Meu nome é Aloysio Clemente Maria Infante de Jesus Breves Beiler, tenho 48 anos, sou advogado e pesquisador da História Fluminense.
O interesse pela História inicia-se na minha infância e adolescência na região serrana fluminense, onde cresci ouvindo as histórias das fazendas de café, dos escravos, dos barões, das riquezas e tragédias que se abateram sobre aquela região, bem como a observação da influência que exerce o passado sobre seus habitantes.A história ainda recente está muito presente na região, quer seja no casario colonial, no barroco de suas igrejas, nos dormentes da antiga linha férrea, e nos pés de café que encontramos em suas matas. O contexto social histórico verifica-se a todo instante: nos descendentes de escravos, na população fazendeira ainda detentora do poder local, no pleito eleitoral marcadamente coronelista, nas clãs familiares, na alimentação, vestuário e na nomenclatura de suas praças e ruas.
A possibilidade de aprofundar o conhecimento da história da região surgiu na década de setenta, na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro onde realizei intensa pesquisa sobre o período (1840-1900). Foram analisados documentos, fotografias, periódicos, quadros e objetos que pertenceram aos que viveram naquela época. Visitei as fazendas de café verificando em algumas o abandono e o desprezo pela manutenção do bem histórico. Em outras, graças à iniciativa particular, o bem está preservado e a história está viva, podendo ser olhada, tocada, e ser objeto de estudo daqueles que se interessam pelo patrimônio histórico. O farto material para uma análise histórica existente na região, como por exemplo: arquivos contábeis das antigas fazendas, objetos do período escravista, ferramental utilizado no plantio de café, retratos à oleo, fotografias, a arquitetura regional, cemitérios particulares das fazendas, igrejas e capelas, entre outros, me fizeram acreditar que era preciso urgentemente divulgar todo o material coletado, para que pelo menos a idéia de preservação se fizesse presente. Portanto, urgente era e sempre será o o registro iconográfico e documental de todo o material, pois o tempo é inexorável e o resultado é o desaparecimento e a ruína. O estudo e a compreensão das causas e fatores que contribuiram neste hiato de cem anos, para a estagnação econômica da região do Médio Paraíba, foram importantes para a formação dos dados coletados. Enfim, tudo isso resultou: - no site História do Café no Brasil Imperial, colocado em 1998 e para meu espanto já conta com mais de 95.000 acessos, e que hoje faz parte do Guia.
- na Monografia de Curso de Pós-Graduação (UNIFOA-MUDES, 2001) com o título: "Cidades Mortas: Declínio econômico das cidades do médio Paraíba na província do Rio de Janeiro no ciclo café. Aspectos econômicos, históricos e sociais das cidades de Piraí, São João Marcos e Rio Claro no período de 1860 - 1900";
- na participação de alguns seminários e palestras voltada para o tema;
- no documentário da EPTV de Minas Gerais (Ribeirão Preto) e Globo Repórter TV Globo - "O Ouro de Kaffa", sobre o ciclo do café.
A inoculação do saudável vírus da preservação e pesquisa do bem histórico, hoje está presente, tanto na Internet, quanto nos organismos que cuidam do patrimônio histórico, artístico e cultural do País. Participar da Elaboração do Guia de História do Brasil é uma tarefa compensadora e gratificante. O Guia não é sobre o café, mas sobre a nossa História Brasileira. Será ampliado e revisto sempre, para que os internautas-pesquisadores possam olhar para o passado e encontrar o passado. Desejo a todos vocês uma boa viagem, não só pelas províncias antigas fluminenses, mas por todo o País, através das páginas do Guia de História do Brasil, oferecido pelo SobreSites. Um abraço, Aloysio Clemente M. I. de J. Breves Beiler |