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Alex Castro
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A Pirataria e o Ridículo

MP3s Não Afetam Vendas de CDs

Umestudo realizado pela Harvard Business School e pelaUniversidade da Carolina do Norte sugere que a troca de arquivos de músicaemformato MP3 não é a causa da crise na indústriafonográfica.

Os
pesquisadores acompanharam as vendas e os downloads de quase 700 álbums. Ao contrário do sensocomum, músicasmuitobaixadasnão significaram queda nas vendas dos respectivos CDs. Além disso, alguns dos álbunsmais vendidos pareciam venderaindamaisquando eram muito baixados.

A
indústriafonográfica, entretanto, continua cética.

Essa
semana, a FederaçãoInternacional da IndústriaFonográfica (IFPI) entrou comaçõesjudiciaiscontra 247 pessoasemtodo o mundo, suspeitas de compartilhararquivos de músicas, através de redes ponto-a-ponto como o Kazaa.

Reuters Vai Caçar Copiadores de Conteúdo

Definitivamente, a questão de usoindevido de conteúdoprotegidoporcopyright é um dos maioresproblemas da Internet.

Agências de notícias, como a Reutersou a Associated Press, ganham a vida licenciando seuconteúdoparaclientespagantes. Via de regra, outrosjornais.

Hojeemdia, entretanto, qualquerum pode entrar no site de uma dessas agências, copiarnotícias e colaremseussitesou blogs. Piorainda, jornalistaspreguiçosos da Folha de Quixeramobim ou na Gazeta de Imbirituba também podem fazer o mesmo.

Mas os problemasque a Internetcria, elamesma resolve.

A
Reuters acabou de fecharcontratocom a Fast, empresa de busca norueguesa, paravarrer a Internetatrás de conteúdo copiado indevidamente.

Além disso, a Fasttambém fornecerá à Reutersinteligênciasobrecomoseuconteúdo vem sendo usado pelosassinantes do serviço.

Usuárioscomuns, que trocam músicaspelo Kazaa, estão recebendo suasintimaçõesjudiciais. Aquele blogueiro seuamigo, que adora copiarnotícias dos jornais, pode bemser o próximo.

Forçando As Raias do Ridículo

A indústriafonográfica tem todarazãoemtermedo das MP3s, mesmoque o medonão se justifique na prática. As agências de notícias estão certíssimas emtentarcoibir o uso não-autorizado do conteúdoquelhescustatantocriar.

Infelizmente, as coisas estão saindo do controle.

O Amarula
com Sucrilhos eraum dos melhores blogs brasileiros. Nele, Alessandra Félix costumava escreversobresuavida, sobreliteratura e sobre o mercado editoral. Digo "era" pois no mêspassado Alessandra recebeu uma notificação extra-judicial da Southern Liqueur Brandy, fabricantes do licor Amarula, pedindo, oumelhor, exigindo, que o domínio fosse retirado do ar.

A
empresa alega que o blog de Alessandra violava seusdireitostanto de usar "exclusivamente a marca" quanto de "zelarporsuaintegridadematerial e reputação". Além disso, porinduzir à confusão, o blog ainda cometia crime de "concorrênciadesleal" porempregar "meiofraudulento, paradesviar, emproveitoprópriooualheio, clientela de outrem".

Continuam os
advogados:

"Uma das
modalidades de concorrênciadesleal é denominada "concorrênciaparasitária", entendidacomo as "tentativas de se tirarproveito do renome legitimamente adquirido porumterceiro, semque haja normalmente o risco de confusãoentreprodutos e estabelecimentos. (...) A existência de referido nome de domínio pode levar o públicoemgeral a acreditarque haveria alguma relaçãoentreeste, seuconteúdo, e os produtos de nossacliente, o quenão é verdade."

Obviamente, a
situação é esdrúxula.

O blog de Alessandra
eraumdiário cibernético absolutamentepessoal, sem quaisquer objetivoscomerciais. Elanão tirou proveito da marca Amarula. Nemmesmo mencionava muito a marca, a nãoser no título, criadopois o licor Amarula lhe evocava boas lembranças.

Não estava vendendo nada. Não desviou a clientela de outremparasi. Não utilizou seu blog paraconfundir o consumidor. Aliás, umconsumidorcommuita Amarula na cabeça seria capaz de confundirum blog pessoalcom o site corporativo de uma fábrica de bebidas.

Alessandra passou uma
semana pensando no quefazer:

"
Entrar na briga seria lindoporque de acordocom as leisque regem o uso de marcas e patentes (inpi.gov.br), nãonenhumlugarque diz que as pessoas estão proibidas de citarnomes de marcasemlivros, músicasou "blog". É uma práticacomum desses escritóriosfazeressetipo de ameaça. E, mesmo sabendo disso, optei pordesistir. Achei queera uma boa forma de ridicularizar essa situação e a atitudemesquinha dessas empresas. Mesmoqueissome custasse o raio do nome."

E foi o
que fez. Desistiu do domínio. Fechou o velho blog. O novo se chamaLicor de Marula com Flocos de Milho Açucarados, para evitar qualquer tipo de confusão. Nele, ela escreve:

"O mundo está embrutecido demais para compreender que um diário, mesmo público, não passa de um passatempo de criança. E que, nas mãos de um adulto, é só uma tentativa de resgatar sonhos e verdades."

Que palhaçada.

Links Relacionados:
Licor de Marula com Flocos de Milho Açucarados
Reuters
Fast


Publicado na Tribuna da Imprensa, em Abr.02, 2004

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