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  Alex Castro
Editor do seu Guia de Blog na Internet
Pacto da Mediocridade: Ler Shakespeare no Original 

Um dos meus artigos mais polêmicos foi Os Dilemas da Tradução, no qual eu defendo que devemos, sempre que for mais ou menos possível, ler as obras no original. Tudo bem, ler Dom Quixote no original é difícil, você vai perder algumas coisas, mas o simples êxtase de estar sozinho no quarto com Cervantes, só você e ele, sem intermediários, vale e muito a pena os pequenos mal-entendidos. Leiam o resto do artigo que vocês vão gostar.

Enfim, outro dia, numa lista de discussão de literatura, uma moça fez uma excelente pergunta: ela queria ler Shakespeare e perguntou se era muito difícil ler no original, se precisava de alguma leitura prévia. Ou seja, uma moça inteligente e metódica que gosta de fazer as coisas direito.

O que eu recomendei, vocês já imaginam. Falei pra ela tentar em inglês e, se não desse, somente se não desse, passasse para o português.

Mas teve gente propondo que ela lesse em português mesmo: uma das participantes, formada em Letras-Inglês, disse que ela tivera que ler Shakespeare no original pra faculdade e que achava que era quase impossível.

Quase impossível.

Quer dizer, meus amigos, eu devo realmente ser uma anomalia genético-cultural. Agora entendo porque chamam o Alexandre Soares Silva ou o Polzonoff de pedantes por simplesmente comentar suas leituras.

Que pacto de mediocridade é esse?

Se nem os nossos formados em Letras-Inglês lêem Shakespeare no original, pra que servem? Não é esse seu trabalho?

Ninguém tem obrigação de ler nada no original, embora seja sempre a melhor opção. Mas se nem as pessoas formadas em Literatura, com especialização em uma dada língua, estão lendo no original (ou acham que é melhor ler no original) as obras escritas naquela língua, então é melhor mesmo cortar esse desperdício todo pela raiz.

Eu sempre achei meio herético e escandaloso esse negócio de "desconstruir Hamlet" e academicidades do gênero. Meu deus, porque alguém quereria desconstruir Hamlet - ou qualquer outra obra literária? Que instinto perverso é esse que faz uma pessoa que vê uma obra linda e bem construída ter ganas de desconstruí-la linha por linha?

De vez em quando, ainda sai algo de bom das faculdades de literatura, mas fico pensando: não seria mais útil para a sociedade botar esse povo todo pra construir prédio, carregar caixote ou servir mesa?

Postada no blog em Dezembro 20, 2003

 

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   Os Dilemas da Tradução

   Em Defesa da Língua Portuguesa       

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   Romance do Não-Dito: Aquele Rapaz, de Jean-Claude Bernadet



 

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