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 Guitarra
Edilson Hourneaux
Editor do seu Guia de Guitarra na Internet
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SONATTA


Uma fonte inesgotável de energia!
Talvez esta seja a melhor definição deste álbum, que traz toda a adrenalina acumulada nas veias dos integrantes da Sonatta.
A versatilidade do Faith no more, a energia do ACDC, riffs inspirados no Iron Maiden e a porrada com precisão cirúrgica do Metallica. As letras (em português), indiretas e desfocadas, com profundas mensagens em suas entrelinhas, são cantadas com vocais prolongados e eventuais urros guturais.
Esta é a Sonatta. Uma enxurrada de inspiração, entrosamento e bom gosto que coloca em prática o cobiçado sonho de se ter uma legítima banda de rock.

Este é o primeiro trabalho da banda e eles já começaram com o pé direito, lançando um disco extremamente bem gravado. As composições bem estruturadas, com arranjos extremamente detalhados e grande quantidade de variações rítmicas são perfeitas para as guitarras com timbre visceral e agressivo e para a bateria criativa e intensa.

De cara, já chamo a atenção para a qualidade da gravação e masterização do álbum. Todos os instrumentos estão nítidos e equilibrados, com exceção da voz levemente baixa em todas as faixas.

Outro destaque são as composições.
Normalmente, uma música cantada possui um fundo musical, que na maioria das vezes é linear e intuitivo. Além disso, essas músicas têm uma letra onde são encaixadas a melodia vocal e a harmonia dos instrumentos.

No caso da Sonatta, a banda compõe as partes dos instrumentos e, só depois, a voz é encaixada. Isso pode explicar, em parte, a grande variação de rítmos e riffs em cada música, o vocal sem rimas e a fertilidade imaginativa das letras.
Outra característica marcante em praticamente todo o CD são as guitarras dobrando em terças ou quintas, executando motivos cíclicos sobre uma variação de baixo, que na maioria das vezes, é composta de Im, VIIb e VIb. Apesar de ser uma fórmula conhecida, é infalível!  

Cada música deste CD é uma coleção de sensações distintas e independentes, construídas cuidadosamente com o perfeito entrosamento entre a vibe de cada parte da música com uma letra escrita e cantada para aquele momento específico. Instrumentos e voz se misturam com perfeição, ilustrados com um texto (a letra) que endossa o que já é dito pelo som da banda.

Os vocais prolongados de Marcelo Alves dão profundidade, preenchem vários espaços e acrescentam mais sentimento às músicas.

Marcus Gordo é dono dos urros guturais e da segunda voz da banda.

O baterista Zenilton “Zé” Junior é um monstro! Esbanja vigorosidade, intimidade com o instrumento, técnica e um grande senso rítimico. É um verdadeiro baterista de rock!

Rodrigo coloca um baixo discreto, que complementa a bateria e fecha a proposta da bandas.

Os guitarristas:
As guitarras de Diego Oio e Marcelo Maka merecem uma menção honrosa!
Os arranjos, os riffs, as dobras em uníssono, terças e quintas, o timing roqueiro e o timbre gigantesco são feitos raros em bandas de rock. E esses dois guitarristas arrasaram neste CD!

Maka é um dos fundadores da banda, que na primeira formação chamava-se “Tears”.
Diego entrou um pouco mais tarde, para sacramentar o nascimento da Sonatta.

As guitarras:
As duas guitarras ouvidas no CD são, em sua maioria, uma Gibson SG Standard 2005 toda original.
Em algumas partes do disco, foi usada, além da Gibson, uma Epiphone G400 2007 também original.
Solos de guitarra não são característicos para o estilo da banda. No entanto, eles não fazem falta. A variação rítmica é tão grande que as guitarras são construídas praticamente inteiras dentro de riffs e contra-solos.
E como se não fosse suficiente essa riqueza de informação, a segunda guitarra (que de segunda não tem nada) caminha paralela à primeira, completando tríades ou gerando contrapontos.
É muito fácil ouvir tudo isso, pois em quase 100% do CD, as guitarras soam nítidas em canais distintos.

“Nas partes com distorção, usamos o Guitar Rig simulando um JCM900 com caixa Mesa/Boogie  4x12'' e um ProCo Rat pra dar um gás.
Nas partes limpas, simulamos o Roland Jazz Chorus com dois falantes de 12''.
Às vezes rolava um Rat também nas partes limpas. Mas bem de leve, pra dar um drivezinho...”            Diego Oio

 

As faixas:

1- O fim será frenético
O início já é frenético!
Para acompanhar a voz, a guitarra começa leve, com uma sequência de hammer-on e pull-off com notas pedal na corda SI.
Em 00:56, já temos uma amostra do entrosamento da banda em um riff truncado, com guitarras se complementando harmonicamente e uma grande cumplicidade entre todos os instrumentos da banda.
Em 02:06, um interlúdio gera um belo momento na música, com um dueto cíclico entre as  guitarras.
Na sequência, Diego e Maka “brincam” isolados em seus canais, criando um efeito “ping pong” muito bacana.
Antes da volta para casa, um desabafo insano devidamente vomitado por Marcus Gordo.

2- Incontrolável
A introdução sincopada, “empurrando” o tempo forte para a segunda semi-colcheia de cada compasso, abre caminho para um hard rock estilizado. Enquanto uma guitarra toca um lick com notas individuais, a outra faz uma sequência com notas oitavadas, criando um contraponto com a voz.
Em 01:10, cada guitarra segue um padrão rítmico, gerando um efeito de tensão muito bacana.
Na finalização da música, ocorre uma mudança no andamento e no rítmo, criando um ambiente completamente diferente, enriquecendo o desfecho.
Grande destaque para o baterista que, com arranjos inteligentes, técnica apurada e grande inventividade, deu à música uma roupagem sob medida.

3- Complexo de Athena
Na abertura, um riff que tinha tudo para ser completamente “metal”. Mas a simples economia nos power chords já tira o excesso de peso e torna evidente a assinatura da banda.
Em 01:30, um curto duo de tônica e terça entre as guitarras mata a saudade das épocas férteis do Iron Maiden.
Em 02:40, uma amostra clara de desprendimento e ousadia. Um simples par de harmônicos artificiais e simultâneos servem de transição entre duas partes da música.
Em 03:09, o primeiro momento calmo do disco. Repare o timbre crunch no dedilhado.

4- Equilíbrio
A música começa com um riff cíclico e a selvageria de Marcus Gordo para, em seguida, dar lugar a um rock leve e despretencioso.
O refrão colabora para que esta seja umas das músicas mais bacanas do disco.
Depois de um período de interlúdio, as guitarras atacam um power chord de SI em uníssono, com timbres poderosos de hard rock.
As notas oitavadas durante o refrão, tocadas em contraponto entre as guitarras, geram uma sonoridade grandiosa.

5- Confissões de Caim
Outro início sincopado, que já dispara a fúria das próximas notas.
A presença dos vocais guturais de Marcus Gordo evidencia este nervosismo durante toda a música.
Em 00:24, o sincronismo criado entre guitarras, baixo e bateria passam uma sensação de inquietude em estado de alerta.
A partir de 01:44, harmônicos simultâneos e pizzicatos criam um clima e um timbre grandioso de guitarras, que  desfilam numa grande variedade de artifícios para enriquecer a música.
Na finalização, um “ralentando” que retorna lentamente ao andamento inicial para os riffs do desfecho.

6- Não há de quê
A introdução engana!
A música transita do calmo para o selvagem sem nenhum constrangimento.
Em 00:48, uma nova mudança no andamento para uma demonstração de sincronia e coesão, num riff curto e certeiro. Um terreno onde o Metallica é mestre.
Não ouça essa música enquanto dirige. A adrenalina é tanta que perigas você bater o carro...

7- 1986
A introdução já vale como argumento para o restante da música.
Um belo arranjo de violões fortemente amparado pela bateria, que preenche inteligentemente os espaços vazios, sem se exceder.
O abismo existente entre a introdução e os próximos momentos da música enfatiza o estilo da banda, que eleva o elemento surpresa, presente durante todo o disco, ao máximo da interpretação.
Música visceral e direta como um soco no olho é o que se segue. O constante intervalo de terça entre as guitarras deixa tudo mais elegante e maduro. Neste momento, estamos num ambiente onde as idéias conseguem ser simples e inteligentemente planejadas. Com guitarras bem tocadas, coesas e vigorosas, temos a fórmula certa para os despejos contínuos de adrenalina no organismo.
Sim, você pode voar!!

8- Inflamare
O clima adolescente na introdução impõe o alto astral que impera em toda a música.
A música simples e a letra de “fácil digestão” faz dessa música uma candidata a hit do CD ou música tema de qualquer história de amor movimentada.
Tudo isso sem cair na mesmice de outras bandas que injetam goela abaixo à força um refrão grudento, como um delay infinito.
A participação de Isabela Brito nos vocais dá um gás diferente e muito interessante na canção.
Na última frase da música, fica claro o espírito da juventude com esperança imperativa: “Tudo o que o futuro reservou pra nós”

9- Vitória
A faixa título do CD traz um clima de agonia e delírio, sintetizando todo o sofrimento e perda que antecede uma conquista vital.
Novamente, guitarras bem conectadas, preenchendo todos os espaços sem cometer excessos.
Vários climas diferentes compõem esta música e criam um ambiente extremamente diversificado e imprevisível, prendendo o ouvinte diante da curiosidade do que estar por vir.
O talento do baterista transforma esta música em um trabalho especial e marcante.
A violência dos pratos nas estrofes seria um exagero se não fosse tão bem colocada e executada.

10- A última canção
O auge da insanidade.
A última canção foi deixada para demostrar toda a fúria e capacidade de coesão e precisão da banda.
Nesta faixa, a bateria abandona definitivamente o posto de instrumento rítmico, se misturando perfeitamente e interagindo com todos os outros da banda.
Guitarras em licks uníssonos e em terças enriquecem a melodia, enquanto o “pau” quebra na cozinha, com o baixo e a bateria.
As vozes em finalizações perfeitas valorizam os momentos de transição e já criam a expectativa para os momentos seguintes.
Sem sombra de dúvida, é a faixa com maior complexidade técnica do CD.

 

Para maiores informações sobre a banda Sonatta: www.fotolog.com.br/sonatta/ e sonattarock@gmail.com



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