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  Blues
Ricardo Mituti Junior
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BIG JOE MANFRA


Ótimo álbum, de um excelente guitarrista brasileiro. Assim é Big Joe Manfra, homônimo do artista. Surpreendentemente agradável, trata-se de um trabalho de estréia, que mistura elementos do blues e da black music.
Musicalmente, Big Joe é impecável. Técnico e virtuoso, o guitarrista tem um estilo inconfundível. Prova disso é sua brilhante adaptação aos variados ritmos impostos em cada um das dez faixas do álbum.
Ain´t Gonna Trust Nobody nada mais é do que um incrível rock n’ roll dos anos 50, ao melhor estilo “grandes orquestras do passado”. Os acordes da guitarra, entretanto, o transformam em uma faixa moderna e dançante. Na seqüência, I Got You (I Feel Good) não lembra nem de longe o original do clássico funk de James Brown. Tiro certo de Big Joe, que a deixa ainda melhor. Em Carnaval no Mississipi, nova surpresa. Um blues animadíssimo, marcado por grande interpretação em português. Show!
Uma das minhas preferidas, Same Old Blues é sensacional. Os primeiros 90 segundos desta prazerosa faixa são marcados pelo vocal melodioso de Big Joe e pela sonoridade suave do piano de Pedro Augusto. A guitarra do bluseiro carioca, contudo, ao ganhar espaço, faz desta interpretação uma das tops do gênero no Brasil.
T-Bone Shuffle, do mestre T-Bone Walker, torna-se um ícone da black music nos dedos de Big Joe e sua banda. Confesso não ter conseguido caracterizá-la, tamanho o talento dos músicos. Talvez, um blues com toques de funk. Groove da Noite, por sua vez, é um autêntico som negro, dançante e marcado por uma batida inconfundível. Até se tornar ainda melhor, lá pelos seus três minutos de execução, quando ganha um novo ritmo, alucinante, carimbado pelas cordas da guitarra.
Em Fome de Amor, outra interpretação em português. Tão boa quanto Carnaval no Mississipi, o destaque fica para os vocais de Márcia Bulcão. Big Shuffle ganha a gaita mágica de Jefferson Gonçalves, companheiro e sócio de Big Joe Manfra na Blues Time Records. Outra grande faixa!
Ice Cream Man é um autêntico blues dos anos 60. Mais moderno, naturalmente, lembra, assim como a música de abertura, um rock ao estilo Jive Bunny.
Fechando com extrema maestria, Red House, do não menos mestre Jimi Hendrix, é um show à parte. Som de altíssima qualidade, que torna este álbum imprescindível aos amantes do bom e velho blues.

 

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