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  Alex Castro
Editor do seu Guia de Blog na Internet
Lusitano e Brasileiro: Duas Línguas Cada Vez Mais Distintas

Não adianta se enganar achando que brasileiros e portugueses falam a mesma língua.

  Fado Alexandrino ANTONIO LOBO ANTUNES Meu pai teve empresa em Portugal e eu passei algumas férias lá, andando com os filhos dos seus sócios por Estoril e Cascais, curtindo a vida de adolescente lisboeta da década de 80. Minhas primeiras leituras foram os pocket-books de terror e mistério da Livros do Brasil e Europa-América, aventuras giras nas quais chuís se envolviam com sensuais raparigas e acabavam se metendo em muitos sarilhos. Depois, viciado pelos grandes descobrimentos, li As Décadas de João Barros e várias outras narrativas de navegadores, escritas em português da época.

Meu conhecimento de lusitano, imagino, deve ser acima da média de um brasileiro comum.

Apesar disso, tenho mais dificuldade de entender a RTP do que a BBC ou a Telemundo. Tentei decifrar o famoso blog português Meu Pipi e simplesmente não consegui.

Nas últimas duas semanas, li quatro livros de António Lobo Antunes - e estou começando o quinto. No total, foram mais de 1.500 páginas de lusitano, em um estilo propositadamente complexo e algo hermético.

Confiem em mim, palavra de brasileiro que entende lusitano melhor que a média: portugueses e brasileiros já não falam a mesma língua faz tempo. Os editores de ambos os países que ignoram esse fato o fazem em detrimento dos leitores (que não entendem lhufas) e autores (cujas obras são mal-transmitidas).  Manual dos Inquisidores, O ANTONIO LOBO ANTUNES

Os Lobos da Alsácia

Manual dos Inquisidores, de Lobo Antunes, é sobre a decadência de um poderoso ministro de Salazar durante a redemocratização do país. Em sua quinta, onde recebia chefes de estado e decidia os destinos de Portugal, o ministro mantinha uma matilha de lobos da alsácia. Os animais eram inclusive usados como parte de seu arsenal de intimidação. Quando da revolução, ele ameaça soltar os lobos da alsácia nos comunistas.

Eu, idiota, criei toda uma imagem romântica na minha cabeça. Naturalmente, enquanto mortais comuns tinham simples cachorro, o poderosíssimo ministro criava lobos em sua quinta.

Precisou eu calhar, durante minhas andanças pela internet, com um trecho do livro traduzido para o inglês para me dar conta da realidade mais prosaica: lobo da alsácia nada mais é do que german sheperd, ou o nosso comuníssimo pastor alemão.

Agora, eu pergunto: quantos brasileiros sabem o que é um lobo da alsácia? Quantos brasileiros têm obrigação de saber o que é um lobo da alsácia?

Não precisava adaptar ou retraduzir a obra. Bastava um simples asterisco ou nota de rodapé, dizendo "lobo da alsácia = pastor alemão". Seria no interesse dos leitores, que não ficariam imaginando bobagens, e no dos autores, que também não querem que suas obras sejam mal-interpretadas por causa de besteirinhas como essas.

Quanto a mim, não me conformo e vou sempre imaginar o ministro soltando os lobos nos comunistas. Não dou o braço a torcer.

Diogo Cão em Cacém

  Exortação aos Crocodilos ANTONIO LOBO ANTUNESO grande dilema da tradução é ser fiel à linguagem ou ao sentido. Tradutores às vezes têm que fazer escolhas difíceis, nas quais nenhuma alternativa é perfeita. Falo sobre isso no artigo Os Dilemas da Tradução.

Compreensão não é tudo. Romances são como florestas. Quem se concentra demais nas folhas, não consegue ver a mata. Uma palavrinha ou outra que você não entenda não vai lhe atrapalhar em nada. Se for importante, aparecerá de novo, em outro contexto, e você acabará deduzindo seu significado naturalmente. Se aparecer só uma vez, com certeza não era importante. Melhor ignorar uma, ou várias, palavras do que ficar indo constantemente ao dicionário, matando o ritmo e o prazer da leitura.

Em Manual dos Inquisidores, Lobo Antunes se refere a um almirante que anda seguido por um cortejo de Diogo Cães. Para o leitor português, esse nome é instantaneamente reconhecido como um dos grandes navegadores do início da Era dos Descobrimentos. Por um acaso, para mim também, mas só porque estudei o período a fundo.

O tradutor americano concluiu, sabiamente, que seu leitor não saberia quem era Diego Cão. Poderia ter deixado como estava, mas preferiu ser mais fiel ao sentido do que à língua. Traduziu que o almirante vinha seguido de um cortejo de Vascos da Gama, um nome mais facilmente reconhecível como navegador.

Em outro momento, Lobo Antunes fala da "gentinha que compra andares no Cacém". O tradutor americano, por saber que esse nome não iria dizer nada ao seu público (e nem pra mim!), faz uma pequena adaptação e traduz como "gentinha que compra andares em subúrbios sem gosto como Cacém."

Não estou discutindo o mérito das interferências do tradutor. Meu ponto é outro: o leitor da tradução americana de Manual dos Inquisidores vai entender o livro muito melhor do que o leitor brasileiro.

O que editores brasileiros e portugueses parecem não perceber é que um leitor cosmopolita do Rio de Janeiro está tão distante da realidade lisboeta quanto um leitor cosmopolita de Nova Iorque e precisa, no mínimo, da mesma ajuda que ele.

Ou quantos de vocês conheciam Cacém, Diogo Cão e os lobos da alsácia?

Traduzindo o Português

 Reserva, O RUI ZINK   Recentemente, foi publicado no Brasil o romance O Reserva, do português Rui Zink. A imprensa fez um grande alarde para o fato de o autor ter autorizado uma adaptação de seu livro para o brasileiro. E boa parte do alarde foi negativo. Chegaram a acusar Zink de mercenário, por aceitar conspurcar e distorcer sua obra somente para vender mais por cá. Temeram o efeito em cascata que isso poderia causar. Previram o apocalipse da literatura portuguesa. Naturalmente, o alarde também só faz demonstrar como essa atitude é rara.

A maioria dos autores brasileiros e portugueses, quando publicam do outro lado do Atlântico, tem um orgulho idiota de manter seus livros intocados. Diz aqui na minha edição de Todos os Nomes, do Saramago, que "por desejo do autor, foi mantida a ortografia vigente em Portugal." Como se trocar facto por fato fosse afetar a literaridade da obra.  Todos os Nomes JOSE SARAMAGO

Na verdade, ao fazer isso, tanto portugueses quanto brasileiros só fazem contribuir para o clima de incompreensão geral e para a minguante popularidade de nossos autores em ambos os países.

Lobo Antunes, em uma entrevista, comentou que seus livros são mais publicados na Croácia e na Eslovênia do que no Brasil. Não duvido, António. Seus leitores croatas e eslovenos, por incrível que pareça, devem entender mais seus livros do que os leitores tupiniquins.

Miopia Editorial

A situação não deve mudar tão cedo.

Obviamente, esse tipo de adaptação (seja reescrevendo pequenos trechos, com assessoria do autor, ou acrescentando notas explicativas ou glossário) custa um dinheiro que as editoras não estão dispostas a gastar. Miopia, claro, pois a longo prazo essa medida tenderia a popularizar a literatura lusitana por aqui e a nossa, por lá. Mas, a longo prazo, todos estaremos mortos, especialmente editores mercenários.

Os leitores poderiam exigir mas, pelo visto, a não ser eu, ninguém mais se importa com isso.

Os autores, meu deus, esses talvez fossem os maiores interessados em ser entendidos, mas parecem mais preocupados em uma lealdade fora de hora à ortografia local do que em serem propriamente absorvidos por seus leitores d'além-mar.

É pena.

Lembrete aos Idiotas

A gente tenta se antecipar aos idiotas, mas eles são muito criativos. Antes que venha algum imbecil reclamar, é óbvio que tudo o que eu disse se aplica tanto a autores portugueses sendo publicados no Brasil, quanto a autores brasileiros em Portugal. Trocar de fato para facto também não altera em nada a literaridade da obra.

Uma Promessa

Se algum editor português ensandecido se interessar em me publicar por lá, juro que farei o máximo para adaptar o meu brasileiro ao vernáculo local. Podem cobrar. Tomara que cobrem.

Tradução Temporal

O leitor Michel escreveu:
"O leitor cosmopolita do Rio de Janeiro está distante da realidade do Rio de Janeiro na época de Lima Barreto, só para usar um escritor presente nesse blog. Então segundo o seu raciocínio, Lima Barreto precisa ser traduzido para ser compreendido."
E o Lucas concordou:
"Não exigimos tradução temporal, porque exigiríamos tradução geográfica?"
Não exigimos? Falem por vocês: eu exijo sim.

Acabei de gastar tudo o que eu tinha pra comprar uma edição anotada de Sherlock Holmes justamente por causa disso. Como fala o autor na introdução, a Londres Vitoriana está cada vez mais distante de nós e algumas explicações tornam-se necessárias para a compreensão total da história. As notas explicam o que são os objetos que Holmes usava e que já não conhecemos, qual é o contexto político, quem são as pessoas contemporâneas ou históricas citadas no texto e que não são mais familiares aos leitores de hoje, etc.

Triste Fim de Policarpo Quaresma LIMA BARRETOQuanto ao Lima Barreto, minha edição de Triste Fim de Policarpo Quaresma tem 116 notas explicativas, justamente porque o Rio de Janeiro de Lima Barreto já está consideravelmente distante do Rio de Janeiro do Alexandre Cruz Almeida.

Qualquer boa edição de livro antigo ou estrangeiro tem notas explicativas. Uma boa edição de Crime e Castigo, por exemplo, deve explicar o que é um samovar, um objeto que aparece inúmeras vezes na história mas que ninguém fora da Rússia conhece, qual é a relação entre os copeques e os rublos, que o nome do meio é o patronímico e o que é um patronímico, etc etc. Minha edição, da Penguin, tem 20 páginas de notas explicativas.Crime e Castigo FIODOR DOSTOIEVSKI

A Direção da Influência Cultural

A Crsitina, leitora portuguesa afirmou:
"(...) Sou portuguesa e consegui entender tudo aquilo que escreveu, o conteudo geral. Expressões como as que indicou tambem confundem o Portugues que se socorre muitas vezes de dicionário, para o completo entendimento do livro. (...) Mas no geral entendemos tudo o que os brasileiros, nostros ermanos, escrevem ou dizem, a diferença nmão é assim tão acentuda. Já parou para pensar se as V. novelas globo, fossem traduzidas para Portugues?! não há necessidade nos comprendemos bem as v. mensagens, não fazemos grande destinção entre Brasileiros e Portugueses, é como se fossem nacionais, apenas os consideramos mais simpaticos e alegres...."
É verdade que, hoje em dia, portugueses entendem melhor os brasileiros do que vice-versa. Mas a razão disso é simples, está implícita no comentário da Cristina e espero que meus leitores portugueses não se ofendam.

Aqui no Brasil, qualquer gíria carioca ou paulista rapidamente toma o país, através das novelas, programas de televisão, anúncios, etc. É raro haver uma gíria autenticamente carioca ou paulista. Qualquer gíria suficientemente falada nessas duas cidades para poder se tornar "oficial" vai inevitavelmente ganhar o país e tornar-se nacional.

Percebi isso quando estudei folclore nacional. Há mitos específicos e locais em Minas, no Acre, em Pernambuco, etc. Mas todos os mitos "específicos" do Rio e de São Paulo, pela força cultural desses estados, acabaram disseminados pelo Brasil, tornaram-se mitos nacionais. O objetivo da minha pesquisa era encontrar o folclore "de raiz" fluminense e acabei descobrindo que ele não existe. Ou melhor, existe: mas indistinguível do folclore nacional.

Desse modo, para um acreano, é fácil entender as gírias e modismos de um carioca, pois ele provavelmente já travou contato com essas expressões pela televisão e tem alguma noção do que sejam. Já para um carioca, as gírias, modismos e expressões locais do Acre são totalmente novas e inesperadas e quiçá incompreensíveis.

A mesma coisa acontece nas relações culturais entre Portugal e Brasil. Não sei o quanto de cultura brasileira Portugal consome além das novelas da Globo, mas se for só isso já é uma enormidade. Aqui no Brasil, hoje em dia, doi-me dizer, a influência cultural portuguesa é nula. Não se escuta músicas portuguesas nas rádios, filmes portugueses não entram em circuito nem passam na televisão, a literatura portuguesa é desconhecida.

Através das novelas (e de talvez outras influências culturais que desconheço), os portugueses travam contato íntimo com a realidade brasileira, vêem a moda que se usa aqui, escutam as gírias novas, apreendem referências culturais, políticas e sociais. Então, naturalmente, quando vão ler Rubem Fonseca, a Folha de São Paulo ou o LLL, já trazem uma considerável bagagem de brasileirismos.

O leitor brasileiro que tenta ler Lobo Antunes, o Diário de Notícias ou o Meu Pipi, pelo contrário, está embarcando em uma realidade totalmente nova, totalmente estrangeira, na qual o seu único ponto de referência, mal e mal, é uma língua com diversas diferenças.

Nesse contexto cultural, seria inevitável que portugueses entendessem melhor os brasileiros do que vice-versa.

Quantos leitores brasileiros, como disse o Bruno, sabem o que é a PIDE? Custava uma notinha explicando que era a polícia secreta do Salazar?

Entenda-se: o autor, quando fez referência à PIDE, pensava em um público-alvo que sabia o que era a PIDE. Quando o livro é traduzido para o russo ou para o esloveno, culturas onde as pessoas NÃO sabem o que é a PIDE, incluem-se notas explicativas.

O problema é que o leitor brasileiro ignora o que é a PIDE tanto quanto o leitor russo, mas, por algum motivo, editores e autores acham que não merecemos cá explicações. Deixam o leitor brasileiro sem pai nem mãe, em meio a referências de uma cultura que ele desconhece.

O fosso entre nossas culturas só faz aumentar. A literatura portuguesa, que poderia ser popular no Brasil, torna-se cada vez mais hermética aos tupiniquins. Todos perdem: editores, autores e leitores. Rio Chamado Tempo, uma Casa ChamadaTerra, Um MIA COUTO

Alterar Não, Explicar Sim

Só para ficar claro: ninguém aqui está defendendo traduzir Lobo Antunes para o brasileiro. Citei o tradutor americano para exemplificar as falhas de comunicação e entendimento entre culturas. Ele mexeu nas referências porque já iria mexer no livro mesmo.

O que defendo é a inclusão de glossários ou notas explicativas. Se todos já sabemos que os leitores brasileiros não sabem o que é PIDE, onde é Cácem, o que são lobos da Alsácia e quem foi Diogo Cão, custa explicar? Quem lucra em manter o leitor propositadamente na ignorância?

Minha edição de Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra, de Mia Couto, tem um glossário vagabundo de duas páginas, para explicar termos moçambicanos. Não ajuda quase nada, mas foi bom ver que alguém reconhece que nós, no Brasil, não sabemos o que é um xipefo e uma mafurreira.

A Intenção do Autor

Comentou o Luiz André: Nome da Rosa, O UMBERTO ECO
"já li muito Guimarães Rosa e, confesso sem vergonha, a torto e a direito aparecem palavras e expressões que simplesmente não compreendo. Isso não me impede, no entanto, de penetrar naquele mundo sempre novo e encantador."

Há uma diferença. Guimarães Rosa usava palavras que sabia que seu público ignorava. Ele fazia isso de propósito.

Grande Sertão: Veredas JOAO GUIMARAES ROSAUmberto Eco, em O Nome da Rosa, também deixou vários trechos em línguas estrangeiras propositadamente no original e avisou seus tradutores que não traduzissem aqueles trechos. Usou até uma metáfora interessante: se um pintor deixar um canto do seu quadro na penumbra, será que é lícito iluminá-lo? Ele queria que aqueles trechos não fossem compreendidos.

Por outro lado, quando Lobo Antunes fala em PIDE, ele não quis criar mistério, ele quis simplesmente se referir à Polícia Secreta que todos conhecem. Quando fala em um almirante seguido de Diogo Cães, ele queria remeter a um almirante seguido por um séquito de pretensos navegadores, e essa imagem só irá se formar na cabeça do leitor se ele, como quase todos os portugueses, souber quem é Diogo Cão. Quando fala em lobos da alsácia, ele não queria dar a entender que o ministro era tão poderoso que, de fato, criava lobos: ele estava apenas se referindo a uma raça bem banal de cães.

ESSA é a diferença. O objetivo de qualquer nota explicativa é clarificar para o leitor estrangeiro referências que eram óbvias para o público-alvo original. Nunca clarificar as coisas que o próprio autor quis deixar obscuras.

Leia também:
Os Dilemas da Tradução - Meu artigo aprofundando essa discussão

Lobo Antunes - meu artigo sobre Lobo Antunes
Como apanhar a arte da fuga de António Lobo Antunes... - Matéria sobre as traduções da obra de Lobo Antunes

Todas as imagens são links para as páginas desses livros no Submarino. Compre clicando por aqui e você ajuda o pobre autor que teve o trabalhão de escrever isso tudo.

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Postada no blog em Jan
eiro de 2005
 

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O Velho Libertário e o Jovem Discípulo      
Peço perdão por não ser mais o homem que escreveu esses livros. Mas nem mesmo naquela época eu era assim o tempo todo. O importante é que eu era assim no momento em que escrevi aquelas palavras. O importante é que você seja assim no momento de lê-las. O resto é ficção.

O Dever do Escritor 
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O Dever do Colunista 
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O Golpe de Mersault 
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Heróis e Vilões 
Qualquer bom autor sabe fazer seu leitor ir aonde ele bem quiser, como um treinador balançando o osso na frente do cachorro. A good author can get away with anything.

Duas Leis das Artes Dramáticas 
Quem mais seria o vilão da história? Um estava morto, a outra era a mocinha e a outra era uma negona que tinha entrado no meio da trama. Só sobrava realmente ele.

A Escola Urbana 
Uma nova escola literária vem tomando conta da literatura brasileira há mais de 30 anos. Por falta de nome melhor, eu a chamo Escola Urbana.

Pacto da Mediocridade 
Que pacto de mediocridade é esse? Se nem os nossos formados em Letras-Inglês lêem Shakespeare no original, pra que servem? Não é esse seu trabalho?

Um Épico Injustiçado: O Senhor dos Anéis   
Os doutores da Academia, que suspiram por grandes épicos da humanidade como "La Mort d'Artur" e "Bewoulf", torcem os narizes para "O senhor dos anéis". É pena. Iriam adorar. O livro foi escrito para eles e por um deles.

Literatura Imaginativa   
os autores brasileiros parecem ter sido convencidos, em algum momento, que imaginação e boa literatura não combinam. O ideal de todos parece ser reescrever Um Coração Simples, do Flaubert, o romance, por excelência, onde nada acontece.

Romance do Não-Dito: Aquele Rapaz, de Jean-Claude Bernadet    
Aquele Rapaz é curto pois tudo foi cortado. Aquele Rapaz é riquíssimo, mas nada está lá impresso. Aquele Rapaz, na verdade, é somente um guia de leitura para um outro romance, maior e muito mais grosso, que simplesmente não existe.

Saber Ler Literatura   
Saber ler literatura é saber que abordar qualquer obra de arte jamais será uma atitude passiva. A verdadeira obra de arte exige compromisso, exige ação, exige feedback. Arte não se aprecia. Se apreciou, ou não é arte ou você entendeu errado. Verdadeira arte não se aprecia pois apreciar é uma atitude passiva e a verdadeira arte cobra interação.

A Grande Conversa   
Os clássicos não são só livros consagrados: eles são as vozes da Grande Conversa. Não estão mortos: eles falam, eles gritam, eles choram, uns com os outros, o tempo todo. Heráclito teoriza, Aquino racionaliza, Cervantes ri, Descartes sugere uma outra opção, Kant contextualiza e Marx destrói.

Lady Averbuck   
Ela parece merecer o apelido de Lady Averbuck. Tudo indica que é uma pessoa insuportável, mal humorada, ranzinza, arrogante e totalmente louca. O que importa é que ela é uma puta escritora.

Paulo Coelho na ABL   
Paulo Coelho pode ser um péssimo escritor, mas é um escritor. E isso, convenhamos, já é mais do que podemos falar sobre muitos dos membros da Academia, como Getúlio Vargas e Roberto Marinho.

Autores Libertários  
Muita gente tem me pedido sugestões de leitura. Autores bons há muitos. Mas como, em geral, quem me pede isso gostou desse blog, vou dar aqui uma lista dos meus pares, ou seja, autores que seguem, em larga medida, a linha filosófica desse brog: Whitman, Miller, Freire, Kerouac, Thoreau, Emerson, Sartre, La Mettrie.

Mais Livros do Mal  
Sentei em uma daquelas poltronas maravilhosas (tinha 3 horas de hora pra fazer!) e li vários contos de cada livro. Estava torcendo, sinceramente, pra algum deles ser ruim e eu não ter que levar. Afinal, não é?, autor novo, todos jovens, nunca se sabe. Não foi o caso.

Literatura Contemporânea e Livros do Mal

Ultimamente, só venho lendo clássicos. Estou há mais de um mês no Dom Quixote, por exemplo. Sinto muita falta de literatura contemporânea, mas infelizmente isso custa dinheiro. Clássicos eu pego na biblioteca, eu baixo pela Internet e até mesmo compro edições baratíssimas em tudo quanto é sebo. Já, por exemplo, o novo livro do Bernardo Carvalho só comprando e pelo preço integral: não tem jeito.

 

LIBERAL LIBERTÁRIO LIBERTINO

Rebeldia, contemplação e muita sacanagem. Um blog pra falar de liberdade e literatura.