Ninguém cobra de perverso. As empresas que oferecem serviços gratuitos na Internet sabem que a decisão de cobrar é muito impopular. Via de regra, só apelam para a cobrança em último caso, para se manter vivas e porque sua forma de receita original não estava cobrindo os custos. Na maioria dos casos, essa forma de receita original é publicidade.
Quando gosto de um serviço gratuito na Internet, faço questão de fazer com que o fornecedor do serviço tenha algum tipo de compensação pelo presente que está me dando. Por exemplo, clico conscientemente em todos os banners e botões que vejo pela frente.
Sei que se o faturamento de publicidade for bom, essas empresas nunca vão querer se arriscar a cobrar de mim pelos serviços que usufruo de graça. Melhor ainda, nunca vão falir e me deixar sem o serviço.
Apesar disso, muitos internautas andam bloqueando os banners de seus blogs.
Realmente, não sei o que leva alguém a fazer isso.
Será que não vêem que é só por causa dos banners que eles usufruem de seus blogs e sites gratuitamente? Que se os banners sumirem, ou pararem de dar retorno, a empresa não vai ter outra alternativa que não falir ou cobrar?
Alguém Tem Uma Idéia Melhor?
Eu confesso que não gosto muito de banners, mas também confesso que não tenho solução melhor.
Essas pessoas que querem usufruir do serviço (ou seja, não querem que ele feche), mas que não querem pagar por ele e nem querem ficar vendo banners no seu blog, bem, acho esses quereres muito justos, mas essas pessoas deveriam sentar e pensar urgentemente em algum novo modelo de arrecadação para as empresas de internet.
Até lá, essas três opções ficam sendo praticamente as únicas: fechar de vez, cobrar assinatura ou divulgar banners.
Cuidando de Mordida de Cobra
Conversei com um internauta que bloqueia os banners em seu blog e ele me disse:
"O tema 'Blogs Gratuitos: Ética x Estética' daria muito pano pra manga. Minha posição é pró-Estética pelos motivos: o banner é feio, sutil como macaco em loja de louça, e já carregamos a marca 'blogspot' marcada com ferro em brasa no próprio nome. É o suficiente pra mim."
Verdade seja dita, ele não só carrega a marca 'blogspot' no endereço do seu blog como também incluiu na página o selinho de divulgação da empresa, Blogger.
Pôxa, e não é suficiente? De três eu fiz dois, ele parece estar dizendo: não basta para satisfazer esses fominhas do Blogger? E, além do mais, os banners são horríveis!
Isso tudo é muito bonito, e quase faz sentido, até que você lembra que o importante é o banner. O banner é a única fonte de renda da empresa. O nome da URL e o botão são legais, ajudam, divulgam etc, mas quem paga as contas é o banner.
E o banner, por motivos estéticos e anti-éticos, o blogueiro vetou.
Imagino esse internauta socorrendo uma vítima de picada de cobra. Ele faz gaze e compressa, dá bastante água, protege a vítima do sol, faz tudo, tudo mesmo, menos aplicar o soro anti-ofídico. E depois, quando o infeliz morre, ele não se conforma e ainda se acha cheio de razão: mas caramba, eu fiz tudo o que dizia aqui no manual de primeiros-socorros, tudo mesmo, só não fiz uma coisinha.
Logo a coisinha que era fundamental.
Ajude Quem Lhe Ajuda
Amanhã pode ser que a Heloísa Helena tome o poder e nos transforme num gigantesco Cubão, mas hoje ainda estão valendo as leis do mercado. Quem ignora isso só vai fazer dar com a cara na parede.
As empresas de internet precisam pagar suas contas: ou arranjam um jeito de ganhar dinheiro ou fecham.
Portanto, se existe algum serviço gratuito que você usa e gosta, descubra qual é a fonte de receita do fornecedor do serviço e ajude-o. Assim mesmo. Só isso. Ajude quem lhe ajuda. Será que você é capaz?
Se ele vende produtos, sugiro que você compre um de vez em quando. Se ele sobrevive de publicidade, sugiro que você clique nos seus banners e/ou gere pageviews. Se ele tem uma parceria com alguma livraria on-line, sugiro que você compre livros através do link em seu site para que ele ganhe uma porcentagem na venda. E por aí vai.
Todas essas iniciativas são muito pequenas, mas podem fazer uma grande diferença.
O melhor jeito de manter a web gratuita é ajudar as empresas que oferecem serviços gratuitos, nunca sabotá-las.
Publicado na Tribuna da Imprensa, em Jan.30, 2004 |