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  Alex Castro
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Falando as Verdades Desagradáveis

Outra leitora fiel, a Sue, escreveu o seguinte, sobre o artigo A Diferença Entre as Mulheres que Você Come e as que Você Não Come, de 13 de abril:

"Faz tempo que eu não lia um post tão inteligente, espirituoso, e que diz um bocado de coisas que as mulheres precisam ouvir e não querem. De uma maneira tão leve.

Eu vim descendo do seu post mais recente para este, lendo tudo no caminho. Fui ficando curiosa a respeito de que post tão terrível seria este que causou tanta indignação. Quando cheguei aqui, encontrei um post para lá de sensato, que espelha exatamente o que eu penso. Comecei a rir sozinha na frente do meu computador.

Putz, mas sabe qual é o problema, Alexandre? Não são só as mulheres que ficam presas em comportamentos antigos e sexualmente determinados. Os homens ficam armados se uma mulher toma a iniciativa de ligar. Ao invés de FALAR "olha, liga menos, você está sendo invasiva", ou "desculpe,agora não dá/quero falar com você", os homens são gentis e queridos ao telefone, depois comentam com os amigos que "fulaninha não larga do meu pé". E aí?? Complicado..."


Sue, olha só, concordo e discordo. Homens e mulheres em geral estão excessivamente presos à padrões e expectativas, o que muitas vezes bloqueia totalmente o processo de comunicação – pra não falar do processo de fornicação. Não é um problema nem feminino nem masculino. Por outro lado, sem convenções e expectativas, a comunicação também ficaria impossível, por ficar muito imprevisível.

Eu sou uma das pessoas mais brutalmente honestas que você pode conhecer. Pareço uma criança de cinco anos. Minha mulher fica maluca. Mas mesmo eu tenho meus limites.

Outro dia, uma fiel leitora desse blog, cujo nome não vou citar, me enviou seu romance pra eu ler. O livro era muito ruim. E como é que eu ia dizer isso pra ela? Quando alguém te dá um romance pra ler, é quase como deixar você botar o filho recém-nascido no colo. Você não pode deixar cair. Ou pode?

Decidi que eu tinha que put my money where my mouth was. Ou, usando outro ditado americano que eu simplesmente amo e para o qual não há equivalente em português: I talked the talk, now could I walk the walk? Em português claro: se eu não fosse capaz de chegar pra ela e dizer que o romance dela era muito fraco, era melhor eu fechar esse blog, desistir de escrever e ir procurar emprego em uma carreira, digamos, mais sincera, como relações-públicas, porta-voz, vendedor de carros usados ou político. Acabou que falei tudo o que achava e ela me agradeceu. Ela se matou duas semanas depois, mas acho sinceramente que os dois acontecimentos não tiveram nada a ver um com o outro.

Brincadeiras a parte, nem mesmo eu consigo chegar pra uma mulher com quem esteja começando um relacionamento e dizer pra ela ligar menos, que ela está sendo intrusiva, ou que não quero falar com ela. E, olha, se eu não consigo falar, é porque deve ser perto de humanamente impossível de se falar.

A História de Paula

Tive um namoro de alguns meses com uma moça chamada Paula. Acabei terminando o relacionamento porque ela estava muito apaixonada por mim, enquanto que eu só gostava dela. Ela sabia disso, mas o negócio estava ficando tão intenso que achei melhor matar o relacionamento pela raiz antes que ficasse muito complicado e ela se machucasse ainda mais. Eu gostava dela, mas queria distância, nem que fosse apenas pra que ela pudesse me esquecer. Só que a menina insistia em ainda me ligar todos os dias e falar longamente sobre tudo o que acontecia na sua vida. Depois de alguns dias, eu já não agüentava mais.

Fazer o quê? Não consegui falar pra ela não ligar. Não dá pra falar essas coisas. O que eu fazia então? Ouvia. Ouvia por horas a fio. Respondia monossílabos, não demonstrava interesse algum e não contava nada da minha vida. Achei que assim, em pouco tempo, ela iria se mancar e parar de ligar. Até parece, né? Continuou ligando.

Queria marcar de me ver e eu, que naquela época trabalhava em casa e tinha o horário mais flexível do mundo, estava sempre ocupadíssimo. Ela não se mancava. Aí queria aparecer na minha casa, avisava que estava indo, e eu, que na época ficava em casa 95% do tempo, acontecia de estar sempre de saída. E ela não se mancava, meus amigos. Se a minha falta de interesse fosse uma cobra, tinha fugido dela, desesperada.

Finalmente, ela fez uma coisa que me revoltou. Paula ligou pra minha casa e deixou um recado com a empregada dizendo que estava indo. Só isso: estou indo pra aí. Liguei de volta cinco minutos depois e ela já tinha saído de casa – atenção, crianças: celulares nem sempre existiram, tanto que, na idade da pedra, quando essa história aconteceu, eles nem tinham sido inventados ainda.

Achei que aquilo era demais. Minha casa é meu castelo. Pensei: se ficar aqui, minha tarde vai pro espaço. Se for embora, a tarde dela vai pro espaço. Hmm, escolha difícil essa, ainda mais quando foi ela que cometeu a indelicadeza de ligar e simplesmente dizer que estava indo. Isso é o cúmulo.

Saí. Quando ela chegou, minha família disse que eu tinha um compromisso inadiável e que, se ela tivesse falado comigo, ao invés de apenas deixar um recado, teria poupado a viagem. O que acham que ela fez, a cara de mogno? Sentou pra almoçar com a minha família, como se ainda fosse minha namorada, e só saiu de lá à noite. Ficou a tarde toda na maior social.

Final feliz: depois disso, parou de ligar.

Postado no blog em Abril 23, 2003

 

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Mulher de Um Homem Só - Download

É possível homem e mulher serem apenas amigos? Carla, recém-casada com Murilo, precisa lidar com a incômoda proximidade de Júlia, melhor amiga de seu marido desde a infância.
 

152kb, 50 pgs (para ler no computador)

152kb, 21 pgs (para imprimir)

Antes de se comprometer, leia um trecho ou a apresentação do romance.

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