SobreSites > Blog > Artigos > A Internet e As Eleições Norte-Americanas
Página Inicial do Guia
Apresentação
Hospedagem
Comentários
Contadores
Diretórios
Tutoriais
Ferramentas
Artigos
A Internet e as ...
Blog do Editor
Seleção de Blogs
FAQ do Guia
Envie Guia por E-mail
Fale com o Editor
Outros Guias
· Futebol
· Flash
· Anime
· Todos os Guias
 Blog
Alex Castro
Editor do seu Guia de Blog na Internet
Google
 
Web www.sobresites.com
A Internet e As Eleições Norte-Americanas

cerca de doisanos, Howard Dean erasomente o desconhecido ex-governador de umpequenoestado da Nova Inglaterra. Hoje, depois de perder todas as primárias presidenciais que disputou, ele parece estar solidamente encaminhado de voltapara o mesmoanonimato de ondeveio.

Nesse meiotempo, entretanto, ele levantou 40 milhões de dólares, a maiorsomajamais levantada porum pré-candidato democrata, mobilizou todo o país e tornou-se o favoritoparaderrotar o presidente Bush.

Como Howard Dean conseguiu tanto, emtãopoucotempo? Simples. Ele foi o primeiropolítico a utilizartoda a força da Internetemseubenefício. E como Dean conseguiu cairtanto, e tãorápido? Bem, a resposta pode ser a mesma.

Ascensão e Queda de Howard Dean

O
pai da ofensivaon-line de Dean é Joe Trippi, seu ex-coordenador de campanha. Ele organizou uma rede de sites e blogs parapromover Dean. Conseguiu arrecadardoações de mais de 280 milpessoas, boa parte disso pelaInternet. Promoveu meet-ups portodos os Estados Unidos, ondemais de 150 milamericanos se encontraram paraapoiar Dean. Criou atémesmo o Dean Defense Force, uma força-tarefacom o objetivo de mandar emails paraeditores pressionando-os a apoiar Dean e a corrigireventuaisdistorçõesouerros de cobertura.

Até as primárias começarem, Dean era o favorito. Aliás, duranteseis meses, foi o único pré-candidato assumido, aparecendo na mídia e fazendo campanha praticamente sozinho.

Enquantoisso, visionários pregavam que a Internet estava dominando a política. Acabou a Era da Televisão, diziam: a partir de agora, ganha o candidatoquecomandar o maiornúmero de blogs.

Poruminstante, me senti de volta à bolha, entre 1998 e 2000, quandosinceramente acreditávamos que a Internet resolveria tudo, mudaria o mundo e ainda encheria nossobolso de dinheiro. Essa novabolha estourou aindamaisrápido: no primeiro soprinho, adeus Howard Dean.

Elenão ganhou nenhuma das quatorze primárias realizadas e, na maioria, perdeu de longe. Essa semana, mal participou de outras duas, alegando estar se preparando para a primária de Wisconsin, na terça-feira, 17 de fevereiro.

Dizem as más-línguas
que se Dean nãoganharem Wisconsin, ele sairá da disputa. Mas as más-línguas estão sendo até generosas. Convenhamos: se Dean nãoganharnemem Wisconsin, é porqueele de fatonão está na disputa. E nemnunca esteve.

O
Que Deu Errado?

Tudo aconteceu muitorápido.

apenasummês, o senador John Kerry tinha 9% das preferências e ninguém dava nadaporele. Hoje, ele tem 50% e, segundopesquisas, é o único democrata capaz de derrotar Baby Bush. Desde o começo de suaascensão, não houve nenhumtropeço, nenhuma parada. O homem parece imbatível.

Enquantoisso, o nome de Howard Dean está sendo usado comosinônimo de darumtiro no próprio. Kerry não ganhará a indicação, dizem analistaspolíticos, se ele der uma de Howard Dean ("if he pulls a Howard Dean") e se auto-implodir.

Porquê? Existem váriosmotivos, comcerteza, mas a Internetnão é de todoinocente.

Dean
realmente conseguiu formarumgrupo coeso de internautaspara a apoiá-lo, através de uma redecomplexa de blogs, sites, meet-ups, listas de discussão e o quemais existisse. Em uma redecomo essa, qualquernotícia corre rápidocomofogo na palha. Especialmente más notícias.

A
Internet magnificou tantoseussucessosquantoseusfracassos: as gafes e tropeços de Dean reverberaram entreseusprópriosseguidoresmuitomais do que deveriam. O Dean Defense Force foi uma ótimaidéia, mas o blog do grupo está mortodesde 5 de janeiro. Howard Dean poderia se perguntar: E agora? Quemme defende de meusdefensores?

Pesquisas realizadas nas primárias de Iowa e New Hampshire mostram que Kerry derrotou Dean mesmoentre os eleitoresque usam a Internetpara se informarsobre os candidatos. Ou seja, Dean usou a Internetparamobilizar os eleitoresparavotar, maseles votaram emoutro.

A
sina dos pioneiros é mesmotriste e dura. As táticas de alavancagem on-lineque Dean desenvolveu comtantoafinco, tentativas e erros, ao longo de doisanos, foram adotadas rapidamente, e semcustoalgum, porseusadversários.

John Kerry
hojetambém tem seu blog e, somentedesde as primárias de Iowa, em 19 de janeiro, arrecadou mais de US$ 2 milhões.

Brinquedo Quebrado

A
Internetnão revolucionou o modocomo compramos utilidades domésticas. A Internetnão gerou uma era de prosperidade econômicasem precedentes. E será quenemmesmodeterminar o curso da política a Internet consegue? Mãe, essebrinquedo está perdendo a graça! Elenão faz nada!

Tambémnão é pratanto.

Markos Zuniga,
um dos consultores da campanha de Dean, defende a rede: "O elementoInternet fez o quetinhaquefazer: pegou umcandidatoqueeraapenasumasterisco e transformou-o no favorito, além de dar-lhe US$ 40 milhões e umexército de voluntários. O quemais a Internetpoderiafazer? Levar os eleitoresaté às cabines?"

E Trippi acrescenta:
"
Issonão foi como o estouro da bolhapontocom. A campanha de Howard Dean foi o milagre das pontocom."

Apesar de tudo, a pré-campanha 2003 de Howard Dean deixou algumas lições. Financeiramente falando, grandesinvestidoresnãosãomais a únicaopção. Viabilizar uma campanhaatravés de doaçõespequenasfeitasporcidadãoscomuns é possível.

Maisimportante, o potencial de mobilização da Internetmal começou a ser explorado. Emumpaísemque o votonão é obrigatório e poucas pessoas votam, a Internet pode, e deve, tornar-se uma ferramenta de maior democratização e popularização do processoeleitoral. Na maiorpotência do mundo, não é poucacoisa.

Enfim, uma vezmais, a Internet falhou emmudar as leis da física e virar o universo de cabeçaprabaixo. Naturalmente, isso é umproblemaparaquem esperava tanto.

Links Úteis:
Howard Dean
Dean Defense Force
John Kerry


Publicado na Tribuna da Imprensa, em Fev.13, 2004

Projeto SobreSites | Sala de Imprensa | Usabilidade
Política de Privacidade | Condições de Uso | Torne-se Editor