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  Alex Castro
Editor do seu Guia de Blog na Internet
As Mulheres Querem Tudo

A Roupa do Casamento

Semana passada, minha mulher e eu fomos padrinhos de casamento. Ao longo da semana anterior, ela, estressadíssima com sua roupa, ficou me perguntando várias vezes se eu já tinha verificado meu terno, se estava tudo certo, se eu não precisaria fazer nada, etc. E eu só enrolando, dizendo que ia fazer, que ia ver, mas, obviamente, o assunto era a última das minhas prioridades.

Chega a tarde do grande dia, minha esposa abre o armário e descobre que minha única camisa social branca está encardida, inusável.

Alerta vermelho, soam as sirenes, chove o granizo. Esporro generalizado.

Com uma certa razão, claro. Eu realmente tinha sido negligente e irresponsável. Mas o que me chamou atenção foi como o escândalo da minha mulher ilustrou a grande esquizofrenia feminina dos dias de hoje.

Quero Um Homem Que Não Dependa de Mim



No primeiro momento de fúria, ela esbravejou que queria um homem independente, que soubesse se cuidar, que soubesse cuidar das suas coisas, que não dependesse dela pra tudo que nem um bebêzão.

Nesse ponto, a bronca foi injusta. Eu sou, em muitos aspectos, bem mais independente e responsável do que ela – e, com certeza, mais organizado do que 98% dos homens heterossexuais que conheço.
 
Tudo bem, eu tinha vacilado naquela ocasião específica, mas não por eu ser desorganizado ou dependente, mas porque o bom ou mau estado das minhas roupas não é uma prioridade na minha vida.

De qualquer modo, a crítica revela um anseio válido das mulheres modernas: elas não são mais como suas mães, que querem um homem para cuidar, vestir e dar de mamar. As mulheres de hoje, independentes, inteligentes, doutoradas e barbadas, querem mais é homens inteligentes que sejam seus parceiros e não seus filhos.

O Que As Pessoas Vão Pensar de Mim Se Te Virem Assim?!

Então, veio a segunda parte do escândalo: o que as pessoas vão pensar de mim se te virem desse jeito?!

Subitamente, eu ser independente já não é mais nem um pouco importante.

Pelo seu comentário, minha mulher parece achar que há uma expectativa social de que a mulher é que tem que cuidar do homem, mantê-lo bem vestido e arrumadinho, sem manchas ou amassados.

De onde se conclui que, se um homem aparecer em um evento social com uma camisa branca encardida, ninguém vai pensar mal dele. Claro que não. Desde quando é obrigação do homem se vestir? Homem tem outras preocupações. A culpa é da relapsa da esposa, que não consegue nem vestir direitinho seu próprio Ken.
 
Mais uma vez, ela tem razão e não tem.

Eu tinha um colega de trabalho que sempre chegava no escritório bastante fedido, repetia roupas e usava barbas e cabelos longos e desalinhados. Pra piorar, era recém-casado com uma mulher vinte anos mais nova. Não deu outra, a sentença dos outros funcionários, homens e mulheres, foi sumária e inequívoca: a culpa toda era da mulher que, talvez por ser tão mais nova, não sabia cuidar dele, ou não tinha moral de mandá-lo tomar banho, aparar a barba, usar desodorante e trocar de roupas.Mulheres no Ataque: Bate-Bola no Campo Adversário CARLA RODRIGUES   MARTHA MENDONCA

Pareceu não ocorrer a ninguém a simples possibilidade de ser ele o único e maior culpado por sua falta de higiene pessoal.

Tive que dar o ego a torcer. Socialmente falando, se eu aparecesse de camisa encardida, não tenho dúvidas de que a culpa recairia na coitada da minha esposa.

Entretanto, se ela é tão liberal e libertina quanto diz ser, isso não deveria ser incômodo, deixe os minúsculos pensarem o que quiserem, eu digo, mas, para minha mulher, libertar-se da opinião dos outros ainda é impossível.

Aliás, antes de sairmos desse assunto: como eu disse, sou viadamente organizado e limpinho. Eu jamais, em tempo algum, iria a qualquer lugar com aquela camisa encardida. Isso nunca me passou pela cabeça. Eu estava tranqüilo porque sabia que, na pior das hipóteses, se a camisa branca estivesse inusável, eu iria com alguma outra das minhas camisas sociais não-brancas. Claro que os padrinhos tinham que ir de camisa social branca, mas eu prefiro ser o único padrinho vestido errado (já tenho fama de excêntrico mesmo, me convida pra padrinho quem quer) do que o único padrinho porco. Acabou que fui de terno preto com uma camisa social verde-escuro e a combinação ficou ótima.
 
You Can't Have the Cake and Eat It Too Por que os Homens Fazem Sexo e as Mulheres Fazem Amor? ALAN E BARBARA PEASE

Chegamos então à grande esquizofrenia da mulher moderna:

Por um lado, minha mulher quer que eu seja um homem independente, que saiba cuidar de si.

Por outro, ela sabe que a sociedade presume que eu lhe seja dependente: seu desempenho enquanto mulher será julgado, entre outros quesitos, pela minha apresentação.

Ou seja, ao querer um homem independente, o que ela realmente quer não é um homem independente: o que ela realmente quer é obter a reputação de esposa-que-cuida-muito-bem-do-marido sem precisar, pra isso, ter trabalho cuidando de mim, já que eu, homem independente, me cuido sozinho.

Mas, como diz um dos meus ditados favoritos, you can't have the cake and eat it too.

Precisei de Um HOMEM ao Meu Lado!
Como Se Dar Bem Com as Mulheres DAVID COPELAND
Temos um casamento aberto.

Quase sempre saímos juntos, como casalzinho baunilhogâmico. Outras vezes, saímos juntos, mas nos separamos, cada um por si e boa sorte, ninguém é de ninguém.

Em uma dessas vezes, cheguei perto demais dela e levei um pito: o cara com quem ela estava flertando achou que eu estava demarcando território e melou o clima.

Depois disso, procurei ficar o mais afastado possível, até que porque eu também estava bastante ocupado com uma outra menina.

No fim da noite, minha mulher teve problemas na saída. Um problema bobo, de deixar mulher nervosa à toa, e que ela podia ter resolvido sozinha – tanto que resolveu. Mas as mulheres têm essa mania, totalmente machista, aliás, de achar que ter um homem por perto resolve tudo, mesmo que ele não faça nada, mesmo que não exista nada que ele possa fazer.

Só que eu, escaldado e a pedidos, estava mantendo distância.

Depois, ouvi o discurso padrão: tive que resolver tudo sozinha!, precisei de UM HOMEM (falado assim mesmo, com a boca cheia) e você não estava lá pra ficar ao meu lado!

Eu sei que meu casamento é sui-generis. Sei que meus exemplos não são aplicáveis à vida de quase ninguém e servem apenas para as pessoas balançarem a cabeça e refletirem sobre a decadência dos valores da família tradicional brasileira, mas, enfim, o princípio é o mesmo:

You can't have the cake and eat it too.

O Neandertal e a Mulherzinha

As mulheres querem tudo. Ainda querem todas as qualidades viris e neandertais que suas avós queriam e aprenderam a querer toda uma nova série de qualidades sensíveis pós-modernas que, antigamente, só eunucos e tias solteironas tinham.
Por que os Homens Mentem e as Mulheres Choram? ALLAN PEASE   BARBARA PEASE
Até aí tudo bem. Acho até divertido ser, alternadamente, latin lover canalha e menino carente sensível.

Não satisfeitas, as mulheres ainda exigem, como minha esposa na festa, que os homens tenham a obrigação de adivinhar quando elas querem o braço forte do neandertal ou o ombro amigo do gentleman.

Homens são mais simples. Eles escolhem um arquétipo e ficam com ele. Pra sempre.

Eu, por exemplo, gosto de mulheres fortes e independentes. Só. Outros tipos de mulheres, viadas, frágeis, frescas, românticas, hipersensíveis, etc, confesso ter vontade de espantar à pauladas. Nunca acho nenhuma dessas características nem remotamente atraente. Quando me apaixonei pela Joana, por exemplo, a única mulherzinha com quem já andei, foi apesar dessas características. Seus caprichos e viadagens me irritavam profundamente.

Tenho um amigo cujo sonho é ter um emprego público, uma casa no subúrbio pra dar churrasco pros amigos todo fim-de-semana e uma mulher na qual ele possa (essa parte ele descreve bem fisicamente) dar uma tapão na bunda e dizer: "Muié, mais cerveja pro pessoal!" E ela daria uma risadinha, sacudiria a enorme bunda e iria rebolando buscar mais cerveja. Naturalmente, acabado o churrasco, ela também arrumaria todo aquele caos, enquanto ele tiraria sua merecida soneca, que afinal ninguém é de pedra lascada.

Meu amigo é quase um neandertal, mas seu modo primitivo de ver as coisas é, também, bastante válido. Ele sabe exatamente o que quer. Se encontrar uma mulher que se preste a esse papel, e existem muitas, ele nunca vai reclamar que ela é muito dependente, muito burrinha ou que não trabalha. É isso exatamente que ele quer. O tempo todo.

Por outro lado, tenho certeza absoluta que, em vários momentos ao longo do casamento, essa mulher tão viadinha vai lhe jogar na cara que ele é um bruto, que não a deixa trabalhar e que não liga pros seus sentimentos - como se não fosse exatamente assim que ela queria que ele fosse, como se ela não o tivesse escolhido, entre tantos outros homens, justamente por essas características.

Essa menina em corpo de mulher nunca terá que se preocupar com o mundo real ou com ganhar seu próprio sustento. Terá um braço forte sempre à disposição, para ampará-la, dar-lhe uns tabefes, se sair da linha, ou somente uns tapinhas, para que vá buscar mais cerveja.

Nunca teria que resolver sozinha o problema que minha esposa encarou aquela noite, mas também nunca lhe ocorreria que manter as camisas do marido limpas e passadas é qualquer outra coisa que não sua mais expressa responsabilidade segundo a ordem natural das coisas.

Visto por esse prisma, minha mulher é que é a vítima. Ela, tão libertina, é que foi pega no contrapé da história.

Por um lado, tem que se virar sozinha algumas vezes, como na saída da festa e, por outro, também tem a dolorosa noção que o estado do meu colarinho vai refletir diretamente na percepção que as pessoas têm dos seus dotes de esposa.

Ê mundo.

Lutando Contra o Príncipe Encantado

Uma das grandes diferenças entre homem e mulher (a muitíssimo grosso modo, obviamente) é que os homens, emocionalmente menos complicados, sabem bem o que querem em termos de mulher, encontram rápido, ficam felizes com a descoberta e se acomodam.

Já as mulheres nunca sabem com certeza que tipo de homem estão procurando.

A maior prova disso: os homens, quando reclamam de suas mulheres, é porque elas mudaram.

As mulheres, por outro lado, dizem: mas esse homem não muda nunca!

O problema está na educação.

Ninguém nunca diz pra um menino que mulheres são perfeitas, nem mesmo que deveriam ser perfeitas e, muitíssimo menos, que ele deveria esperar por uma mulher perfeita.

Pelo contrário, a educação de um menino entatiza, quando muito, quantidade, nunca qualidade. Pra que esperar pela mulher perfeita, se você pode passar o rodo nas imperfeitas, que são muito mais divertidas?

Enquanto isso, as mulheres sofrem uma perversa lavagem cerebral: o paradigma do príncipe encantado lhes é enfiado goela abaixo. Não interessa se é culta ou ignorante, pobre ou rica, todas as mulheres, em algum momento, terão que chegar a um acordo com o príncipe encantado: ou o rejeitam ou sucumbem a ele. De qualquer modo, ele está sempre ali, sempre assombrando.

Antigamente, as mulheres primeiro se guardavam para o príncipe e, depois, ou viravam solteironas, ou acabavam se sujeitando a casar com meros plebeus.Homens São de Marte, Mulheres São de Vênus JOHN GRAY

Hoje, as mulheres se divertem enquanto o príncipe não aparece em suas vidas, mas ainda assim planejam, em algum momento, assentar residência com o príncipe e virar mulheres sérias.

O princípio é radicalmente o mesmo: há sempre um ponto bem definido no futuro em que haverá essa tão esperada ruptura entre o presente imperfeito e uma espécie de nirvana que se seguirá ao encontro com o homem perfeito.

Os homens se casam com suas mulheres pelo que elas são ou, pelo menos, pelo que acham que elas são. Por isso, sua reclamação principal é que elas mudam: quando casei com você, você não era assim, você não fazia isso, você está ficando uma megera igualzinho à sua mãe. E com as mesmas ancas da sua mãe também!

Já as mulheres se casam com os homens apesar de seus defeitos. É quase como se tivessem desistido de encontrar o príncipe encantado, mas não de fabricá-lo. Já que a porra do príncipe não surgiu, eu mesma faço o meu, pronto!

Então, se casam com alguém desejável, mas com defeitos já visíveis, quase sempre já identificados e catalogados, na esperança de conseguir, aos poucos, mudá-lo de acordo com o ideal de perfeição do príncipe. Com o tempo, já que o homem não muda, as frustrações vão crescendo.

O mais engraçado é a falta de comunicação.

Eu já vi homens sinceramente estupefatos: como ela pode ficar tão furiosa de eu fazer isso e aquilo se eu sempre fiz essas coisas, durante o namoro, durante o noivado, durante os primeiros anos do casamento, e ela nunca disse nada?

Simples, meu caro. Ela sempre odiou isso, mas casou com você apesar disso, casou com você porque achou que você iria mudar, amadurecer, que ela iria conseguir fazer você parar com isso.

E as mulheres também ficam sinceramente estupefatas: mas eu não entendo isso, esse homem está com quase quarenta anos e continua largando a toalha em cima da cama e querendo encher a cara com aqueles cachaceiros amigos dele, quando ele tinha vinte anos, tudo bem, mas será que ele não vai amadurecer nunca?

Naturalmente, ambas as lógicas (sic) são mutuamente incompreensíveis.

As mulheres têm todo o direito de casar com um neandertal e depois decidir que querem um cro-magnon. Mas então que troquem de modelo. Maldade é querer exigir que um bruto, com quem casaram por ser um bruto, de repente tenha rompantes de lorde.



Repercussão de As Mulheres Querem Tudo

Meu artigo As Mulheres Querem Tudo, publicado entre os dias 5 e 11 de dezembro, anda causando frisson pela Internet. Vários blogs dedicaram um espaço substancial para discuti-lo, comentá-lo ou atacá-lo.

Pra começar, eu queria dizer que esse artigo foi escrito pensando em dois blogs amigos.

Um, o Kit Básico da Mulher Moderna, da querida Renata, que tinha feito, recentemente, um post chamado A Versão do Cavalo do Príncipe, sobre príncipes encantados e cinderelas. E fiquei matutando o assunto.

E, também, escrevi o artigo a convite das meninas do Elas por Elas, Mariana e Isadora, para o Calça Justa, a seção semanal onde os homens botam a boca no mundo. Mas como o Calça Justa só vai voltar em janeiro, achei que esse artigo era bom demais para esperar tanto. Escrevi outros dois artigos pra elas e decidi publicar logo o As Mulheres Querem Tudo.

Quanto à repercussão, a primeira pessoa a comentar o artigo foi minha querida amiga Diva Artisan, que sempre concorda comigo em quase tudo e dessa vez discordou em absolutamente tudo. Infelizmente, parece que o seu maravilhoso blog foi uma das vítimas das novas políticas capitalistas da Globo.com. Consegui encontrá-lo somente no cache do Google, mas reproduzo tudo mais abaixo.

Além disso, os blogs O Sorriso do Gato de Alice, em 13/12, Perolada, em 22/12, e Paper Street Soap Company, em 29/12, também fizeram comentários interessantes sobre o artigo.

Finalmente, o Sandrus, do Arkhan Asilum, e o Ratapulgo, do Copy & Paste postaram a quarta parte todinha em seus blogs.

Acho natural que citem somente a quarta parte, que é onde estão as conclusões, mas não consigo deixar de pensar que o processo pelo qual cheguei a essas conclusões é bem mais interessante do que as próprias.

Dêem uma olhada no que esse povo todo escreveu e tirem suas próprias conclusões.

Abaixo, o post da Diva, do finado (espero que por pouco tempo) ArtErótika:

"Homens, perdidos no mundo sem mãe ou esposa

Para entender esse post, por favor leiam os seguintes blogs: no O Sorriso do Gato de Alice leiam o post de 11 de dezembro intitulado "Homens... " e leiam por favor no Liberal Libertino a série intitulada "As Mulheres Querem Tudo".

A mulher tinha um papel servil na sociedade. Ela era mãe, dona de casa, empregada para tarefas domésticas, criada sexual. Ela se casava e ficava casada para o resto da vida, servindo aquele sujeito. Não havia outra opção.

Isso tudo mudou. A mulher passou a trabalhar, a ter direito a orgasmos, a ter direito a votar, a ter opiniões próprias, a procurar sua própria satisfação pessoal. Os homens estão perdidos nesse contexto. Não sabem mais quem eles devem ser ou o que devem ser.

Um dos problemas que eu vejo é uma recusa surda-muda da sociedade em se adaptar a essa nova realidade. Pessoas ainda casam, tem filhos e assumem compromissos que precisam durar muito - uma vez que, se decidirem ter crianças, terão que assumir pelo menos vinte anos de responsabilidades comuns. Mas as pessoas não sabem mais como negociar relacionamentos, qualquer relacionamento.

Sabe, eu não sou feminista. Eu acho o feminismo tão prejudicial e ruim quanto o machismo. O lugar da mulher não é na cozinha ou no tanque, ou na cama de alguém, mas o lugar do homem também não é trabalhando e sustentando ninguém e a mulher não precisa queimar sutiãs em praça pública.

Tanto o homem quanto a mulher deveriam revisar seus posicionamentos dentro dos relacionamentos. Urgentemente.

Eu li todos os artigos do blog do Alê da série intitulada "As Mulheres Querem Tudo" e não consigo concordar com quase nada do que li lá.

As mulheres sabem que homem querem, os homens é que ainda procuram modelos de mulheres que não existem mais.

Os homens estão tão ou mais emocionalmente complicados do que as mulheres e pior: homens não choram, não extravasam, não falam sobre isso. Eles se fazem de blasé ou fingem que são descomplicados, mas não são. As mulheres geralmente tem maior maturidade emocional porque elas exercitam o lado emocional sem medo.

Homens ainda esperam por mulheres perfeitas sim, só que esse "perfeita" não é no sentido da máxima perfeição, não, e sim, "adequadas ao modelo que os homens ainda trazem na cabeça" - e isso, queridos, não existe mais.

Sim, a mulher acredita no amor. A mulher é educada para isso. A mulher tem anseios de ter filhos, em alguma altura da vida. E a sociedade ainda prega que para ter filhos, é necessário casar. Então a mulher, como tem feito há milhares de anos, sai em busca de um procriador e mantenedor, um macho que esteja disposto a ajudar a montar um ninho e criar filhotes. E os homens estão mais despreparados do que nunca para isso, porque a mulher, em todo o resto, mudou.

Sim, a mulher ainda "se contenta com o que encontra" e isso, está errado: temos que ser mais criteriosas, e não sair casando com qualquer um. Se todas as mulheres fossem mais criteriosas, os neanderthais se extinguiriam rapidamente.

Alê, menino carente sensível é um preconceito, cuidado. Homens são carentes e sensíveis sim, eles apenas se fazem de durões porque a sociedade espera isso deles. E pagam um ônus imenso por isso. São obrigados a viver uma vida inteira sem saber lidar direito com as próprias emoções e dominados por seus demônios interiores.

Ser mulher é tão mais fácil.

Como mencionou O Sorriso do Gato de Alice, os homens estão despreparados para se relacionar com mulheres que queiram apenas se relacionar com eles e mais nada. Não, querido, não quero casar. Não, querido, não quero dormir com outros caras. Não, querido, não quero morar junto. Sim, querido, eu amo você, mas eu amo a minha independência, a minha liberdade, e adoro morar no meu próprio apartamento, ter meu próprio emprego, sair com minhas amigas. Eu gosto do nosso relacionamento dessa maneira.

Eles enfartam. Ficam procurando armadilhas que não existem. Se sentem inúteis. Perdem seu papel tradicional e não conseguem inventar um novo. Daí acontece aquele famoso desenlace que eu já vi mais de uma vez: o cara rompe com aquela mulher independente e esquisita e vai atrás de alguma mulher que tenha sido educada de forma mais tradicional. Alguém que queira lavar as cuecas deles e fritar ovo para eles. Alguém que sonhe em casar e ser dependente. É tão mais confortável, e os amigos não vão fazer piadinhas e chamar a namorada deles de piranha só porque ela é forte e independente e sabe o que quer. A mãe dele não vai ficar perguntando "e aí, quando vocês casam?" ou "e aí, cadê o meu neto?"

Saídas confortáveis, saídas menos trabalhosas.

Não tenho soluções ou respostas para nenhuma dessas questões. Sei que não é tão simples assim. Mas talvez a ponta do fio que comece a desenrolar esse novelo seja: individualidade. Se você, homem ou mulher, cuidar de si mesmo em todos os sentidos, físico, mental, cultural, profissional, os relacionamentos com certeza fluirão melhor. Porque se o homem não precisa de empregada doméstica porque já tem uma, ou de mãe, porque já tem uma, ou de sócio-financeiro, porque a vida profissional está resolvida, fica mais fácil achar uma mulher que preencha os quesitos que deveria preencher: amiga, amante, companheira.

O mesmo vale para as mulheres."


Links Relacionados:

As Mulheres Querem Tudo - O artigo que deu origem a tudo
ArtErótika - Em cache
O Sorriso do Gato de Alice
Perolada
Arkhan Asilum
Copy & Paste
Kit Básico da Mulher Moderna
Elas por Elas
Paper Street Soap Company

Postada no blog entre Dezembro 05 e 28, 2003

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