Antes, leia Falando as Verdades Desagradáveis
Em outro texto, falei sobre a verdade e em como ela pode nos aprisionar. Depois disso, muita gente me escreveu malhando a verdade, contando histórias de mentiras lavadas e deslavadas, mentiras, na maior parte das vezes, pra agradar os outros.
Não nego que, como contador de histórias, eu tenha aquele perverso prazer de sentar em volta do fogo e entreter a tribo com minhas histórias, tentando agradá-los e tentando entendê-los, encurtando as partes chatas e estendendo as longas, e a cada nova platéia, a história é diferente. Uma delícia.
Mas essa compulsão por ser aceito acaba fazendo com que a maioria de nós aja de forma meio esquizofrênica. Como escrevi em outro texto, é até normal querermos ser amados o tempo todo, por todo mundo, mas essa simplesmente não é uma expectativa realista e acabamos quebrando a cara.
Como Você Emagreceu!
Sou gordo. Cada vez que me encontro com alguém que não me vê faz tempo, a pessoa invariavelmente fala: meu deus, como você emagreceu, hein?!
Eu, como tenho tanto balança quanto espelho em casa, inclusive comprei os dois juntos, na promoção "Cai na Real", sei que isso não é verdade. Mas lá está o comentário, estatelado no ar. O que fazer com ele?
Elaborei uma complexa teoria pra explicar esse fenômeno. Isso foi na época em que eu ainda pensava demais e tentava racionalizar tudo. Tudo bem, tenho muito chão pela frente nesse ponto, mas já melhorei muito.
Enfim, a pessoa pensava em mim como gordo, me via como gordo, me rotulava de gordo. Como todo rótulo, esse também tende a sobrepujar o indivíduo, ainda mais na ausência do mesmo. Quer dizer, enquanto eu estou fisicamente presente, minha complexa e multifacetada personalidade se sobrepõe ao rótulo "gordo", pois, afinal, o que a pessoa vê em mim vai muito além disso. Não por vantagem minha, claro, mas porque até uma figura de papelão é mais complexa do que seu rótulo.
No momento em que me afasto, entretanto, o rótulo começa a me ofuscar. Cada vez que a pessoa pensa em mim, ela lembra menos do eu-complexo que um dia conheceu e mais do rótulo simplificador "gordo".
Em outras palavras, quanto menos ela me vê, mais eu engordo. Aí, então, um belo dia, a gente se encontra na rua, ela olha pra mim, eu que vinha inchando na cabeça dela cada vez que se lembrava de mim, e ela, sinceramente, jura que emagreci, e muito.
Sabe, eu gostava muito dessa minha teoria. Ela me ajudava a entender uma situação corriqueira que, até então, me era misteriosa. Se isso não é a função de qualquer boa teoria, não sei mais o que é. Naturalmente, também, como qualquer boa teoria, ela explica muito mais sobre a cabeça de quem a elaborou do que sobre o fenômeno de fato observado.
Até que um amigo me jogou um balde de água fria na cabeça.
"Já te ocorreu que essas pessoas podem simplesmente estar mentindo?"
Comecei a rir histericamente. Claro que não. Eu teria que ser outra pessoa para que essa hipótese tivesse me passado pela cabeça. Nunca passou, nem nunca teria passado, se não tivesse sido tão bruscamente me esfregada nas fuças.
Realmente, como dizia outro velho amigo meu, Guilherme, a explicação mais simples tende a ser a verdadeira e nenhuma outra hipótese poderia ser mais simples do que essa: as pessoas mentem, ponto.
Você vem andando pela rua, elas te vêem lá de longe e já pensam: olha só, lá vem o Alexandre, puxa vida, como ele está gordo, o homem inchou, dobrou, balonou, que pecado, como alguém deixa o próprio corpo se deformar desse jeito?!, que desperdício e... Alexandre, meu deus, há quanto tempo!, mas como você emagreceu, hein?, está ótimo!, quantos quilos foram?, 10?, 15?, rapaz, você está elegantérrimo!
É tanta coisa que não entendo nessa cena que é difícil até saber por onde começar.
Mas a primeira grande dúvida é a seguinte: por que se dar ao trabalho de falar isso, assim, voluntariamente? Ao me dizer que estou magro logo de cara, como se isso fosse um grande elogio, o que fica implícito do raciocínio dele é o seguinte: você é gordo, você está gordo, e isso é uma coisa muito ruim; logo, você deve estar tentando mudar isso, ou seja, emagrecer, ou, no mínimo, deve estar muito infeliz com sua condição de gordo. Portanto, o maior elogio que posso lhe fazer, o melhor modo de agradá-lo, de quebrar o gelo, para o que quer que seja, é dizer que você emagreceu.
De qualquer modo, fica óbvio que a pessoa considera meu excesso de peso como algo negativo e que presume que eu também acho isso.
É como se eu encontrasse um amigo negro na rua e dissesse: Fernando, caramba!, você está ótimo, rapaz!, Pode dizer, você embranqueceu, não embranqueceu?, cara, você está pelo menos uns três tons menos preto que da última vez que te vi, talvez quatro, muito legal, continue assim que até o verão você vai estar que nem o Michael Jackson.
O mais engraçado dessa história é que, se confrontássemos essa pessoa com seu óbvio racismo a flor da pele, ela negaria tudo até o último suspiro e diria que não, que pra ele branco, azul, preto é tudo a mesma coisa, que ninguém é melhor que ninguém mas, caramba, que o Fernando embranqueceu a olhos vistos, isso ele embranqueceu, você não reparou, não?
Não pensem que estou defendendo minha condição de gordo não. Ser gordo é uma merda e não tem nenhum lado bom. Você fica flácido, feio e perde anos de vida. O exemplo do Fernando foi pra mostrar que o comentário "você emagreceu" é, na verdade, uma crítica não-tão-velada assim que a maioria das pessoas nem percebe que está fazendo.
Mas isso tudo é detalhe: o que realmente me espanta, o que não entendo, o que não vou entender nunca é: por que as pessoas se dão ao trabalho de mentir?
Meu velho amigo Guilherme diria, afiando sua lâmina, que eles querem alguma coisa de mim e, por isso, fazem questão de me agradar. Não é verdade. Muitas são pessoas que não tem nada a ganhar me agradando, ou agradando à mulher de penteado horroroso que elas dizem que está ótimo. Não tem nada a tirar de mim, nenhum interesse oculto. E, mesmo assim, vêm em peso me dizer que emagreci horrores.
É doença: uma doença cultural e social. É aquela ânsia de agradar a todo custo, de ser aceito, de não destoar, de se misturar, de falar o esperado.
Meu pai um dia enfiou um dedo na minha cara e disse, com ares de grande novidade: sabe qual é o seu problema, Alexandre? Se você vir todo mundo indo por esse lado, você vai imediatamente por aquele! E eu respondi: sim..., e isso é um problema por quê...?
Depois do banho de água fria, comecei a observar os humanos e, verdadeiro etnólogo de minha própria cultura, fui descobrir - espera, você, que é uma pessoa normal, provavelmente já está cansado de saber dessa minha descoberta, mas, por outro lado, se é normal, o que está fazendo lendo esse brog insano?, prefiro presumir que é anormal como eu e compartilhar com você meu estranhamento sobre as coisas normais da vida - enfim, descobri que, para a maioria das pessoas, esse processo é 100% automático. Me senti o próprio antropólogo alemão, no Alto Xingu, flagrando pela primeira vez o ritual pataxó da falsidade social.
É muito simples e muito prático, algo realmente indispensável à vida moderna, assim como a lycra e o fax: pra cada pessoa de nossas relações, já há uma frase pré-escolhida que, ao primeiro contato visual com a dita pessoa, é liberada automaticamente pela boca, sem necessitar de desvios demorados pelo cérebro.
Deixa eu demonstrar. Vem o gordo: você emagreceu, hein? Vem a criança: como você cresceu, Joãozinho! Vem o sem-braço: caramba, Zé, é impressão minha ou seu braço está crescendo de novo?!
Por quê?! Por quê?!
Meu pai é que tem razão: eu entendo tão pouco o mundo que, às vezes, acho inacreditável que eu consiga funcionar em sociedade, ter um emprego, falar com os humanos, dirigir, essas coisas.
A Mecha Vermelha
Outro dia, a recepcionista da escola onde trabalho apareceu com uma terrível mecha vermelha em seus belos cabelos negros. Eu, exercendo minha prerrogativa de ter quatro anos de idade sempre que me der na telha, fiz questão de dizer que não tinha gostado. Depois, as outras mulheres me encurralaram na sala dos professores e vieram me bombardear, que eu era um monstro insensível e egocêntrico, como é que eu dizia um absurdo daqueles para a pobre moça? Calhorda!
Egocêntricas são elas. Egocêntrico é alguém que se acha tão importante que considera que um comentário inócuo desses pode ter qualquer tipo de impacto na vida de outra pessoa. Eu não: sei exatamente o valor da minha opinião: zero. Não estou comendo ela nem nada, aquela mecha com certeza não é pra mim. Então, que catzu de diferença pode fazer minha opinião?
E me perguntam: mas você não se importa com o impacto desse seu comentário leviano? Com o que isso pode fazer pra cabeça dela? Que ela pode ficar deprimida pelo resto do dia? Cachorro!
Realmente? Sinceramente? Não. Eu teria que me achar grandes-merda pra seriamente considerar que meu reles comentário poderia ter algum impacto. De que vale minha opinião? Nada. Se a opinião casual de um colega de trabalho com o qual ela não tem nenhuma intimidade é o suficiente para deixá-la deprimida, para acabar com seu dia, bem, sinceramente, o problema não é comigo: ela deveria considerar fazer uma análise e tentar resolver essas suas questões de rejeição e baixa auto-estima.
Não sei como saí vivo daquela sala. As seis mulheres me cercaram: que eu não entendia nada de mulher, que muitas vezes as mulheres se vestem, se penteiam, se maquiam para ser elogiadas sim, para levantar seu astral sim, pra melhorar sua auto-estima sim e que, muitas vezes, basta um comentário babaca chauvinista desses para derrubá-las! Canalha!
E eu repeti que era caso pra análise. Que ela aprenda a dar a comentários alheios a importância que merecem: nenhuma.
Uma amiga minha, moça brilhante que me contradiz em quase tudo e com quem adoro conversar, tem a seguinte teoria: que, na verdade, você vê uma pessoa chegando com um penteado horrendo e já comenta, voluntariamente, que o penteado está lindo porque, realmente, não consegue parar de pensar nisso. O penteado horrendo é o elefante na sala. Ele está lá, enorme, não há como ignorá-lo. O silêncio sobre isso seria simplesmente insuportável. Você precisa falar alguma coisa, qualquer coisa, pra quebrar o clima desconfortável criado pelo elefante. E, como não podemos falar a verdade, mentimos.
Eu ser contra a verdade não quer dizer que eu seja um mentiroso, nem eu ser contra essas mentirinhas do dia-a-dia quer dizer que eu fale sempre a verdade. São dois da mesma moeda, moeda desvalorizada e podre: não entendo as mentiras pra agradar e também não entendo uma busca intolerante pela verdade.
O problema, claro, sempre, sou eu. Quebrando grilhões, uma das prisões mais insidiosas das quais me libertei foi a opinião dos outros. Essa talvez seja, aliás, a pior das prisões. Quem vive de acordo com a opinião dos outros não tem liberdade alguma. A opinião dos outros é implacável, as tias clotildes não perdoam o menor deslize.
Essa foi uma das grandes batalhas do meu casamento e só agora minha mulher está se soltando mais um pouquinho. Ela é do interior, cidade bem pequena, todo mundo espionava todo mundo, as tias maricotas vigilantes e implacáveis. Tudo o que ela fazia ou deixava de fazer era balizado pela seguinte questão: o que os vizinhos vão pensar? Sério, acho que nunca, não consigo me imaginar modificando em um pentelhésimo que seja meu comportamento por causa do que os vizinhos iriam pensar. Sinceramente, quero que os vizinhos se fodam. O problema da tia gorete é falta de um bom caralho, isso sim.
Boca de menino de quatro anos, isso eu sempre tive. Agora, então, mais ainda. Sempre caguei pra opinião dos outros sobre mim e, burro, me pego achando que os outros também vão (devem?) cagar pra minha opinião sobre eles. Pra falar a verdade, não pára de me surpreender que alguém ainda dê um crédito que seja pra minha opinião, dado que eu sou claramente louco e totalmente deslocado na nossa sociedade.
Minha opinião não vale nada mesmo. Dou minha opinião pelo mesmo motivo pelo qual me masturbo: tenho uma vontade súbita de fazer e faço, porque me dá um prazer momentâneo. Mas minha opinião vale tanto quanto minha porra derramada no chão: nada. Foi gostosinho na hora que saiu, mas depois não serve pra nada.
Realmente, a moça era bonita e, se o meu comentário fizesse ela voltar atrás, teria sido minha boa ação do dia, mas nem nisso pensei. Sinceramente, não ligo a mínima se ela fica bonita ou feia.
Falei por falar mesmo.
Mas o mundo, claro, e ainda bem, não é todo como eu, as pessoas têm reações diferentes à coisas diferentes. Nunca isso é mais evidente do que no respeito sobrenatural que as pessoas têm pela opinião da tia heliodora.
Ainda assim, pelamordedeus, alguém que deixe seu universo ruir porque eu não gostei do seu cabelo, sério, essa moça tem problemas bem maiores do que um colega de trabalho boca grande.
Pior é quando jogo no outro time. Com esse negócio de blog, cada vez mais pessoas têm lido o meu romance, Mulher de Um Homem Só. Quase todas, e isso é desesperador, nem se dão ao trabalho de comentar. Já foram 1.200 downloads e menos de 50 emails recebidos com opiniões e comentários. Alguns leitores amam, outros, claramente odeiam.
Tudo bem, sei o que vão dizer. Eu não consegui nem mesmo dizer pra uma mocinha apaixonada pra ela parar de me ligar, como posso cobrar dos meus leitores que digam pra um jovem e ansioso autor que seu livro é uma bosta?
E eu, do alto dos meu três anos incompletos, continuo inflexível.
E aí, o que achou? Bem... Hã... Bom, muito bom, realmente lindo, um documento muito bem digitado, praticamente sem erros de ortografia, e eu também adorei essa fonte, sem serifa, facilita a leitura, dá pra ver o capricho nos detalhes, você está de parabéns, Alexandre.
Mas e o conteúdo?
Ah, sim, excelente também, claro, esse tipo de coisa nem precisa dizer, imagina, adorei os personagens, a Júlia é assim, bem artista, né?, enquanto que o Murilo, bem, esse Murilo, olha, não tenho palavras.
Vocês acham que estou brincando, mas já ouvi mais ou menos isso.
Quem acompanha esse blog sabe que não tenho medo de críticas. Ninguém é obrigado a ler, gostar ou muito menos emitir opinião sobre meu livro, mas é muito frustrante estar com alguém que claramente não gostou e se recusa a admitir.
Dá vontade de dizer: olha só, pode desembuchar, rapaz. Não precisa ter medo de me deprimir, ou achar que vou largar a arte e a literatura e me dedicar às ciências atuárias só porque você não gostou do meu romance.
Dá vontade de bater no ombro dele e falar: olha só, sua opinião não é tão importante assim pra mim,você pode dá-la sem medo das conseqüências nefandas. Eu ainda vou gostar de você do mesmo jeito, contanto que você pare de fazer cu doce e abra o bico. Já faz tempo que aprendi a separar as duas coisas: se sei gostar até de quem não gosta de mim, imagina de quem só não gosta dos meus livros. O Alexandre é uma coisa, o trabalho do Alexandre é outra.
Aí, me lembro da Paula e em como eu simplesmente não consegui dizer: olha só, acho que a gente deve parar de se falar por um tempo, eu ainda gosto muito de você, mas pelamordedeus me deixa em paz!
E penso também na leitora desse blog que me deu seu romance, seu filho querido, pra eu ler e em quanto foi difícil, muito difícil dizer para aquela moça delicada e sensível que seu romance era muito fraco.
E tento buscar em mim mais compaixão e compreensão pelas pessoas que não tem a fibra moral de dizer a mesma coisa pra mim: olha só, seu romance é uma merda e, quer saber mais?, você não convence ninguém como mulher! (Pra quem não leu, meu romance é narrado em primeira pessoa, por uma mulher.)
Se sou tão irritantemente sincero, tão egocêntrico, é porque quero que as pessoas se sintam livres pra devolver a gentileza, sem maldade ou dolo, mas com sinceridade. Podem me falar o que quiserem, podem me falar o que acham que não quero ouvir. Quero que pensem: esse monstro que teve coragem de virar às costas para a pobrezinha da Joana, que saiu de casa correndo quando soube que a Paula estava chegando, que vive um casamento pecaminoso aos olhos de deus e da santa igreja, agora também vai ter que ouvir como sua merda de romance é mal escrito! E tem mais: libertário é a puta que o pariu!
Espero que tenha ficado claro que o grande problema, eu acho, está não em quem fala, mas em quem escuta. Acho até compreensível e carinhoso evitarmos fazer comentários que sabemos irão magoar os outros. As pessoas é que tem que parar de se ofender com mixarias.
Disseram minhas colegas, me cercando: você tem que entender, caramba!, que a gente tem o maior trabalho e gasta a maior grana pra fazer um penteado legal, e é óbvio que vamos ficar chateadas se um porco chauvinista disser que está horrível. Bruto!
Não. Desculpa, mas não. É aquela velha e falsa premissa de que todos vão nos amar o tempo todo. Sugiro uma outra premissa, mais realista e que vai causar menos decepções: nossa espécie é muito rica, muito diversificada: tem gente até que gosta de transar com cadáver.
Sempre vão haver trocentas pessoas pra achar seu cabelo lindo, trocentas pra cagar solenemente e outras trocentas pra achar que ficou pior do que o novo cabelo do Supla. A vida é assim.
As pessoas podem não estar falando, mas estão pensando. Grande parte da chateação de ouvir que seu cabelo ficou ruim vem da surpresa de ouvir isso, mas você não deveria realmente ficar surpresa. Não há cabelo lindo o suficiente que vá agradar todo mundo. Ou você pensava o quê, que seu cabelo iria ser a primeira unanimidade mundial em uma espécie que até hoje ainda não conseguiu concordar em mais nada?
A Sandra Maria, de Portugal (post de 24 de abril), sabe que todo escritor sempre manipula o leitor. Mas ficou injuriada comigo quando eu mencionei esse fato, e reconheceu isso depois. Por que as pessoas ficam chateadas ou magoadas quando alguém fala o que todo mundo sabe, ou o que todo mundo está pensando? Nunca entendi isso.
Não era para ficarem mais chateadas com o que os outros pensam? Quer dizer, eu gostaria muito de andar na rua e as pessoas NÃO pensarem: olha, lá vai o gordo. Mas dado que, 1) sou gordo mesmo e, 2) elas estão mesmo pensando isso, daí a falarem não é nenhum problema, nenhuma ofensa. É praticamente irrelevante.
Se ofender com o que as pessoas dizem é atacar o sintoma, não a doença. É viver em um mundo de ilusão. Ou eu pensava o quê, que iria ostentar meus 350 quilos pela rua (quando o guindaste consegue me levantar da cama, claro), e as mulheres iriam me perseguir, desesperadas pra dar pra mim?
Meu conselho para a mulher do penteado medonho é o seguinte: falem ou não, muita gente vai odiar seu cabelo. Ponto. Engula essa pílula, assimile esse fato e bola pra frente. Foda-se a opinião do mundo: quem tem que estar bem com seu cabelo é você. O caminho da sua liberdade passa longe da opinião dos outros, inclusive da minha.
Pra terminar, voltamos mais uma vez para a sala dos professores. Eu admiti, é verdade, que não era necessário eu oferecer voluntariamente minha opinião desse jeito: se não gostei do cabelo da recepcionista e ninguém me perguntou nada, por que não ficar calado, pra variar? Era o que eu deveria ter feito. Até aí tudo bem.
Então, uma das professoras colocou a luz na minha cara e interrogou: mas mesmo que ela pergunte, Alexandre, custa dizer que adorou, que está lindo, que é o penteado mais sexy que você já viu? Custa?
Aí, eu paro, penso, reflito e coço a cabeça:
Custa.
Postada no blog em Abril 30, 2003
As
Outras Prisões
Introdução às Prisões
Repercussão: |
Carol
as pessoas mentem pelo simples fato de tentar agradar. vc ja lembrou que as pessoas querem ser amadas por todos o tempo todo...é isso! voce mente, na intenção de agradar, pra ser amado. assim a outra pessoa tambem mente pra voce, pra voce gostar dela, e ela tb ser amada; e assim vivem esse faz de conta, onde a mentira prevalece na intençao de agradar. é um circulo vicioso... lendo os comentarios me senti um ET, eu ja cheguei pra uma tia gorda e disse PUXA, VC EMAGRECEU!!. nao que eu quisesse engana-la, mas como eu sei que a intenção dela é emagrecer e a muito tempo ela esta tentando diversos regimes, acho agradavel que ela escute de alguem que esta conseguindo algum resultado. ela se sente bem, provavelmente faz algum comentario mentiroso só pra me agradar, e vivemos felizes! me senti tao hipocrita agora... |
Flávia
Só tem uma coisa, Alexandre: se você estivesse comendo ela, talvez a mecha, ainda assim, não fosse pra você. |
Ecris
Você fala da "verdade", mas é claro que o cabelo dela está horrível para você, na sua opinião, na sua verdade... e se você acha que ela não deveria levar a sério a sua opinião, que a sua opinião não vale nada, então pra que dar? Se você tem a consciência de que isso é uma "amarra", saiba que a maioria das pessoas as tem, se não é uma pessoa muito chegada, ou íntima, acho melhor não fazer comentário algum, já que não quer mentir... Volorizo muito as pessoas como você, adoraria ter pessoas assim no meu convívio, dou o maior ponto para as pessoas sinceras, verdadeiras, que falam o que estão pensando, eu também falo o que penso... Concordo com você: chega de mentiras!!! mas muitas vezes observo o momento certo para fazer certos comentários a certas pessoas, pois as pessoas podem ficar realmente pra baixo, até deprimidas, porque não é só você que é claramente louco, pessoas como essa mulher das mechas também são, de um jeito diferente... todos somos... Pelo menos que nossas loucuras não tragam sofrimentos desnecessários nos outros... Não é uma questão de aceitação, e sim de bom senso... Há.. tem outro ponto que gostaria de ressaltar, a maioria das pessoas tem dificuldades diante de mudanças, pois bem, diante de uma coisa repentina, no primeiro impacto, a reação comum é de rejeição: "que cabelo horrível", com o tempo, muitas vezes acontece de percerbermos que ficou até melhor do que antes, que talvéz apenas não faça o nosso estilo. Então, não falar o que está pensando (a verdade pessoal) não é uma questão de querer ser aceito, é também e principalmente de tentar aceitar os outros como são (até mesmo por não conseguir ouvir críticas!). |
Júlia
Muito engraçado! Acho que a sua teoria tem tudo a ver. Eu, que nunca te vi pessoalmente, não te imaginava gordo, pelo contrário, magro até demais. Não sei pq... Sabe, como vc nunca me viu, preciso dizer: sou magra. E sempre achei que devia ser divertido ser gorda. Mas, tem o lance da estética, que é uma prisão, certo? Só que atualmente eu sei lidar bem com isso. Quando eu era mais nova era maior sufoco, ainda mais que eu já trabalhei como modelo. Pouco tento, claro. Não tenho saco pra caretice!Gosto de andar com a minha saia indiana e os cabelos ao vento. |
Elaine
Acho que a imagem de magro que você passou, também para mim, advém do fato de estarmos todos acostumados com o sucesso afetivo de alguém dentro dos padrões estéticos reinantes. Até achei que estivesse mentindo para testar as moças... O certo é que os gordinhos que estão acompanhando nossas conversas, se existem tais pessoas, vão se sentir mais confiantes para cantar uma garota ou para assumirem-se. |
Grace
Quem precisa de análise é vc, porque vc acha que sua opinião não vale nada. Sua auto-estima deve ser mais baixa que a da moça com mecha vermelha...
|
Carol
as pessoas mentem pelo simples fato de tentar agradar. vc ja lembrou que as pessoas querem ser amadas por todos o tempo todo...é isso! voce mente, na intenção de agradar, pra ser amado. assim a outra pessoa tambem mente pra voce, pra voce gostar dela, e ela tb ser amada; e assim vivem esse faz de conta, onde a mentira prevalece na intençao de agradar. é um circulo vicioso... lendo os comentarios me senti um ET, eu ja cheguei pra uma tia gorda e disse PUXA, VC EMAGRECEU!!. nao que eu quisesse engana-la, mas como eu sei que a intenção dela é emagrecer e a muito tempo ela esta tentando diversos regimes, acho agradavel que ela escute de alguem que esta conseguindo algum resultado. ela se sente bem, provavelmente faz algum comentario mentiroso só pra me agradar, e vivemos felizes! me senti tao hipocrita agora... |
Flávia
Só tem uma coisa, Alexandre: se você estivesse comendo ela, talvez a mecha, ainda assim, não fosse pra você. |
Ecris
Você fala da "verdade", mas é claro que o cabelo dela está horrível para você, na sua opinião, na sua verdade... e se você acha que ela não deveria levar a sério a sua opinião, que a sua opinião não vale nada, então pra que dar? Se você tem a consciência de que isso é uma "amarra", saiba que a maioria das pessoas as tem, se não é uma pessoa muito chegada, ou íntima, acho melhor não fazer comentário algum, já que não quer mentir... Volorizo muito as pessoas como você, adoraria ter pessoas assim no meu convívio, dou o maior ponto para as pessoas sinceras, verdadeiras, que falam o que estão pensando, eu também falo o que penso... Concordo com você: chega de mentiras!!! mas muitas vezes observo o momento certo para fazer certos comentários a certas pessoas, pois as pessoas podem ficar realmente pra baixo, até deprimidas, porque não é só você que é claramente louco, pessoas como essa mulher das mechas também são, de um jeito diferente... todos somos... Pelo menos que nossas loucuras não tragam sofrimentos desnecessários nos outros... Não é uma questão de aceitação, e sim de bom senso... Há.. tem outro ponto que gostaria de ressaltar, a maioria das pessoas tem dificuldades diante de mudanças, pois bem, diante de uma coisa repentina, no primeiro impacto, a reação comum é de rejeição: "que cabelo horrível", com o tempo, muitas vezes acontece de percerbermos que ficou até melhor do que antes, que talvéz apenas não faça o nosso estilo. Então, não falar o que está pensando (a verdade pessoal) não é uma questão de querer ser aceito, é também e principalmente de tentar aceitar os outros como são (até mesmo por não conseguir ouvir críticas!). |
Júlia
Muito engraçado! Acho que a sua teoria tem tudo a ver. Eu, que nunca te vi pessoalmente, não te imaginava gordo, pelo contrário, magro até demais. Não sei pq... Sabe, como vc nunca me viu, preciso dizer: sou magra. E sempre achei que devia ser divertido ser gorda. Mas, tem o lance da estética, que é uma prisão, certo? Só que atualmente eu sei lidar bem com isso. Quando eu era mais nova era maior sufoco, ainda mais que eu já trabalhei como modelo. Pouco tento, claro. Não tenho saco pra caretice!Gosto de andar com a minha saia indiana e os cabelos ao vento. |
Elaine
Acho que a imagem de magro que você passou, também para mim, advém do fato de estarmos todos acostumados com o sucesso afetivo de alguém dentro dos padrões estéticos reinantes. Até achei que estivesse mentindo para testar as moças... O certo é que os gordinhos que estão acompanhando nossas conversas, se existem tais pessoas, vão se sentir mais confiantes para cantar uma garota ou para assumirem-se. |
Grace
Quem precisa de análise é vc, porque vc acha que sua opinião não vale nada. Sua auto-estima deve ser mais baixa que a da moça com mecha vermelha...
Dê sua opinião também! |
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