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  Alex Castro
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O Ônus de Lembrar

Algumas coisas me irritam.

Sou muito esquecido. As pessoas vivem me pedindo as coisas e eu esqueço. Me empresta o livro tal. Vai no site x. Traz aquele documento.

E, invariavelmente, eu esqueço.

Até aí, tudo bem.

As pessoas me cobram o livro que eu era pra ter trazido, eu bato a mão na testa (faço a pantomima toda, é o castigo que me imponho) e digo: puxa, esqueci!

Fica um certo desapontamento no ar mas até aí, tudo bem.

Eu, nos meus anos de empresário, aprendi que sempre se deve acabar uma reunião definindo precisamente no campo de quem está a bola: então, senhores, agora a nossa tarefa é reescrever a proposta com os novos valores, vocês precisam aprovar o novo orçamento com a diretoria, o João Augusto vai redigir a ata da reunião e nos enviar até terça, etc etc. O essencial é, sempre, todo mundo sair da reunião sabendo quem tem que fazer o quê até quando. Senão, nada nunca é feito.

E como eu sei que sou esquecido mesmo, tento passar a bola para o outro time.

Eu digo, muito sinceramente: olha só, eu sou esquecido. A gente está conversando agora, você precisa do livro tal, mas sei que, quando chegar em casa, eu vou esquecer do assunto e só vou lembrar quando te vir de novo. Eu sugiro o seguinte: me liga ou me manda email quando eu estiver em casa e eu já coloco o livro na minha pasta.

Aí começam os problemas.

Não é nem que as pessoas ficam indignadas não. Mas é que elas, também muito sinceramente e invariavelmente, respondem: aaahh, mas aí eu vou esquecer!

E quem fica indignado sou eu.

Me dá vontade de pegar o puto pelo colarinho e dizer: seu merda, se você, que é a parte interessada, que é quem precisa do livro, sabe que não vai lembrar dessa porra daqui a duas horas, por que cargas d'água eu teria obrigação de me lembrar disso quando estiver na santidade do meu lar?

Eu sei, eu sei, é uma besteira. Mas, diga-se a meu favor, só passei a me estressar a partir da vigésima vez que isso me aconteceu.

Nunca falha. Eu sempre me esqueço de trazer as coisas que deveria, eu sempre faço essa proposta (que considero totalmente razoável) de transferir o ônus de lembrar para a parte interessada e sempre me deparo com a mesma reação: ah não, esse ônus eu não quero, quero só o livro, você que se lembre.

Humpt!

Postada no blog em Janeiro 05, 2004



 

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É possível homem e mulher serem apenas amigos? Carla, recém-casada com Murilo, precisa lidar com a incômoda proximidade de Júlia, melhor amiga de seu marido desde a infância.
 

152kb, 50 pgs (para ler no computador)

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Antes de se comprometer, leia um trecho ou a apresentação do romance.

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