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  Alex Castro
Editor do seu Guia de Blog na Internet
Alexandre Cruz Almeida Agora É Alex Castro

A partir de hoje, não existe mais Alexandre Cruz Almeida. Passo a atender pelo nome de Alex Castro.

Nomes ao Longo da Vida

Na minha vida, sempre fui chamado por nomes diferentes. Na escola brasileira, em que as turmas eram divididas pelos primeiros nomes, só na minha turma havia oito Alexandres. Portanto, eu era chamado de Moraes, o sobrenome da minha mãe, que vinha logo após o meu primeiro nome. Quem me conhece da década de 80, dos colégios da Barra, me chama de Moraes.

Na escola americana, eu me tornei Alex - ou melhor, na pronúncia inglesa, Élex.

Nunca tive apelido. Nunca nenhum pegou. Cada um me chamava de um jeito. A Bel me chamava de Lexy-Bexy. Outras amigas me chamavam de Alê, Xande, Xandinho, Xandão, you name it - literally. A Clarice, que era alemã, que chamava de Alex também, mas com pronúncia alemã, que eu até hoje simplesmente não consigo imitar. Cada pessoa importante na minha vida sempre me chamou de um jeito diferente.

Outra amiga querida me apelidou de Xandelon. Quando comecei a escrever pra Mad, acabei adotando esse nome. Quem me conheceu no cenário quadrinístico da década de 90 me conhece por Xandelon. Minha amiga pronunciava meio que à americana (Tchêndelon) mas a pronúncia mais usada acabou sendo a brasileira Chandelôn.

Meu nome de família é Castro e Silva, uma antiga linhagem de ministros e almirantes, mas um nome que sempre me trouxe problemas. No exterior, por exemplo, você vira Mr Silva e pronto, uma distorção grosseira.

Uma vez, ainda na escola americana, eu me dei ao trabalho de corrigir um professor, que morava no Brasil há anos e should've known better:

My family name is Castro e Silva. Addressing me as Mr Silva is like addressing Mr Washington as Mr Ington. But since I'm Brazilian and we don't care for formalities here, you may address me as Alex or Alexandre. E quase acrescentei: Not that it means that now we're buddies, of course.

Esse mesmo professor, talvez em represália ao meu haughty tone above, passou a me chamar de... Alejandro. Eu expliquei de novo:

My name is Alexandre. If you can't pronounce the R, I know it's hard, feel me to call me Alex - as EVERYONE does. But don't call me Alejandro. It's just NOT my name.

Ele nem ligou. Na verdade, as tensões nominativas se estenderam por anos. Como ele se chamava Mike, logo depois disso comecei a chamá-lo de Miguel, and that was that.

Em Busca de Um Nome Literário

Em 2002, ao decidir começar oficialmente minha carreira literária, percebi que precisava de um nome menos problemático. Não queria que leitores buscando por meu nome no Google, no Submarino ou em um catálogo de biblioteca, ficassem em dúvida se era Moraes com e ou i, se era Castro e Silva ou Castro Silva, ou se eu estaria catalogado em Castro e Silva ou em Silva, Castro.

O Alexandre eu iria manter, apesar de absurdamente comum na minha geração, pois gosto dele, mas precisava de um outro sobrenome.

A primeira providência era ser um nome que não tivesse variações ortográficas, um nome que qualquer falante de português soubesse como escrever só de ouvir. Moraes, por exemplo, estaria fora. É com e ou com i? Ninguém tem certeza.

Imaginem quanta gente deve ter tentado encontrar livros de Leticia Wierzchowski e não sabem nem como pronunciar esse nome, quem dirá escrever?

Uma outra preocupação seria não haver homônimos. Existem bateladas de Alexandre Moraes, Alexandre Castro e Alexandre Silva por aí.

Um nome composto diminuiria as possibilidades de um homônimo, mas criaria dificuldades de catalogação intuitiva: afinal, esse cara está em Almeida, Alexandre Cruz ou Cruz Almeida, Alexandre?

Considerei que o problema da catalogação era o de menos e comecei a buscar por um bom nome composto.

Durante muitos e muitos meses, considerei centenas de possibilidades. Para diminuir a possibilidade de homônimos e criar um efeito, tentei combinações com nomes clássicos ou bíblicos. Ficaram todas sinceramente bombásticas, grandiloqüentes e ridículas.

Nasce Alexandre Cruz Almeida

Por fim, um belo dia, num estalo, me dei conta de que o sobrenome da minha recém-adquirida esposa seria perfeito.

Sim, Cruz Almeida é o sobrenome da ex. Quando digo isso, todo mundo suspira e diz "Ahhh", como se a questão estivesse suficientemente explicada. Mas não adotei o nome dela por amor, embora parcialmente tenha sido por isso, sim, mas porque estava desesperadamente procurando por um nome há muitos meses e o dela atendia a todas as minhas especificações.

Resultado: tornei-me Alexandre Cruz Almeida.

A decisão foi polêmica. Meu pai não gostou. Onde já se viu um homem adotar o nome a esposa? Se eu estava abdicando do glorioso nome da família, então ele não iria ler nada que eu assinasse com esse pseudônimo.

Mais tarde, a namorada dele começou a ler o blog e imprimir alguns dos textos mais censura-livre pra ele ler. E deu certo: outro dia, ele veio me dizer que foi bom eu ter adotado o pseudônimo, pois o que pensaria o Almirante Castro e Silva, patrono da nossa base de submarinos, se visse o nome dele em alguns daqueles textos? E olha que ele só leu os textos mais leves.

O Fim do Cruz Almeida

Escrevendo esse texto, me dei conta do seguinte: fiquei conhecido no mundo dos quadrinhos com um nome que uma amiga me deu e fiquei conhecido na blogosfera com o nome da minha ex-esposa. Acho que está chegando a hora de ficar conhecido com meu próprio nome.

Uma velha piada. A mocinha chega pra dama da sociedade e diz: Vou me separar. Por quê?, pergunta a velha. Porque não o amo mais! Minha filha, ri a matriarca, se separar só porque você não o ama mais é tão incoerente quanto casar-se com ele só porque você o ama...

As pessoas que acham que estou largando o Cruz Almeida só porque me separei estão cometendo o mesmo erro das que acham que adotei o Cruz Almeida só porque casei.

Por um lado, sim, é isso mesmo. Sou daqueles bobões (existe outro tipo?) que casa achando que é pra sempre, que casamento é um projeto de longo prazo. O casamento acabou, faz sentido que o nome também acabe. Se o casamento tivesse durado mais, se eu já tivesse publicado meu livro, provavelmente não mudaria nada. Mas acho que estou no momento perfeito pra abandonar o Cruz Almeida como uma cobra que abandona a velha pele.

Um outro motivo menor pra a troca de nome é a existência do Alexandre Soares Silva. Não a existência, aliás, mas o fato de ele ser um excelente escritor de ficção oriundo da blogosfera. Se, quando eu bolei o Alexandre Cruz Almeida, eu soubesse que já existia um Alexandre Soares Silva, na mesma linha de atividade e mandando bem, eu jamais escolheria esse nome.

Se o homem fosse um medíocre, tudo bem. Mas eu o considero o melhor ficcionista da minha geração e um dos melhores blogueiros. E eu também não tenho opinião muito diferente de mim mesmo. Se continuarmos os dois assim, vamos ser confundidos um com o outro até depois de morrer.

Naturalmente, só isso também não é motivo, senão teria trocado o nome assim que li A Coisa Não-Deus.

A maior razão talvez seja minha iminente viagem aos Estados Unidos. Vou morar lá por no mínimo cinco anos, provavelmente mais. E, se não lá, em qualquer outro lugar. Nada me prende a um chão. Mas o meu nome sim: Cruz Almeida é excessivamente brasileiro. Pronunciar ou escrever esse nome seria um pesadelo para qualquer falante do inglês.

Aos poucos, pretendo sim começar a blogar em inglês. Quem sabe até escrever ficção em inglês. Ou, mesmo que continue escrevendo em português, gostaria de ser, quem sabe, publicado também em inglês e espanhol.

Nasce Alex Castro

Quero um nome simples e versátil. Um nome que possa ser tanto brasileiro quanto americano quanto latino-americano. Um nome fácil de lembrar, escrever e catalogar.

Alex Castro é tudo isso, e ainda é meu nome original - ou parte dele.

Para brasileiros e hispânicos, é perfeito. Mesmo para americanos, o Castro já foi tão popularizado pelo Fidel que nem precisarão perguntar como se soletra.

Sim, há homônimos. Inclusive um famoso, pintor de miniaturas, com livro publicado e tudo.

Inicialmente, eu havia decidido por nomes de três palavras exatamente para fugir dos homônimos, mas homônimos não me preocupam mais. Ainda mais nos Estados Unidos, onde todos só têm dois nomes, ter três só atrapalha - inclusive catalogação bibliográfica.

Acho melhor muitos homônimos em outros ramos do que um único quase homônimo na mesma área de atividade. Além disso, minha atividade na internet é tão intensa que tenho certeza que em breve serei o primeiro entre os Alex Castro.

O Nome Verdadeiro

Algumas pessoas ficam chocadas ao descobrir que Alexandre Cruz Almeida é um pseudônimo. Na verdade, sempre foi um segredo aberto. A todos que me perguntaram, eu confirmei. Apenas não divulguei o fato. Muitos leitores descobriram por conta própria. Afinal, as pistas não estavam de modo algum escondidas e eram todas bem explícitas.

O Cruz Almeida sempre disse que a Bel do Book of Hours era sua melhor amiga e sócia. Em seu blog, a Bel dá abertamente o link para sua empresa de consultoria, cujo sócio coincidentemente também se chama Alexandre. Mais coincidentemente ainda, a biografia desse outro Alexandre é exatamente igual à vida do Cruz Almeida contada aqui no LLL: Escola Americana, História na UFRJ, fundou o SobreSites, etc etc.

Ou seja, ninguém pode me acusar de ter mentido ou escondido qualquer coisa. Estava tudo lá. Abertamente.

De vez em quando, me perguntam: então, qual é o seu nome verdadeiro?

Alexandre Cruz Almeida, ué. E agora Alex Castro.

As pessoas têm uma relação estranha com a verdade. Como já disse em outro lugar, a verdade quase sempre é uma prisão. Em seu nome, as pessoas limitam tanto seu campo de visão que acabam abdicando de muita coisa, não vêem mais quase nada.

Quando perguntam por meu nome verdadeiro, acho que querem saber qual é meu nome original, meu nome de batismo. Ora, esse nome é completamente circunstancial. Não revela nada sobre quem sou eu, o que estou tentando fazer, qual é o significado da minha existência. Se o galã da novela mais popular da época fosse outro, eu bem poderia me chamar Oduvaldo. E daí? Seria uma pessoa diferente por causa disso?

Meu nome verdadeiro era Alexandre Cruz Almeida porque foi esse nome que escolhi para dizer as coisas mais verdadeiras que eu tinha para dizer. Meu nome de batismo não diz nada sobre mim. Meu nome adotado diz tudo. Os próprios critérios que utilizei para escolher o nome, expostos a cima, pra bem ou para mal, revelam minhas preocupações e prioridades de um modo que meu nome de batismo jamais poderia.

Fica difícil de entender porque justamente o nome dito "verdadeiro" é o que não significa nada.

Acho que as pessoas entendem a verdade de um modo bem mais superficial que eu.

(Em caso de dúvidas, leiam o Aviso & Termos de Uso)

Os Dois Blogs

Nesse meio tempo, os dois Alexandres criaram dois blogs.

Um, o LLL, floresceu e tornou-se um dos blogs mais famosos do Brasil e eu agradeço a todos que ajudaram nessa caminhada.

E o outro, apesar de tratar de um tema mais restrito, também faz bastante sucesso no seu nicho: só de assinantes no Bloglines já são 140.

Então, mais ainda, agradeço a todos os que me ajudaram a divulgar esse outro blog e, em especial, aos santos que linkaram ambos - sem nem saber que eram da mesma pessoa. Peço desculpas por ter mantido silêncio até mesmo para os meus duplos-leitores: vocês todos moram no meu coração. Com o tempo, aliás, a maioria acabou adivinhando a dupla paternidade.

Houve até gente que comprou briga com o Castro e Silva enquanto babava o ovo do Cruz Almeida. Tentei ser o mais honesto possível com essa pessoa. Achei mesmo que, de tanto ler os dois blogs, ele seria um dos primeiros a descobrir tudo. Talvez tenha até descoberto, pois em breve começou a falar mal do Cruz Almeida também. E resolveu-se o problema.

Para quem for da área e tiver interesse em usabilidade, arquitetura da informação ou design de interação, eu recomendo uma visita.

Enquanto isso, meu site também mudou de endereço - pois tinha Alexandre Cruz Almeida na URL. O velho ainda está no ar, mas daqui a pouco some. O novo site já está no ar, mas ainda bem precário. Daqui a pouco, tudo se ajeita.

Eu Sou Alex Castro

Pois bem, a partir de agora serei Alex Castro. Serei Alex Castro aqui nesse blog e nos textos que eu publicar na web, serei Alex Castro na minha coluna Internet na Tribuna da Imprensa e serei Alex Castro na minha futura produção acadêmica.

Ao chegar nos Estados Unidos, me apresentarei como Alex Castro, meu email será acastro@tulane.edu e meus alunos provavelmente me chamarão de Mr Castro.

Prazer em conhecê-lo, Alex Castro.

 

Sobre Meu Casamento:

Alexandre Cruz Almeida Agora É Alex Castro

Eu Sou Livre!

Ataques de Entendimento

Meu Casamento em Datas

Ruminações sobre Angústia, Beleza e Microfama

Postada no blog em Abril 13, 2005

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Meu Primeiro Dinheiro 
O primeiro dinheiro que ganhei na vida foram os 60 dólares de prêmio do Primeiro Concurso de Contos da Hebráica Rio, categoria infanto-juvenil, em outubro de 1988. Eu tinha 14 anos.

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O Aventureiro no Penhasco   
Às vezes eu me sinto como um daqueles aventureiros que atravessou um penhasco se equilibrando numa corda e agora fica lá do outro lado só gritando, vem gente, vem que é fácil, e se admirando de ver as pessoas tentando segui-lo e caindo. Eu não devo ser seguido. Talvez eu nem mesmo possa ser seguido. Talvez o meu caminho seja só meu.

Minha Primeira Vez   
Hoje, faz dez anos que Clarice, a malvadinha, me descabaçou. Eu, 19, virgem, ela, 17, sexualmente ativa há quatro. Estávamos saindo há cerca de três semanas. Ela me liga uma noite e diz que vai matar aula no dia seguinte pra passar a manhã comigo.

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O leitor Hugo está resenhando minhas prisões em seu blog, Alta Fidelidade. Ele seleciona os trechos mais relevantes e os responde. O Hugo está, antes de tudo, se conhecendo. Não há viagem mais importante do que essa. Ao reagir a mim, ele está descobrindo seus limites, seus preconceitos, suas opções.