Para quem ainda não sabe, o pianista, compositor e arranjador Billy Strayhorn foi o maior colaborador do genial Duke Ellington durante as décadas de 40 e 60. Esta longa parceria foi fundamental para a fama e a qualidade reconhecida da orquestra de Ellington. Por outro lado, o talento de Strayhorn ficou ofuscado por décadas até ser reconhecido como um dos maiores compositores que a América já teve.
Em 31 de maio deste ano, o mundo relembra os 50 anos da morte do compositor, vítima de câncer aos 51 anos de idade. Entre as homenagens dedicadas a Strayhorn está Billy Strayhorn: Lush Life, um documentário produzido para a TV que conta sua trajetória. Para a trilha sonora do filme, o diretor preferiu regravar clássicos de Strayhorn ao invés de utilizar gravações originais. O resultado é, no mínimo, excelente em todos os sentidos. Do repertório aos arranjos, o disco traz feras como Joe Lovano, Bill Charlap, Hank Jones, Elvis Costello e Dianne Reeves esbanjando talento e paixão ao interpretarem obras-primas de Strayhorn.
A parte instrumental do álbum tem como principais destaques o sax de Lovano e o piano do lendário Jones. Escute “Johnny Come Lately”, “Rain Check” e “Lotus Blossom”, com participação do baixista George Mraz e do baterista Paul Mation, e comprove do que a dupla é capaz. Hank também brilha solo em “Tonk” e “Satin Doll”, em co-autoria com Ellington. O pianista Bill Charlap é responsável por outras duas faixas de piano solo, “Fantastic Rhythm” e “Valse”.
Na parte cantada, quem manda é Dianne Reeves. Como acontece sempre, Reeves parece estar tomada pelo espírito de Sarah Vaughan e solta a voz em “My Little Brown Book”, “Day Dream”, “So This Is Love” e “Something to Live For”. Outro momento marcante é a versão de “Lush Life”, com Reeves acompanhada apenas da guitarra de Russell Malone.
Para completar, o ex-roqueiro Elvis Costello, acompanhado de Charlap e Lovano, interpreta a singela “My Flame Burns Blue”, que é um misto da composição “Blood Count”, última música escrita por Strayhorn, com letra de Costello.
|