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  Alex Castro
Editor do seu Guia de Blog na Internet
As Prisões: Vergonha

Vergonha de Pedir

Duas perguntas que me fazem com freqüência:

  • Como você consegue que seus leitores te mandem tantos livros?
  • Como você consegue que as mulheres te mandem fotos dos pés / deixem você tirar essas fotos delas / etc?
Acho que essas pessoas esperam algum tipo de pedra filosofal das respostas. Mas o segredo é simples:

Eu peço.

Vergonha do Ridículo e do Patético

Eu sou muito pidão. Aprendi, faz tempo, que no Brasil vale o ditado: "Aos amigos, tudo; aos inimigos, a lei." Naturalmente, a lei está sempre contra você. Kafka, se fosse brasileiro, teria escrito livros muito mais surreais.

Estudei na UFRJ. A burocracia nunca funcionou. Nunca houve um semestre sem algum tipo de problema burocrático sério - e que nunca seria sanado dentro do sistema. Você tinha que chorar, ficar amigo das moças da secretaria, contar uma história triste. Era preciso não ter vergonha. Era preciso ser visto como um amigo - como alguém por quem o outro faria uma forcinha.

Eu sempre consegui coisas que ninguém acreditava. Uma das frases que mais escuto, estupefata e com pequenas variações, é: "Como que você conseguiu que fizessem isso por você?" Minha resposta: "Simples. Eu não tive vergonha de ir lá e pedir."

As pessoas à minha volta morrem de vergonha de tudo. Talvez seja vergonha do ridículo e do patético que é pedir. Talvez seja medo de levar um não.

Sim, de certo modo, pedir é ridículo e patético, sim. Mas não me importo de ser ridículo e patético pra conseguir o que eu quero. Sou um moço pragmático. Aliás, muitas vezes, as pessoas atendem seus pedidos justamente por causa do ridículo ao que você se expôs para pedir, seja por pena ou mesmo como m tipo de recompensa pelo incômodo. O que importa é o resultado.

E nada mais realmente patético do que se privar de uma boa chance de conseguir o que você quer por medo de levar um não. Medo de levar um não talvez seja uma das maiores prisões da humanidade.

A raiz do problema talvez seja uma percepção errônea das probabilidades. O cara vai fazer um pedido que ele acha que tem poucas chances de ser acatado e pensa: vou me expor ao ridículo de pedir e, pior, quase certamente vou me expor ao ridículo de levar um não.

Nesse ponto, se enganam. O ridículo de pedir, de certo modo, é inevitável mas, a partir do momento que você pede, as chances do pedido ser acatado são enormes.

As pessoas são boas. Se puderem, via de regra, vão tentar ajudar os outros. Basta pedir.

Vergonha do Fetiche

Os fetichistas de armário são uns complexados. Vêm me procurar como se eu fosse psicóloga sentimental.

Tenho o maior tesão por pés, mas ninguém sabe, tenho vergonha. Morro de vontade de beijar os pés da minha namorada, mas tenho vergonha de ela achar que sou pervertido. Blá blá. E depois perguntam: como você consegue tirar fotos assim dos pés das mulheres, como consegue convencê-las a massagear e beijar seus pés?

Ué, simples: não sendo um verme medroso e envergonhado como vocês.

Não consigo ter vergonha de quem eu sou. Eu sou assim. O mundo que se adapte. Tanta gente por aí morre de tesão pelo buraco por onde se caga, outros milhões só pensam nas tetas por onde se mama, por que cargas d'água eu deveria ter vergonha de sentir tesão pelos pés que pisam? Ora, só me faltava essa agora.

E não pensem que gosto só de pés. Um dia, eu estava na casa de uma moça com quem vinha saindo e me ofereci para lhe fazer uma massagem nos pés. E ela disse: melhor não, massagens nos pés levam a outras coisas.

Ela conhecia bem o meu truque. Nunca mais nos vimos.

Um Fenômeno Economicamente Impossível

A nova perplexidade dos meus leitores é a minha lista de presentes. Alguns amigos off-line com quem comento a idéia simplesmente duvidam que eu tenha cara-de-pau de fazer isso. Outros, duvidam que alguém me mande livros.

Um doutorando em economia me disse que, economicamente falando, isso não fazia sentido. Eu respondi que, economicamente falando, já estava acontecendo. Cabia a ele, quando muito, me dar uma explicação econômica, nunca negar o fenômeno. Senão, daqui a pouco, eu levo o esqueleto de um macaco que respira embaixo d'água pra um biólogo e ele, ao invés de tentar entender o fenômeno, vai retrucar que macaco não respira embaixo d'água e vai jogar fora o espécime.

Em 2004, meus leitores me enviaram 26 livros, que já estão separados em uma estante especial aqui em casa, livros que significam muito mesmo pra mim e dos quais não me separarei.

Qual é o segredo? Nenhum. Não tem mágica.

Eu não tive vergonha de pedir.

(e tenho os leitores mais maravilhosos do mundo, claro!)

Ninguém Parece Ter Vergonha de Criticar os Outros

Muitos leitores, que não têm vergonha de se manifestar nos comentários, acham que sou ridículo e patético, que sou muito direto e pidão.

E daí? Dá quem quer. Não estou forçando nada a ninguém. Nem mesmo moralmente. Os Termos de Uso do meu romance pedem enfaticamente que o leitor só me presenteie se não for lhe fazer falta - se não tem dinheiro para comprar livros, é meu prazer deixá-lo ler gratuitamente o meu romance.

Na verdade, fico tão estressado de saber que minha atitude não foi aprovada por esses estranhos que acho que vou ler um dos 26 livros que ganhei de presente pra relaxar.

A Lista de Henry Miller

Na verdade, quem inventou isso de lista de presentes foi Henry Miller, outro autor pobre e sem vergonha.

Mesmo quando já era conhecido e lido no mundo inteiro, ele continuava miserável, pois seus livros estavam proibidos e eram vendidos em edições clandestinas que não lhe rendiam nada. Um pouco como eu e os 15 mil downloads dos meus dois livros. Em Paris, ele filava almoço e jantar na casa de todos os conhecidos e, em troca, se comportava como "escritor" para entreter as visitas.

(Nota: se o cardápio for bom e o cachê simpático, eu também me presto a esse papel. Faço figuração em lançamentos de livros, vernissages e festas de debutantes, garanto um papo intelectualóide básico e prometo me comportar diante dos convidados.)

Mais importante, em uma época em que livros eram muito mais difíceis de achar, Henry Miller anexava aos seus livros e à sua correspondência as obras que estava buscando. Assim, amigos e leitores podiam enviar esses livros a ele e retribuir, em algum grau, o prazer que ele lhes proporcionara. Um dos apêndices de The Books in My Life é a lista de todos os leitores e amigos que lhe enviaram livros ao longo dos anos.

Por que não eu?, pensei. Afinal, como disse a Isabel, é até romântico: não estou pedindo emprego, dinheiro ou favores sexuais (ok, favores sexuais também), mas livros. Livros para eu ler mais e escrever melhor.

Se eu tivesse um emprego fixo, com carteira assinada e décimo-terceiro, se eu tivesse pelo menos um plano de aposentadoria privada, óbvio que eu não estaria aqui mendigando livros. Por outro lado, se eu tivesse esse emprego aí em cima não teria condições de ler e escrever o dia inteiro como faço hoje, nem de fazer seis longos, articulados e interessantes posts por dia. O que vocês preferem?

A Garrafa do McDonald's

Eu, em geral, não tenho vergonha de nada. Mas, fazendo uma retrospectiva da minha vida, algumas das pouquíssimas vezes que senti vergonha na vida foram em academias de musculação.

Em 2003, voltei a malhar e minha única sport bottle era uma que a primeira-esposa tinha ganho em uma daquelas promoções do McDonald's em que o pedido demorou mais de um minuto pra chegar.

Nos primeiros dias, hesitei em levar minha garrafinha. Todo mundo com sport bottle da Diet Coke, Gatorade, e só o gordo chegando com a garrafinha do McDonald's.

Mas eu estava sem grana nenhuma. Dez reais que eu gastasse em uma nova garrafa iriam fazer falta no leite das criancas. E eu tinha uma garrafa. Patético comprar outra só por causa do que outros possam pensar.

Resultado: malhei com minha garrafinha do escocês, sim senhor, e todo mundo deve ter pensado: gordo é foda, até a sport bottle é do McDonald's! Deve sair daqui e ir direto comer um Big Mac! Um, não, três!

Desencanei.

A Bíblia na Bicicleta

Bíblia de JerusalémEm 1999, decidi ler a Biblia de cabo a rabo. Demorei dois meses, já li ela outra vez de lá pra cá e se tornou, com certeza, o meu livro favorito.

Quem lê muito, aprende a ler no ônibus, na fila do banco, na privada, onde der pra roubar uns cinco minutinhos da vida. E, principalmente, na bicicleta ergométrica.

E cadê coragem pra ler a Bíblia na academia?

Logo eu que já andei a cidade toda lendo Sade no ônibus, que já li Os 120 Dias de Sodoma em plena sala de aula, e nunca liguei para a opinião dos outros! A graça, naturalmente, é que quem nunca leu Sade, mesmo que tenha ouvido muito falar, mesmo que tenha lido sobre ele, não consegue realmente nem começar a conceber o conteúdo cataclísmico de um livro como Os 120 Dias de Sodoma. E eu não tinha vergonha. Fazia quase como um gesto de rebeldia. Ênfase no quase: na prática, eu fazia mesmo era pra poder ler o livro.

Mas ler a Bíblia? E se as pessoas achassem que eu era cristão? Poucas coisas me deixariam mais envergonhado do que isso, chegava a ter calafrios.

Durante alguns dias, eu lia a Bíblia em casa e levava algum outro livro pra ler na bicicleta. Mas, depois de algum tempo, não deu mais. Eu não queria ler o outro livro, queria ler a Biblia. Ler um livro em casa e, depois, outro na bicicleta matava totalmente o ritmo da leitura. Quando você está em pleno Samuel, Davi se engraçando pro lado de Jônatas e sendo perseguido por Saul, bem, a última coisa que passa pela sua cabeça é ler outro livro.Bíblia do Peregrino

Finalmente, mandei tudo as favas. E daí os outros? Dane-se que achem que sou cristão. Tudo bem que pra mim isso é terrível e um insulto mas, para a maioria das pessoas, não é algo normal e até desejável? Então, foda-se. Quem sabe melhora até a minha reputação.

E fiquei, durante dois meses e meio, uma hora por dia, lendo a Biblia na bicicleta ergométrica.

O mais engraçado eram as conversas. As pessoas vinham puxar conversa comigo, me perguntavam de que denominação eu era, se estava estudando teologia e onde. Apesar de eu estar lendo a Bíblia de Jerusalém, que é católica (mas quem sabe disso?), todos sempre presumiam que eu era evangélico. Aparentemente, católicos não lêem a Bíblia em público. Ponto pra eles.

Eu respondia, o mais delicadamente possível, que não tinha sido aceito na faculdade de teologia por ser ateu - o que, aliás, é verdade. Um dos requisitos de admissão é a profissão de fé, e isso eu não podia fazer. Não é patético ter que ser religioso pra poder estudar a Bíblia?

E as pessoas me olhavam estarrecidas, como se isso fosse o maior paradoxo do mundo, e balançavam as cabecinhas, incrédulas, e eu quase podia ouvir a mobília se mexendo lá dentro.

Mas como assim?, perguntavam, nos mais variados tons de indignação, incredulidade e surpresa: Está lendo a Bíblia e não acredita em deus?! Como pode? Não faz sentido!

Amigo, eu leio Dom Casmurro e não acredito em Capitu, eu leio Senhor dos Anéis e não acredito em Frodo, por que teria que acreditar em deus para ler a Bíblia?

E o assunto tendia a acabar por aí.

O Gordo da Pipoca

Outra vergonha. A primeira-esposa adora comer aqueles pipocas grotescamente grandes e entupidas de manteiga do cinema. Já eu tenho nojo dessas coisas, não gosto de coisas amanteigadas ou gordurosas, não gosto nem de comer carne.

Mas, invariavelmente, como se fosse só pra me sacanear, ela pedia pra eu ir comprar pipoca pra ela. E eu implorava: pelamordedeus, não faça isso, é patético. Vou subir pelo meio do cinema com aqueles 10kg de pipoca oleosa na mão e todo mundo, inevitavelmente, vai pensar: putaqueopariu, gordo é foda, não pára de comer nem no cinema, é por isso que tá gordo assim, caralho, etc etc.

E ela nunca cedeu: usava de todas as chantagens sentimentais possíveis e imaginárias e sempre conseguia que eu passasse mais essa vergonha em público.

Um dia, comentei isso com um amigo e ele disse: cara, não tem jeito, desencana. Se ela fosse comprar a pipoca ela mesma, seria pior ainda. Ué, como assim?, perguntei.

Pensa bem, todo mundo iria ver aquela menina magrinha, bonitinha, andando com quase metade do seu peso em pipoca e iriam pensar: essa menina não come isso tudo!, e quando vissem ela sentando ao lado do gordo, invariavelmente diriam: putaqueopariu, gordo é foda, não levanta nem pra comprar a própria pipoca, é por isso que tá gordo assim, caralho, etc etc.

Controlando sua Imagem

Em minha época de escola, eu era um dos alunos mais ocupados e de maior visibilidade da escola. Fazia de tudo, era engajado, presidente do grêmio, editor do jornal, gerente da lanchonete e outras dezenas de coisas. Nunca tinha tempo pra nada, muito menos pra comer. Várias vezes desmaiei na enfermaria por pressão baixa e falta de comida.

Mas não tinha jeito. Nas duas, três vezes por mês em que eu tinha tempo de parar na lanchonete e comer alguma coisa, tinha sempre alguém que dizia: esse gordo não pára de comer, por isso é que está gordo assim, sempre comendo hein Alexandre?

Adolescente fala tudo. Gosto disso. Hoje em dia, rodeado por adultos hipócritas, tenho que constantemente me lembrar de que não estão falando as coisas que sei que estão pensando.

Eu tinha dois colegas de classe gordos. Um era um rapaz brilhante, mas letárgico. Se movia pouco e estava sempre com um olhar bovino. Outro era um gordo gótico, de longos cabelos despenteados e oleosos, roupas pretas e unhas pretas - em cima e em baixo. Eram meus espelhos: os dois gordos proverbiais - o inteligente mas devagar quase parando e o sujo-largadão. Decidi que eu nunca seria nenhum daqueles dois. Talvez criasse até um terceiro estereótipo pra mim, mas aqueles não.

Sempre tive o cuidado de controlar a imagem que transmito.

Tento nunca ser visto comendo em público. Jamais digo que estou com fome, sob hipótese alguma. Me mantenho sempre em constante movimento e nunca sento quando posso ficar de pé - até que porque a maioria das minhas roupas fica ótima quando estou em pé e toda amarfanhada quando sento. Aliás, já tive problemas com isso em uma festinha de subúrbio.

Às vezes até fico com a barba por fazer, mas meu cabelo está sempre muito curto (passo máquina três) e seco. Sou obcecado com a brancura das minhas golas e sempre uso uma camiseta por debaixo da camisa - além de absorver o suor e impedir o surgimento daquelas nefandas manchas, também preserva a roupa que está por cima.

Nunca fui de ter vergonha de nada. Vergonha de ser cristão não conta, pois não sou mesmo. Mas, realmente, tenho que admitir: ao escrever isso, me dei conta de que tenho vergonha de ser gordo.

Não acho que seja uma prisão. É instinto de sobrevivência. Ser gordo é uma das doenças que mais mata no planeta - e, com certeza, é a que mais mata no meu grupo demográfico. A não ser que eu seja pego por um caminhão, ou desenvolva alguma doença exótica esdrúxula, as chances são monstruosamente grandes de que morrerei devido a fatores relacionados à minha obesidade, seja problemas circulatórios, cardíacos ou até mesmo um diabetes.

Então, realmente, não acho que eu deva "conviver bem" com os meus 100kg, assim como não acho que um soropositivo tenha que conviver bem com a AIDS: temos é que lutar até o fim.

Vergonha e Medo

Alguns leitores vieram dizer que vergonha é uma outra palavra para o medo. Sim e não. Eu sou notoriamente um homem sem medo. Não acho isso bom. Na prática, quer dizer que sou um homem inconseqüente. Outro dia, falando sobre as expectativas dos outros, um velho amigo que me ama aconselhou:
"a vida não é só composta das coisas que gostamos de fazer sabe. (...) A vida é cruel sim mas temos que pensar muito bem no dia de amanhã. Fazer o que gostamos mas não pagar a vida que queremos, não sei não."

Mas o problema é justamente esse. Eu só faço o que quero e não penso no dia de amanhã. Tenho fé ilimitada (e totalmente não comprovada pela evidência empírica disponível) de que sou capaz de resolver qualquer problema.

Eu sou sempre cara-de-pau. Eu peço as coisas que outros não tem coragem de pedir. Eu abordo as pessoas que outros não têm coragem de abordar. E, via de regra, minha postura paga dividendos. Já me dei mal por falar demais, mas nunca por não ter vergonha.

Nenhuma das minhas vergonhas acima é fruto de medo. Se algumas vezes modifico o meu comportamento em função dos outros, coisa rara, não é por medo do que possam pensar, ou na ânsia de ser aceito em algum grupo, mas é uma conseqüência natural da minha filosofia de vida: não quero que as pessoas me vejam como elas querem, quero que elas me vejam como EU quero, faço questão de controlar a imagem que emito e construir, eu mesmo, sempre, o Alexandre que quero ser.

Mas podemos afirmar, sem sombra de dúvida, que a vergonha está sempre ligada à nossa imagem perante os outros. A vergonha, muitas vezes, é uma importante ferramenta de auto-preservação. Entretanto, o desejo de controlar o modo como somos vistos pelas pessoas a nossa volta pode facilmente se tornar num medo paralisante que nos impede de sermos nós mesmos e de tomarmos atitude individuais que destoem das atitudes do grupo.

Eu gosto de me aproveitar disso. Deixar explícito que você não teria vergonha de fazer um escândalo muitas vezes pode decidir a questão em seu favor - sem necessidade de escândalo. Falo disso em mais detalhes em A Auto-Confiança dos Ricos.

Uma Piada sobre a Vergonha

Sala de espera. O homem puxa um cigarro e, antes de acender, pergunta à recepcionista:

"Posso fumar aqui?"

"Não", ela responde, prontamente.

Ele está guardando o maço quando percebe todas aquelas guimbas a sua volta, fumadas até o fim. E questiona:

"E essas guimbas? De quem são?"

E a recepcionista, imperturbável:

"Ah, sim, são das pessoas que não perguntaram."

Para Não Esquecer

É mais fácil pedir perdão do que permissão

Depoimentos dos Leitores

Pedi para que meus queridos leitores me dessem exemplo de vergonhas que empataram suas vidas. Aqui vão alguns:
"há uma vergonha que me atrapalha muito: não consigo largar Direito (do qual eu gosto, mas não a ponto de passar a vida trabalhando com ele), porque tenho vergonha de deixar a posição privilegiada de queridinho da família e futuro bem-sucedido, e virar um pária por ter largado uma mina de ouro pra se arriscar em coisas incertas.O fato de eu não saber o que fazer no lugar dele também pesa mais, mas essa vergonha estúpida exerce o seu peso, e me envergonho dessa vergonha influir dessa forma na minha vida."

"Acho que as vezes é bom ter vergonha, ela nos impede de sermos inadequados, chatos, inconvenientes, ou coisas do tipo em muitos momentos. Acho que as vezes a vergonha é uma resposta a uma situação de inadequação, querer falar ou fazer algo que não vem ao caso, se vc nem cogita a possibilidade de contar pro seu chefe careta que esta com uma puta ressaca pq encheu a cara na noite passada, não sente vergonha disso, agora se quer contar, lá vem a vergonha e as vezes te impede de fazer besteira."

"A vergonha é uma das faces do medo. Neste caso específico é o medo da inadequação aos olhos do outro. É sim um instrumento do instinto de auto-preservação, só que, muitas vezes, o risco que estaríamos correndo é simplesmente ilusório."

"Vergonha deve ter a ver com um ato de auto-preservação perante o coletivo. Uma pessoa tem vergonha de dizer suas crenças quando acha que elas não são aprovadas pelo grupo que vai ouvir. Ou tem vergonha de mijar em um banheiro público pois acha que o pênis é menor do que deveria. Tem vergonha de ficar nu ou com pouca roupa em público pois não acha seu corpo atrativo ou aprovável (sic) pelo grupo. Talvez a vergonha seja maior para aqueles que tem maior dependência de aprovação pelo grupo."

"a tese de que a mãe de todas as vergonhas é a inibição dos impulsos sexuais, que deriva do medo da castração. Este medo está presente em todos nós (homens e mulheres) desde que, na infância, vivemos o desejo incestuoso para com a mãe ou pai (menino e menina, respectivamente), recalcado imediatamente. Freud chamou isso de Complexo de Édipo [não foi invenção dele, que se utilizou do grego Sófocles e sua maravilhosa peça Édipo-Rei). O tema é recorrente mas indispensável. Há várias manifestações normais e necessárias da vergonha, porém creio que apenas será uma PRISÃO quando tiver intensidade neurótica. A Psiquiatria tem um nome prá vergonha patológica: Fobia Social."

Auto-crítica

Na verdade, tenho vergonha desse artigo. Tenho mesmo. Ele está escrito desde outubro de 2003 e eu não publico. Acho que ficou desencontrado e desconexo, sem conclusão definida. Mas estou decidido a terminar logo o livro sobre as Prisões. Vou desovar aqui no blog todas as que tenho planejadas, pra ver como ficam, e depois boto no livro só as melhores.

O artigo A Auto-Confiança dos Ricos, de certo modo, desenvolve esse mesmo tema com mais elegância.


Postada no blog entre Janeiro 3 e 5, 2005

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As Outras Prisões

Introdução às Prisões

Monogamia Heterossexualidade
Verdade Segurança
Aceitação Medo
Ressentimento Preconceito
Patriotismo Ambição
Conformismo Religião
Respeito e Obediência Vergonha
Expectativas dos Outros Felicidade
 
Mulher de Um Homem Só - Download

É possível homem e mulher serem apenas amigos? Carla, recém-casada com Murilo, precisa lidar com a incômoda proximidade de Júlia, melhor amiga de seu marido desde a infância.
 

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Antes de se comprometer, leia um trecho ou a apresentação do romance.

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Rebeldia, contemplação e muita sacanagem. Um blog pra falar de liberdade e literatura.