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Emerson Marques Lopes
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DOUBLE RAINBOW


Com a morte de Joe Henderson, em julho de 2001, a música perdeu uma das figuras mais talentosas e carismáticas do jazz.

Por mais de 30 anos, ele encantou os ouvintes com seu sax tenor e suas melodias inesquecíveis. Felizmente, Henderson deixou um legado enorme à humanidade. Entre os mais de 20 discos gravados, pérolas como In 'N' Out e os tributos aos músicos Billy Strayhorn e Miles Davis. 

É exatamente sobre um disco tributo que trata a nossa dica. Para os brasileiros, há um motivo a mais para reverenciar e apreciar o disco Double Rainbow: The Music Of Antonio Carlos Jobim, gravado em 1995 e editado pela gravadora Verve. A idéia do projeto nasceu depois do Free Jazz de 1993, quando o saxofonista esteve no Brasil para um tributo a Tom Jobim, em que participaram artistas como as cantoras Shirley Horn e Gal Costa, e o baixista Ron Carter. O disco foi indicado ao Grammy em 1996 e produzido pelo brasileiro Oscar Castro-Neves. Originalmente, a idéia era ter Tom Jobim ao piano, mas o maestro morreu meses antes da gravação. 

O disco tem uma característica importante: está dividido em duas partes. A primeira traz o saxofonista americano interpretando canções como Felicidade, Dreamer e Ligia, acompanhado apenas por músicos brasileiros. São eles: a pianista Eliane Elias, o violonista Oscar Castro-Neves, o baixista Nico Assumpção e o baterista Paulo Braga. O resultado é um quarteto afinado e um som que lembra a clássica parceria entre João Gilberto e o saxofonista Stan Getz, no início dos anos 60. O grande destaque fica para a música Once I Loved, que originalmente se chama Amor em Paz.

Na segunda parte do disco , Henderson se une a três feras do jazz americano. O pianista e compositor Herbie Hancock, o baterista Jack DeJohnette e uma das revelações do jazz, o baixista Christian McBride. A empatia entre os quatro músicos é um momento mágico. Composições como Triste e Retrato em Preto-e-Branco são dissecadas pelo saxofonista em um pranto de técnica e improviso. Além disso, há versões de Passarim, Modinha e, talvez, a mais bela música do maestro Jobim, Chega de Saudade, que em inglês virou No More Blues. Das doze músicas, quatro são parcerias entre Tom Jobim e o poetinha Vinícius de Moraes.


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