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  Alex Castro
Editor do seu Guia de Blog na Internet
Microbiografia

Como parte do meu processo de candidatura ao mestrado em Português em Tulane University, eu tive que escrever um Statement of Purpose, em até três páginas, contando sucintamente quem eu sou e porque acho que deveriam me aceitar.

Como vocês gostam mesmo de fuçar a minha vida, aqui vai essa pequena autobiografia. Agradecimentos ao Pablo, que praticamente reescreveu essa joça pra mim.

Naturalmente, o tom é auto-elogiativo. Lembrem-se: o objetivo é convencer os caras a me colocar pra dentro.

"My name is Alex Castro and I am 30 years old.

First and foremost, I am a fiction writer. Writing fiction has always been my priority in life and my every strategic, long-term decision has been guided by this light.

I was educated at the American School of Rio de Janeiro, where I devoted myself successfully to extracurricular activities such as being president of the Student Council and editor of the school paper. I also took several International Baccalaureate classes, including IB English. One of my letters of recommendation is signed by the then School Headmaster, Dennis Klumpp.


[Interessante, diz o membro do comitê de seleção, lendo a carta. Já sabemos que não vai vir um daqueles índios straight out of the jungle. É um cara cosmopolita, educado em inglês e que conhece o American way of doing things. Não vai se assustar com o microondas da sala dos professores.]

After graduating from High School, I started History at Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Brazil's oldest, largest and arguably its best university. I had the priceless opportunity of studying with some of the top Brazilian minds in the field. One of my Letters of Recommendation is signed by Manolo Florentino, my undergraduate thesis advisor and a world-renowned authority on Slavery. Another letter is signed by Ricardo Salles, a leading author on the Paraguayan War, which is my main area of interest and research.

[Hmm, essa universidade deve ser boa mesmo. Essa cara não veio aqui dar uma palestra semestre passado? Nomes de peso...]

While in College, I taught History and Geography as a substitute teacher at the American School and contributed to the Brazilian edition of Mad Magazine, writing satires and parodies. Eventually, I became the magazine's assistant-editor.

[O homem é versátil, escreveu profissionalmente, tem experiência em sala de aula, hmmm....]

Halfway through College, I was bitten by the Internet bug. My leadership and entrepreneurial instincts (carefully cultivated by the American School) attracted me inevitably to the great Internet bubble. Before graduation, I was already writing content for several websites and, as soon as I got my History degree, I raised about US$100,000 from venture capitalists (a respectable sum for Brazilian standards) and launched my own company, SobreSites, a content portal.

Owning and managing a company meant dealing with suppliers and staff, creating and developing ideas, and digging up advertisers and sponsors - perhaps the most dramatic learning experience I have had so far. When the bubble burst, the company barely survived. I had originally decided to open the business as a way to make some money to buy me some quiet years of writing. As it turned out, however, the company was enslaving me with its constant demands, never made much profit and left me no time to write.

I had to make a decision and, as always, I put literature first. I gave up my share of the company and walked away.
SobreSites is still one of the largest, most popular portals in Brazil and I'm proud of what I accomplished.

[Além de tudo, tem espírito de liderança, está acostumado a trabalhar em equipe, já gerenciou uma empresa, uau, esse cara é bom, não podemos deixá-lo escapar...]

After leaving the business world, I decided to lead a simpler, more frugal life. I supported myself by teaching English to Brazilian teenagers, and Portuguese to American executives. The money was next to non-existent, but I had peace of mind and plenty of time to write - and that is what I intended, of course.

[Por outro lado, é um cara simples, tranqüilo, não-estressado, que fez uma opção de vida pela literatura, o nosso candidato ideal! O que estamos esperando para mandar o email dizendo que o aceitamos?]

I created the blog Liberal Libertário Libertino, which has since become one of the most popular in Brazil, with an average of 6,000 readers a day. The blog has really been a liberating experience, no pun intended. I have been writing more than ever, have gained close contact with a great variety of readers, and there is a never-ending flow of engaging feedback. I was living the life of a full-time writer.

So far, the fruits of my literary labors are a collection of short stories and a novel, for which I am at present actively trying to find a publisher. I have also made them available on the Internet and, to my surprise, they have already been downloaded more than 8,000 times each.

[O unrewarded genius, alas the injustice of it all!]

The success of my blog has led to an invitation to write a weekly column on Internet Culture for a major Rio de Janeiro daily newspaper, Tribuna da Imprensa.

[O cara ainda escreve pra jornal. Nunca vi ninguém mais polivalente. O que esse homem não fez?]

I have also recently obtained a post-graduate degree in Cultural Journalism from Universidade Estácio de Sá. One of my letters of recommendation is signed by my Literary Criticism professor, Tadeu Capistrano.

[Graduação em História, pós em Jornalismo e mestrado em Literatura, dá pra ver que estamos falando de uma pessoa versátil, dona de uma sólida cultura em diversos campos. Acho melhor convidá-lo logo para ser reitor!]

Since literature is my passion, furthering my studies is this area has always been a cherished plan. However, a professor once advised me: "Don't jump straight from undergraduate studies into master's. Live a little first, get a taste of professional life outside the university". It was good advice and I followed it. But now it is time to go back.

[E não é um daqueles acadêmicos que passaram a vida inteira sheltered na bolha universitária e que não sabem nem atravessar a rua sozinhos. Estamos falando de um cara que botou a cara à tapa, levantou dinheiro, fundou empresa, quebrou, deu aula pra crianças, escreveu em jornais, meu deus, se eu fosse mulher, eu dava pra ele!]

During graduation, my main area of interest and research was the Paraguayan War (1864-1870), which pitted Paraguay against a Triple Alliance formed by Brazil, Argentina and Uruguay. I have amassed quite a comprehensive library on this topic, have made extensive research and have some well-developed ideas on this.

Based on my undergraduate research, I plan to analyze how perceptions of that war, and the questions raised by it, have changed over the past 140 years in each of the countries involved, and how those changes influenced contemporary novels set in or around that war.

[Grande idéia! Como ninguém pensou nisso antes?]

Simultaneously with my graduate studies at Tulane,and using the same research, I plan to write my own novel about the Paraguayan War. A sample chapter, in English, is available here, which I invite you to do me the honor of reading.

[Olha, eu li o capítulo e adorei. O cara ainda por cima escreve bem, tem domínio das citações e referências e é muito engraçado.]

My ultimate goal is to produce a thorough, comprehensive and innovative analysis of the fictional approaches to the Paraguayan War by writers from the countries directly involved as well as by those of other countries. Therefore, I most definitely will try to develop this project into a PhD thesis.

I am excited at the prospect of studying at Tulane University and I thank you in advance for considering my application. If accepted, I shall do my very best to excel at my studies and to live up to your finest expectations.

Yours faithfully,"

[E, além de tudo, é humilde! Está decidido. Por mim, aceitamos o homem. E vocês?]

Pós-escrito: fui aceito por unanimidade, em primeiro lugar, com direito a um fellowship acadêmico (uma bolsa adicional) mas desisti de trabalhar Guerra do Paraguai e estou imerso agora em escravidão.

Postada no blog em Fevereiro de 2005

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Mais Crônicas

Eu, o Oliver e a Katrina 
Em agosto de 2005, eu e o Oliver fomos pegos no meio do furacão Katrina, em Nova Orleans, o pior desastre natural da história dos Estados Unidos. Reuni nesse artigo todas as nossas peripécias.

Dia de Todos os Santos 
Alguns dias merecem ser contados, tanto pelo que têm de ordinário quanto de extraordinário.

Eu Sou Livre!
Sou livre. Estou no auge de minha forma física e mental e sou livre como nunca fui. Livre como talvez nunca vou ser. Mais livre do que a maioria das pessoas que conheço jamais será.

Alexandre Cruz Almeida Agora É Alex Castro 
A partir de hoje, não existe mais Alexandre Cruz Almeida. Passo a atender pelo nome de Alex Castro.

Os Carros do Meu Pai  
Acho difícil de um jovem hoje conceber o quanto uma Porshe 928 chamava a atenção no Rio de 1983. Hoje, ainda chamaria atenção, e olha que temos trocentos carros importados em circulação, de todos os tipos e modelos.

Em Defesa dos Sentidos 
A supervalorização da visão levou o Ocidente a uma vida sensorial extremamente pobre. A maioria das pessoas que conheço, por exemplo, é tristemente incapaz de sentir a maioria dos cheiros. Defender uma revalorização dos outros quatro sentidos será sempre uma de minhas bandeiras principais.

Ataques de Entendimento 
Acordo de madrugada, de repente no trânsito, no meio de um jantar chato, e começo a me auto-flagelar: por quê? O que eu poderia ter feito de diferente? Foi minha culpa? Onde foi que eu errei? Quero entender. Preciso entender. Uma necessidade doentia de entender ferve dentro com a intensidade da vontade de beber em um alcoólatra.

Meus 18 Anos
Um leitor, de 18 anos, me mandou o seguinte email: "Queria saber como foram os teus 18 anos. O que tu pensava da vida, o que fazia, tua vida social..." Achei engraçado tentar lembrar dos meus 18 anos.

Eu Já    
Eu já andei muito de limusine. Eu já salvei a vida de dois atropelados com primeiros-socorros. Eu já me recusei a sair com uma mulher de quem eu estava muito a fim só porque ela insistia em comer meu cu com um consolo. Eu já roubei gorjeta de garçom.

Será A Minha Vida Mais Interessante Que A De Vocês? 
Não é que minha vida é mais insólita do que as outras, mas talvez somente eu esteja mais aberto para o insólito em minha vida.

As God Is My Witness, I'll Never Wear Those Shoes!    
Aquele mocassim é o símbolo do ponto mais baixo que cogitei descer. E não desci. Por decisão consciente, não desci. Por força de caráter, não desci. Do momento em que descalcei aquele sapato em diante, minha vida só fez melhorar.

Meu Casamento em Datas 
6 de dezembro de 2000. Nosso primeiro encontro, totalmente por acaso. Menos cinco minutos, mais cinco minutos, um filme mais interessante na televisão, e jamais teríamos nos conhecido. Contei uma versão diferente do nosso primeiro encontro para cada pessoa. A versão verdadeira é só nossa.

Mal de Alex Castro 
Essas doenças que têm nomes de pessoas, Alzheimer, Parkinson, Chagas, quem lhes deu esses nomes? Não é sinistro ter seu nome eternamente vinculado a doenças tão horríveis? Será que tinham alguma idéia da carga de energia negativa quer iriam atrair sobre sua posteridade?

Ruminações sobre Angústia, Beleza & Microfama    
O momento em que me senti realmente apartado de minha ex-mulher, um daqueles momentos pequenos que só parecem cheios de significado olhando em hindsight, foi quando assistimos Encontros e Desencontros, de Sophia Copolla, com Bill Murray.

Microbiografia    
Como parte do meu processo de candidatura ao mestrado em Português em Tulane University, eu tive que escrever uma microbiografia, em até três páginas, contando sucintamente quem eu sou e porque acho que deveriam me aceitar.

Gente que Sabe o Seu Lugar     
Uma amiga, descrevendo as virtudes do seu motorista: "Ele é ótimo. Sempre o chamamos para almoçar na mesa com a gente, mas ele se recusa, vai comer na cozinha. Sabe o seu lugar."

A Alegria Alheia 
Custava alguém ter retribuído o seu olhar? Sorrido de volta? Dado qualquer indicação de que estava ouvindo? Nenhum de nós merecia a alegria daquele velhinho àquela hora da manhã.

Cozinhando com Alex  
Não entendo gente que não sabe cozinhar. Entendo gente que não gosta de cozinhar, claro. Tem gosto pra tudo. Tem gente que não gosta de mulher. Tudo é possível. Mas como não "saber" cozinhar?

Belmiro de Almeida   
Belmiro de Almeida é meu pintor favorito. Cada um de seus quadros conta uma história com começo, meio e fim.

Fantasmas de Felicidades Passadas
A felicidade pode existir no presente. No futuro, ela é um engodo. No passado, quase sempre uma aflição.

Reminiscências de Ex-Rico
Minha mãe está leiloando a mesa onde dávamos jantares à francesa, completa, com aparelho de jantar de porcelana de sèvres pintada à mão (com direito até à marcadores de lugar), fruteira de metal, candelabros, saleiro e faqueiro de prata, copos e garrafas de cristal baccarat, todos os fru-frus possíveis e imaginários.

Minha Personal Stalker 
Tentei não olhar pra ela, pra não piorar a situação, mas via o carro pelo reflexo das vitrines. Entrei em duas galerias e perguntei: "Estou sendo seguido por uma louca, essa galeria tem alguma saída dos fundos?" Como estamos no Rio, ninguém estranhou.

Conversas a Esmo 
Se não tenho assunto, vou querer escrever pra quê? Vou é andar ao sol, ler um livro, dormir, qualquer coisa menos encarar a folha branca. Então, se não tenho assunto, vou querer conversar pra quê? Sobre o quê?

Gaiatos, Inc. 
Kafka já dizia que contra uma piada não há argumentos. É impossível se defender de zoação. Você fica calado e espera passar. Mas, quase sempre, essas grandes empresas são zoadas porque querem, porque deram abertura. Ou melhor, porque não receberam assessoria humorística apropriada.

O Mala Que Sabe o Preço de Tudo 
Você pede um sanduíche de filé de frango e o mala que sabe o preço de tudo grita: sete reais?! Que absurdo! Com esse dinheiro, eu compro um quilo de filé de peito!

Não Haverá Outro Dia 
O sol não vai mais nascer na vida de nenhum de nós. Quando a gente olha no relógio da vida e vê que está ficando tarde, a hora é de correr, não de deixar pra depois. O que não fizermos hoje, amanhã fica mais difícil, depois de amanhã talvez impossível.

O Peso de Um Segredo    
Segredos são cancerígenos. Eles andam dentro da gente pulsando, apodrecendo, querendo sair. Ninguém me tira da cabeça que essas pessoas que fazem um check-up e, quando vão ver, estão podres por dentro, é porque carregavam segredos demais.

Vergonha da Faxineira 
Na véspera da faxineira chegar, minha mulher passa o dia inteiro limpando tudo e a casa fica um brinco. Não entendo nada: mas criatura, não concordamos em chamar a faxineira justamente porque não tínhamos como dar conta disso?!

Você Se Acha Muito Inteligente, Não É?    
Todo jornalista que se preze deveria ter um cachorro em casa para poder ver concretamente (ver e cheirar, claro) qual é o destino inevitável de tudo o que escrevemos.

Meus Trinta Anos 
E aprenda que os homens devem ter sempre em mente a morte, e que nenhum pode ser considerado feliz até o dia em que leve sua felicidade para o túmulo em paz.

Trago Pessoa Amada em Três Dias 
Para cada pessoa que manda trazer seu amado existe (teoricamente) um amado relutante que queria apenas prosseguir com a sua vida.

Mas Que Calor, Hein?    
Aguardo ansioso o dia em que o meteorologista vai dizer: "Gente, excelentes notícias: amanhã, tempo bom em toda cidade. Isso mesmo que vocês ouviram, tempo bom: nuvens esparsas, leve brisa, queda de 10 graus na temperatura e ainda aquela chuvinha refrescante no fim da tarde."

Sou Janela, Não Pedra    
O longo artigo sobre a Escola Urbana foi a última vez em que falei mal de alguns de meus colegas.

Quem Tem Medo do Alexandre?     
Quem se propõe a ser jogador profissional de futebol, tem que estar pronto pra encarar o Ronaldinho. Quem se propõe a ser escritor de ficção, tem que estar pronto pra encarar Machado de Assis.

Meu Primeiro Dinheiro 
O primeiro dinheiro que ganhei na vida foram os 60 dólares de prêmio do Primeiro Concurso de Contos da Hebráica Rio, categoria infanto-juvenil, em outubro de 1988. Eu tinha 14 anos.

O Ônus de Lembrar 
Eu sempre me esqueço de trazer as coisas que deveria, eu sempre faço essa proposta de transferir o ônus de lembrar para a parte interessada e sempre me deparo com a mesma reação: ah não, esse ônus eu não quero, quero só o livro, você que se lembre.

O Aventureiro no Penhasco   
Às vezes eu me sinto como um daqueles aventureiros que atravessou um penhasco se equilibrando numa corda e agora fica lá do outro lado só gritando, vem gente, vem que é fácil, e se admirando de ver as pessoas tentando segui-lo e caindo. Eu não devo ser seguido. Talvez eu nem mesmo possa ser seguido. Talvez o meu caminho seja só meu.

Minha Primeira Vez   
Hoje, faz dez anos que Clarice, a malvadinha, me descabaçou. Eu, 19, virgem, ela, 17, sexualmente ativa há quatro. Estávamos saindo há cerca de três semanas. Ela me liga uma noite e diz que vai matar aula no dia seguinte pra passar a manhã comigo.

Liberal Libertário Libertino: Modo de Usar   
O leitor Hugo está resenhando minhas prisões em seu blog, Alta Fidelidade. Ele seleciona os trechos mais relevantes e os responde. O Hugo está, antes de tudo, se conhecendo. Não há viagem mais importante do que essa. Ao reagir a mim, ele está descobrindo seus limites, seus preconceitos, suas opções.