Desde a adolescência perturbadoras dúvidas sobre o papel e os destinos do animal homem me levaram a trilhar pesquisas entre paleontologia humana e filosofia. Como este animal foi capaz de tantas proezas em tão pouco tempo? E quanta baixeza e quanta nobreza misturadas em um só ser. Uma convicção se formou em mim - a de que as respostas que procurava estariam irremediavelmente escondidas nas entrelinhas do passado histórico e pré-histórico do homem.Minha primeira leitura em filosofia foi "Dores do Mundo" de Schopenhauer - sua marca foi indelével. Outra convicção formou-se em mim, desde então, a de que a questão mais vivida, no interior da filosofia, há de ser a questão moral. Sem este motor todo o esforço filosófico esgota seu sentido. Voltaire apareceu logo depois, e sua influência foi igualmente definitiva. Seu orientalismo e seu estilo crítico foram o que me atraíram, de imediato. Porém sua leitura traria muitas lições futuras. A crença de que a história se faz pela ação de grandes gênios e de que a liberdade é o único ambiente em que eles podem operar seus milagres, alavancando a roda da história, me levou a novos caminhos. A aversão a tirania sob todas as suas formas conquistou minha alma. A leitura dos "founding fathers" do Iluminismo, seu otimismo científico e suas agitadas histórias me conduziram para estudos gnosiológicos. Não haveria fundamento para uma sociedade livre sem que as bases da ciência natural repousassem em terreno sólido - hoje entendo o quão tola pode parecer esta opinião. Leituras esparsas de textos científicos e filosóficos me arrastaram para cada vez mais próximo do que eu tanto temia... a inexorável confirmação de uma desconcertante loteria da física moderna. A está desilusão somou-se a conclusão de que apesar de haverem indícios positivos que davam respaldo moral e político a concepção uma moderna sociedade liberal, estes movediços fundamentos conflitavam diretamente com o espírito fraco e adoentado do novo homem ocidental. Livre de antigos preconceitos axiomáticos trilhei leituras mais abertas de vários pensadores modernos e contemporâneos e proveitosamente vislumbrei novos horizontes para a filosofia. Esta disposição de espírito tornou-se a maior de todas as conquistas desta caminhada. Não que não seja cabível o firme posicionamento frente as disputadas querelas sistêmicas, epistêmicas e políticas no interior filosofia. Contudo, após testemunhar patêticas discussões entre especialistas sobre variados temas das filosofias moderna e clássica verifiquei o quão improfícuo pode ser este diálogo que se dá entre interlocutores de linguagens tão distintas. A filosofia cobra um auto preço àqueles que optam por uma dogmática posição seja epistemológica, política ou ética. O preço é o distanciamento produzido por um perspectiva personalíssima do mundo, além de uma ruptura de linguagem para com os demais companheiros de hermetismo. A necessidade deste mergulho em profundidade não pode ser negada, contudo a perda de comunicação que dela decorre deve ser evitada a todo custo. Pois a perda de diálogo gerada pelo distanciamento de visões de mundo, emperra o próprio desenvolvimento pessoal na via filosófica. Devemos lembrar sempre que a filosofia esta mais repleta de dúvidas e questões que propriamente de certezas. A única postura verdadeiramente filosófica é a aberta. E todos aqueles que não estiverem dispostos ou preparados a por suas convicções à prova do escrutínio da razão alheia, demonstram profunda insegurança e falta completa de espírito filosófico. A necessidade de manter-se aberto a novas e variadas linguagens, dentro do ambiente filosófico, é obrigação de uma mente sadia e honesta. Assim sendo, a léguas de distância dos herméticos núcleos acadêmicos existe uma dimensão própria da filosofia. Seguindo o exemplo de Socrates, trazemos a discussão filosófica a todos os que se dispuserem a unir-se a nós na aventura do diálogo. Nosso pequeno banquete será servido àqueles que despertados pelo espírito inquisitivo procuram algum material com que se defrontar. Este Guia de Filosofia Sobresites é uma nova ferramenta para a filosofia na Web. O que quero reconhecer, com este pequeno esforço pessoal, é que existe vida inteligente na World Wide Web. Pretendo oferecer, a muitos internáutas, um pouco do que me foi legado pelos grandes mestres humanistas da primeira metade do século XX. Não fosse pela ação de verdadeiros e humanos eruditos como Will Durant, Hendrik Van Loon, Emil Ludwig, H.G. Wells, Sir. Bertrand Russell e muitos outros, que tornaram mundialmente acessíveis as temáticas filosóficas, históricas e gnosiológicas desta curta epopéia ocidental, poucos seriam os méritos reconhecíveis desta cultura que intentamos salvar. O ocidente está doente, mas sua história é repleta de raras virtudes e belos ideais. Poucos são aqueles, na modernidade, que dignamente representam e resguardam os ideais desta cultura. Devemos plantar sementes de esperança em cada terreno existente, rogando aos céus por uma ressurreição de nossos tempos de glória.
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real. Este guia, em especial, e dedicado aos grandes espíritos, que
nestes 2.500 anos de história deram rumos aos destinos espirituais
do ocidente em sua scientia scientiarum.
Abraços,
Luiz Fontenelle |