Antes, leia Elogio à Alienação
Esse blog está sugando a minha vida.
Passo o dia inteiro conectado. Quando não estou escrevendo pro blog, estou editando posts, catando imagens, subindo imagens pro servidor, buscando links pros posts, pesquisando para uma coluna, entrevistando alguém, divulgando meu blog, respondendo comentários, comentando no blog dos outros, negociando trocas de links e divulgação, pra não falar, claro, de trabalhar pros meus clientes de consultoria.
Tenho dormido três horas por noite e estou cansado. Passo, fácil, 70% (talvez mais) do meu tempo conectado. Saio pouco. Leio quase nada.
Há muito tempo, não saio flanando sem rumo pelas ruas.
Falta de Tempo
O problema não são as três horas dormidas. Acho isso ótimo. O problema é estar gastando o que talvez seja o período mais energético e fértil da minha vida em besteiras.
Então, chega. Estou reorganizando minhas prioridades.
Não, o blog não vai sofrer. Pelo menos, não o que considero a parte essencial do blog.
Escrever essas dezenas de posts não me toma tempo algum. Pelo contrário, são uma verdadeira necessidade fisiológica. Preciso botar pra fora essas minhas borbulhantes opiniões sobre tudo e todos, desde cybersquatters até o monopólio da Microsoft, de estrangeirismos na língua até os cacoetes da literatura nacional. Pra não falar, claro, dos meus fetiches e taras.
Escrever é uma terapia.
Imagens e Hiperlinks
Uma das coisas que mais me toma tempo, entretanto, é colocar imagens e hiperlinks nos posts.
Sou eminentemente não-visual. Nunca tento imaginar a aparência das pessoas que não conheço. Nunca peço foto de ninguém pela Internet. Até hoje acho o pedido meio estranho: o que a minha aparência tem a ver com quem eu sou?
Por muito tempo, durante a era da conexão discada, esse blog não teve imagem alguma. Entretanto, começando a era Velox, e eu com muito tempo livre nas mãos, comecei a brincar de incluir imagens nos textos, e fui gostando, o blog ficou até mais bonito, mas e daí?
Houve posts ótimos, bem pensados e refletidos, que demorei menos tempo pra escrever do que para catar imagem, editar imagem, subir imagem pro servidor, escrever tags pro post, testar no ar, ver que estava ruim, mudar tag de lugar, testar de novo, etc etc.
Um enorme desperdício de tempo. Menos um post que escrevi, menos três páginas que eu li, menos meia hora de descanso. E para quê? Para o blog ficar mais bonitinho?! Por favor, não faltam blogs bonitinhos por aí.
Então, chega.
Nada mais de posts cheios de imagens. Imagens agora só quando forem estritamente necessárias. Por exemplo, o post sobre o filme Amarelo Manga não precisava daquela imagem do cartaz. Não adiciona nada. No post sobre a minha última coluna, a foto do Kerry era totalmente irrelevante. Já a foto do Kos pode até ser legal, pois ninguém conhece a cara dele, mas, no fim, também não acrescenta nada à história. Exemplos de imagens relevantes: nos posts sobre arte, não seria a mesma coisa vocês lerem sobre o iceberg pintado de vermelho, sobre as caixas no metrô ou sobre as obras da Isabel sem poderem ver exatamente do que eu estava falando.
E nada mais de posts cheios de hiperlinks, como o parágrafo acima. Ele poderia ter sido escrito em 20 segundos. Foi escrito em quase dez minutos porque eu tive que buscar os links de referência para todas as coisas que mencionei e ainda fazer e posicionar os tags. Isso toma tempo. De agora em diante, hiperlinks só quando forem essenciais para a compreensão do que estou falando. As referências, vocês correm atrás. Afinal, alguém clica nessas porras?
O Lado Social de Um Blog
Mas o que realmente me toma tempo é o lado social desse blog. Em outras palavras, amigo leitor: você. Trazê-lo aqui e mantê-lo aqui.
Acredito muito em divulgação braçal. Desse jeito, levei o Projeto SobreSites a 4 milhões de pageviews mensais sem investir em publicidade. Do mesmo modo, gerei 150 mil pageviews para esse blog e outras 10 mil mensais para o site.
Ao longo de um ano, mandei email para todo mundo que me escreveu, respondi comentários, implorei links. Sempre achei que visibilidade e divulgação eram fundamentais, mas se você perde tempo demais nisso, não tem conteúdo para mostrar. Então, chega.
Esse blog chegou longe. Muita gente, com ou sem razão, considera o LLL sinceramente o melhor blog do Brasil. Estou linkado em um número gigantesco de blogs e sites. Apareço muito bem no Google. A treta continuará trazendo levas de novos punheteiros que podem ficar ou não.
Acho que o momento atual (fisicamente falando) já basta para que eu possa tirar o pé do acelerador e me concentrar em outras coisas.
Outros Projetos Literários
Estou falando, basicamente, de tocar meus dois projetos literários atuais.
Um, claro, é o Liberal Libertário Libertino, o livro. Pra quem não sabe, a razão de ser desse blog é servir de campo de testes para as prisões descritas no livro.
Ainda falta escrever prisões como ambição, obediência/respeito e religião (e quantas outras me ocorrerem) e também reescrever monogamia, segurança e medo para incluir muitas coisas que aprendi nesse meio tempo.
Mais trabalho ainda vão dar os fundamentais três últimos capítulos.
Muita gente me questionou, com bastante perspicácia, se a busca pela felicidade e pela liberdade não era, ela mesma, uma prisão. Até hoje, ainda não respondi a essa pergunta, mas ela será um desses capítulos fundamentais. Dá trabalho, por exigir um sólido embasamento filosófico sobre conceitos de felicidade e liberdade ao longo da história.
Dá pra ser realmente feliz e realmente livre? Uns dizem que a felicidade só pode existir dentro de alguns parâmetros, outros que a felicidade só pode existir dentro da mais absoluta liberdade. Será?
Por fim, o livro concluirá com estudos de caso sobre duas situações que estão forçando os limites da liberdade de expressão e felicidade nos dias de hoje. Ou seja, uma aplicação prática dos conceitos expostos.
Com a temeridade que me é característica, vou caminhar nos campos minados da pedofilia e do anti-semitismo, mais especificamente daquele editor gaúcho de publicações anti-semtias que foi recentemente condenado. E podem ficar certos de que só vou abrir a boca escorado por uma pesquisa sólida.
Além disso, meu romance sobre a influência do dinheiro na vida das pessoas está ficando cada vez mais definido na minha cabeça, apesar de eu não tocar nele desde janeiro de 2000.
Na verdade, me dói saber que a última linha de ficção que escrevi foi em setembro de 2001. A ficção, que tudo pra mim, luta pra sair, mas sempre tem algo na frente, um post, uma coluna, um email pra responder, uma divulgação pra fazer. Chega.
Alexandre e o Poeta
Muita gente me compara a Osho. Acho uma certa graça. Seus escritos são engraçadinhos, mas o homem era um picareta que tinha 45 Rolls-Royce. Enfim, tem uma de suas fábulas que eu amo.
Alexandre, o Grande, em uma expedição de conquista, vê um jovem poeta poetando sob o sol, encostado em um árvore. Viadérrimo, Alexandre fica ali, boquiaberto, apreciando o jovem, e o poeta nem aí. Por fim, Alexandre diz:
"Sou Alexandre, o Grande, o homem mais poderoso do mundo. Estou espantado por sua beleza. Peça o que quiser e lhe darei."
E o jovem poeta somente pede para ele sair da frente do sol, que está fazendo sombra. Desconcertado, Alexandre obedece e, depois, continua a falar que tudo o que queria era isso, ficar deitado ao sol, fazer poesias, não ter preocupações.
"Ué, por que não faz isso?" pergunta o poeta.
Alexandre diz que é difícil, tem uma missão, tem problemas, precisa solidificar as conquistas, precisa tomar a Índia, chegar à China, essas coisas, mas assim que conseguisse seus objetivos, iria parar tudo e poetar.
"Não vai, não." Replicou o poeta. "Quem é assim como você nunca pára. Sempre vai haver mais uma coisa, mais uma conquista, mais uma obrigação. A grande verdade é que para ser poeta e poetar ao sol não se precisa de nada, literalmente nada. Basta parar tudo e sentar no chão. Se você não consegue fazer isso hoje, não conseguirá amanhã. Quem quer ser poeta, é."
Já basta um Alexandre estressado e cheio de obrigações na história.
Resoluções de Maio
Aqui vão então as novas regras.
Nada mais de posts cheios de imagens e hiperlinks.
Nada mais de mandar emails a torto e a direito por aí. Emails, agora, só para cadastrados, para quem me manda email e para quem comenta nesse blog.
Nada mais de mendigar links, ou de ir no blog de quem comenta aqui comentar de volta, ou mesmo de responder comentários. Quando tiver algo a acrescentar, eu faço um novo post.
Nada mais de ferramentas agregadoras, como instant messaging, mirc ou orkut. Entrar no MSN ou ICQ só se eu estiver procurando por alguém especificamente. Não estou vetando conversas, só não vou ficar lá de bobeira. Quer falar comigo, manda um email, marca uma hora e a gente se encontra.
Amo todos vocês. Sou escritor da raiz dos cabelos ao último dedo do pé. Não consigo existir sem leitores e sem seu feedback. Mas preciso dar uma desacelerada.
Continuarei escrevendo e postando como um louco. Continuarei lendo com carinho e atenção todos os emails e comentários. Continuarei sempre pedindo suas opiniões, que muito me interessam.
E responderei o que puder.
Postada no blog em Abril 27 e 28, 2004
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