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  Blues
Ricardo Mituti Junior
Editor do seu Guia de Blues na Internet
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FLYIN’ HIGH


Excelente. Sem dúvidas, não há adjetivo mais adequado a este brilhante álbum. Apesar de branca, Jamie Wood tem um dos vocais mais marcantes que já ouvi. Flyin’ High é um trabalho muito bem feito, fiel, do começo ao fim, às raízes do blues. Acompanhada pela gaita do brasileiro Johnny Rover, a cantora e compositora da Califórnia promove em seu disco de estréia uma verdadeira festa de estilos, indo do blues ao rock, sem se esquecer das fortes influências do jazz e até mesmo de discretos elementos do country.

Abrindo o álbum, a faixa-título dá sinais do que vem pela frente: muito balanço e um ritmo marcado por batidas rock n’ roll anos 50. Destaque para o baixo de Tyler Pedersen e pelas guitarras de Nathan James e Robby Eason.

Em Early in the Mornin’, a primeira grande aparição de Johnny Rover. Um blues autêntico, sem a mínima imperfeição. Na seqüência, Aeroplane Blues substitui o clima relax da faixa anterior por uma retomada do gênero mais dançante.
A instrumental Jumpin’ With J.R., mais uma vez, remete o ouvinte às décadas de ouro do rock n’ roll. A diferença está na presença marcante de cada um dos instrumentistas da banda. Agitada e de balanço extremamente agradável.

Minha favorita, In the Mood for Love, é a essência do blues norte-americano dos grandes nomes do estilo. Simplesmente sensacional. Destaque para as notas sopradas pela gaita de Rover, que embalam a faixa do princípio ao fim.
As Long As I’m Movin’, marcada por um backing vocal feminino ao melhor estilo igreja protestante norte-americana, é tão animada quanto o som das divas religiosas do blues. Na seqüência, When the Blues Come Around arrebata pelo piano de Tom Mahon. Um blues de estilo e respeito. Em That’s My Baby, mais uma grande performance de Johnny Rover e sua gaita. Do tipo de faixa que se põe no repeat só pelo prazer de ouvi-la inúmeras vezes.

Uma marcante influência de jazz aparece em They Raided The Joint, de Louis Jordan. A sincronia entre o vocal harmonioso de Jamie Wood e sua banda transporta o ouvinte aos grandes salões de baile de cinco décadas atrás. A curta Blame It On Murphy nada mais é do que nova exibição instrumental de Rover. E assim como a faixa antecessora, tem presença marcante da batida tradicional do jazz.

Learnin’ How To Cheat On You poderia fechar o álbum. Sua perfeição melódica a transforma em um daqueles blues picantes, de alto teor sensual. Simplesmente fantástico!

Flyin’ High termina com Mojo Boogie. De longe, evidencia a batida clássica do mestre John Lee Hooker, mais moderna e remodelada.

Para deleite dos amantes da boa música, Jamie Wood & The Roadhouse Rockets torna-se nome obrigatório na prateleira dos melhores do blues.

 

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