks: he contemptuously observes, that the men who exalt the merit of implicit faith are unfit to claim or to enjoy the advantages of science."

Eu Fui Fiscal do Juliano

Tabelamento de preços nunca é uma boa idéia. Quem já foi fiscal do Sarney, no agora longínquo ano de 1986, lembra bem disso. Mas em 1986 eu só tinha 12 anos, não sabia nada da vida.

Será que mais ninguém sabia disso? Será que nenhum daqueles ignorantes entendia nada de oferta e demanda?

No ainda mais longínquo ano de 362 EC, outro tabelamento, implementado pelo imperador romano Juliano, acabou como acabam todos os tabelamentos: em confusão, monopólio e mercado negro.

 Declínio e Queda do Império Romano EDWARD GIBBONUma seca havia destruído boa parte das plantações de trigo e milho, e o preço do pão e outros gêneros de primeira necessidade havia subido proibitivamente. Juliano, de passagem pela cidade de Antióquia, resolve remediar a situação.

Do vigésimo-quarto capítulo de Declínio e Queda do Império Romano, por Edward Gibbon:

"The inclemency of the season had affected the harvests of Syria; and the price of bread, in the markets of Antioch, had naturally risen in proportion to the scarcity of corn. But the fair and reasonable proportion was soon violated by the rapacious arts of monopoly. In this unequal contest, in which the produce of the land is claimed by one party as his exclusive property, is used by another as a lucrative object of trade, and is required by a third for the daily and necessary support of life, all the profits of the intermediate agents are accumulated on the head of the defenceless customers. The hardships of their situation were exaggerated and increased by their own impatience and anxiety; and the apprehension of a scarcity gradually produced the appearances of a famine.

When the luxurious citizens of Antioch complained of the high price of poultry and fish, Julian publicly declared, that a frugal city ought to be satisfied with a regular supply of wine, oil, and bread; but he acknowledged, that it was the duty of a sovereign to provide for the subsistence of his people. With this salutary view, the emperor ventured on a very dangerous and doubtful step, of fixing, by legal authority, the value of corn. He enacted, that, in a time of scarcity, it should be sold at a price which had seldom been known in the most plentiful years; and that his own example might strengthen his laws, he sent into the market four hundred and twenty-two thousand modii, or measures, which were drawn by his order from the granaries of Hierapolis, of Chalcis, and even of Egypt.

The consequences might have been foreseen, and were soon felt. The Imperial wheat was purchased by the rich merchants; the proprietors of land, or of corn, withheld from the city the accustomed supply; and the small quantities that appeared in the market were secretly sold at an advanced and illegal price. Julian still continued to applaud his own policy, treated the complaints of the people as a vain and ungrateful murmur."

A Cegonha de Átila

Trecho do 35º capítulo de Declínio e Queda do Império Romano, de Edward Gibbon. Ilustra não só a personalidade de Átila como também os incríveis dotes narrativos de Gibbon:

"Three months were consumed without effect in the siege of the Aquileia; till the want of provisions, and the clamors of his army, compelled Attila to relinquish the enterprise; and reluctantly to issue his orders, that the troops should strike their tents the next morning, and begin their retreat. But as he rode round the walls, pensive, angry, and disappointed, he observed a stork preparing to leave her nest, in one of the towers, and to fly with her infant family towards the country. He seized, with the ready penetration of a statesman, this trifling incident, which chance had offered to superstition; and exclaimed, in a loud and cheerful tone, that such a domestic bird, so constantly attached to human society, would never have abandoned her ancient seats, unless those towers had been devoted to impending ruin and solitude. The favorable omen inspired an assurance of victory; the siege was renewed and prosecuted with fresh vigor; a large breach was made in the part of the wall from whence the stork had taken her flight; the Huns mounted to the assault with irresistible fury; and the succeeding generation could scarcely discover the ruins of Aquileia."

Os Benefícios Comparativos do Barbarismo

Estou lendo Declínio e Queda do Império Romano, de Edward Gibbon, uma fonte inesgotável de sabedoria e um dos melhores livros de todos os tempos. Curiosamente, justo quando escrevo sobre comunidades que não mereciam existir por não atender às necessidades de seus membros, logo hoje!, esbarro no seguinte trecho.

O historiador Prisco, em visita ao acampamento dos hunos (liderados por Átila, o flagelo de deus, lembra?), encontra um grego. Civilizado e refinado, tornou-se escravo quando os hunos tomaram sua cidade. Depois, aos poucos, seus status foi subindo e, então, naquele momento, liberto, ele já desfrutava dos direitos e deveres de huno nativo, tendo inclusive mulher e filhos. E discorre sobre as vantagens de um barbarismo que funciona sobre uma pretensa civilização, cheia de regras, leis e impostos que já não servem mais pra nada.

Longe de mim defender o barbarismo e a anarquia, mas o texto cai como uma luva na conversa que estamos travando.

Com vocês, trechos de 34º capítulo de Declínio e Queda do Império Romano. Não fujam nem do inglês nem do tijolão de texto. Ao menos, tentem, seu covardes! Vale a pena:

"The historian Priscus, whose embassy is a source of curious instruction, was accosted in the camp of Attila by a stranger, who saluted him in the Greek language, but whose dress and figure displayed the appearance of a wealthy Scythian. In the siege of Viminiacum, he had lost, according to his own account, his fortune and liberty; he became the slave of Onegesius; but his faithful services, against the Romans and the Acatzires, had gradually raised him to the rank of the native Huns; to whom he was attached by the domestic pledges of a new wife and several children. The spoils of war had restored and improved his private property; he was admitted to the table of his former lord; and the apostate Greek blessed the hour of his captivity, since it had been the introduction to a happy and independent state; which he held by the honorable tenure of military service. This reflection naturally produced a dispute on the advantages and defects of the Roman government, which was severely arraigned by the apostate, and defended by Priscus in a prolix and feeble declamation. The freedman of Onegesius exposed, in true and lively colors, the vices of a declining empire, of which he had so long been the victim; the cruel absurdity of the Roman princes, unable to protect their subjects against the public enemy, unwilling to trust them with arms for their own defence; the intolerable weight of taxes, rendered still more oppressive by the intricate or arbitrary modes of collection; the obscurity of numerous and contradictory laws; the tedious and expensive forms of judicial proceedings; the partial administration of justice; and the universal corruption, which increased the influence of the rich, and aggravated the misfortunes of the poor. A sentiment of patriotic sympathy was at length revived in the breast of the fortunate exile; and he lamented, with a flood of tears, the guilt or weakness of those magistrates who had perverted the wisest and most salutary institutions."

Civilização Contra Barbárie

Lá pelo ano 400 EC, os romanos mal tinham legiões que os defendessem. Dependiam, basicamente, de convencer bárbaros a lutar em seu nome em troca dos dúbios benefícios da cidadania romana. Os bárbaros não demoraram a perceber que não precisavam lutar com ninguém: bastava entrar e pegar.

Quando Alarico saqueou Roma pela primeira vez, a corte estava instalada na cidade próxima de Ravena. Não só os romanos não se defenderam, como ninguém, de nenhuma parte do império, nem mesmo o Imperador ali perto, enviou tropas para salvar a Cidade Eterna.

Simplesmente não havia tropas. Não havia o que se fazer. Os godos que saqueavam Roma eram os mesmo que antes defendiam o Império de outros bárbaros.

Depois de seis dias, Alarico se cansou e foi embora.

"The Roman government appeared every day less formidable to its enemies, more odious and oppressive to its subjects. The taxes were multiplied with the public distress; economy was neglected in proportion as it became necessary; and the injustice of the rich shifted the unequal burden from themselves to the people, whom they defrauded of the indulgences that might sometimes have alleviated their misery. The severe inquisition which confiscated their goods, and tortured their persons, compelled the subjects of Valentinian to prefer the more simple tyranny of the Barbarians, to fly to the woods and mountains, or to embrace the vile and abject condition of mercenary servants. They abjured and abhorred the name of Roman citizens, which had formerly excited the ambition of mankind. (Gibbon, XXXV)"

Acompanhar o esfacelamento do império romano e a ascensão dos bárbaros é algo sufocante e desesperador. Não sabemos para quem torcer.
 Declínio e Queda do Império Romano EDWARD GIBBON

Por um lado, os romanos são corrompidos, fracos e letárgicos. Não tinham disposição nem para se defender. Talvez a melhor palavra para descrevê-los seja polluted. They're a polluted people. Quem entende inglês sabe do que estou falando.

Roma já não conseguia dar garantias mínimas aos seus cidadãos, cada vez mais oprimidos com impostos crescentes e cada vez menos segurança. Não é à toa que muitos romanos acabaram preferindo juntar-se aos bárbaros.

"If all the Barbarian conquerors had been annihilated in the same hour, their total destruction would not have restored the empire of the West: and if Rome still survived, she survived the loss of freedom, of virtue, and of honor."(Gibbon, XXXV)

Já os bárbaros são fortes, ativos, exuberantes, em constante movimento. Fazem parte de uma onda irresistível que está saindo das aldeias da Europa para tomar o mundo. E sabem disso.

Por outro lado, como assistir impassível à queda da civilização? Apesar de todos os seus inúmeros defeitos, os romanos ainda assim representavam tudo o que a humanidade havia produzido de melhor. Arquitetura, leis, política. Os banhos, o senado, os aquedutos.

Enquanto o nome de Roma ainda era respeitado, os bárbaros buscavam as vantagens da cidadania romana. Em pouco tempo, nem isso restava. O Império Romano acabou quando os bárbaros passaram a desprezar os poltrões que antes protegiam.

Nenhum tema poderia ser mais dolorosamente contemporâneo.



"The spectator who casts a mournful view over the ruins of ancient Rome, is tempted to accuse the memory of the Goths and Vandals, for the mischief which they had neither leisure, nor power, nor perhaps inclination, to perpetrate. The tempest of war might strike some lofty turrets to the ground; but the destruction which undermined the foundations of those massy fabrics was prosecuted, slowly and silently, during a period of ten centuries."(Gibbon, XXXVI)

Postadas no blog em Maio e Junho, 2004

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A Inutilidade da Arte 
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Tradução: A Pureza do Original 
Fico preocupado de ouvir um tradutor dizer que a pureza do original não existe ou que não deveria ser importante. Tremo de imaginar o que tradutores imbuídos dessa filosofia não devem modificar, interferir ou "melhorar" os livros que traduzem.

O Velho Libertário e o Jovem Discípulo      
Peço perdão por não ser mais o homem que escreveu esses livros. Mas nem mesmo naquela época eu era assim o tempo todo. O importante é que eu era assim no momento em que escrevi aquelas palavras. O importante é que você seja assim no momento de lê-las. O resto é ficção.

O Dever do Escritor 
Quem faz arte pra provar uma teoria filosófica, defender um governo ou mesmo socorrer uma pobre classe social oprimida não está fazendo boa arte. Está sendo, talvez, uma boa pessoa, um bom cidadão, um bom político, um bom filósofo. Mas um artista sofrível.

O Dever do Colunista 
Quando mataram a Liana e o Felipe, boa parte dos colunistas da grande imprensa não teve pudor algum em somente repetir o blá-blá-blá do senso comum. Cadê o profissionalismo dessa gente?

O Golpe de Mersault 
Camus distorce tanto nossa percepção que esquecemos que Mersault cometeu, de fato, o crime pelo qual está sendo acusado! O homem é culpadíssimo!

Heróis e Vilões 
Qualquer bom autor sabe fazer seu leitor ir aonde ele bem quiser, como um treinador balançando o osso na frente do cachorro. A good author can get away with anything.

Duas Leis das Artes Dramáticas 
Quem mais seria o vilão da história? Um estava morto, a outra era a mocinha e a outra era uma negona que tinha entrado no meio da trama. Só sobrava realmente ele.

A Escola Urbana 
Uma nova escola literária vem tomando conta da literatura brasileira há mais de 30 anos. Por falta de nome melhor, eu a chamo Escola Urbana.

Pacto da Mediocridade 
Que pacto de mediocridade é esse? Se nem os nossos formados em Letras-Inglês lêem Shakespeare no original, pra que servem? Não é esse seu trabalho?

Um Épico Injustiçado: O Senhor dos Anéis   
Os doutores da Academia, que suspiram por grandes épicos da humanidade como "La Mort d'Artur" e "Bewoulf", torcem os narizes para "O senhor dos anéis". É pena. Iriam adorar. O livro foi escrito para eles e por um deles.

Literatura Imaginativa   
os autores brasileiros parecem ter sido convencidos, em algum momento, que imaginação e boa literatura não combinam. O ideal de todos parece ser reescrever Um Coração Simples, do Flaubert, o romance, por excelência, onde nada acontece.

Romance do Não-Dito: Aquele Rapaz, de Jean-Claude Bernadet    
Aquele Rapaz é curto pois tudo foi cortado. Aquele Rapaz é riquíssimo, mas nada está lá impresso. Aquele Rapaz, na verdade, é somente um guia de leitura para um outro romance, maior e muito mais grosso, que simplesmente não existe.

Saber Ler Literatura   
Saber ler literatura é saber que abordar qualquer obra de arte jamais será uma atitude passiva. A verdadeira obra de arte exige compromisso, exige ação, exige feedback. Arte não se aprecia. Se apreciou, ou não é arte ou você entendeu errado. Verdadeira arte não se aprecia pois apreciar é uma atitude passiva e a verdadeira arte cobra interação.

A Grande Conversa   
Os clássicos não são só livros consagrados: eles são as vozes da Grande Conversa. Não estão mortos: eles falam, eles gritam, eles choram, uns com os outros, o tempo todo. Heráclito teoriza, Aquino racionaliza, Cervantes ri, Descartes sugere uma outra opção, Kant contextualiza e Marx destrói.

Lady Averbuck   
Ela parece merecer o apelido de Lady Averbuck. Tudo indica que é uma pessoa insuportável, mal humorada, ranzinza, arrogante e totalmente louca. O que importa é que ela é uma puta escritora.

Paulo Coelho na ABL   
Paulo Coelho pode ser um péssimo escritor, mas é um escritor. E isso, convenhamos, já é mais do que podemos falar sobre muitos dos membros da Academia, como Getúlio Vargas e Roberto Marinho.

Autores Libertários  
Muita gente tem me pedido sugestões de leitura. Autores bons há muitos. Mas como, em geral, quem me pede isso gostou desse blog, vou dar aqui uma lista dos meus pares, ou seja, autores que seguem, em larga medida, a linha filosófica desse brog: Whitman, Miller, Freire, Kerouac, Thoreau, Emerson, Sartre, La Mettrie.

Mais Livros do Mal  
Sentei em uma daquelas poltronas maravilhosas (tinha 3 horas de hora pra fazer!) e li vários contos de cada livro. Estava torcendo, sinceramente, pra algum deles ser ruim e eu não ter que levar. Afinal, não é?, autor novo, todos jovens, nunca se sabe. Não foi o caso.

Literatura Contemporânea e Livros do Mal

Ultimamente, só venho lendo clássicos. Estou há mais de um mês no Dom Quixote, por exemplo. Sinto muita falta de literatura contemporânea, mas infelizmente isso custa dinheiro. Clássicos eu pego na biblioteca, eu baixo pela Internet e até mesmo compro edições baratíssimas em tudo quanto é sebo. Já, por exemplo, o novo livro do Bernardo Carvalho só comprando e pelo preço integral: não tem jeito.