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Emerson Marques Lopes
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BRAZILIAN DAYS


No início dos anos 60, o jovem saxofonista Paul Winter e seu sexteto vieram ao Rio de Janeiro para uma excursão por toda a América Latina patrocinada pelo Departamento de Estado dos EUA. Ao chegar, o músico foi arrebatado pela magia da então capital brasileira e pela bossa nova, que nascia sob o comando de João Gilberto, Tom Jobim, Carlos Lira, Luiz Eça e tantos outros. Esta paixão foi concretizada em 1964 com o lançamento de dois álbuns – The Sounf Of Ipanema e Rio – ao lado de feras como Lyra, Roberto Menescal, Luiz Bonfá e o grupo Tamba Trio.

Durante sua temporada no Rio, além dos músicos citados, Winter também conheceu o violonista Oscar Castro-Neves e uma forte amizade nasceu. Desde então, eles têm compartilhados vários trabalhos, entre eles está Brazilian Days, lançado em 1988, e que agora é reeditado. Esta é uma deliciosa compilação de canções “com a mesma atitude de ingenuidade que Jobim e João Gilberto tiveram quando gravaram seus primeiros trabalhos no fim dos anos 50”, explica Winter, que não se preocupou em colocar canções famosas da bossa nova para atrair o público.

Acompanhados pelo baixo de Nilson Matta e a bateria de Paulo Braga, Winter e Castro Neves conquistam o ouvinte já na primeira música, “Aula de Matemática”, de Jobim e Mariano Pinto, com destaque para o percussionista Cássio Duarte. Jobim aparece ainda em “Ana Luiza” e “Por Causa de Você”. Em seguida vem “Coisa Mais Linda”, “Minha Namorada” e “Também Quem Mandou”, todas compostas por Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, e “Se é Tarde me Perdoa”, em parceria com Ronaldo Bôscoli.

Para terminar, o sax soprano de Winter e o violão de Castro-Neves mostram dois sambas compostos pelos mestres Vadico e Noel Rosa. A delicada “Feitio de Oração” e a irrepreensível “Feitiço da Vila”, de 1933 e 1934, respectivamente. Viva a Vila Isabel e a bossa nova e obrigado Oscar e Paul por um disco tão singelo e comovente.


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