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  Alex Castro
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Liberdade nos Olhos dos Outros É Refresco

Teresa, uma leitora, me mandou o email abaixo:

"Bem, desde que me separei estou curtindo ser solteira. Para mim as coisas ñ são muito fáceis, pq a maioria dos homens pensam como vc, sobre fidelidade. Eles querem ficar com outras, liberdade total para eles, se a gente tem algum problema de ordem sentimental eles pulam fora e vc ainda tem q ficar vigiando os filhos da puta pra eles não fazerem merda. E quanto a nós, exatamente isso, a gente tem q ser só deles."

Depois disso, uma outra leitora, Priscila, com a qual eu nunca tinha mantido contato, me escreveu o seguinte:

"enviei por mail para meu namorado e artigo sobre a monogamia, pra ver o que ele achava... foi a maior complicação, ele queria saber quais eram minhas intenções ocultas com aquilo, achava que eu estava tramando alguma coisa, preparando campo, afim de alguém, etc.. nosso namoro quase acabou e não sei se não acabará em breve em virtude disso... mas que porra, eu sempre achei que qualquer namorado adoraria a proposta de um namoro aberto, sem tantas imposições e exigências, e fui praticamente massacrada por isso. definitivamente, não consigo entender."

Esse tipo de email me deixa balançado. Pra começar, nunca me acostumo aos efeitos que minhas palavras ou atitudes têm na vida dos outros. Sempre fui muito independente, falo sempre só sobre mim mesmo, caminho sozinho e vou onde eu quero. Me assusta, às vezes, saber que tem gente tentando me acompanhando e me perturba ainda mais saber que eles de vez em quando levam uns tombos. Esse será assunto para um outro post.

Mas acho que minhas amigas cometeram alguns equívocos em relação aos homens.

Por exemplo, Teresa disse que a maioria dos homens pensa como eu, mas então ela deve estar andando com uma turma bem diferente. Não conheço NENHUM homem que pensa como eu. Mulheres, algumas, poucas. (Na verdade, agora já conheci alguns homens e muitas mulheres, mas só por causa do efeito agregador desse blog)

Elas falam: hmm, se ele me liberasse pra transar com outros, eu liberava ele pra transar com outras. Mas os homens? Nenhum toparia um casamento como o meu.

Tanto homens quanto mulheres querem liberdade sexual. Liberdade todo mundo quer, é bom ter, mesmo que planejem não usar, mas liberdade nos olhos dos outros é refresco.

A diferença entre homens e mulheres é outra: algumas mulheres acham que dividir seus homens é um preço pequeno a se pagar pra se ter essa liberdade. Dos homens, nenhum que conheço achou esse preço palatável. A liberdade é linda, mas se for pra dar a mesma liberdade às suas mulheres, preferem eles mesmos não ter!

A história da Priscila só confirma entre triste fato. Leitoras, cuidado antes de propor putarias aos seus respectivos: homens são mais territoriais, preferem não ter liberdade a dividi-la. Considerem-se avisadas.

Ah, e Teresa errou feio ao achar que não ligo pra fidelidade. Pra mim, fidelidade é fundamental. Se minha mulher não for fiel a mim por meia vez que seja, eu vou embora e não volto mais. Só que fidelidade não tem nada a ver com sexo...

Alguns meses depois, Priscila me contou o final de sua história:

"Oi Alexandre!! Lembras da outra mensagem que te mandei, relatando que havia enviado o texto sobre a monogamia para meu namorado (agora ex) e que tudo quase desandou por isso?? Pois é, desandou mesmo. Depois de toda a cena desentendida que ele fez, ficou uma semana me ludibriando, indo pra noite e vindo pra minha casa tomar banho, comer e curar a ressaca. Até que um dia fiquei sabendo que ele estava muito animadamente conversando com uma mulher no boteco que sempre vamos, assim como todos meus amigos. E foram embora juntos e bêbados. E me enfureci. Pois o que é isso?? Pra quê a cena toda, se como se pode ver ele gostou da idéia?? Pois alguns dias depois terminamos, ele dizendo que é, veja só, e se acontecesse mesmo, não quero te magoar, não fiz nada, te amo, não me odeie, seja minha amiga pro resto da vida. E agora tá essa merda toda, porque estou com raiva por ele ser covarde e não ter assumido a falcatrua que é, não ter jogado limpo e pior, continua me ludibriando. Na realidade ele disse que precisava de um tempo pra discernir o que estava sentindo, o velho conto do vigário... E eu, que havia iniciado toda essa convulsão, o que eu queria mesmo era que a gente pudesse crescer junto, conversar sobre as coisas, mas ficar junto, acontecesse o que acontecesse. Mas não, o fofo quiz me poupar, está se sentindo culpado o pobre menino confuso. Que merda!! Quando é que essa gente vai aprender a ser gente mesmo?? Depois ele resolveu levar a tal pra sair com ele, mais minha melhor amiga, mais meu ex namorado, uma semana depois, sendo que muito provavelmente eu iria junto, pois fui convidada. Subi nas tamancas, pois achei que isso sim era falta de respeito. Estou louca?? Eu saí com outro cara e quase morri de culpa, me travei, apesar de esse novo ser tudo de bom que o outro não era, pois o que ficou, no final, foi somente um sorriso e um pau. E agora??? Enlouqueço? Quebro a cara dele?? Ou a minha de idiota por continuar acreditando que as pessoas são confiáveis e honestas consigo mesmas?"

Depois de repetir umas 15 vezes que sentia muito, fui obrigado a admitir que o ex-namorado dela, realmente, era um merda.

Por isso, Priscila, não quebre a cara dele, isso não adianta nada.

Enlouqueça, isso só faz bem.

E, mais do que tudo, pare de acreditar que as pessoas são honestas com elas mesmas! Se VOCÊ conseguir ser honesta consigo mesmo, isso já será fenomenal. Deixe o mundo pra lá.

Mas, caso continue acreditando nisso, me avise, tenho uma ponte baratinha pra vender, super em conta, bem localizada, ligando o Rio à Niterói...

E como nem tudo são trevas, o amigo Ernesto mostra que liberdade pode sim dar certo, com vontade e maturidade:

"Namoro a Larissa há 5 anos e temos uma relação bem madura. Construímos durante os anos uma certa liberdade, que ainda esbarra em inseguranças, mas que, de qualquer modo, já solidificou-se. Ela já "ficou" com outra pessoa e eu não achei absurdo nenhum; eu já beijei uma outra pessoa e ela também levou numa boa. Liberdade é algo relativo e depende das liberdades alheias... não temos como ser libertos sem que outros a nossa volta estejam igualmente livres. Claro que o papo de liberdade vai além da questão sexual e interpessoal, claro que nem todos os aspectos da liberdade são facilmente aceitos, afinal estamos numa sociedade que dita padrões e "regras", cada um engole o quinhão que lhe cabe (ou que acha lhe caber). Acho que sermos liberais e libertários depende sim de um movimento interno que contagia outros, é processo de mão dupla: de dentro pra fora e de fora pra dentro... como causa e efeito em duplo acontecimento. O homem que sonha com liberdades e sente ciúme doentio pela companheira, que censura a via de mão dupla, não está querendo liberdade, está querendo libertinagem."

Cara, bom saber de outras histórias de sucesso. O Ernesto é um escritor de mão cheia. E dá pra ver isso claramente pelas sacadas do texto. Realmente, ser livre sozinho não vale de nada. Basta ir se enfiar no meio do mato. O grande objetivo da vida é deixar nossa felicidade contagiar os outros. Sermos agentes liberalizantes...

Postado no blog em Abril 26 e Maio 24, 2003

 

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