Blues de altíssima qualidade. Assim é The Best Of Buddy Guy, compilação de 1999 que reúne os clássicos imprescindíveis do mais importante guitarrista do gênero ainda em atividade, ao lado de BB King.
A combinação explosiva de vocal marcante e virtuosismo faz deste álbum um daqueles que se ouve sempre, faixa a faixa, apreciando o que há de melhor em cada acorde.
Damn Right, I’ve Got The Blues, do álbum homônimo, de 1991, abre o trabalho com a maestria que cabe somente aos grandes gênios. De autoria do próprio guitarrista, trata-se de um blues dançante e envolvente. Na seqüência, a clássica Five Long Years, já interpretada por outros grandes nomes do blues, transforma-se na voz de Buddy na melhor versão já produzida. Brilhantemente executada por mais de 8 minutos, traz um vocal sem igual, entremeado pela sobriedade e por agudos marcantes.
Mustang Sally, não menos clássica que a faixa anterior, é, na minha opinião, a melhor faixa do álbum. Destaque para Malcom Duncan (saxofone), Sid Gauld (trompete) e Neil Sidwell (trombone), que acompanham Buddy Guy com tamanha maestria, tornando-a ainda mais animada e deleitosa.
Em Rememberin’ Stevie, o guitarrista presenteia seus fãs com uma faixa-solo marcada por um estilo que mescla técnica e sensualidade. O bom e velho blues para momentos íntimos.
She’s a Superstar, Feels Like Rain e She’s Ninteen Years Old, todas do mesmo álbum (Feels Like Rain, 1993) soam como três obras bem distintas. A primeira, de autoria de Buddy Guy, é bem swingada, marcada pelo baixo de Greg Rzab; a segunda, um neoclássico do gênero, é uma balada que mostra o lado menos virtuoso do guitarrista, enquanto a terceira, com sua batida e acordes do blues tradicional, promete levar os fãs ao delírio.
Em I Smell Trouble, Buddy e sua banda dão show de competência. O baixo, desta vez nas mãos de Tommy Shannon, é o principal acompanhante do guitarrista.
A faixa 9, Someone Else Is Steppin’ In (Slippin’ Out, Slippin’ In) traz algumas vozes e palmas ao fundo, que dão à faixa um tom de "exibição ao vivo". My Time After Awhile, esta sim executada ao vivo por Buddy e a banda do programa de TV Saturday Night Live, é, no mínimo, relaxante.
Em dueto com o jovem Jonny Lang, o velho guitarrista traz acordes e melodias de um blues mais moderno em Midnight Train.
As três últimas faixas da coletânea, inéditas, são mais comedidas que todas as anteriores. Miss Ida B e I Need Your Love So Bad exaltam o vocal harmonioso e romântico de Buddy. Esta última, inclusive, transporta os fãs aos bailes dançantes das décadas de 50 e 60, quando casais apaixonados desfilavam abraçados pelos salões.
Fechando o álbum em grande estilo, Innocent Man é o que há de mais tradicional no blues: batida e baixo marcantes, a perfeita sincronia entre gaita e piano, vocal pausado e acordes da guitarra mágica de Buddy Guy. Sem dúvida, The Best of Buddy Guy é uma obra-de-arte musical.
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