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  Alex Castro
Editor do seu Guia de Blog na Internet
Crônicas do Grão-Pará e Rio Negro, de Márcio Souza
 

 Revolta - Vol. 3 MARCIO SOUZAO amazonense Márcio Souza está publicando, desde 1997, uma série de romances históricos chamada Crônicas do Grão-Pará e Rio Negro. Ostensivamente dialogando com O Tempo e o Vento, o autor busca traçar, em quatro volumes, a história da Amazônia no pós-independência.

De certo modo, o projeto de Márcio Souza se confundiu com minha própria biografia.

Eu e o Pará

Comprei o primeiro livro, Lealdade, assim que saiu, em 1997. Naquela época, o Pará era só mais um estado longínquo onde eu não conhecia ninguém, como Rondônia, Goiás ou Sergipe.

Quando saiu o segundo, Desordem, em 2002, eu estava de casamento marcado com uma paraense, já tinha visitado a região duas vezes e considerava que meus filhos seriam meio cariocas, meio paraenses, metade do mar, metade do rio.

E, hoje, ao sair o terceiro, Revolta, o mês passado, eis que estou separado da paraense, que foi morar no Timor e eu mesmo estou prestes a sair do país.

Se Márcio Souza mantiver esse ritmo, o quarto e último volume, Derrota, sairá em 2008.

    Mad Maria MARCIO SOUZA  Quem sabe como estará minha relação com o Pará nessa época!

O Projeto Gráfico da Série

É impressionante como as coisas simplesmente não param quietas no Brasil. O projeto gráfico dessa série é uma prova disso. Lealdade: Romance MARCIO SOUZA

Comprei o primeiro volume, Lealdade, em 1997, ainda pela Editora Marco Zero. Essa editora era do próprio autor e não escuto falar dela há muito tempo. Tentei uma busca na internet e nada. Fechou? Faliu? Foi comprada?

Enfim, era um livro de formato ligeiramente maior do que a média, não estava caro (R$16), a capa mostrava uma batalha naval e havia um catch phrase (como se diz isso em português?) interessante: "Um país morreu para o Brasil nascer". (à direita)

Eu sempre estudei história militar, especialmente naval, adorava romances históricos e já conhecia o autor de outros livros, como A Condolência, A Ordem do Dia, Mad Maria e Galvez Imperador do Acre. Ou seja, sabia que uma bomba provavelmente não iria ser. Além disso, seria uma oportunidade de ler sobre um pedaço da história que eu ignorava totalmente.

       Lealdade - Vol. 1 MARCIO SOUZAComprei.

Ironicamente, o projeto gráfico isolado desse primeiro livro, de Douglas Canjani, é longe o mais tosco e amador. Mas, se não fosse por ele, o livro não teria chamado minha atenção, eu não teria folheado, nem comprado, nem lido esse nem provavelmente nenhum dos outros e nem estaria escrevendo esse texto. Desordem - Vol. 2 MARCIO SOUZA

Em 2002, eu já casado com a paraense, é lançado o segundo volume, Desordem, dessa vez pela Editora Record. O que houve com a Marco Zero, editora do autor? Não sei. A Record começa a relançar a obra de Márcio Souza, com um belíssimo e elegante projeto gráfico de Evelyn Grumach. Aproveitando o lançamento do segundo volume (à direita), a Record também faz nova edição de Lealdade com o novo design (à esquerda). As duas edições de Lealdade, aliás, ainda estão em catálogo e podem ser compradas pelo Submarino. A graça é que a da Marco Zero custa menos da metade que a da Record.

Finalmente, esse ano, a Record lançou o terceiro volume, Revolta, e fez a mesma coisa. Criou um novo projeto gráfico unificado para a série toda (à direita, abaixo), também de Evelyn Grumach, também lindo, e relançou os volumes anteriores.

A recompensa dos otários que foram clientes fiéis e compraram todos os livros a medida em que saíram foi ficar com uma coleção frankenstein, cada livro diferente do outro.

Alguém quer apostar que vão inventar um novo design em 2008?

Chanchada Amazônica

 Revolta - Vol. 3 MARCIO SOUZANão faz muito tempo eu escrevi um artigo chamado Sex in Contemporary Fiction. Nele eu dizia, entre outras coisas, que via de regra sexo só tem lugar na boa ficção se for pervertido, errado, fracassado. Sexo bom, feliz, saudável raramente dá boa ficção.

"Depois de seu primeiro encontro, Claudio e Ana se apaixonaram e passaram a transar três vezes por dia." Ponto. Precisa dizer mais alguma coisa. Precisa descrever cada uma dessas trepadas? Isso vai levar o livro a algum lugar? Vai avançar o enredo?

Pois bem, Revolta, de Márcio Souza, é narrado por Maurício, um jovem paraense vivendo em Belém durante a eclosão da Cabanagem, em 1835. E o jovem Maurício, hormônios em fúria, parece decidido a comer todas as mulheres de Belém - em meio ao momento histórico mais dramático da história da região. E Márcio Souza, aparentemente empolgado também, faz questão de descrever cada um desses atos sexuais.

  Galvez Imperador do Acre MARCIO SOUZA  A impressão que tive foi de estar em uma verdadeira chanchada literária, onde tudo era motivo para mais uma trepada. Se ao invés de descrever cada uma, o autor somente dissesse "e Maurício comeu fulana", o livro caía fácil de 300 pra 150 páginas. E ficaria muito melhor.

Inúmeras vezes, ao longo do livro, Márcio Souza fala sobre cidades da antigüidade, sitiadas por um inimigo implacável e subitamente tomadas por devassidão sem fim. É como se os moradores, naquele momento-chave, sabendo-se talvez condenados, se esforçassem em gozar da vida ao máximo enquanto podem. Naturalmente, a Belém da Cabanagem encontra-se no mesmo barco.

Mas essa idéia não serve de álibi nem justificativa para um romance fraco e apelativo, léguas abaixo dos primeiros dois volumes da série.

Espero mais do quarto livro.

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Postada no blog em Julho de 2005



 

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O Dever do Escritor 
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Quando mataram a Liana e o Felipe, boa parte dos colunistas da grande imprensa não teve pudor algum em somente repetir o blá-blá-blá do senso comum. Cadê o profissionalismo dessa gente?

O Golpe de Mersault 
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Heróis e Vilões 
Qualquer bom autor sabe fazer seu leitor ir aonde ele bem quiser, como um treinador balançando o osso na frente do cachorro. A good author can get away with anything.

Duas Leis das Artes Dramáticas 
Quem mais seria o vilão da história? Um estava morto, a outra era a mocinha e a outra era uma negona que tinha entrado no meio da trama. Só sobrava realmente ele.

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Uma nova escola literária vem tomando conta da literatura brasileira há mais de 30 anos. Por falta de nome melhor, eu a chamo Escola Urbana.

Pacto da Mediocridade 
Que pacto de mediocridade é esse? Se nem os nossos formados em Letras-Inglês lêem Shakespeare no original, pra que servem? Não é esse seu trabalho?

Um Épico Injustiçado: O Senhor dos Anéis   
Os doutores da Academia, que suspiram por grandes épicos da humanidade como "La Mort d'Artur" e "Bewoulf", torcem os narizes para "O senhor dos anéis". É pena. Iriam adorar. O livro foi escrito para eles e por um deles.

Literatura Imaginativa   
os autores brasileiros parecem ter sido convencidos, em algum momento, que imaginação e boa literatura não combinam. O ideal de todos parece ser reescrever Um Coração Simples, do Flaubert, o romance, por excelência, onde nada acontece.

Romance do Não-Dito: Aquele Rapaz, de Jean-Claude Bernadet    
Aquele Rapaz é curto pois tudo foi cortado. Aquele Rapaz é riquíssimo, mas nada está lá impresso. Aquele Rapaz, na verdade, é somente um guia de leitura para um outro romance, maior e muito mais grosso, que simplesmente não existe.

Saber Ler Literatura   
Saber ler literatura é saber que abordar qualquer obra de arte jamais será uma atitude passiva. A verdadeira obra de arte exige compromisso, exige ação, exige feedback. Arte não se aprecia. Se apreciou, ou não é arte ou você entendeu errado. Verdadeira arte não se aprecia pois apreciar é uma atitude passiva e a verdadeira arte cobra interação.

A Grande Conversa   
Os clássicos não são só livros consagrados: eles são as vozes da Grande Conversa. Não estão mortos: eles falam, eles gritam, eles choram, uns com os outros, o tempo todo. Heráclito teoriza, Aquino racionaliza, Cervantes ri, Descartes sugere uma outra opção, Kant contextualiza e Marx destrói.

Lady Averbuck   
Ela parece merecer o apelido de Lady Averbuck. Tudo indica que é uma pessoa insuportável, mal humorada, ranzinza, arrogante e totalmente louca. O que importa é que ela é uma puta escritora.

Paulo Coelho na ABL   
Paulo Coelho pode ser um péssimo escritor, mas é um escritor. E isso, convenhamos, já é mais do que podemos falar sobre muitos dos membros da Academia, como Getúlio Vargas e Roberto Marinho.

Autores Libertários  
Muita gente tem me pedido sugestões de leitura. Autores bons há muitos. Mas como, em geral, quem me pede isso gostou desse blog, vou dar aqui uma lista dos meus pares, ou seja, autores que seguem, em larga medida, a linha filosófica desse brog: Whitman, Miller, Freire, Kerouac, Thoreau, Emerson, Sartre, La Mettrie.

Mais Livros do Mal  
Sentei em uma daquelas poltronas maravilhosas (tinha 3 horas de hora pra fazer!) e li vários contos de cada livro. Estava torcendo, sinceramente, pra algum deles ser ruim e eu não ter que levar. Afinal, não é?, autor novo, todos jovens, nunca se sabe. Não foi o caso.

Literatura Contemporânea e Livros do Mal

Ultimamente, só venho lendo clássicos. Estou há mais de um mês no Dom Quixote, por exemplo. Sinto muita falta de literatura contemporânea, mas infelizmente isso custa dinheiro. Clássicos eu pego na biblioteca, eu baixo pela Internet e até mesmo compro edições baratíssimas em tudo quanto é sebo. Já, por exemplo, o novo livro do Bernardo Carvalho só comprando e pelo preço integral: não tem jeito.

 

LIBERAL LIBERTÁRIO LIBERTINO

Rebeldia, contemplação e muita sacanagem. Um blog pra falar de liberdade e literatura.