Captador Sound HB Evil Distortion
Uma grata surpresa!
Esta é a melhor definição que encontrei para iniciar este texto.
Ao instalar o HBED, pensei: “Ok, tenho um bom captador para inaugurar esta coluna de testes. Mas qual será seu diferencial?”
Depois da primeira bateria de testes, a pergunta era:”Será que existe algo assim por aí?”
Agradecimentos:
Sound captadores
Rotstage amplificadores
EM&T
Equipamentos:
Amplificador Rotstage CJ50 Plus com caixa 2x10”
Guitarra Epiphone Les Paul Custom Blackbeauty
Guitarra Hourneaux baseada em modelo Stratocaster HSS
Simulador de amps Yamaha DG-Stomp
Dados técnicos:
Posição: Ponte
Ganho: Alto
Timbre: Médio agudo
Saída: 380mV
Resistência das bobinas em série: 18K Ohms
Resistência das bobinas em paralelo:
Imã: Pinos de alnicoV estagiados
Fiação: 4 condutores + malha
Teste:
Características gerais
O captador tem visual imponente. Seus pólos estagiados são um grande diferencial na aparência e, de cara, despertam a curiosidade sobre o que este captador pode oferecer.
Sua embalagem é simples e eficiente. Acompanham 2 parafusos, 2 molas e manual de instruções.
Os multicabo tem comprimento suficiente para uma instalação tranquila e diâmetro planejado para não congestionar a passagem da fiação.
Construção
Duas bobinas com imãs no formato de pinos estagiados, unidas lateralmente e fixadas num berço de latão. São praticamente 2 single coils formando um humbucker.
Tudo foi pensado para que o “split” de bobinas soe o mais fiel possível a um single coil tradicional.
Em ação
Para iniciar o teste, utilize-o na Epiphone plugada direto no Rotstage.
A primeira sensação foi a de que era um humbucker gordo com muito brilho, tamanha a quantidade de harmônicos e a maciez do som. Então fui percebendo que aquilo que julguei como grave era apenas o equilíbrio tonal em perfeita sintonia com as características sonoras do captador.
A guitarra soou aberta e pontiaguda, porém sem ardidos ou zunidos incômodos gerados pelo excesso de médios da maioria dos captadores de alto ganho.
Com o drive do amp no máximo, o captador não soou desvairado, com overdrive disforme e sem direção.
As freqüências pareciam ser milimetricamente calculadas, saltavando do alto falante com uma exatidão impressionante e recheando os acordes com sons distintos, sem embolar.
Retirando um pouco de agudos e presence do amp, conseguí diminuir o ataque das palhetadas, deixando o som mais linear e homogêneo.
Acionei o push-pull para o cancelamento de uma das bobinas. Todos na sala ficamos boquiabertos com o som de Telecaster que a Les Paul produzia. Sons abertos a deliciosamente estalados foram ouvidos com prazer e espanto.
Toquei alguns licks nas cordas agudas e riffs nas cordas graves. O som de single coil era evidente como nunca ví em qualquer outro humbucker “splitado”.
Outra característica que chamou a atenção foi a dinâmica do volume.
Com o drive do amp no máximo, a guitarra rugiu ensandecida. Diminuindo o volume do instrumento, a saturação excessiva simplesmente deu lugar a um “crunch” macio e cremoso, perfeito para passagens que preparam ou finalizam momentos mais pesados e agressivos.
Enquanto uma guitarra de mogno com braço colado soou brilhante e percussiva, a Hourneaux com caixeta, pau-marfim e braço parafusado pareceu mais pesada e imponente do que o normal.
Com som seco e direto, a guitarra demonstrou uma honestidade impressionante, no maior estilo WYSIWYG (What You See Is What You Get - “O que voce vê é o que voce tem”)
O captador acrescentou uma camada de médio-graves, gerando timbres decisivos para a identidade do instrumento.
Com o canal limpo, a guitarra soou brilhante e macia, flertanto com ataques ardidos ou notas angelicais, num sinal de obediência à dinâmica da palhetada.
No canal sujo, o amp rosnou enfurecido com um overdrive que, apesar de extremamente saturado, não agrediu os ouvidos.
A definição sonora proporcionada pelo captador ficou muito evidente, tanto nos acordes como em riffs rápidos.
Com o cancelamento de uma das bobinas, novamente ouví aquele estalado cheio de médios, tão característico dos single-coils, agora enfatizado pelas características da própria guitarra.
Ficou nítida a versatilidade conquistada com a instalação do HBED.
Tanto com 2 bobinas como “splitado”, o captador adicionou um universo de possibilidades sonoras ao instrumento.
Mas o que mais me fascinou não foi a quantidade de timbres, mas sim a qualidade de cada um deles, proporcionado enorme prazer em tocar guitarra. E é isso o que eu espero de qualquer equipamento: prazer ao tocar.
Na configuração HSS (Humbucker, Single, Single), minha sugestão é um par de Custom Alnico Blues para as posições meio e braço.
Já uma guitarra com 2 humbuckers, um Progbucker cai como uma luva para a posição do braço. |