Herbie Hancock é um dos músicos de jazz que mais ousa no atual cenário. Depois de mais de 40 anos de carreira, este pianista norte-americano é uma lenda viva. Com sua mente vanguardista, ele já flertou com o funk, pop e com a música eletrônica. Muitos dizem que esta necessidade de recriar sempre é reflexo dos anos que tocou com Miles Davis, entre 63 e 68. Exatamente neste período, ele lança um dos discos mais expressivos da sua carreira, "Maiden Voyage", de 1965.
Aqui, Hancock traz, na grande maioria das faixas, grandes frases de jazz. Só a genialidade do piano do músico já seria o suficiente para fazer deste disco um clássico. Mas ainda há um quarteto de respeito o acompanhando. São eles: Ron Carter (baixo), George Coleman (sax tenro), Tony Williams (bateria) e Freddie Hubbard (trompete). É quase a formação do grupo que acompanhava Davis. Com tantas feras reunidas, os solos e improvisações acontecem a toda hora.
A faixa-título traz um arranjo mais moderno, que serviu de aperitivo para o que o músico faria no futuro. Com 25 anos de idade, Hancock já mostrava toda a sua técnica e talento. Em "Survival", um hard bop pesado é capitaneado pelo trompete de Hubbard. O mesmo acontece com "Eye Of Hurricane", onde a quebradeira e o improviso rolam sem parar. Nas outras duas músicas, o hard bop dá espaço ao cool jazz. É ai que a suavidade do piano tem seu momento mágico. Em "Dolphin Dance", a delicadeza do arranjo é o destaque. Já em "Little One", o triângulo entre piano, trompete e sax é uma sincronia perfeita.
Hancock continua ousando até hoje. Sua inquietação, misturado com seu talento, o mantém trabalhando e surpreendendo os fãs de todo o mundo. É sempre bom saber que entre milhares de pseudos músicos de jazz, há um craque como Hancock, produzindo melodias que nos fazem acreditar em um mundo um pouco mais harmonioso.
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