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Emerson Marques Lopes
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ON A MISTY NIGHT


 Depois de Miles Davis, Chet Baker foi maior nome do trompete em todos os tempos. Com seu estilo marcante, na maioria das vezes mais cadenciado, Baker ficou marcado na história do jazz como um dos mais brilhantes músicos do século XX. Infelizmente sua relação com as drogas foi decisiva para encurtar a carreira de Baker. Apesar de ter vivido apenas até os 59 anos, Chet deixou uma obra extensa e brilhante, não só como instrumentista, mas também como cantor.

Em 65, Baker estava em ótima forma, mesmo usando dragas pesadas como a heroína, e gravou uma série de cinco discos para o selo Prestige. Mais tarde, esta série foi relançada em três CDs, "Lonely Star", "Stairway To The Stars" e "On A Misty Night". Os três discos são brilhantes, mas falaremos sobre o último deles. Aqui, Baker é acompanhado por um quarteto de peso. Kirk Lightsey, no piano, Herman Wright, no baixo, Roy Brooks, na bateria, e George Coleman, no sax tenor. Coleman, que trabalhou no quinteto de Miles Davis, é um parceiro perfeito. Com seu tenor em punho, ele cria uma atmosfera ideal para as frases de Baker, que neste disco gravou com um flugelhorn, uma variação do trompete clássico.

Entre as músicas escolhidas, destaque para as composições de Tadd Dameron, arranjador renomado da década de 40, entre elas as baladas "Lament For The Living" e "Romas". Outros momentos marcantes são "Bud's Blues", que apesar do título é um jazzão de primeira, e "Sleeping Susan", com a melodia mais "pop" do álbum. Em "Pot Luck", a dupla Coleman e Baker traz um momento mágico e comovente. Já em "Etude In Three", o destaque fica com o piano de Lightsey.

Para quem está acostumado a ouvir um Chet Baker mais lento e tocando clássicos do jazz, provavelmente não vai achar este disco tão bom. Infelizmente, aqui, não é possível ouvir Baker cantando. Mas o ouvinte terá a oportunidade de encontrar o músico em um momento maduro e lúcido da carreira. Baker foi vítima de sua própria genialidade. Quando tocava parecia estar em transe. Com poucas notas, ele conseguia mostrar que não era preciso fazer malabarismos no instrumento para encantar e enfeitiçar as platéias de todo o mundo. Confira.


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