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Emerson Marques Lopes
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ROCK SWINGS


A simples menção dos nomes Nirvana, Soundgarden, Bon Jovi e Van Halen é o suficiente para afastar ouvintes com menos de 40 anos de idade. Alguns vão fugir como o diabo foge da cruz e outros nem mesmo ouviram falar desses grupos. Sucesso nos anos 80 e 90, essas bandas de rock ficaram ainda mais conhecidas com o lançamento da MTV, canal de TV que transmite basicamente clipes musicais. 

O leitor mais “atento” deve estar pensando: “que história é essa de falar de bandas de rock, MTV e vídeo clipes em um livro sobre jazz”. A inquietude do desconfiado leitor tem fundamento e merece uma explicação, no mínimo, convincente. Pois bem, aqui vai. 

O ano era 2005 e a indústria fonográfica vivia na penumbra após a criação do MP3. No Brasil, o governo Lula era alvo de denúncias e da CPI do Mensalão. Em Londres, o brasileiro Jean Charles de Menezes foi morto depois de ser confundido com um terrorista. Em Nova Orleans, a cidade foi devastada com a passagem do furacão Katrina. No Vaticano, morre João Paulo II e assume Bento XVI. Na música, o cantor canadense Paul Anka volta à cena e grava um disco com canções do Survivor, Billy Idol, Pet Shop Boys, Michael Jackson, entre outros. 

O retorno de Paul Anka, que dominou as paradas de sucesso nos anos 50 com as canções “Diana” e “Put Your Head On My Shouder”, não poderia ter sido mais imprevisível e surpreendente. Com o lançamento de Rock Swings, o cantor de 68 anos provou que com talento e uma boa produção é possível transformar canções de rock e pop em temas ideais para Frank Sinatra, Ella Fitzgerald e Diana Krall interpretarem.  

Acompanhado de uma big band, Anka abre com “It’s My Life”, do Bon Jovi. A escolha da música não foi por acaso. A letra faz uma menção ao grande sucesso composto pelo cantor, “My Way”. Na sequência, vem “True” (Spandau Ballet), “Eye Of The Tiger” (Survivor) e “Wonderwall” (Oasis). 

Para dançar de rostinho colado, o cantor regravou “Hello” (Lionel Richie), “Tears In Heaven” (Eric Clapton), “Everybody Hurts” (R.E.M.), Eye Without a Face (Billy Idol) e It’s a Sin (Pet Shop Boys). O suingue volta com três representates do rock: Nirvana (Smells Like Teen Spirit), Soundgarden (Black Hole Sun) e Van Halen (Jump).  

Antes de Paul Anka e do roqueiro Rod Stewart, que gravou uma série de quatro CDs com standards da música norte-americana, os cantores Robert Palmer, Bryan Ferry e Robbie Williams também flertaram com o jazz. Em Ridin’ High (1992), Palmer está acompanhado de uma orquestra e interpretar clássicos como “Witchcraft” e “Love Me Or Leave Me”. Em As Time Goes By (1999), o inglês Bryan Ferry cria um clima de cabaré para cantar temas como “The Way You Look Tonight”, “Just One of Those Things” e “Where or When”.  Já Williams prefere arranjos de cordas no disco Swing When You're Winning (2001). No repertório, “Mack the Knife”, “One for My Baby” e “My and My Shadow”. Uma menção honrosa vai para o cantor Jimmy Scott, que em 1999 lançou Holding Back the Years. Com sua maneira única e melancólica de cantar, Scott reinventa canções de Simply Red, John Lennon, Elton John e Bryan Ferry.  



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