Talvez você já tenha vivido a seguinte situação: Olhar para uma banca de CDs de jazz e não ter a mínima idéia do que comprar. Nesta hora, a melhor coisa a fazer é pedir a ajuda de um vendedor. Neste caso hipotético, você precisa dar de presente um CD de jazz para um amigo e precisa ser de um saxofonista.
Com estas informações, o atendente da loja, provavelmente, vai lhe mostrar os músicos de sempre, John Coltrane, Charlie Parker, Dexter Gordon, Gerry Mulligan e Stan Getz. Depois de tantos nomes, você continua completamente perdida, mas lembra que o seu amigo já tem centenas de CDs de saxofonistas e que alguma coisa diferente seria melhor. Neste momento, 90% dos vendedores ficam com aquela cara de interrogação, ou seja, não tem mais nada para oferecer. Quem sabe um Kenny G.
Brincadeiras à parte, esta pequena história ilustra a dificuldade que todos nós encontramos para sairmos do óbvio. Isto não quer dizer que feras como Parker, Coltrane e tantos outros músicos geniais precisam ser esquecidos, mas temos o direito e o dever de conhecermos outros artistas. No caso de “novos” saxofonistas, você pode começar com o disco The Sound of The Wide Open Spaces, de James Clay e David “Fathead” Newman.
Durante a década de 50, os dois saxofonistas tenores tocaram por quase dez anos com Ray Charles. O entrosamento de quase uma década pode ser ouvido neste CD, lançado em 1960. Para acompanhá-los, o pianista Wynton Kelly, o baixista Sam Jones e o baterista Art Taylor. O início do álbum começa arrasador com “Wide Open Spaces”. É delicioso poder ouvir o embate entre os dois pesos-pesados.
Em seguida vem “They Can’t Take That Away From Me”, com um arranjo simples e na medida certa. O mesmo acontece com “Some Kinda Mean”, na qual é possível perceber as nuâncias de cada saxofonista. O clima tranqüiliza de vez em “What’s New”, com James Clay solando na flauta. Para terminar, Clay e Newman retornam ao hard bop na contagiante “Figger-Ration”.
Vale lembra que o CD foi supervisionado pelo inesquecível saxofonista Cannonball Adderley, que entre outras coisas participou do antológico disco Kind Of Blue, de Miles Davis. Infelizmente, James Clay morreu em 1994, mas deixou como adeus o CD I Let a Song Out Of My Heart, de 89. Já David Newman, que completou 72 anos, lançou em 2005 o festejado álbum I Remember Brother Ray, em homenagem ao antigo parceiro Ray Charles.
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