A gravadora Verve é até hoje sinônimo de jazz. Criada por Norman Granz nos anos 40, a Verve tem em seu catálogo os maiores nomes do gênero. Músicos como Ella Fitzgerald, Joe Henderson, Bud Powell, Herbie Hancock e tantos outros. Para comemorar os 50 anos do selo, um concerto único e inesquecível foi realizado no Carnegie Hall, de Nova York, em 1994. O show reuniu grandes nomes do jazz em jams até então nunca vistas pelo público. Para a alegria do público, essa apresentação foi lançada em vídeo e em CD com o nome de Carnegie Hall Salutes Jazz Masters: Verve at 50.
O disco traz 16 faixas com canções e arranjos de tirar o fôlego. Para começar, "Tea For Two", um clássico dos anos 40, interpretado aqui pelo trombonista J.J. Johnson, o saxofonista Joe Henderson, o guitarrista Kenny Burrell, o pianista Herbie Hancock e o baixista Ray Brown. Pelos músicos dá para imaginar o que aconteceu. Depois é a vez do pianista Hank Jones prestar uma homenagem ao também pianista Art Tatum em "Willow Weep For Me". Outros dois pianistas também são lembrados em mais duas músicas. Em "Parisian Thoroughfare" o pianista Yosuke Yashita relembra a obra de Bud Powell, e em "Turn Out The Stars", Herbie Hancock e o guitarrista John McLaughlin recriam a magia de Bill Evans.
Na área cantada, momentos de puro lirismo com as divas Dee Dee Bridgewater, Abbey Lincoln e Betty Carter. Bridgewater canta "Shiny Stocking" acompanhada de J.J. Johnson e da orquestra do Carnegie Hall. Carter, acompanhada do trompetista Roy Hargrove, do baixista Christian McBride e do pianista Hank jones, interpreta a clássica "How High The Moon" e Lincoln recria a obra-prima de Benny Goodman, "I Must Have That Man", com Charlie Haden, no baixo, Johnson, no trombone e Jones ao piano. O disco abre espaço também para o jazz fusion. Destaque para "Yellowstone", com o sax de Art Poter e Jeff Lorber e o piano de Bruce Hornsby, e "It's About That Game".
Tudo isso já seria mais que suficiente para fazer deste disco uma aquisição obrigatória. Mas o show ainda traz a participação do maestro e compositor brasileiro Tom Jobim. Aqui, ele interpreta dois clássicos da bossa nova. Em "Desafinado", o piano de Jobim é acompanhado por Joe Henderson, em momento mais que inspirado, Charlie Haden e o baterista Al Foter. Depois é a vez de "How Insensitive" com Jobim cantando e tocando piano e a guitarra inconfundível de Pat Metheny. São dois momentos que ficaram para a história. Primeiro pelas parcerias e arranjos das canções e depois por ter sido a última apresentação ao vivo de Tom Jobim, meses depois ele morreria.
Infelizmente é mais um disco que não está no catálogo da gravadora Universal Brasil. Provavelmente os cartolas nunca ouviram falar deste disco. Fica aqui o protesto e a dica à Universal. Senhores, o público também gosta de boa música.
|