Eles são os idealizadores do bebop, seus nomes são sinônimos de jazz, suas personalidades foram tão marcantes quanto seus dotes musicais. Um é considerado um gênio, o outro um fenômeno. Um morreu cedo, mas mudou a maneira de se tocar sax, o outro foi um dos músicos mais amados da história do jazz. Essa é uma pequena introdução para apresentar o saxofonista Charlie Parker e o trompetista Dizzy Gillespie. Ambos, mudaram as diretrizes do jazz no fim dos anos 40 ao criarem o bebop, estilo que deu mais liberdade aos músicos.
Parker e Gillespie eram amigos, mas ao mesmo tempo concorrentes no ramo da música. Felizmente a amizade proporcionou várias jam sessions e um dos álbuns de jazz mais livres gravados até hoje, "Bird & Diz", lançado em 1950. Além deles, Buddy Rich, na bateria, Curly Russell, no baixo e ao piano, outro gênio do bebop, Thelonious Monk. Por sinal a única gravação onde Monk e Parker tocam juntos.
A edição comentada aqui é o relançada pela gravadora Verve na sua série Masters Editions Series, com várias músicas a mais e encarte detalhado sobre as gravações. Para se ter uma idéia, a música "Leap Frog", além da versão original, tem outros nove takes, alguns deles completos outros não. Por sinal, esta música é a mais bebop de todas com Parker e Gillespie "disputando" a melodia nota por nota em momentos inspirados. Outra canção "perturbadora" é "Bloomdido", na qual o quinteto se completa de maneira perfeita. Em "My Melancholy Baby", única música do disco não composta por Parker, o sax alto do músico é o destaque. Monk também dedilha seu piano, mas apenas na retaguarda para as hipnóticas frases de Parker. É importante salientar que Monk não tem espaço para grandes solos ou demonstração de sua apurada técnica. Aqui, ele é coadjuvante de luxo. Mais três músicas completam o disco, "Relaxin' With Lee", está com seis versões, "An Oscar for Treadwell" e "Mohawk".
Para o ouvinte este disco soa como um documento raro. Além das seis músicas na íntegra, as faixas com gravações alternativas e momentos de ensaios dentro do estúdio levam o ouvinte à atmosfera da gravação. Alguns consumidores deste disco reclamam que música de verdade há apenas por 25 minutos e que as versões diferentes não são importantes. Por isso, se você espera um disco comercial com Dizzy Gillespie tocando "A Night In Tunisia" ou Charlie Parker interpretando músicas de Cole Porter, esqueça este disco e procure um 'Best of' qualquer na primeira quitanda de esquina. O que você encontra aqui é a mas pura tradução do que foi o bebop e do que o velho Bird e o simpático Diz eram capazes.
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