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  Alex Castro
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Ernesto Sábato, Autor de Sobre Heróis e Tumbas

Em geral, não acredito em amor à primeira vista. Nem por mulheres, nem por livros.

Atualmente, estou lendo, e me deliciando, e me perdendo, em Sobre Héroes y Tumbas, de Ernesto Sábato (Argentina, 1961). Com certeza, ainda vou escrever mais sobre esse livro, ao mesmo tempo épico, filosófico, sensível, excitante, apocalíptico. Sem dúvida alguma, um dos grandes romances do século XX.

Agora, quero apenas contar como cheguei a ele.

Li, faz muito tempo, uma resenha sobre um livro de ensaios de Sábato, falando sobre escritores e literatura. Fiquei interessado, não me lembrava bem do nome. Estava na biblioteca da PUC, mandei baixar todos os livros do Sábato. Tinham dois: Sobre Héroes y Tumbas e El Escritor y sus Fantasmas.

Comecei a folheá-los. Rapidamente, ficou claro que era o segundo que eu procurava, que aliás já li e também adorei.

Mas Sobre Héroes y Tumbas me pegou na primeira página. Foi só ler e ficar preso. Já estudei essa primeira página cuidadosamente centenas de vezes, encantado com cada palavra, com cada mistério, com cada insinuação.

Acho que não existiria força na terra capaz de me impedir de ler um livro que começasse com uma página de abertura como essa:

"Noticia Preliminar

Las primeras investigaciones revelaron que el antiguo Mirador que servía de dormitorio a Alejandra fue cerrado con llave desde dentro por la propia Alejandra. Luego (aunque, lógicamente, no se pueda precisar el lapso transcurrido) mató a su padre de cuatro balazos con una pistola calibre 32. Finalmente, echó nafta y prendió fuego.

Esta tragedia, que sacudió a Buenos Aires por el relieve de esa vieja familia argentina, pudo parecer al comienzo la consecuencia de un repentino ataque de locura. Pero ahora un nuevo elemento de juicio ha alterado ese primitivo esquema. Un extraño "Informe sobre ciegos", que Fernando Vidal terminó de escribir la noche misma de su muerte, fue descubierto en el departamento que, con nombre supuesto, ocupaba en Villa Devoto. Es, de acuerdo con nuestras referencias, el manuscrito de un paranoico. Pero no obstante se dice que de él es posible inferir ciertas interpretaciones que echan luz sobre el crimen y hacen ceder la hipótesis del acto de locura ante una hipótesis más tenebrosa. Si esa inferencia es correcta, también se explicaría por qué Alejandra no se suicidó con una de las dos balas que restaban en la pistola, optando por quemarse viva.

[Fragmento de una crónica policial publicada el 28 de junio de 1955 por La Razón de Buenos Aires.]


Um Pequeno Mistério

No meu exemplar, a frase "terminó de escribir la noche misma de su muerte" é "terminó de escribir afiebradamente la noche misma de su muerte".

Estudei tanto essa página que cheguei até a arrumar uma tradução brasileira só pra ver como era. E, nela, faltava justamente esse "afiebradamente" (febrilmente) que também falta nessa versão on-line que arranjei.

Pra onde foi esse adjetivo? De onde veio?

Sobre Héroes y Tumbas foi recentemente publicado em uma dessas coleções de livros de banca em capa dura. Se ficaram interessados pela amostra, procurem, encontrem, leiam e se deliciem.

Ernesto Sábato: A Minuciosidade do Relojoeiro Louco

Sobre Héroes y Tumbas, de Ernesto SábatoEstou mergulhado na leitura da obra de Ernesto Sábato, que já ocupa, merecidamente, lugar de destaque na minha lista de autores preferidos.

Em Abaddón El Exterminador, ele define assim o ofício de escritor:

"Sentía la ridiculez de su minuciosidad como la de un relojero loco que trabajara con meticulosa paciencia en un reloj que finalmente marcará las tres y doce minutos al mediodía."

Li sua obra-prima, Sobre Héroes y Tumbas, em abril e maio desse ano. Cheguei ao livro por pura coincidência. E foi uma leitura avassaladora: me senti mareado, sobrepujado, maravilhado, confuso. Sobretudo, confuso. Também já escrevi sobre esse lado obscuro da obra de Sábato.

Tanto me apaixonei que comprei sua obra completa ficcional. Não é muita coisa. Um romance curtinho, El Tunel, e outro mais longo, Abaddón El Exterminador, nenhum disponível em português.

Fazendo uma péssima, mas conveniente comparação, El Tunel é The Hobbit. Primeira obra simpática, sem falhas mas sem brilho, excelente introdução, não empolga mas já deixa entrever o toque de gênio. Sobre Héroes y Tumbas é obra-prima indispensável, como o próprio The Lord of the Rings. E Abbaddón El Exterminador é The Silmarillion, excelente, mas cheios de piadas internas, só mesmo para quem adorou as obras-primas e quer mais, mais, MAIS.

A obra de Sábato é das poucas nas quais sinto vontade de mergulhar. Não consigo me impulsionar a fazer um mestrado em Literatura pois não consigo imaginar nenhuma obra (exceto a Bíblia) que mereça tamanha dedicação. Agora tenho a de Sábato. Escritor e Seus Fantasmas, de Ernesto Sábato

El Tunel (1948)

El Tunel, seu primeiro romance, é a história do pintor Castel, um homem lógico e racional que, tomando decisões lógicas e racionais, acaba cometendo um terrível crime. Aparentemente (tudo com Sábato é aparentemente), o objetivo do autor, que acabara de abandonar uma carreira na lógica física para embarcar em uma aventura literária, era justamente denunciar os limites do raciocínio lógico, desse progresso tecnológico do ocidente.

Sobre Héroes y Tumbas

Menos de três meses depois de lê-lo pela primeira vez, estou relendo Sobre Héroes y Tumbas (1961). Raramente releio livros - um dos poucos livros que reli foi, justamente, The Lord of the Rings - ainda menos assim tão pouco tempo depois de lê-los, mas Abaddón El Exterminador abriu novas perspectivas retroativas que quero explorar. Sobre Héroes y Tumbas, de Ernesto Sábato

Sobre Héroes y Tumbas é daqueles romances enormes, majestosos, enciclopédicos. Ele atiça a curiosidade do leitor com uma tragédia de tablóide, começa como uma simples história de amor, entra cada vez mais na questão da identidade nacional latino-americana e, antes que você perceba, já está mergulhado em discussões sobre a natureza do mal e em uma sensacional conspiração secreta que ameaça o mundo.

Depois de ler Abaddón, confesso que entendi Sobre Héroes y Tumbas todo errado. Por isso, estou relendo.

Romance do Não-Dito

Sobre Héroes y Tumbas, assim como o meu Mulher de Um Homem Só, é um romance elíptico, um romance do não-dito. O tema do romance, na verdade, está sempre escondido, sempre um passo sombras adentro. Diz o autor: "Tuvo la intención de hacer una novela en que el personaje central brillase por su ausencia."

A literatura é um jogo para iniciados e Sábato me atraiu direitinho para sua arena. Meu Mulher de Um Homem Só, se você desce abaixo da epiderme, pode ser considerado um livro difícil, mas acho que dá pra todos os meus joguinhos e armadilhas serem compreendidos em uma primeira leitura cuidadosa. Está tudo lá: fui elíptico, mas joguei limpo. Sábato, sei não. As coisas que estou percebendo agora, na releitura de Sobre Héroes y Tumbas, eu jamais teria percebido em uma primeira leitura. Aquele Rapaz, de Jean-Claude Bernadet

Outro romance do não-dito é o maravilhoso Aquele Rapaz, de Jean-Claude Bernadet, sobre o qual também escrevi. Aquele Rapaz, assim como Mulher de Um Homem Só, é curtíssimo. A coragem que requer escrever um romance elíptico de 600 páginas é espantosa. Não foi à toa que Sábato demorou treze anos para finalizá-lo.

Abaddón El Exterminador

Escritor e Seus Fantasmas, de Ernesto SábatoTinha tudo para eu não gostar. Por princípio, repudio livros narrados por escritores. É um recurso fácil demais. Parece uma daquelas infinitas seqüências de espelhos: escritores escrevendo sobre escritores escrevendo sobre escritores.

Pois Abaddón El Exterminador é estrelado pelo próprio Ernesto Sábato, autor de dois livros, e constantemente assediado por perguntas idiotas sobre Sobre Héroes y Tumbas.

"Me preguntam seriamente si de verdad Alejandra se quemó o se dejó quemar viva em ese Mirador, y me miran como a um mentiroso cuando les aclaro que esa muchacha ni siquiera existió, sino sólo en mi imaginación. Y, cuando tengo paciencia o el interlocutor me despierta simpatia por la buena fe con que hizo la pregunta, le respondo: "Si un escritor no es capaz de crear un personaje que parezca haber existido de verdad, es mejor que se dedique a otro oficio, habiendo tantos trabajos honestos y menos dolorosos, como el de carpintero o mecánico."

Na contracapa, alguém do Le Figaro descreve Abaddón El Exterminador como "vasta novela onírica, visionária e profética", ou seja, também não conseguiram descrever. Sobre Héroes y Tumbas, de Ernesto Sábato

Abaddón mistura torturas da época da chumbo argentina com misticismo apocalíptico, depoimentos pretensamente biográficos de Sábato com cenas da vida de Che Guevara.

Em um dado momento, no melhor estilo kafkiano, Sábato se transforma em um morcego, mas ninguém vê, ninguém percebe sua monstruosa transformação e ele "decidió tratar de vivir de cualquier manera, guardando su secreto, aun en condiciones tan horrenas. Porque el deseo de vivir es así: incondicional e insaciable."

Nas primeiras páginas, eu fiquei perdido de tanto nome estranho e referência esotérica, mas depois você pega no tranco. Ter lido os outros dois romances é fundamental. Tê-los lido logo antes ajuda muito. Em suas andanças por Buenos Aires, Sábato ainda acaba esbarrando em muitos personagens dos romances anteriores. Surreal.

Três do Sábato

"Ser original es en cierto modo estar poniendo de manifiesto la mediocridad de los demás."

"Hay una manera de contribuir a la protección de la humanidad, y es no resignarse."

"El mundo nada puede contra un hombre que canta en la miseria."

Trechos Selecionados

Homens e Engrenagens , de Ernesto SábatoO escritor entra em seu escritório:

"Decenas de personajes esperaban en aquellos recintos como esos réptiles que duermen catatónicamente durante las estaciones frías, con una impercptible y sigilosa vida latente, prontos para atacar con su veneno en cuanto el calor los devuelve a la existencia plena."

Sobre a arte:

"Cuando la literatura se vuelve peligrosamente literaria, cuando los gran creadores san suplantados por manipuladores de vocablos, cuando la gran magia se convierte en magia de music-hall, sobreviene un impulso vital que la salva de la muerte. Cada vez que Bizancio amenaza terminar con el arte por exceso de sofisticación, son los bárbaros los que vienen en su ayuda: los de la periferia, como Hemingway y Faulkner, o los autóctonos, como Céline, monstruos que entran a caballo, con sus lanzas ensangrentadas, en los salones donde marqueses empolvados bailan el minué. (...)

Cada día menos suporto la frivolidad en el arte, y sobre todo cuando se lo mezcla con la Revolución. (Observá, de paso, que las palabras suelen empezar en mayúscula, la triste experiencia las rebaja a la minúscula, para terminar finalmente entre comillas.) (...) Heterodoxia, de Ernesto Sábato

Como esos otros que a cada once años (deben de ser las manchas solares) vuelven a descubrir las minúsculas y se creen unos genios bestiales porque publican un cuento sin mayúsculas ni signos de pontuación. (...) Cada semana surge uno de esos hemofílicos, que inevitablemente viene a desmistificar el lenguaje, y que en serio cree hacerlo con páginas en blanco que ya intuyó Sterne en el siglo XVIII y juegos gráficos ya gastados por Apollinaire.

Una vez se hicieron 27 sonetos sobre la (hipotetica) muerte de un loro. Una actividad que es al gran arte como los fuegos de artificiales al incendio de un orfanato. Musique de table, nada que perturbara la digestión. La gravedad era ridicularizada, el ingenio suplantava al genio, que siempre es de mal gusto. (...)

Los grandes desventurados del arte, como Van Gogh, sufrieron el castigo de la soledad por su rebeldía mientras eso seudorrebeldes son mimados por las revistas especializadas, viven faustosamente a costa del pobre burgués que insultam y fomentados por esa sociedad del consumo que pretenden combatir y de la terminan siendo sus decoradores. (...)

Sobre Héroes y Tumbas, de Ernesto SábatoEl dilema no es entre literatura social y literatura individual. El dilema está entre lo grave y lo frívolo. Cuando mueren niños inocentes bajo las bombas en el Vietnam, (...) comprendo que se clame contra cierto tipo de literatura... Pero contra cuál? (...) Debe tenerse cuidado de no repudiar a los grandes y desgarrados creadores que son el más terrible testimonio del hombre. Porque también ellos luchan por la dignidad y la salvación. (...) Son los grandes testigos de su tiempo. (...) Hombres que un poco sueñam el sueño colectivo, espresando no sólo sus ansiedades personales sino las de la humanidad entera. (...)

Un crítico alemán me preguntó por qué los latinoamericanos teníamos grandes novelistas pero no grandes filósofos. Porque somos bárbaros, le respondi, porque nos salvamos, por suerte, de la gran escisión racionalista. Como se salvaron los rusos, los escandinavos, los españoles, los periféricos. Si quiere nuestra Weltanschauung, le dije, búsquela en nuestras novelas, no en nuestro pensamiento puro."

Saramago e a Crença Implacável de Sábato na Razão

Ainda não consegui ler nenhum livro de José Saramago. Comecei, achei chato, parei. Isso não faz dele um mau escritor. Mas José Saramago se diz comunista. Isso, com certeza, faz dele uma besta quadrada. Essa semana, ele confirmou essa impressão.

Em um congresso sobre a língua espanhola, em Buenos Aires, ele elogiou a implacável crença de Ernesto Sabato na razão. Do Clarín:

"Sabato, de 93 años, fue recibido por un auditorio que lo aplaudió de pie y que desbordó las instalaciones del Teatro El Círculo. Ante tanta ovación, el escritor no pudo contener las lágrimas, se puso de pie y agradeció con gesto emocionado.

El escritor José Saramago, designado para recordar la trayectoria de su colega argentino, dijo haberse topado por primera vez con "El Túnel" en "las postrimerías de los años 50, en un desaparecido café de Lisboa, donde me reunía con amigos para hablar de libros en voz alta, y de política en voz baja".

El autor portugués llamó a Sabato "mi hermano mayor", y resaltó su "implacable creencia en la razón. Entre el temor y el temblor en que nuestras vidas discurren, la tuya no podía ser una excepción. Alguien, que siendo tan humano, se niega a absolver su propia historia. Alguien que, asimismo, no se perdonará nunca su condición de hombre", señaló."


Passei uns quatro meses de 2004 exclusivamente lendo e relendo a obra de Sábato. Não sou nenhum expert, mas sei o suficiente para afirmar: Sábato, doutor em física, abandonou a ciência e se dedicou à literatura justamente por sua implacável descrença no poder da razão humana.

Naturalmente, alguém capaz de olhar em volta e achar que o comunismo é uma boa idéia para resolver os problemas da humanidade também é alguém incapaz de ler um texto direito.

Não precisam confiar na minha palavra, não. Leiam um trecho de Antes del Fin, testamento literário de Ernesto Sábato:

"Toda consideración abstracta, aunque se refiera a problemas humanos, no sirve para consolar a ningún hombre, para mitigar ninguna de las tristezas y angustias que puede sufrir un ser concreto de carne y hueso, un pobre ser con ojos que miran ansiosamente (¿hacia qué o habia quién?), una criatura que sólo sobrevive por la esperanza. Porque felizmente el hombre no está sólo hecho de desesperación sino de fe y de esperanza: no sólo de muerte sino también de anhelo de vida; tampoco únicamente de soledad sino de momentos de comunión y de amor.

Porque si prevaleciese la desesperación, todos nos dejaríamos morir o nos mataríamos, y eso no es de ninguna manera lo que sucede. Lo que demuestra la
poca importancia de la razón, ya que no es razonable mantener esperanzas en este mundo en que vivimos. Nuestra razón, nuestra inteligencia, constantemente nos está probando que ese mundo es atroz, motivo por el cual la razón es aniquiladora y conduce al escepticismo, al cinismo y, finalmente, a la aniquilación.

Pero, por suerte, el hombre no es casi nunca un ser razonable, y por eso la esperanza renace una y otra vez en medio de las calamidades. Y este mismo renacer de algo tan descabellado, tan sutil y entrañablemente descabellado, tan desprovisto de todo fundamento es la prueba de que el hombre no es un ser racional.

Y así, apenas los terremotos arrasan una vasta región del Japón o de Chile, apenas una gigantesca inuncación liquida a centenares de miles de niños en la región de Yang Tze, apenas una guerra cruel y, para la insmensa mayoría de sus víctimas sin sentido, como la Guerra dde los Treinta Años, ha mutilado y torturado, asesinado y violado, incenciado y arrasado a mujeres, niños y pueblos, y a los sobrevivientes, los que sin embargo asistieron, espantados e impotentes, a esas calamidades, de la naturaleza o de los hombres, esos mismos seres que en aquellos momentos de desesperación pensaron que nunca más querrían vivir y que jamás reconstruirían sus vidas ni podrían reconstruirlas aunque quisieran, esos mismos hombres y mujeres (sobre todo mujeres, porque la mujer es la vida misma y la tierra madre, la que jamás pierde un último resto de esperanza), esos precarios seres humanos ya empiezan de nuevo, como
hormiguitas tontas pero heroicas, a levantar su pequeño mundo de todos los días: ese mundo pequeño, es cierto, pero por eso mismo más conmovedor.

De modo que
no eran las ideas las que salvaban al mundo
, no era el intelecto ni la razón, isno todo lo contrario: aquellas insensatas esperanzas de los hombres, su furia persistente para sobrevivir, su anhelo de respirar mientras sea posible, su pequeño, testarudo y grotesco heroísmo de todos los días frente al infortunio.

Y si la angustia es la experiencia de la Nada, algo así como la prueba ontológica de la Nada ¿no sería la esperanza la prueba de un Sentido Oculto de la Existencia, algo por lo cual vale la pena luchar? Y siendo la esperanza más poderosa que la angustia (ya que siempre triunfa sobre ella, porque si no todos nos suicidariamos) ¿no será que ese Sentido Oculto es más verdadero, por decirlo así, que la famosa Nada?"


Agora, me digam: esse homem tem uma crença implacável na razão? Quem é maluco, Saramago ou eu?

Homenaje a Ernesto Sábato

Postada no blog em Maio e Setembro de 2004
 

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Roberto Freire 
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A Inutilidade da Arte 
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Tradução: A Pureza do Original 
Fico preocupado de ouvir um tradutor dizer que a pureza do original não existe ou que não deveria ser importante. Tremo de imaginar o que tradutores imbuídos dessa filosofia não devem modificar, interferir ou "melhorar" os livros que traduzem.

O Velho Libertário e o Jovem Discípulo      
Peço perdão por não ser mais o homem que escreveu esses livros. Mas nem mesmo naquela época eu era assim o tempo todo. O importante é que eu era assim no momento em que escrevi aquelas palavras. O importante é que você seja assim no momento de lê-las. O resto é ficção.

O Dever do Escritor 
Quem faz arte pra provar uma teoria filosófica, defender um governo ou mesmo socorrer uma pobre classe social oprimida não está fazendo boa arte. Está sendo, talvez, uma boa pessoa, um bom cidadão, um bom político, um bom filósofo. Mas um artista sofrível.

O Dever do Colunista 
Quando mataram a Liana e o Felipe, boa parte dos colunistas da grande imprensa não teve pudor algum em somente repetir o blá-blá-blá do senso comum. Cadê o profissionalismo dessa gente?

O Golpe de Mersault 
Camus distorce tanto nossa percepção que esquecemos que Mersault cometeu, de fato, o crime pelo qual está sendo acusado! O homem é culpadíssimo!

Heróis e Vilões 
Qualquer bom autor sabe fazer seu leitor ir aonde ele bem quiser, como um treinador balançando o osso na frente do cachorro. A good author can get away with anything.

Duas Leis das Artes Dramáticas 
Quem mais seria o vilão da história? Um estava morto, a outra era a mocinha e a outra era uma negona que tinha entrado no meio da trama. Só sobrava realmente ele.

A Escola Urbana 
Uma nova escola literária vem tomando conta da literatura brasileira há mais de 30 anos. Por falta de nome melhor, eu a chamo Escola Urbana.

Pacto da Mediocridade 
Que pacto de mediocridade é esse? Se nem os nossos formados em Letras-Inglês lêem Shakespeare no original, pra que servem? Não é esse seu trabalho?

Um Épico Injustiçado: O Senhor dos Anéis   
Os doutores da Academia, que suspiram por grandes épicos da humanidade como "La Mort d'Artur" e "Bewoulf", torcem os narizes para "O senhor dos anéis". É pena. Iriam adorar. O livro foi escrito para eles e por um deles.

Literatura Imaginativa   
os autores brasileiros parecem ter sido convencidos, em algum momento, que imaginação e boa literatura não combinam. O ideal de todos parece ser reescrever Um Coração Simples, do Flaubert, o romance, por excelência, onde nada acontece.

Romance do Não-Dito: Aquele Rapaz, de Jean-Claude Bernadet    
Aquele Rapaz é curto pois tudo foi cortado. Aquele Rapaz é riquíssimo, mas nada está lá impresso. Aquele Rapaz, na verdade, é somente um guia de leitura para um outro romance, maior e muito mais grosso, que simplesmente não existe.

Saber Ler Literatura   
Saber ler literatura é saber que abordar qualquer obra de arte jamais será uma atitude passiva. A verdadeira obra de arte exige compromisso, exige ação, exige feedback. Arte não se aprecia. Se apreciou, ou não é arte ou você entendeu errado. Verdadeira arte não se aprecia pois apreciar é uma atitude passiva e a verdadeira arte cobra interação.

A Grande Conversa   
Os clássicos não são só livros consagrados: eles são as vozes da Grande Conversa. Não estão mortos: eles falam, eles gritam, eles choram, uns com os outros, o tempo todo. Heráclito teoriza, Aquino racionaliza, Cervantes ri, Descartes sugere uma outra opção, Kant contextualiza e Marx destrói.

Lady Averbuck   
Ela parece merecer o apelido de Lady Averbuck. Tudo indica que é uma pessoa insuportável, mal humorada, ranzinza, arrogante e totalmente louca. O que importa é que ela é uma puta escritora.

Paulo Coelho na ABL   
Paulo Coelho pode ser um péssimo escritor, mas é um escritor. E isso, convenhamos, já é mais do que podemos falar sobre muitos dos membros da Academia, como Getúlio Vargas e Roberto Marinho.

Autores Libertários  
Muita gente tem me pedido sugestões de leitura. Autores bons há muitos. Mas como, em geral, quem me pede isso gostou desse blog, vou dar aqui uma lista dos meus pares, ou seja, autores que seguem, em larga medida, a linha filosófica desse brog: Whitman, Miller, Freire, Kerouac, Thoreau, Emerson, Sartre, La Mettrie.

Mais Livros do Mal  
Sentei em uma daquelas poltronas maravilhosas (tinha 3 horas de hora pra fazer!) e li vários contos de cada livro. Estava torcendo, sinceramente, pra algum deles ser ruim e eu não ter que levar. Afinal, não é?, autor novo, todos jovens, nunca se sabe. Não foi o caso.

Literatura Contemporânea e Livros do Mal

Ultimamente, só venho lendo clássicos. Estou há mais de um mês no Dom Quixote, por exemplo. Sinto muita falta de literatura contemporânea, mas infelizmente isso custa dinheiro. Clássicos eu pego na biblioteca, eu baixo pela Internet e até mesmo compro edições baratíssimas em tudo quanto é sebo. Já, por exemplo, o novo livro do Bernardo Carvalho só comprando e pelo preço integral: não tem jeito.

 

LIBERAL LIBERTÁRIO LIBERTINO

Rebeldia, contemplação e muita sacanagem. Um blog pra falar de liberdade e literatura.