A sexagenária Nina Simone é hoje uma das cantoras mais antigas do jazz em atividade. Sua vitalidade e seu temperamento forte trouxeram uma espécie de amor e ódio com o público. Nina não faz questão de ser simpática, seu slogan é 'sou a última diva do jazz'. É impossível ficar passivo diante deste mito da música.
Ao longo dos últimos 50 anos, seu repertório está baseado no jazz e no blues dos anos 40, 50 e 60. No disco Don't Let Me Be Misunderstood, uma coletânea editada em 1986, é possível conferir suas preferências.
O disco abre com a faixa homônima que ficou famosa na voz do conjunto Santa Esmeralda, em versão mais dançante. Aqui, ela é apresentada quase como um spirituals, bem ao estilo Mahalia Jackson. Depois, a cantora mostra sua diversidade na canção francesa Ne Me Quitte Pas, do compositor Jacques Breal.
Há 15 anos, Simone mudou dos EUA para Paris, onde se diz mais respeitada e admirada. Em Work Song, um arranjo tipo orquestra dos anos 40 dá o tom. Nos blues Trouble in Mind e Nobody Knows You When You're Down And Out a cantora não faz feio diante dos grandes ícones do blues, como B.B. King ou Etta Jones.
Além de cantora e compositora, Nina Simone é uma pianista articulada. É possível constatar isso na ótima versão de Love Me Or Leave Me.
Uma das maiores influencias da cantora foi Billie Holiday. O disco traz duas músicas tradicionais do repertório de Holiday, Strange Fruit e Don't Explain, essa última composta pela própria Holiday, em uma gravação intimista.
Três outras músicas merecem ser destacadas. A versão serena de I Put a Spell On You, I loves You, Porgy, e uma das muitas composições políticas da cantora, Mississippi Goddam.
Infelizmente, Nina Simone não grava um disco com músicas inéditas desde de 1993, quando lançou A Single Woman. Essa compilação serve de consolo enquanto um novo registro não sai. Mas é bom que não demore muito, afinal, ninguém é eterno.
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