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Emerson Marques Lopes
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‘S DIFFERENT


Assim como o pianista Richard Clayderman e o saxofonista Kenny G, os arranjos de Ray Conniff são conhecidos como músicas para tocar em elevador. A afirmação, um tanto pejorativa, não é de todo falsa, mas acaba denegrindo arranjos e músicos competentes. Ray Conniff nunca se importou com as críticas que recebeu em mais de 60 anos de carreira.

Nascido no Estado de Massachussets, o trombone de Conniff começou a despontar nos anos 40, quando se juntou à orquestra de Artie Shaw. Após quatro anos, ele deixou Shaw e foi trabalhar como arranjador no grupo de Harry James. Foi aí que a gravadora Columbia resolveu investir no jovem e talentoso músico e lhe propôs um disco solo.

Logo nos primeiros discos Ray Conniff e sua orquestra mostraram um som diferente e muito particular, acertando em cheio o gosto do público. Entre os primeiros trabalhos do músico está o disco Conniff meets Butterfield , uma parceria com o trompetista norte-americano Billy Butterfiled. No Brasil, o disco recebeu o nome de ‘S Different .

O disco, uma obra prima, foge ao padrão Ray Conniff que os brasileiros estão acostumados. Não há coral e tampouco canções populares contemporâneas. Aqui, Conniff aproveitou o talento de Butterfield para trilhar outros caminhos. Para começar a dupla ataca com “Beyond the Blue Horizon”, “South of the Border” e a deliciosa “Rosalie”, de Cole Porter.

É impossível escutar este CD sem lembrar dos antigos salões de bailes e toda a magia dos anos 40 e 50. Conniff era uma unanimidade nos bailinhos daquela época. Esse clima de nostalgia fica ainda mais forte no trompete de Butterfield em músicas como “All the Things You Are”, “What a Different a Day Made” e “You Must Have Been a Beautiful Baby”.

Apesar de brilhar em todo o disco, o trompete de Butterfield tem dois momentos sublimes. Em “I Found a Million Dollar Baby” e “A Love is Born”, composta por Conniff especialmente para o trompetista.

Conniff morreu em 2002, aos 85 anos, mas deixou um legado que jamais será esquecido. Com este CD, o público brasileiro vai descobrir que o maestro, arranjador e trompetista Ray Conniff está muito além de simples versões das músicas de Roberto Carlos ou Julio Iglesias e que Billy Butterfield é um músico para ser ‘descoberto”.


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