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  Alex Castro
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O Florete Alemão e a Clava Soviética: Inversão Ideológica na Segunda Guerra Mundial

Trabalho apresentado para a aula de História Contemporânea, curso de graduação em História, UFRJ, 1998, prof Silvio Carvalho.

 

1. Introdução: A Grande Guerra Patriótica em Perspectiva

    Definir a Segunda Guerra Mundial como tendo durado de 1939 a 1945 é um grave etnocentrismo.  O conflito que começa em 1939 e continua por 1940 nada tem de mundial: trata-se de uma guerra européia apenas e, aliás, bastante rápida e limpa se comparada a tantas outras.

   Depois da evacuação de Dunquerque, em junho de 1940, além disso, o conflito mal pode ser considerado europeu, quanto mais mundial.  Sobram apenas a Grã-Bretanha e Alemanha, nenhum dos dois com os meios de sobrepujar o outro: se por um lado a Batalha da Inglaterra é um fiasco para os alemães, os britânicos também ainda nem consideram voltar para o continente do qual acabaram de se retirar.  O que resta de guerra são pequenos encontros no Mediterrâneo (onde a nova aliada da Alemanha, a Itália, tenta em vão provar seu valor) e as ações submarinas no Atlântico.

   Que houve uma guerra mundial é indiscutível, mas ela se inicia somente com o ataque japonês a Peal Harbor, em dezembro de 1941, seguido da mais insensata de todas as decisões insensatas de Hitler — declarar guerra, sem a menor necessidade, aos Estados Unidos — e termina com a rendição da Alemanha, em maio de 1945.  Antes e depois desse período, o que existe são incontáveis conflitos regionais, em todas as partes do globo, que se fundem em um quando do ataque a Peal Harbor.  Muitos desses conflitos, vale a pena ressaltar, são anteriores à guerra mundial e outros ainda vão prosseguir por muito tempo depois que ela termina.  Para os chineses, por exemplo, a guerra começa em 1937, para os gregos, ela se estende até 1949.

   Dentre os vários conflitos que “formam” a Segunda Guerra Mundial, entretanto, nenhum pode se comparar, seja qual for o prisma que se escolha para observá-los, à Grande Guerra Patriótica, nome com o qual os soviéticos batizaram seu confronto com a Alemanha nazista, de junho de 1941 a maio de 1945.

   A enormidade dessa guerra é tamanha que apenas quantificá-la exige esforços extremos de abstração Afirmar, nas palavras de um historiador militar inglês, que “a Segunda Guerra Mundial foi essencialmente ganha e perdida na Frente Leste[1]”, é quase um truísmo ou, pelo menos, deveria ser.  A historiografia ocidental tende a dar muita ênfase a sua própria participação no conflito e, por razões ideológicas durante a Guerra Fria, a praticamente ignorar o papel fundamental desempenhado pela União Soviética.  O fato dos arquivos russos serem restritos e sua historiografia bastante parcial também não ajudam em nada a que se tenha uma visão mais global de como a Grande Guerra Patriótica se insere dentro da perspectiva da Segunda Guerra.

   Em comparação com as batalhas na Frente Leste, tudo mais o que se fez na Europa Ocidental parece mínimo em escala Para citar apenas um caso: quando da maior invasão anfíbia de todos os tempos, o celebrado Dia D — uma vitória, aliás, bastante suada — 62% dos efetivos da Wehrmacht estavam baseados no leste e os 38% restantes espalhados pelas todas as outras frentes[2] Batalhas ocidentais, como a da Inglaterra, do Atlântico, El Alamein e Normandia, apesar de sua enorme importância estratégica, empalidecem quando comparadas às batalhas de Kursk, Stalingrado, Moscou ou Berlim.

   Alguns números, então: em toda a Segunda Guerra, as forças armadas alemães sofreram mais de 13 milhões de baixas, das quais quase 11 milhões apenas na Frente Oriental[3] o número total de soviéticos mortos durante a guerra era, até bem pouco tempo atrás, estabelecido como sendo de 20 milhões Agora, entretanto, depois da glasnost, do colapso da União Soviética e com a abertura gradual dos arquivos, pesquisadores começaram a reescrever a história da guerra vide os excelentes trabalhos de Duffy e da dupla Glantz e House, respectivamente de 1991 e 1995 — e desenterraram fatos ainda mais estarrecedores: de acordo com as recentes pesquisas da dupla citada, por exemplo, as baixas militares da União Soviética são de pelo menos 30 milhões, dos quais 11 milhões mortos[4] Tantos os dados alemães quanto soviéticos referem-se apenas aos militares, que fique claro: pela própria natureza dessa guerra, as mortes de civis em ambos os lados devem ter sido de igual magnitude, senão maiores, e impossíveis de se precisar.  As estimativas mais altas, embora ainda assim razoáveis, para o total de baixas da União Soviética estão na ordem dos 50 milhões[5].

   Mas, afinal de contas, como desabafou recentemente um historiador inglês, o quer dizer exatidão estatística quando as grandezas envolvidas são tão astronômicas?  Faz alguma diferença se o número de mortos durante os três anos do cerco de Leningrado foi de 1 milhão de pessoas um terço da população da cidade ou de “apenas” 750 mil quando a própria magnitude desses números escapa à nossa compreensão[6]?

   Basta, portanto, para os objetivos desse trabalho, estabelecer a enormidade mesmo que apenas aritmética — da Grande Guerra Patriótica e sua importância dentro do contexto da Segunda Guerra Mundial e da própria História do Século XX.

   A explicação para este número tão monstruoso de baixas não reside apenas nas novas e mais avançadas armas disponíveis mas, principalmente, no fato desta ter sido uma guerra ideológica, ou, na comparação de Hobsbawm, o equivalente do século XX das guerras de religião[7] Tentar compreender a Grande Guerra Patriótica sem pensar o nazismo e o comunismo é como estudar a Guerra dos Trinta Anos sem levar em conta o catolicismo e o protestantismo.  Os soldados alemães e soviéticos não combatiam apenas por objetivos concretos, como conquista de territórios ou rotas de comércio questões sobre as quais pode haver acordo mas também, e principalmente, pela que tinham em sua religião, em seu regime: em suma, guerras de morte travadas entre adversários irreconciliáveis.

   Opostos ideológicos podem até conviver em clima de guerra fria e desconfiança por muito tempo, talvez indefinidamente dependendo das ideologias.  Uma vez em combate aberto, entretanto, a própria de cada regime em si mesmo impedirá que se deponham as armas até que um dos lados esteja não apenas derrotado, mas totalmente destruído.  O conflito entre o paladino do Comunismo e o paladino do Nazi-Fascismo não poderia ser diferente, uma guerra travada por muito mais do que território e riqueza, mas pelo monopólio da verdade e de uma determinada maneira de ver o mundo.

   Como poderiam não ser altíssimas as baixas em uma guerra na qual o país invasor (em primeira instância, a Alemanha) vinha munido de uma teoria como a Untermensch — entusiasticamente partilhada, desnecessário dizer, pela grande maioria dos soldados que pregava ser o inimigo, literalmente, um subumano e merecedor, portanto, de tratamento condizente?  Além disso, a União Soviética não era signatária da Convenção de Genebra, o que permitiu aos alemães alegarem que os russos não mereciam nem os cuidados mínimos a que teriam direito os prisioneiros de guerra Ou, nas palavras do General Nagel, do Departamento de Economia da OKW[8]: “Ao contrário de outros prisioneiros, não temos obrigação alguma de alimentar os bolcheviques capturados[9].”

   Como poderiam não ser altíssimas as baixas em uma guerra na qual o país invasor (em segunda instância, a União Soviética) vinha munido de um desejo de vingança sem paralelos na História?  Nesse caso, nem é preciso que se traga a ideologia à baila: nunca um povo que sofreu o que os soviéticos sofreram teve chance de se vingar tão rápido de seu ex-nêmesis e nunca nenhum soldado teve tanto a vingar quanto os que invadiram a Alemanha em 1945.  E pior, a medida que a contra-ofensiva avançava, partindo do coração da União Soviética em direção a Berlim, os soldados do Exército Vermelho tinham chance de testemunhar, em primeira mão, o estado em que se encontravam as áreas que os alemães iam evacuando (e destruindo) em sua retirada.

   Depois desse rápido panorama do conflito, cabe afirmar que o objetivo desse ensaio não é, e nem poderia ser, tratar da Grande Guerra Patriótica como um todo.  Pretendo abordar somente o que considero o seu aspecto essencial: o confronto das ideologias, sem o qual não é possível nem o mais limitado entendimento da guerra, e, dentro disso, uma dicotomia inerente a todo regime dominado por um partido único e forte: o confronto Exército vs. Partido, ou, em outras palavras, de um Exército profissional contra um Exército politizado.

   Especificamente, vou tratar de um momento bem limitado no tempo, verão e começo de outono de 1942, e das mudanças fundamentais ocorridas na estrutura tanto do Exército Vermelho quanto da Wehrmacht nesse período.  Pressionados pelas circunstâncias e pelo desespero, Hitler e Stalin se vêem obrigados a tomar medidas drásticas — e diametralmente opostas.

   Mas por que essa época em particular?  O que estava acontecendo em meados de 1942 para prontificar ambas as lideranças a reformas tão radicais?

 

2. 1942: Verão Negro para o Exército Vermelho e Zênite da Wehrmacht

    O verão de 1942 pode ser considerado, talvez, o momento-chave da Grande Guerra Patriótica e, com certeza, um momento crítico para ambos os lados.

   Do ponto de vista soviético, segundo alguns autores, o chamado “verão negro” foi o período mais difícil da guerra[10] Em 1941, Stalin ainda podia escudar-se na justificativa de a União Soviética ter sido atacada de surpresa e que o invasor, naturalmente, dispunha de ampla vantagem estratégica por causa disso.  No verão de 1942, entretanto, qual era a desculpa Mais de um ano se passara, os soviéticos haviam sofrido perdas inimagináveis nesse meio tempo e os reveses no campo de batalha ainda continuavam: no espaço de poucos meses em meados de 1942, a península de Kerch, na Criméia, foi tomada, a Batalha de Kharkov perdida, Sebastopol caiu depois de nove meses de cerco, a cidade de Rostov abandonada sem luta e os alemães avançavam pelo Cáucaso, em direção à Stalingrado, ao leste, e aos ricos campos petrolíferos de Baku e Grozny, ao sul Um verão negro, sem dúvida, e Stalin tinha razão em estar preocupado: para lidar com as novas dificuldades, mudanças estruturais no Exército e no modo de conduzir a guerra se faziam prementes.

   Para os alemães, os prospectos também não pareciam nada bons.  Na verdade, o “verão negro” é assim chamado por ter sido o ponto mais baixo da União Soviética na guerra: daí em diante, o país iria se recuperar, retomar a iniciativa e, mantendo-a por boa parte do tempo, começar a série de vitórias que o levaria, eventualmente, à vitória final Em consequência, a Alemanha estava no zênite do seu poderio militar e, para alguns, as nuvens no horizonte próximo se tornavam cada vez mais discerníveis: a Wehrmacht, pode-se dizer, vencera demais, estava muito distante de sua base de suprimentos e sofrera perdas enormes em homens e material no atrito com os soviéticos.  Chegava a hora de pagar o preço.

   Na opinião de alguns autores, como Hobsbawm, desde essa época que a guerra estava perdida para os alemães, apesar disso “não parecer imediatamente óbvio, pois, afinal, o Eixo atinge o auge de seu sucesso em meados de 1942 e não perde totalmente a iniciativa militar até 1943[11].” Ou, na metáfora de Glantz e House sobre os resultados do primeiro ano do conflito: “O ‘florete alemão, criado para vencer conflitos limpa e eficientemente, perdeu o fio devido ao repetidos e muitas vezes desastrados golpes da simples, primitiva, mas enorme clava soviética[12].”  Por fim, outro especialista, Duffy, coloca a questão nos seguintes termos: “A guerra alemã estava perdida, em termos de qualquer cálculo racional de recursos materiais e humanos em 1942, oficiais bem informados do OKH[13] estavam cientes do desastre de proporções gigantescas que se desenhava[14].

   Em suma, se o verão não havia sido negro como para os soviéticos, o outono seguinte e os próximos verões não prometiam muito: Hitler tinha razão em estar preocupado Para lidar com as novas dificuldades, mudanças estruturais no Exército e no modo de conduzir a guerra se faziam prementes.

   Que mudanças?

  

3. Totemismo e Escapismo: A Wehrmacht de Hitler

    Em 1939, o Exército alemão que vai à guerra é, como qualquer outro exército, o braço armado do regime vigente.  Em uma Alemanha de partido único, entretanto, isso equivale a dizer que a Wehrmacht, em grande parte e como não poderia deixar de ser, era também o braço armado do Partido Nazista.  A História de como o Nazismo venceu a luta Exército vs. Partido na Alemanha é longa e complexa demais para ser contada aqui e se confunde com a própria História da ascensão dos Nazistas ao poder.

   Para os propósitos desse trabalho, basta que se liste brevemente os seguintes fatos: que a luta Exército vs. Nazismo de fato aconteceu; que o Exército apoiou a ascensão dos Nazistas ao poder como melhor alternativa ao comunismo (e na crença errônea, segundo Clark, de que, se o apoio do Exército “fizera” Hitler, bastava a retirada desse apoio, a qualquer hora, para que Hitler caísse[15]); que uma das prioridades de Hitler, assim que chegou ao poder, foi subordinar o Exército ao seu comando o mais rapidamente possível, com a justificativa de que a Grande Guerra havia sido perdida por causa dos erros de cálculo de um Estado-Maior independente demais e que não respondia a ninguém; e que, por fim, pelo menos até 1938, militares alemães ainda se davam ao trabalho de reclamar formalmente a Hitler contra sua interferência em assuntos que, segundo eles, diziam respeitos aos militares.

   Que o Partido ganhou a batalha contra o Exército isso é óbvio, senão a Alemanha Nazista não teria podido fazer a guerra Mas existem diversos tipos de vitória: lidando com os militares, Hitler usou da mesma tática através da qual o Partido Nazista conquistara a Alemanha.  Como explica Goebbels, há duas maneiras de se fazer a revolução: a simples é metralhar a oposição até que os sobreviventes reconheçam a superioridade dos atiradores; a outra é transformar a nação através de uma revolução mental e ganhar os corações dos opositores ao invés de aniquilá-los — naturalmente, segundo Goebbels, esse é o método nazista[16].

   Stalin, homem simples, executou ou prendeu pelo menos 30 mil de seus oficiais, criando assim um Exército Vermelho composto quase que somente de comunistas ardorosos — mas não necessariamente de militares competentes.  Hitler preferiu a alternativa mais sutil e se utilizou dos mais diversos recursos psicológicos (nas palavras de Clark, totêmicos[17]) para associar sua figura a do Exército Por exemplo, a introdução da suástica nos uniformes e em todos os outros símbolos militares, como flâmulas e bandeiras, servia para identificar cada vez mais o Partido com o Exército aos olhos do povo, independente do grau de alienação política de cada oficial Além disso, o antigo juramento militar, prestado à constituição republicana, foi substituído em 1934 por um juramento a própria pessoa de Hitler, no qual cada soldado jurava obediência incondicional a ele, o Führer do Reich e comandante supremo do Exército[18].

   A outra tática de Hitler foi cortar totalmente os militares da vida política do país e tirar-lhes qualquer autonomia que pudessem ter tido.  O golpe final nessa batalha entre o Exército e o Partido Nazista foi, segundo Clark[19], a unificação de todos os departamentos e ministérios militares (dentre os quais o OKH, o Alto Comando do Exército, era dominante) em um novo órgão sob o comando direto do Führer, o OKW, ou Alto Comando das Forças Armadas.  Hitler agora controlava tudo o que dizia respeito aos militares, desde a decisão de quando ir à guerra (antiga prerrogativa do OKH) até os estabelecimento dos objetivos de guerra e como alcançá-los.

   Para complicar ainda mais a questão, o OKH não era simplesmente subordinado ao OKW mas, muitas vezes, agia como órgão irmão.  Embora ambos estivessem sob o comando direto de Hitler, cada um tinha seu Estado-Maior próprio e áreas de atuação diferentes: o OKH, a frente leste e o OKW, a frente oeste.  A fronteira entre essas áreas passava a meio caminho entre Belgrado e Budapeste[20] — tornando qualquer ação militar na região do Danúbio um pesadelo burocrático! — mas esse era o menor dos problemas.  Como cada oficial era mantido cuidadosamente ignorante sobre o que acontecia na outra frente, a principal justificativa de Hitler para rejeitar as opiniões de seus Estados-Maiores era que nenhum daqueles oficiais tinha uma visão geral do conflito.  Naturalmente que não — afinal, todo o sistema havia sido elaborado justamente para que apenas Hitler pudesse ter essa perspectiva global!

   A consequência lógica de tudo isso para a Wehrmacht é simples: uma vez que estavam vivos (ao contrário dos oficiais fuzilados por Stalin) e totalmente impedidos de se envolver em questões externas à corporação, como política, ou até mesmo grande estratégia, os militares alemães tinham que se voltar para dentro.

   O Exército, apesar de “domado”, não havia sido politizado, mas, pelo contrário, alienado da política.  Sem mais o que fazer, os alemães desenvolviam novas doutrinas táticas que enfatizavam cada vez mais a autonomia dos soldados e oficiais no campo de batalha — como compensação de terem perdido a voz quanto às grandes questões de estratégia.  Não há melhor exemplo da autonomia tática do soldado alemão que a teoria da Auftragstaktik (ou comando orientado de missão), segundo a qual os subordinados deveriam ser instruídos quanto aos objetivos a serem alcançados, mas, ao mesmo tempo, receber ordens o mais abertas o possível em relação a como cumprir esses objetivos.  Como consequência, os oficiais alemães, no campo de batalha, tinham não somente estímulo para tomar a iniciativa como eram também os mais versáteis na adversidade, em reagrupamentos ou retiradas[21].

   Outra pequena vitória do Exército é que, durante todo o período anterior à guerra, ele conseguiu se manter livre da influência mais direta das instituições nazistas na conduta de seus assuntos internos.  O novo juramento militar de 1934 é significativo ao refletir essa realidade um tanto dúbia: os soldados juram lealdade pessoal a Hitler, não ao Partido Nazista.

   Mas a verdade é que Hitler ganhara a batalha: nas palavras de Clark, ele tivera sucesso em cortar a autonomia das forças armadas sem, com isso, alienar os oficiais contra ele e nem interferir nas suas bases de hierarquia, disciplina e eficiência, impelindo-os “a uma devoção escapista aos mais tacanhos detalhes técnicos de cada tarefa[22].”

   Essa era a Wehrmacht que invadiu a União Soviética, menos uma guerra e mais uma cruzada religiosa:

   “A ascendência que Hitler havia estabelecido sobre seus generais na política era tão absoluta que ele não temia que os seus feitos no campo de batalha, por mais espetaculares que fossem, ameaçassem seu domínio sobre eles.  De fato, o Führer considerava que sua autoridade pessoal sobre o Exército seria confirmada pela campanha, de poderoso conteúdo ideológico, e justificada pela atenção especial que ele pretendia dedicar à sua condução. (...) Na primavera de 1941, a Wehrmacht se erguia vitoriosa, invicta, treinada e equipada à perfeição, uma maquina de lutar maravilhosamente equilibrada e coordenada no auge de seu poderes marciais.  Aonde ir agora?  A mera força gravitacional, ao que parece, já deveria atraí-la em direção ao seu único inimigo restante no continente[23].” (grifo meu)

 

4. Soluções Simples e Fiasco no Gelo: O Exército Vermelho de Stalin

    Descrever a situação do Exército Vermelho antes da guerra é tarefa bem mais simples do que fazer o que mesmo com a Wehrmacht, pois afinal, Stalin, como já foi dito, dos dois métodos revolucionários citados por Goebbels, escolheu também o mais simples: extermínio.  De 1937 até a invasão alemã de 1941, Stalin limpou o Exército Vermelho de qualquer traço de dissidência, pensamento diferente do seu e criatividade.  Com raras e honrosas exceções — exceções essas que iriam salvar a União Soviética muito em breve — quase todos os oficiais destacados por suas habilidades militares foram “expurgados”.

   Clark faz uma comparação interessante entre a atuação de Hitler e Stalin no confronto Exército vs. Partido.  Ambos os líderes, de ditaduras personalistas e de partido forte, tiveram que enfrentar o problema de domar os militares e subordiná-los aos seus próprios fins.  A maneira como fizeram isso, entretanto, foi bem diferente e deixou seqüelas profundas em ambos os países:

   “Hitler ‘contornou’ seus generais e, em poucos anos, conseguira excluí-los da política, onde haviam reinado supremos por meio século.  Então, com uma mistura de suborno, adulação e intimidação, ele conseguiu fazer com que canalizassem suas energias e seu conhecimento para um único campo: a eficiência militar.  Mas o corpo de oficiais soviético não foi isolado, ele foi esmagado.  Quando terminaram os expurgos, o Exército Vermelho estava obediente ao ponto da imbecilidade; confiável mas sem experiência; desprovido de peso ou ambição política em detrimento de sua iniciativa e desejo de inovação[24].”

   Esse exército politizado pós-expurgos sofre seu batismo de fogo já em 1939: questões de segurança levam a União Soviética a invadir a pequena Finlândia.  Em um dos maiores fiascos militares do século, o ardor comunista dos politizados oficiais soviéticos leva uma surra das balas finlandesas: mais de 1 milhão de soldados do poderoso Exército Vermelho levam quase três meses para derrotar os 300 mil homens (sendo que 80% de reservistas) das forças armadas da Finlândia.

   O revés tem importantes consequências, uma das quais é difícil de se estimar a grandeza: que o fiasco finlandês confirma as idéias de Hitler sobre a inferioridade do soldado soviético isso é certo.  E embora não se possa afirmar — como já se fez — que é esse desprezo que convence Hitler a invadir a União Soviética[25], fica no ar outra dúvida: teria esse desprezo levado Hitler a subestimar demais a capacidade militar soviética e de cometer erros e negligências que não teria cometido contra um inimigo que levasse mais a sério?  Difícil dizer.

   Já a outra consequência é bem mais palpável: Stalin fica chocado com a incompetência do seu “exército político”.  Mal as tropas voltam para casa e já se começa a implementar um plano geral de reformas militares.  Aliás, uma das justificativas de Stalin para as derrotas soviéticas do primeiro ano da Grande Guerra Patriótica era que o país tinha sido pego, literalmente, de calças na mão, no meio das reformas.  É verdade, mas também é verdade que, não houvessem essas reformas nem sido começadas, a situação teria sido bem pior.

   A maioria das reformas (mudança do tamanho das divisões, criação de novos corpos de carros blindados, etc) foge ao objetivo desse trabalho, com uma exceção: a questão dos Oficiais Políticos.

 

5. Guerra Patriótica, e Com Razão: Muda o Eixo da Propaganda Soviética

    Oficiais Políticos, Oficiais de Conduta, Oficiais de Liderança, Comissários Políticos, cada país lhes dá o nome que quer, mas regimes partidários não podem abrir mão deles assim como não podem abrir mão de seus exércitos.  Oficiais Políticos são aqueles que vigiam os que estão com as armas, aqueles cujo trabalho é justamente garantir que as armas não estejam nas mãos “erradas”.  O Oficial Político faz parte do Exército e vai para a frente de combate mas, salvo exceções, não luta: vigia.  Uma de suas funções é cuidar para que a moral esteja sempre alta, o que equivale dizer, entre outras coisas, que ninguém pode resmungar contra o regime em sua frente.

   Em tempos revolucionários, como, por exemplo, na própria Revolução Russa, Oficiais Políticos são necessários até mesmo do ponto de vista militar: em situações de crise e guerra civil como aquela, é imperativo saber quem está do seu lado e quem não está.  Já em outras situações, entretanto, como nos casos de Hitler e Stalin, Oficiais Políticos nada mais eram que os olhos e ouvidos do regime e, como tal, mal vistos por soldados e oficiais.

   Desaparecidos da União Soviética depois da Guerra Civil, os Oficiais Políticos ressurgem durante os expurgos.  Como se sua presença já não fosse suficiente por si só para baixar o moral das tropas, os novos Oficiais Políticos ainda dividem o comando de cada unidade com o seu comandante militar propriamente dito.  Em suma, as decisões têm que ser tomadas em conjunto pelos dois, ou, pelo menos, aceitas por um deles; naturalmente, a responsabilidade é de ambos.  Não é difícil de se imaginar como esse sistema pode ser desastroso em situações de crise ou de emergência, quando decisões têm que ser tomadas em segundos e unidade de comando é fundamental.

   De qualquer modo, os soviéticos não precisaram imaginar: bastou a curta guerra com a Finlândia para que ficasse provado que o sistema não funcionava em combate.  Uma das primeiras mudanças da reforma militar de 1940 é justamente a extinção do comando duplo: os Oficiais Políticos continuam onde estão, com as mesmas obrigações de zelar pela moral e pelo ardor ideológico dos soldados, apenas não dividem mais a direção das unidades com seus comandantes propriamente ditos.

   Poderia se dizer que os soviéticos aprenderam a lição: embora úteis para a manutenção do regime em tempo de paz, Oficiais Políticos são uma séria desvantagem em tempo de guerra.  Logo, entretanto, Stalin reverte posições: a 22 de junho de 1941, a Alemanha invade a União Soviética e, menos de um mês depois, impressionado com a enormidade das derrotas soviéticas, Stalin reintroduz os Comissários Políticos e o sistema de comando duplo.

   A guerra continua e Werth[26] menciona até que, depois das primeiras batalhas do verão de 1941 e do cerco a Moscou, houve um novo tipo de expurgo no Exército Vermelho: um expurgo militar entre os políticos do Exército, ao invés do tradicional expurgo político entre os militares[27].  Na situação desesperadora na qual o país se encontrava, havia cada vez menos tolerância para com a incompetência e a inépcia: independente de ardor comunista, quem não provasse seu valor em batalha era dispensado dos postos de comando em favor dos futuros grandes líderes da guerra, que vinham sendo promovidos rapidamente hierarquia acima.

   No ano que se seguiu, o Exército Vermelho continuou sofrendo derrota em cima de derrota, recuando e se reorganizando, absorvendo todos golpes alemães.  Por fim, em outubro de 1942, após mais uma série de derrotas e com a cidade que levava seu nome sendo atacada por todos os lados, Stalin revoga novamente, como já fizera após a Guerra da Finlândia, o comando duplo.  Os Oficiais Políticos, mais uma vez, perdem suas prerrogativas de comando.

   A atitude de Stalin em relação aos Oficiais Políticos parece ambígua.  Ele os tira de cena logo depois do fiasco finlandês, como se tivesse percebido o quão pouco eles ajudam em tempo de guerra mas assim que outra guerra se impõe — uma bem mais séria, aliás — uma de suas primeiras medidas é ressuscitar os Comissários e seu comando duplo.  No ano seguinte, depois de uma série de derrotas tão terríveis que nenhuma outra nação teria podido absorvê-las e sobreviver, Stalin elimina de vez os Oficiais Políticos.

   O que eles representavam para Stalin?  Um recurso de manutenção do sistema em tempo de paz?  Uma arma de guerra para as horas de desespero?  A lógica de Stalin me escapa e uma discussão mais detalhada a respeito de suas motivações também foge ao escopo desse trabalho.  Mas talvez a chave do enigma esteja em um pequeno fato que muitos autores parecem ignorar: vai ver Stalin conhecia até bem demais a realidade de um Oficial Político.  Afinal, fora nesse posto que ele passara boa parte da Guerra Civil — onde, aliás, ao vigiar os militares, adquiriu a desconfiança deles que nunca mais abandonou[28].

   Paralelo às idas e vindas dos Comissários Políticos no Exército Vermelho, também é interessante notar uma outra mudança no eixo retórico de Stalin: forçado pelas necessidades da guerra, seu discurso passa de comunista para nacionalista.  Ao contrário de sua retórica anterior, comunista e internacionalista, tecendo elogios às virtudes soviéticas e do Partido, Stalin agora apela para o sentimentos mais nacionalistas, até mesmo regionalistas, de cada um.

   Werth, observador atento dos jornais da época, comenta que, subitamente, logo após a invasão alemã, a ênfase na palavra “soviéticos” desaparece e o eixo da propaganda governamental passa a girar em torno da Rússia, das virtudes russas, da herança cultural e histórica russa que tem que ser preservada, da coragem russa contra o inimigo, etc[29].  Até mesmo a vitória na Batalha de Moscou Stalin dedica aos trabalhadores moscovitas, embora estivessem estado envolvidos na defesa da cidade mais de 1 milhão e 250 mil soldados, dos quais grande parte, naturalmente, não era de Moscou[30].

   Não se luta mais pelos ideais de antes, pelos ideais da Revolução, ou da Guerra com a Polônia ou com a Finlândia.  Não se luta mais pelo comunismo internacional ou pelos trabalhadores do mundo que se unirão a nós.  Essa é a Grande Guerra Patriótica e o prêmio pelo qual se luta é a Pátria-Mãe Rússia.  Ou, nas palavras de Hobsbawm, “a verdadeira base da vitória soviética foi o patriotismo da maioria da nacionalidade da URSS, os russos, cerne do Exército Vermelho e para quem o regime soviético apelou em seu momento de maior necessidade.  De fato, a Segunda Guerra Mundial se tornou conhecida na URSS como a Grande Guerra Patriótica, e com razão[31].”

 

6. Conclusão: O Que Há em Um Título?

    Um exemplo contemporâneo e — creio eu — relativamente inocente das várias ênfases que se pode dar à ideologia partidária, nacionalista ou personalista está na própria bibliografia desse trabalho.  “When Titans Clashed: How the Red Army Stopped Hitler” de David Glantz e Jonathan House, foi publicado em 1995, com base nas mais novas descobertas documentais na Rússia e já é tido como um dos melhores livros revisionistas sobre o tema.  O título, entretanto, me causou estranheza logo de início e me lembrou de um amigo que voltou de viagem dizendo ter visitado Paris, Londres e a Grécia.

   Por que a falta de paralelismo em “Como o Exército Vermelho (a instituição) Deteve Hitler (a pessoa)”?  Porque não falar em termos instituição/instituição (“Como o Exército Vermelho Deteve a Wehrmacht”) ou pessoa/pessoa (“Como Stalin Deteve Hitler”)?  Além disso, existem também outras combinações, como a ideológico-partidária (“Como o Comunismo Deteve o Nazismo/Nazi-Fascismo), ou a nacional (“Como a União Soviética Deteve a Alemanha”).  E se decidirmos por um não-paralelismo, por que não tentar outras combinações?  As possibilidades são muitas: “Como Stalin Deteve o Nazismo”, “Como a União Soviética Deteve a Wehrmacht”, “Como o Comunismo Deteve Hitler”, etc.

   Assim como Hitler muda o juramento militar alemão de um juramento à constituição da pátria para um juramento a sua pessoa — mas não ousa instituir um juramento ao Nazismo — e assim como Stalin convenientemente ignora o comunismo internacionalista quando lhe convém para louvar as virtudes patrióticas russas, da mesma maneira os autores devem ter tido esta ou aquela razão, nem que apenas inconsciente, para sua escolha de palavras.

   As considerações possíveis são ainda em maior número que as combinações: não ficaria bem “Como (lacuna) Deteve a Alemanha” pois, afinal, a Alemanha está aí até hoje, e maior do que nunca — assim como um crescente neo-nazismo também.  Por outro lado, “Como (lacuna) Deteve Hitler” é bastante conveniente, já que ele foi, sem dúvida alguma, o maior culpado por toda a confusão — e, claro, chutar cachorro morto é sempre mais seguro.

   E quem deteve Hitler?  A escolha mais lógica, seguindo um paralelismo pessoa/pessoa seria “Como Stalin Deteve Hitler” mas, convenhamos, ninguém quer encher a bola de Stalin, um homem que até mesmo o mais ardoroso comunista reconhece ter sido de personalidade no mínimo questionável.  “Como o Comunismo Deteve Hitler” soa bem, mas é ideológico demais; parece situar a derrota de Hitler no modelo marxista-determinista de História.  As considerações, como se disse, são muitas.

   O interessante é que se os autores talvez não tenham percebido a peculiaridade de seu título, pelo menos perceberam o problema.  Em sua conclusão, comentam — com certa indignação — que a capa da Time comemorativa dos 50 anos do Dia D estampava uma foto de Eisenhower com a legenda: “o homem que derrotou Hitler”.  Ora, retrucam os autores, se algum único homem merece esse rótulo não é Eisenhower e sim, apesar de todos os seu inumeráveis defeitos, Stalin, ou, mais especificamente, o Exército Vermelho e a população soviética como um todo[32].

   Talvez tenha sido dessa indignação, quem sabe, que nasceu o título do livro.

   O que importa é que enquanto Stalin fazia manipulações semelhantes com a opinião pública soviética, deixando de lado por algum tempo a ideologia do partido para, em sua hora de necessidade, enfatizar o patriotismo russo, Hitler seguia o caminho oposto e tentava cada vez mais doutrinar no nazismo uma Wehrmacht que saíra de casa não para lutar por um Partido, mas pela Alemanha e pelo Reich.

   A verdade é que a moral do soldado alemão estava despencando.  Como os veteranos costumavam dizer, a guerra no oeste era um esporte honrado enquanto que no leste era puro horror.  Os soldados precisavam de alguma motivação para a luta.  Assim tão longe de casa, como justificar que continuassem a morrer pela distante Patria-Mãe?  Para Hitler, a resposta estava nas teorias nazistas, no Untermenschen e na doutrinação dos soldados: uma sólida base ideológica aumentaria o moral das tropas.  A partir de julho de 1942[33], portanto, Führungsoffiziers [34](ou Oficiais de Conduta, também chamados de Oficiais de Educação, de Doutrinação ou de Liderança) começam a ser despachados para as diversas divisões na Frente Leste, mas esse tiro, assim como tantos outros disparados por Hitler daí em diante, do seu zênite em meados de 1942 até o nadir final em 1945, sai pela culatra.

   Ao invés de subir, a moral do soldado alemão continua despencando.  Ele agora, além de ter perdido a fé na vitória, sente-se cada vez mais vigiado e oprimido — como seus colegas soviéticos sentiam-se antigamente, quando se encontravam na mesma posição.  Até mesmo as lendárias autonomia e flexibilidade alemãs a nível tático são atingidas, já que nenhum militar tem mais coragem de tomar a iniciativa, quando sabe que uma derrota, sob os olhos dos rígidos Oficiais de Conduta, pode querer dizer a morte.  Já outros oficiais mais corajosos, como o general Guderian, especialista em guerra de tanques e que chegou a chefe do OKH, reclamavam constantemente do péssimo efeito que a presença desses Oficiais de Conduta causava nas tropas e nos outros oficiais[35].

   Guderian falava em vão: Hitler cada vez mais paranóico dos militares — especialmente depois da tentativa de assassinato do verão de 1944 — já estava decidido sobre o caminho a seguir.  Ele chega ao ponto de, em janeiro de 1945, exigir que todas as manobras a nível de corpo e de divisão passem por ele antes de serem postas em prática[36].  Tamanho controle central, naturalmente, tornava a conduta das operações militares impossível, mas isso também não fazia mais diferença: em janeiro de 1945, a guerra já estava decidida.

   Concluo então esse ensaio com uma citação de Glantz e House:

   “Paradoxalmente, enquanto Hitler lutava para eliminar toda a iniciativa e flexibilidade do Exército alemão, Stalin seguia em direção oposta.  Em suas memórias, oficias superiores alemães culpam a interferência e o controle rígido de Hitler por toda a sorte de males, mas poucos deles reconhecem que seus oponentes estavam desenvolvendo a mesma estrutura de comando que já fizera da Wehrmacht suprema[37].”

Notas:

[1] Duffy, Red Storm on the Reich, p. 3, ou Hobsbawm, The Age of Extremes, p. 7, que faz a mesma afirmação usando praticamente as mesmas palavras.

[2] Glantz e House, When Titans Clashed, p. 283

[3] Ib., p. 284.  Os números exatos citados pelos autores são, respectivamente, 13.488.000 e 10.758.000.

[4] Ib., p. 285 e apêndices A e E.

[5] Ib., p. 285 e Hobsbawm, p. 43.  Duffy, por seu lado, estabelece o total de mortos em 27 milhões, dos quais pelo menos 7 milhões de civis e 3 milhões de prisioneiros mortos quando sob tutela alemã, ou 10 mortos para cada metro quadrado entre Moscou e Berlim, p.3.

[6] Hobsbawm, p. 43.

[7] Ib., ib.

[8] OberKommando des Wehrmacht, ou Alto Comando das Forças Armadas.  Inclui não só o Exército propriamente dito, a Wehrmacht, mas também a Luftwaffe e a Kriegsmarine.  Sob o comando direto de Hitler.

[9] Clark, Barbarossa, pp. 206-7.

[10] Werth, Russia at War, pp. 591-2.

[11] Hobsbawm, p. 41

[12] Glantz e House, pp. 124-5.  No original: “The German rapier, designed to end conflict cleanly and efficiently, was dulled by repeated and often clumsy blows from a simple, dull, but very large Soviet bludgeon.”

[13] OberKommando des Heeres, ou Alto Comando do Exército.  Teoricamente subordinado à OKW, mas o status de ambas durante a guerra era bastante variável.  Também sob o comando direto de Hitler, embora ele tendesse a interferir menos com a OKH do que com sua criação, a OKW.  Ver adiante.

[14] Duffy, p. 54.

[15] Clark, p. 8; seu livro contém um excelente estudo sobre a rivalidade Exército vs. Partido durante os primeiros anos do Nazismo e minha análise é baseada primordialmente nele.

[16] Citado em Eksteins, Rites of Spring, p. 315.

[17] Clark, p. 10.

[18] Ib., ib.

[19] Ib., pp. 14-16.

[20] Duffy, pp. 45-7.

[21] Ib., pp. 54-5.

[22] Clark, p. 20.  No original: “escapist devotion to the narrow technicalities of its appointment.”

[23] Ib., p. 27.

[24] Ib., p. 42.

[25] Ib., pp. 24-7, onde o autor estabelece que Hitler já planejava invadir a União Soviética, no mínimo, desde agosto de 1939, três meses antes do começo da Guerra da Finlândia.

[26] Nascido na Rússia e criado na Inglaterra, Werth foi correspondente do Sunday Times e da BBC na União Soviética durante toda a guerra e ainda por vários anos depois.  Seu gigantesco livro sobre a guerra (1.100 pgs) é um dos melhores e mais humanos já escritos, dando uma excelente “visão por dentro” da Grande Guerra Patriótica do ponto de vista soviético.

[27] Werth, p. 226.

[28] Glantz e House, p. 11

[29] Werth, pp. 588-98.

[30] Glantz e House, apêndice B.

[31] Hobsbawm, p. 171.

[32] Glantz e House, pp. 282-3.

[33] Ib., p. 105.

[34] Ib., p. 288.

[35] Clark, p. 399.

[36] Duffy, p. 38.

[37] Glantz e House, p. 156.

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HOBSBAWM, Eric J. The Age of Extremes: A History of the World, 1914-1991. Nova Iorque: Vintage, 1996. [1ª ed: 1994]

IEREMEEV, Leonid. O Exército Soviético na II Guerra Mundial. Aos Cinquenta Anos da Vitória. Rio de Janeiro: Revan, 1995. 2ª ed.

JUKES, Geoffrey. A Defesa de Moscou. Rio de Janeiro: Renes, 1975.

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WERTH, Alexander. Russia at War. 1941-1945. Nova Iorque: Carroll & Graf, 1996. [1ª ed: 1964]

 Postada no blog em fevereiro de 2005

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