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  Alex Castro
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Vitória: Conto Erótico - Pedolatria, Podolatria, BDSM, Dominação

Ele se perdeu por uma correntinha de sapato. Não foi só por isso, mas foi assim que começou. Ela passou andando, com sapatos maravilhosos, altos, poderosos. Quatro correntinhas de metal os prendiam em dois tornozelos perfeitos. Ela andava pela rua, saboreava os olhares que a acompanhavam, prendia cada homem e mulher pelo pescoço com aquelas mesmas correntinhas.

Mas ele foi mais além: ele a seguiu. Ela percebeu seu interesse e gostou. Andou mais um pouco pela cidade, saboreando seu novo cachorrinho. Saracoteava de cá pra lá, como quem mexe um osso diante de um cão, para divertir-se vendo-o também indo de cá pra lá, de lá pra cá. Enfeitiçado. Sem vontade própria.

Finalmente, decidiu dar uma chance para que ele mesmo buscasse a própria perdição. Assim era mais glorioso pra ela, sua vitória era mais completa. Sentou-se em um banco de praça e começou a massagear seus tornozelos. Ele parou à distância e não ousou se aproximar. Mais uma vez, ela saboreou o poder que exercia sobre ele. Lentamente, soltou as correntes que prendiam seu sapato esquerdo. Soltou as correntes sabendo que, ao fazer isso, prendia ainda mais as correntes que o ligavam a ela, as correntes que pendiam de seu pescoço. Era quase como dar o nó na forca.

Com o sapato solto em seus pés, ela cruzou as pernas e começou a balançar o pé, deixando o sapato sensualmente escorregar por ele. Dali a pouco, o sapato estava pendurado por seu dedão, em um tomara que caia, quase caindo, mas sem cair, e ela mexia o pé gostosamente, e o sapato ia de um lado a outro, em um movimento pendular hipnótico. O homem não conseguia tirar os olhos do pêndulo.

Por fim, entregou-se. Abandonou-se. Como um homem que se dirige ao cadafalso, como uma mariposa que se joga contra a chama, ele se aproximou dela. Atravessou a rua e não olhou pros lados, completamente fascinado, absolutamente derrotado. Em seu transe, quase foi atropelado por um ônibus.

Ela experimentou um instante de êxtase. Ainda queria brincar com ele, como uma gata brinca com o rato que já está em suas garras. Teria sido um desperdício e uma pena ele morrer ali, debaixo de um ônibus. Por outro lado, ela pensou, sentindo um calor dentro de si, que delicioso não teria sido vê-lo perder a vida assim por ela, vítima do torpor hipnótico que ela causara, uma baixa de sua beleza e sensualidade. Que glória imorredoura aquilo não teria sido. Na verdade, pouca diferença faria. Seu destino estava mesmo selado. Era questão de tempo. O fim da história era sempre o mesmo. Sua vitória era sempre absoluta.

Ele aproximou-se dela sem palavras. Ela somente abaixou os olhos para seus pés. Ele descalçou suavemente o sapato já quase descalçado e enterrou seus lábios entre seus dedos. Ela se sentia uma verdadeira deusa, poderosa, dispondo da vida e da morte, do prazer e da frustração.

Mandou que ela a calçasse novamente. E no clique das correntinhas se fechando, sentiu que era o destino daquele homem que também se decidia, que eram as portas da sua vida que se fechavam, que o clique era dela virando as chaves em sua fechadura e trancando-o para sempre dentro de si.

Tem certeza que deseja vir comigo?, ela perguntou. Adorava fazer essa pergunta. Considerava especialmente perverso e delicioso lhes dar a opção, sabendo que eles estavam totalmente impotentes para dizer não, que os tinha totalmente sob seu poder.

Uma deusa como eu não exige menos do que tudo. Quero dedicação completa. Exijo não só seu presente, mas seu futuro, que tomarei para mim, que deixará de existir, que não mais acontecerá. Minha vitória será completa. A glória será só minha.

Ele abaixou a cabeça, aceitou os termos, selou seu destino.

Feliz, excitada, poderosa, ela se levantou e ele a seguiu até seu castelo.

Tire a roupa e ajoelhe aqui, ela mandou. Ele obedeceu. Ela caminhou até seu trono, distante muitos metros, e disse: primeiro, terá que provar seu valor. Masturbe-se para mim. Masturbe-se em minha honra. Masturbe-se em minha homenagem. Quero te ver violado, desvirginado. Por mim. Agora.

Ele se masturba. Do seu trono, ela observa aquilo com gozo crescente. Cruza e descruza as pernas, massageia sua vagina, se sente molhada, se inundando de gozo, se inundando no gozo que vê nos olhos do homem.

Ele goza e ela sussurra: de novo. E de novo. E de novo.

O homem está cansado, exausto, mas apaixonado, fascinado. Nunca pensou que sua masturbação pudesse realmente fazê-lo se sentir desvirginado e violado, mas é assim que se sente. Derrotado. Manipulado. E excitado. Quando pensa que não conseguirá mais gozar, que seu pênis não subirá mais, que nem mais uma gota será derramada, ela ordena, em sua voz linda, doce, perversa: de novo. Mais uma. Quero mais uma homenagem. Prove o seu valor.

E o pênis castigado e cansado encontra novo alento, e sobe de novo, e goza de novo, ao ver aquela mulher poderosa e malvada a sua frente, sentada em seu trono, se deliciando com seu tormento. O gozo dela é o seu prazer. Sabê-la excitada é o que o excita. Apesar de estar com seu pênis duro na mão, ele se sente mais e mais emasculado. Como se realmente não existisse senão para o prazer dela. Como se não fosse mais ele, como se não fosse mais homem, como se fosse apenas uma extensão do corpo daquela mulher. Um consolo de carne e osso.

Finalmente, extasiada de tanto prazer, mas ainda querendo mais, sempre insaciável, ela caminha até ele: agora é a hora em que vai se provar digno. Será que ainda tem potência para mim?

Ele está nos limites do seu corpo, mas a simples proximidade dela lhe dá novo alento.

Vou te dar uma nova escolha. Ainda há tempo de salvar sua vida. Vá embora agora. Levante-se, vista-se e suma. E carregue pra sempre a lembrança dessa noite, e da deusa que poderia ter sido sua. Ou então entregue-se. Aceite seu destino, abdique de sua vida, se perca na glória de me dar prazer. Morra no gozo.

Ela se delicia com a confusão em seus olhos. Ela sabe que ele a deseja acima de tudo, mas também sabe que o instinto de auto-preservação é forte. Sabe que parte dele deseja fugir dali e viver. Mas é uma luta perdida.

A mulher dá de costas e caminha até sua cama de lençóis de seda. Atrás de si, escuta o homem precariamente se levantando e seguindo-a, seus passos descalços ecoando surdamente no chão de mármore do palácio. Mais uma vez, como não poderia deixar de ser, ela vencera.

O homem puxou energias de onde nem sabia que tinha. Lembrou-se que doentes terminais muitas vezes experimentam uma súbita e inesperada melhora logo antes do fim, como se seus corpos dessem tudo de si, reunissem suas últimas energias, por saber que já não precisarão dela amanhã. O homem sabia que não haveria amanhã para ele. Não havia porque guardar energias que não usaria. Usou tudo. Queimou tudo no altar daquela paixão insana.

Transaram por horas. Quanto mais ele a penetrava, mais se sentia penetrado. Quanto mais a possuía, mais se sentia possuído. Sentia que estava tudo ao avesso. Que a cada novo gozo da mulher, sua vida se esvaía, não para frente, mas para trás. Nas mãos dela, ele torna-se mais jovem, mais inexperiente a cada minuto. Ele percebe que seu destino será mais cruel do que apenas morrer. Ele não iria morrer. Ele iria regredir até a não-existência. Sumiria. Voltaria ao nada de onde viera. A cada novo gozo, ela se fortalecia e ele se enfraquecia. Ela olhava fundo em seus olhos e sorvia sua vida a golfadas, a lufadas, com prazer.

Dentro em pouco, a transferência tinha se completado. Ela estava no auge de seu poder, uma deusa do sexo, poderosa, absoluta, gloriosa, radiante. E ele já não era mais nada, seu corpo entrou em colapso de tanto esforço, tanto amor, tanta dedicação, tanto sexo.

Fortalecida por tantos orgasmos, por tantos gozos, por tantas delícias, ela se levantou da cama para admirar o fim daquele homem que tanto se dedicara por ela, que dera a vida por seu prazer. Ele tentou levantar um braço em sua direção, mas não conseguiu. Já não tinha forças. Seus membros já não mais o obedeciam. Apenas a seguia com os olhos, olhos carentes, desesperados, apaixonados. Ela dava voltas em torno da cama, admirando extasiada a extensão da sua vitória sobre aquele homem, saboreando o prazer inaudito de tê-lo feito voluntariamente abdicar da vida por ela, se deliciando em sua dor, em seu desespero, em sua impotência.

Lentamente, ele voltou ao barro primordial. Dele, de tanto amor e devoção, não sobrou nada, só uma laminha na cama. Ela pegou aquela lama nas mãos, aquele barro ainda quente, e enfiou os dedos gostosamente nele, apreciando o barulho úmido que fazia, passou aquele barro por todo o corpo, um verdadeiro tratamento de beleza, se deliciando ainda pelas últimas energias vitais daquele homem que tanto a amava.

Por fim, com o resto do barro, moldou um pequeno homenzinho e o colocou em sua estante, junto com vários outros homenzinhos que estavam lá. Seus troféus. Provas do seu poder.

Sua vitória finalmente estava completa. Sua glória era total. Do homem, só restou um bonequinho de barro, um troféu para lembrá-la de mais uma noite deliciosa.

* * *

Para Cooper.

Postada no blog em Agosto, 2005

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