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Emerson Marques Lopes
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RECKLESS PRECISION


 Quando se fala em guitarrista de jazz a maioria do público pensa logo em Wes Montgomery, Lee Ritenour, Pat Metheny, Joe Pass, John Scofield, entre outros. Todos eles, cada um com seu estilo, são importantes referências no jazz. Mas vários desconhecidos não têm a mesma sorte ou espaço para brilhar como eles. Esse é o caso do americano Tuck Andress. O guitarrista americano consegue mostrar a sua apurada técnica nos discos lançados com a cantora e esposa Patti Cathcart, na dupla Tuck & Patti. Os dois têm uma química perfeita, mas a voz de Patti acaba ofuscando o toque do músico.

Felizmente, Andress lançou um disco solo. Neste caso, solo mesmo, apenas a guitarra, sem distorções ou efeitos de estúdio. No álbum "Reckless Precision", de 1990, o ouvinte escutará, inclusive, os dedos do músico deslizando nas seis cordas.

Andress escolheu um repertório simples e fácil de ser ouvido. O disco abre com o sucesso de Michael Jackson, "Man In The Mirror", uma das músicas mais singelas do cantor americano. Logo depois, ele dá um tom mais lúdico com o medley do compositor Harold Arlen em "Over The Rainbow" e "If I Only Had A Brain". Na área que podemos chamar de jazz, Andress preferiu não arriscar e gravou três clássicos: "Body and Soul", "Stella By Starlight" e o bela melodia de Cole Porter, "Begin The Beguine".

O disco ainda tem um momento especial para os brasileiros, a versão de "Manhã de Carnaval", de Luiz Bonfá, uma das grandes influências na carreira do músico. Andress aproveita o disco solo e mostra três composições próprias. Destaque para a levada funk em "Manonash", na qual é possível ouvir perfeitamente a habilidade de Andress. Aqui, você vai achar que alguém está acompanhado Andress no baixo. Não se engane, é o próprio guitarrista, com sua técnica e swing, que faz a linha de baixo.

Fica aqui a dica e um comentário oportuno. O disco foi lançado pelo selo Windham Hill, que é mais conhecido por seus músicos de New Age. Caso você procure este disco, provavelmente, na loja, ele estará na seção de New Age. Esta pequena confusão serve apenas para deixar um bom disco de instrumental de jazz, obviamente um jazz mais popular, no meio de um bando de discos feitos para "meditar". Escute Tuck Andress e confira como a simplicidade, às vezes, é a melhor escolha.


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