Nada mais justo do que minha primeira resenha ser dedicada à genialidade do Rei do Blues, BB King. Mais ainda, de ser sobre o álbum pelo qual incorporei, definitivamente, o blues em minha vida; trata-se de Blues On The Bayou, gravado em 1998, no Dockside Studio, de Los Angeles (EUA). A magia de BB e Lucile é a responsável pela qualidade musical das 15 faixas. Sem pieguices, é um disco perfeito, do começo ao fim.
Em Blues Boys Tune, a faixa de abertura do álbum, BB King brinca com as cordas de sua Gibson. E quem já o assistiu, ao vivo e/ou em vídeo, consegue imaginá-lo, em meio aos seus muitos trejeitos faciais e corporais, enquanto oferece ao seu público o que há de mais melódico em seus dedos. Bad Case of Love, ao contrário, dita o ritmo das faixas pares de Blues On The Bayou: swingadas e impressionantemente agradáveis. O destaque fica para os teclados de James Sells Toney e para o baixo de Michael Doster, que dividem as atenções com Lucille e seu guia.
Em I'll Survive, faixa preferida de BB King segundo o encarte do álbum, menção especial ao vocal marcante do Rei do Blues. Seguindo a linha do blues tradicional, é a música perfeita para se ouvir a dois. Mean Ole' World, por sua vez, convida os fãs a marcarem a melodia com palmas ou com a batida dos pés, assim como o fazia o lendário John Lee Hooker.
BB King abusa do grave em Blues Man, dando à faixa um tom dramático, capaz de remeter os fãs às raízes do blues, quando os afro-americanos cantarolavam sua tristeza nas plantações de algodão do Mississipi.
Broken Promise apresenta o velho guitarrista travando um diálogo imaginário com sua amada. De forma bem humorada, BB cobra as promessas por ela feitas e não cumpridas. Lucille, sua cúmplice de sofrimento, mais uma vez divide as atenções com o teclado de James Sells.
Minha preferida, a balada Darlin' What Happened, faz a Gibson literalmente chorar. A suavidade da melodia e dos acordes fazem da faixa a mais prezerosa do álbum, sob todos os aspectos.
Shake It Up And Go, como o próprio nome sugere, é uma viagem no tempo que marca o retorno aos grandes bailes dos anos 50. Reproduz, com talento em excesso, o rock dançante de Chucky Berry e Cia.
Assim como Bad Case Of Love, a faixa 9, intitulada Blues We Like, é trabalho exclusivo de Lucille: a ratificação do dom sublime de BB King.
Em Good Man Gone Bad, nova regressão musical. Menos marcante do que Shake It Up And Go, vale pelo baixo e pelo piano virtuoso, ao melhor estilo Jerry Lee Lewis.
A paixão exacerbada do Rei do Blues vem à tona com a romântica If I Lost You, composta por BB e J. Taub; um espetáculo, simplesmente. A dançante Tell Me Baby, por sua vez, agrada não apenas pela letra sarcástica, mas principalmente pelo swing.
Perfeita para desatar a gravata e relaxar em uma poltrona confortável. Assim é I Got Some Outside Help I Don't Need, cujo piano faz as vezes de anfitrião no convite ao descanso. Com o fôlego renovado, entretanto, nada melhor do que se levantar e dançar ao som de Blues In "G"; novo show de Lucille.
A empolgante If That Ain't It I Quit fecha o álbum com maestria. BB King e sua Gibson fazem um dueto impecável, que denota a habilidade e o talento presentes no corpo e na alma do maior nome do blues ainda vivo.
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