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  Alex Castro
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Gostar de Quem Não Gosta da Gente

Uma moça muito simpática postou o seguinte comentário no seu blog:

"Dica de um manéman's blog

Não deixem de visitar o blog de um típico mané da espécie (se é que podemos chamar assim) masculina. O nome do blog é Liberal Libertário Libertino. Dá pra dar boas risadas com os textos do nosso colega LIBERTINO. O blog até poderia se chamar KIT BÁSICO DO MANÉ MODERNO. Só não esqueçam: antes de visitar o blog tomem um remédio anti-vômito e deixem um saquinho daqueles de avião à mão para qualquer emergência."

Bem, quem fala o que quer, ouve o que não quer. Eu falo tudo o que quero e já estou acostumado a ouvir o que não quero. Esse negócio de achar que todo mundo tem que gostar de você é a maior falácia. Sempre vai haver um grande grupo de pessoas que te acha simplesmente um merda - ou um mané, como disse minha nova amiga.

Sim, foi isso mesmo que ouviram: amiga. Quem me lê e ainda por cima linka pra mim é minha amiga. Em menos de um dia, uns 15 novos usuários já chegaram ao meu brog pelo link que ela criou e, quem sabe, podem até ter gostado. Tudo bem que ela não vai muito com a minha cara, mas isso nunca me impediu de considerar alguém meu amigo.

Historinha boba de infância: estava um grupo de crianças discutindo qual dos pais dos amigos eles mais e menos gostavam. Todas (eram só meninas, menos eu, um padrão recorrente na minha infância e adolescência) foram unânimes em escolher a Luciana, mãe de uma menina que obviamente não estava lá, como a mãe de quem elas menos gostavam. E eu, sempre do contra, tinha dito que ela era justamente minha favorita.

E minhas amigas disseram: ela não gosta de crianças, não gosta de nenhum de nós.

Com isso, eu até concordava. Ela era diferente. Além de ser uma das poucas mães do grupo que trabalhava, ela era uma intelectual, escrevia livros, aparecia na televisão, não tinha realmente muito saco pra crianças e nem pro dia-a-dia doméstico da maioria das outras mães.

Mas então eu não tinha entendido a brincadeira. Era pra dizer o nome de quem a gente não gostava ou de quem não gostava da gente?

Pronto. Fui zoado. Bobo!, é a mesma coisa! Óbvio que a gente não vai gostar de quem não gosta da gente!

Fiquei em silêncio. Aquilo, aparentemente tão óbvio, nunca tinha me passado pela cabeça. Me parecia terrivelmente pequeno e mesquinho não gostar de alguém só porque ela não gostava de mim. Não era motivo suficiente.

A maioria das pessoas espera ser amada por todo mundo o tempo todo. Talvez por isso, quando encontramos alguém que não gosta da gente, ficamos tão chocados. Quebra uma das nossas expectativas sociais mais básicas.

Comigo era o contrário. Sempre fui uma criança absolutamente insuportável. Quase fui expulso do colégio por comportamento todos os anos, falava muito, alto, o tempo todo, era hiperativo e superdotado e me achava grandes coisas. Em suma, estava razoavelmente acostumado a encontrar adultos que não me suportavam. Não levava isso como ofensa. Pra mim, era um fato da vida: depois do dia, vem a noite, tem adultos que gostam de mim e adultos que não, etc.

Eu gostava da Luciana por ela ser diferente, independente, inteligente, instigante. Eu gostava dela, e ainda gosto, por ela ser quem ela é. A opinião pessoal dela sobre mim era irrelevante.

Se eu já era assim na infância, não vou deixar de ser assim hoje. Caramba, estava até desestimulado. Estou aqui há um mês e meio falando tudo quanto é impropério contra a lei, a ordem e os bons costumes, como é que ninguém ainda tinha aparecido pra dizer que eu era um mané?!

Já não era sem tempo.

Postado no blog em Abril 17, 2003

 

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